quinta-feira, 25 de maio de 2017

Tradução da Bíblia - Uma missão possível


Quais são os conhecimentos necessários para trabalhar com a tradução das Sagradas Escrituras? É comum pensar que tradução se trata de uma tarefa a ser realizada entre dois idiomas, por quem tem o domínio de ambos. No entanto, ela é mais do que a construção de uma ponte entre duas diferentes línguas para se transitar o sentido. As competências necessárias são ainda maiores quando falamos de um trabalho de tradução para línguas que possuem pouco ou nenhum estudo prévio, gerando desafios que transcendem os limites da linguagem, como no caso das traduções feitas pelos missionários para os povos com que trabalham.
    Importante se dizer, logo de início, que todo trabalho de tradução, mesmo os mais bem realizados, poderão atingir um alto grau de fidelidade e precisão, mas nunca alcançarão a perfeição. Cabe lembrar aqui o famoso ditado italiano, que descreve o tradutor: “traduttore, traditore”, isto é, “tradutor, traidor”. Com isso, quero lhe assegurar que não há tradução perfeita. Independentemente do número de edições, revisões, membros do comitê editorial ou qualquer outro controle de qualidade, a comunicação do sentido entre diferentes universos linguísticos e culturais nunca será exato, esta é uma tarefa que não está ao alcance das mãos humanas. Mas isso não significa que devemos desistir de traduzir ou diminuir o valor desse trabalho.
    Mesmo diante das limitações ressaltadas, cremos que pessoas podem ser alcançadas ao terem contato com o Evangelho por meio de uma tradução, mesmo que esta seja imperfeita. Aliás, foi assim comigo e, provavelmente, com você também, por meio de uma das traduções que temos para a nossa língua. Isso acontece porque, mesmo que as traduções disponíveis não tenham capturado as minúcias do significado dos primeiros textos bíblicos, ainda assim, a mensagem central é comunicada de forma clara e satisfatória para cumprir o seu propósito. A tradução da Bíblia ainda é a palavra de Deus, expressando a mensagem das Sagradas Escrituras, tendo o cerne do seu conteúdo preservado pelo próprio Senhor e sendo ela o instrumento do Senhor para transformar os corações daqueles que a leem.
    Olhando para a história da tradução da Bíblia vemos que ela começou com a Septuaginta, sendo seguida por uma longa lista de traduções, tendo, hoje, disponível ao menos um versículo para milhares de línguas. Mas também é uma história ainda não concluída, aguardando ser escrita para quase 2 mil povos etnolinguísticos. Tradução tem um passado marcado por muitas lutas, perseguições e sangue derramado, justamente por causa do debate das dificuldades e consequências envolvidas no processo. Por diversos momentos a Igreja se deparou com a seguinte pergunta: proteger e preservar o texto sagrado ou traduzir e arriscar incorrer em possíveis erros? Me permita um parêntese aqui: essa pergunta, ainda hoje, ecoa de forma aguda no peito de muitos tradutores da Bíblia.
    Mas foi em momentos em que a Igreja tentou proteger a Bíblia, evitando que ela estivesse disponível a todos, blindando-a para evitar que se incorresse em erros de interpretação e resguardando o seu acesso apenas aos líderes da igreja é que Deus levantou homens como John Wycliffe, William Tyndale, Lutero e muitos outros. Estes foram tradutores que, para colocar a palavra de Deus na mão de pessoas que não tinham acesso a ela, pagaram com suas próprias vidas. Wycliffe, por traduzir para o Inglês, foi condenado como herege e, após morto, foi exumado e teve seus ossos queimados e as cinzas lançadas no rio Swift, na Inglaterra. Tyndale viveu uma vida de perseguição e fuga até que, ao final, foi estrangulado e em seguida teve o seu o corpo queimado.
    Retornando à nossa pergunta inicial, o que um tradutor precisa saber para realizar sua missão? Em nosso primeiro texto, mostramos que verter a Palavra de Deus para uma outra língua requer conhecimento em tradução, linguística, antropologia, tecnologia e outras áreas, sem mencionar uma sólida formação em teologia bíblica e conhecimento do grego e hebraico bíblico.
     Como você já notou, desde o início deste texto estamos abordando a natureza da ciência da tradução propriamente. Como toda ciência, ela possui teorias e métodos que vem se desenvolvendo com o avanço dos estudos. Historicamente, a discussão girou em torno da busca por um resultado que se aproximasse de uma tradução com uma equivalência mais formal, preservando as estruturas e formas do texto, resultando em uma tradução mais literal, ou, a produção de um trabalho em se que apresentasse um texto mais dinâmico, priorizando a comunicação do sentido do texto fonte.
    De maneira geral, toda boa tradução bíblica tem por alvo a incansável produção de um texto claro, preciso, natural e aceitável. A presença desses quatro elementos é essencial. Por se tratar da Palavra do nosso Deus, é sine qua non que ilimitados esforços sejam aplicados na proteção da fidelidade do sentido do texto. Também uma produção textual que respeite as regras da língua alvo, possibilitando uma leitura que possa ser feita com clareza e fluidez é de suma importância. Não há razão para a existência de um texto artificial e com poucas condições de leitura. Não foi por acaso que o Novo Testamento foi escrito em Grego Koine, que era um grego mais popular e acessível a todos.
    Espero que você tenha compreendido um pouco dos desafios da tradução da Bíblia. Este é uma história ainda não concluída, pois muito ainda há por se fazer. Perseguições, lutas e sangue a ser derramado ainda precisam ser superados para que a boa mensagem do Evangelho chegue às mãos dos que ainda não a conhecem, e Cristo, nosso mestre, seja anunciado entre todos os povos. Também a história nos ensina que a palavra do nosso Deus permanece para sempre. Ela já atravessou milênios, é o livro mais traduzido, lido e distribuído na humanidade e tem se provado indestrutível na sua vulnerabilidade. E não apenas a história nos ensina isso, pois o nosso próprio Senhor nos diz que “Para sempre, ó Senhor, está firmada a tua palavra no céu.” (Sl 119.89).
jesseJessé Fogaça - Pastor presbiteriano, linguista e tradutor da Bíblia. Membro da Agência Presbiteriana de Missões Transculturais (APMT), Associação Linguística Evangélica Missionária (ALEM), Australian Society for Indigenous Languages (AuSIL) e Summer Institute of Linguistics (SIL Internacional).

domingo, 14 de maio de 2017

O ciclo de poder de Jesus


"Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem." – Romanos 12:21
Seria o efeito dos medicamentos? Seria um sonho confuso? Ou seria uma função prejudicada do cérebro que os médicos previram? Qualquer que fosse o cenário, era desconcertante.
“Nuri”, um muçulmano vivendo no norte da Índia, esteve no hospital por vários dias. Agora, na névoa da fadiga e remédios, ele viu seu filho, “Rasheed”, acompanhado por um hindu, religião tradicional na Índia. E o hindu, que depois veio a ser conhecido como “Pavaak”, estava gritando: “Nuri, seja curado em nome de Jesus!”
Toda essa confusão começou com uma disputa por terra entre seus vizinhos muçulmanos. Como Nuri se recusava a entregar um pedaço do lote da família, a disputa se tornou violenta, até que os vizinhos do clã armaram uma emboscada e bateram nele com varas de bambu até acharem que ele tinha morrido.
Seriam os remédios? Seria apenas uma questão de tempo? Ou seria a oração fervorosa do hindu invocando o nome Jesus? O que quer que estivesse dirigindo o cenário, Nuri deixou hospital poucas semanas depois, em condições muito melhores do que os médicos esperavam. Além disso, sua vida e a de seu filho foram mudadas para a eternidade.
Durante a recuperação, Nuri teve bastante tempo para pensar no que aconteceu. Inicialmente, ele estava bem irado. Ele havia vivido de acordo com as tradições muçulmanas. Ele ordenou ao seu filho que tomasse uma esposa quando Rasheed tinha apenas 13 anos de idade. Nuri continuou a seguir os costumes islâmicos da área, obrigando Rasheed a tomar uma segunda esposa há poucos anos atrás. Seguir estas tradições trouxe muitos problemas à família, pois alimentar duas bocas a mais não é nada fácil.
E que gratidão recebeu? Muçulmanos tentaram roubar a terra de onde ele tirava o sustento de sua família. Depois de espancado, não foi um muçulmano que veio orar por ele. Quem veio orar foi um hindu, que se tornou cristão. Pavaak desconsiderou o complicado sistema de castas da nação para mostrar amor e preocupação por Nuri.
Pavaak levou seu amigo, “Bill”, um trabalhador da Frontiers que mora na cidade, para visitar Nuri e Rasheed no hospital. Foi assim que eles entenderam quem era Jesus, aquele que Pavaak citava em suas orações. A medida que Bill explicava o papel do pecado, Nuri e Rasheed entenderam melhor a motivação de seus vizinhos. Quando Bill descreveu como, através da cruz, Jesus quebrou a maldição do pecado, Nuri e Rasheed estavam prontos para seguir Jesus.
Finalmente, à medida que Bill os ensinava sobre perdão, Nuri e Rasheed foram capazes de retornar ao lugar onde puderam ter paz com seus vizinhos. Aquele perdão não passou desapercebido pelos muçulmanos. Logo os vizinhos estavam se perguntando como vítimas de injustiça eram capazes de perdoar e Nuri e Rasheed responderam: “Cristo crucificado!”
Desde que recebera alta do hospital, Rasheed continuou a estudar com Bill acerca de Jesus. Seu testemunho estimulou outros muçulmanos a aceitarem o Salvador. Atualmente, Bill está ensinado aos novos seguidores a usarem suas influências na comunidade para criar um reavivamento por Jesus.
Através da fé em Cristo, velhos ciclos são quebrados. O sistema de casta entre hindus e muçulmanos, o espírito de violência dentro da comunidade islâmica e a falta de perdão entre vizinhos foram substituídos por um novo ciclo – o ciclo de amor – pelo poder de Jesus.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Conheça a falsa banana ensete, alimento típico na Etiópia

Um tukul, a cabana tradicional etíope, com uma plantação de ensete na estrada para Boricha, na Região das Nações e Nacionalidades dos Povos do Sul da Etiópia (Foto: Giselle Paulino/ÉPOCA)
Um tukul, a cabana tradicional etíope, com uma plantação de ensete na estrada para Boricha, na Região das Nações e Nacionalidades dos Povos do Sul da Etiópia (Foto: Giselle Paulino/ÉPOCA)

http://epoca.globo.com
Quem olha para essa planta de aparência tropical, com caule suculento e folhas largas verdes e brilhantes, pensa que se trata de uma bananeira comum, apenas sem os cachos da fruta paradisíaca. Ainda que pertença à mesma família musácea de nossa banana comestível, a ensete (Ensete ventricosum) é muito mais que uma simples herbácea. Nativa da Etiópia, a falsa banana ou banana-da-abissínia oferece uma fibra muito usada pela população do sul do país – até mesmo para construir casas –, possui propriedades medicinais e é a base da alimentação de quase 10 milhões de pessoas que vivem na região.
Em 1640, o padre português Jerônimo Lobo viajava pela antiga Abissínia e descreveu a ensete como “uma árvore peculiar do país” que, quando preparada para comer, “lembrava o nabo.” A planta passou a ser chamada “árvore dos pobres”, embora fosse consumida também pelos ricos. Seu outro nome é “árvore contra a fome”, já que todos aqueles que plantavam a espécie não corriam o risco de não ter o que comer. Com uma ensete no quintal, sempre há alimento.
Vimos plantações de ensete pela primeira vez em uma comunidade Dorze, na Região das Nações e Nacionalidades dos Povos do Sul da Etiópia (RNNPS) que, como o nome sugere, abriga mais de 50 diferentes etnias concentradas no vale do Rio Omo, perto das fronteiras do Quênia e do Sudão do Sul. Essas tribos, como Mursi, Hammer, Karo, Tsemay ou Arbore, representam alguns dos últimos exemplos de povos nativos africanos que ainda vivem com pouca influência ocidental e mantém seus costumes e tradições.
A etnia Dorze vive nas montanhas, a 3.000 metros de altitude, a algumas dezenas de quilômetros de Arba Minch. A principal característica da comunidade são suas casas construídas a partir de bambu e “folhas de bananeira”, ou o que pensávamos ser uma bananeira. Chegando a atingir 10 metros de altura, apesar da aparência frágil, as cabanas podem durar até meio século.
A etnia Dorze habita as montanhas e usa as folhas secas de ensete para construir suas casas (Foto: Haroldo Castro/ÉPOCA)
As cabanas do povo Dorze podem atingir 10 metros de altura e são sempre rodeadas com plantas de ensete (Foto: Haroldo Castro/ÉPOCA)






































Além de abrigar a (extensa) família etíope, a casa feita com folhas de banana tem espaço suficiente para acolher animais domésticos da família, como bezerros, cabras e bodes. Não há problema em conviver com os animais, pois, segundo o povo Dorze, estes ajudam a manter o calor no interior das casas. Vistas à distância, as cabaninhas parecem uma família de elefantes, tanto pela cor acinzentada como pela forma ondulada.
Mas foi apenas um ano mais tarde, durante uma pesquisa de campo com o povo Sidama, também na RNNPS, que fomos compreender a importância dessa planta para a segurança alimentar e nutricional da Etiópia. Embora pareça paradoxal, a Etiópia é um país rico em biodiversidade com grande diversidade genética de culturas como cevada, milhete, sorgo, gergelim, moringa ou linhaça, além de possuir espécies nativas como o tef e a ensete. Relatos de exploradores do século 16 dão detalhes da riqueza do país e da beleza das montanhas cobertas por uma, então, vegetação exuberante. 
No entanto, de acordo com o World Resource Institute, atualmente apenas 4% da vegetação nativa restou no país. Um dos motivos desse verdadeiro colapso foram os séculos de governos autoritários e exploratórios que obrigaram os agricultores a entregarem parte de suas produções e a pagar taxas abusivas à aristocracia da época. Essas medidas forçaram a população a viver em situação de pobreza extrema na qual as únicas alternativas eram avançar com a agricultura sobre as terras virgens e cortar a madeira das florestas para serem processadas e vendidas como carvão.
O livro publicado pelas universidades da Flórida e de Hawassa Ensete: The tree against hunger mostra que, no passado, a falsa banana espalhava-se por todo o território etíope, mas hoje é encontrada apenas na RNNPS e em alguns lugares ao redor do Lago Tana, nas montanhas Simien e no sul da Eritreia.
Cena típica rural etíope, com a sempre presente plantação de ensete ao fundo  (Foto: Giselle Paulino/ÉPOCA)



















Variedades selvagens da ensete também podem ser encontradas na Ásia, em alguns países da África Subsaariana e em Madagascar. No entanto, apenas na Etiópia a planta foi domesticada em uma escala maior. Alguns historiadores e antropólogos acreditam que esse processo pode ter começado há cerca de 10 mil anos.
Durante a fome que atingiu o país em 1983 e 1984, as comunidades que cultivavam ensete em suas roças conseguiram superar com menos dificuldades os terríveis meses de seca. A planta é capaz de resistir a períodos de estiagem. Ao mesmo tempo, quando a chuva cai com violência, sua vasta folhagem ajuda a proteger o solo das enxurradas, evitando a perda de nutrientes e a consequente erosão.
Nos arredores de Hawassa, a capital da RNNPS, o cenário rural é composto pelos tradicionais tukuls, cabanas circulares de palha, nas quais a eletricidade ainda não chegou. Na região, todo tukul está sempre rodeado por uma plantação de falsa banana. Foi lá que aprendi a importância do kocho, alimento parecido a um pão produzido a partir da ensete e principal componente da dieta da região. “Comemos kocho de manhã, na hora do almoço e no jantar. Não podemos viver sem ensete”, diz Mikael Babe, agricultor de Boricha.
Mikael Babe em sua plantação de ensete. Ele come kocho três vezes ao dia e todos os dias ao ano  (Foto: Giselle Paulino/ÉPOCA)


Para preparar o kocho é preciso extrair a polpa do pseudocaule não lenhoso da falsa banana e enterrar a massa por cerca de 12 a 15 dias para que um processo de fermentação aconteça. Após esse período, o produto é retirado do buraco cavado no solo, hidratado, amassado e assado dentro de uma folha da própria ensete. O ritual vem se repetindo por muitas gerações.
Jovem retira a polpa da falsa-banana de seu pseudocaule com ajuda de um pente artesanal que separa o futuro alimento da fibra (Foto: Haroldo Castro/ÉPOCA)
Depois de fermentada por 12 a 15 dias, a massa do kocho é hidratada e amassada como um pão (Foto: Giselle Paulino/ÉPOCA)
Depois do kocho tomar a forma de um pão achatado, ele é assado sobre uma placa quente, dentro de uma folha de ensete (Foto: Haroldo Castro/ÉPOCA)



























































Toda a produção de ensete é destinada ao consumo próprio local. Quando uma família está sem a planta, basta recorrer ao vizinho e pedir emprestado alguns caules ou até mesmo encontrá-la na feira local. Nessas regiões onde os agricultores vivem exclusivamente do que produzem, plantar os alimentos básicos é uma prioridade, principalmente quando se trata de áreas vulneráveis a períodos de seca e riscos de situações de fome, como é o caso da Etiópia e de outros países da África Subsaariana.
Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a ensete produz mais alimento do que a maioria dos cereais. Estima-se que uma plantação com 50 pés de falsa banana, ocupando apenas cerca de 300 metros quadrados, possa alimentar diariamente uma família de cinco a seis pessoas. Um simples pé de ensete rende, durante seu ciclo, cerca de 40 quilos de kocho.
Outro benefício da planta é que os campos de ensete são adubados por compostos orgânicos feitos a partir dos excrementos de animais domésticos. Esse procedimento contribui com a fertilidade do solo e ajuda a aumentar a capacidade da terra em absorver a água da chuva. Como o cultivo de ensete acaba melhorando a qualidade do solo, sua produção tem sido contínua por séculos a fio.
Para nós ocidentais, não acostumados com comidas fermentadas, o kocho pode parecer pesado e de gosto estranho. Mas na zona rural de Hawassa, a polpa da ensete está presente todos os dias nos pratos dos camponeses.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Carta da Sociedade Bíblica do Egito sobre atentados


http://www.ultimato.com.br

A Sociedade Bíblica do Egito divulgou uma carta em resposta aos dois atentados com bombas, que deixaram 46 mortos e uma centena de feridos no último domingo (09/04). Os dois ataques aconteceram em duas igrejas cristãs coptas, nas cidades de Alexandria e Tanta, quando estava sendo celebrada a missa de Domingo de Ramos.

A autoria das duas explosões foi assumida pelo grupo terrorista Estado Islâmico, que também se responsabilizou pela explosão que causou 29 mortes em dezembro de 2016, na catedral copta de São Marcos, no Cairo. Mês passado, cerca de 400 cristãos coptas deixaram suas casas na Península do Sinai por causa de ameaças de jihadistas ligados ao ISIS. Os coptas representam cerca de 10% da população egípcia é a minoria cristã mais antiga e mais numerosa do Oriente Médio.

A carta da Sociedade Bíblica do Egito diz que “o que está acontecendo no Egito não é uma lenda de 2000 anos atrás, mas um testemunho atual, vivo, do poder da fé cristã”. 

Leia a seguir a carta na íntegra:

*****
Não é apenas uma lenda

Caros amigos,

Agradecemos a todos que expressaram preocupação e orações, seguindo os bombardeios trágicos nas igrejas de Tanta e de Alexandria.

Domingo de Ramos é um dos dias mais festivos no calendário da nossa igreja. Cristãos egípcios carregam ramos de palmeiras com trançados artísticos. Eles cantam: Hosana ao Rei dos Reis! É um dia de celebração cheio de alegria. 

Aí a primeira bomba explodiu.

Imediatamente muitos cantores que participavam na liturgia mudaram suas vestes terrenas agora cheias de sangue por vestes de mártires, lavadas no sangue do cordeiro. (Ap 7.11). Poucas horas depois uma segunda bomba explodiu em Alexandria, onde um homem bomba suicida detonou seu explosivo do lado de fora da igreja São Marcos. Ao todo morreram 46 pessoas, deixando a celebração pela fé para celebrar por vista, encontrando seu Salvador face a face. Muitos outros ficaram feridos 

Os funerais eram uma mistura de lamentações e alegria, como um bispo explicou:

“É verdade, nós amamos o martírio. Mas também amamos a vida. Não odiamos a vida terrena. Deus nos criou na terra para viver, não para morrer. O fato que aceitamos a morte não significa que nosso sangue é barato, e não significa que não nos importamos. Não cometemos suicídio. Mas damos testemunho de Jesus, quer por meio de nossas vidas ou pela nossa transição para o céu. Se vivemos, vivemos para o Senhor, e se morremos, morremos para o Senhor.” 

A mídia está perplexa. Em muitas ocasiões, muçulmanos que ficaram irados com esse ódio cego e mau, expresso nessa atrocidade, ficam frustrados com os cristãos e sua conversa sobre amor e perdão. Assim como em ataques anteriores, o sentido de vingança é mínimo, enquanto famílias aceitam o martírio como um dom de Deus. 
Clique aqui para verificar o espanto de um entrevistador muçulmano com a atitude da viúva do porteiro que impediu o suicida de entrar na igreja em Alexandria, assim salvando muitas vidas. O que está acontecendo no Egito não é uma lenda de 2000 anos atrás, mas um testemunho atual, vivo, do poder da fé cristã.

Por favor, orem pela igreja dos Mártires enquanto ela procura aplicar fielmente os ensinos e o exemplo de Jesus para perdoar e continuar firmes. Orem por paciência em meio ao sofrimento e luto. Orem por vitória sobre a amargura e a ira. Orem pela nossa igreja e pelos líderes do governo;

E quando estiverem celebrando nesse fim de semana, que possam ser inspirados pelo testemunho de muitos cristãos egípcios cuja fé expressa o verdadeiro sentido da Páscoa.

Sinceramente em Cristo,

Ramez Atallah
Diretor Geral
Sociedade Bíblica do Egito

Tradução: Tonica van der Meer

terça-feira, 4 de abril de 2017

Conheça o Teff, o cereal que é a base da alimentação na Etiópia

Direito de imagemTHINKSTOCK
Image captionA colheita do teff na Etiópia: grão comumente consumido no país virou moda em países ocidentais
http://www.bbc.com/portuguese
Em uma fazenda no interior da Etiópia, sob o céu azul, um jovem agricultor encoraja bois a pisotear palha de cereais no chão, para ajudar a separar as sementes.
Essa cena se repete em toda a zona rural do país. Dessas plantas sai a semente de um grão chamado teff, consumido no país africano há centenas de anos, mas agora exaltado na Europa e na América do Norte como um "supergrão" - assim como a quinoa.
Rico em proteínas e cálcio, além de livre de glúten, o teff tem crescido em popularidade internacionalmente.
No entanto, como o grão é parte fundamental da dieta etíope - comumente transformado em um pão achatado acinzentado chamado injera -, o país proíbe a exportação do teff, seja ele em sua forma mais crua ou depois de ser transformado em farinha.
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Image captionRico em proteínas e cálcio, além de livre de glúten, o teff tem crescido em popularidade internacionalmente
Por isso, empresas etíopes só podem, por enquanto, exportar o pão injera e outros derivados do teff, como bolos e biscoitos.
A expectativa dos empresários, porém, é de que a Etiópia consiga aumentar significativamente sua colheita de teff, para que o grão possa ser exportado em um futuro não muito distante.
"Começamos do zero e agora estamos levando nossa comida tradicional a todo o mundo", diz Hailu Tessema, fundador da Mama Fresh, primeiro produtor de injera em grande escala na Etiópia.

Demanda crescente

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Image captionA farinha de teff é misturada com água dentro de barris, onde fermenta por quatro dias
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Image captionGrão é transformado em pão achatado acinzentado chamado 'injera'
Seis dias por semana, a Mama Fresh usa voos da Ethiopian Airlines para levar 3 mil pães da capital, Adis Abeba, a Washington, nos EUA, onde vivem vários imigrantes etíopes.
O injera também é transportado à Suécia três vezes por semana, à Noruega duas vezes por semana, e à Alemanha três vezes ao mês.
"A demanda tem aumentado cerca de 10% por mês", diz Tessema, 60, que não se incomoda com o veto à exportação de sementes de teff.
"É melhor exportar produtos com valor agregado, porque isso cria mais empregos."
A Mama Fresh emprega mais de cem pessoas e pretende contratar mais 50 neste ano. Sua matéria-prima vem de 300 produtores.
Tessema começou seu negócio em 2003, com 100 mil birrs etíopes (cerca de R$ 15 mil) e um barraco.
Hoje, sua receita anual é de cerca de 17 milhões de birrs (R$ 2,5 milhões), e no ano passado a empresa inaugurou uma nova fábrica.
Ali dentro, a farinha de teff é misturada com água dentro de barris, onde fermenta por quatro dias, para depois serem usados na produção do injera.
No exterior, o pão já tem consumidores cativos, muitos deles expatriados etíopes.
Pequeno grão do tamanho de uma semente de papoula, o teff também pode ser processado na forma de farinha e usado para produzir pães no estilo ocidental ou mesmo massas. Em Londres, a empresa Tobia Teff usa teff produzido nos EUA para fazer pães e mingau.
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Image captionEm Londres, empresa Tobia Teff usa teff produzido nos EUA para fazer pães e mingau
O negócio foi fundado pela etíope-britânica Sophie Sirak-Kebede, 58, que comandava também um restaurante na capital britânica, mas decidiu dedicar-se apenas ao teff.
"As pessoas têm sonhado com teff ultimamente", diz ela. "Depois de milhares de anos (de existência), ele virou moda por aqui."
Suas vendas aumentaram 40% nos últimos 14 meses.
Até mesmo o Serviço de Saúde Britânico (NHS na sigla ingesa, equivalente ao SUS no Brasil) passou a servir o teff para pacientes com intolerância a glúten.

Produtividade

No entanto, apesar de suas elogiadas propriedades nutricionais, o teff tem um problema produtivo: "Ele não dá muito rendimento. Houve pouco investimento e pesquisa nas colheitas", diz Zerihun Tadele, pesquisador etíope da Universidade de Berna, na Suíça.
A produtividade média de teff na Etiópia é de 1,4 tonelada por hectare, menos da metade da média global de 3,2 toneladas para variedades modernas de trigo.
Tadele espera que, por meio de pesquisas e métodos agrícolas mais eficientes, seja possível elevar a plantação para 5 toneladas por hectare.
Esse avanço já virá tarde: as recentes colheitas de teff não têm conseguido acompanhar a população crescente da Etiópia, fazendo com que os preços subam acima do que muitos conseguem pagar, sobretudo os que moram longe de Adis Abeba.
Sirak-Kebede, da Tobia Teff, diz que a situação cria um dilema porque "o teff é a espinha dorsal (da dieta) da Etiópia".
Direito de imagemBBC WORLD SERVICE
Image captionEtiópia proíbe exportação do teff, seja ele em sua forma mais crua ou depois de ser transformado em farinha
"A escassez do teff seria como pedir aos etíopes que parassem de respirar", diz ela.
Ao mesmo tempo, porém, a empresária nota que o governo da Etiópia não deveria desperdiçar a oportunidade de exportar o produto, o que beneficiaria mais de 6 milhões de agricultores no país e gerar divisas.
A Agência de Transformação Agrícola, órgão governamental, está focada em aumentar a produção do grão para ao menos atender a demanda interna. Depois disso, talvez seja possível exportar sementes e farinha.
"A oportunidade para o país é significativa e o benefício de longo prazo supera os riscos", diz Matthew Davis, sócio do fundo de investimentos americano Renew Strategies, que investe na Mama Fresh.
"O governo provavelmente vai proceder com cautela, concedendo licenças apenas para exportadores selecionados."
Certamente o governo etíope acompanha com nervosismo o exemplo da quinoa, que se tornou tão popular globalmente que se tornou caro demais para muitas pessoas na Bolívia e no Peru - origem do grão.
Se a exportação de teff da Etiópia acabar sendo autorizada, Sirak-Kebede diz que comprará terras no país para produzir o grão e suprir com ele sua empresa britânica.
"Sendo de origem etíope, preferiria comprar o teff da Etiópia", diz ela. "A qualidade é incomparável."

sábado, 25 de março de 2017

Entenda a crise na conturbada Somália


Entenda a crise na Somália

BBC
Combatente das milícias islâmicas na Somália
Milícias islâmicas contam com apoio da população em Mogadíscio
A guerra na Somália se intensificou com o envolvimento de forças militares etíopes no conflito entre o governo interino somali e a milícia islâmica que controla boa parte do país.
Forças etíopes e do governo tomaram várias cidade que estavam sob controle da União das Cortes Islâmicas (UCI) e avançam em direção à capital, Mogadíscio.
As últimas informações eram de que as milícias estavam se retirando de suas posições.
O número de mortos ainda é incerto. Ambos os lados afirmam que mataram vários oponentes. A ONU está preocupada com a precária situação dos milhares de refugiados deixados pelo conflito.
Entenda melhor o conflito na Somália e os interesses em jogo.

Quem, afinal, governa a Somália?
É um governo interino - liderado pelo presidente Abdullahi Yusuf e reconhecido pela comunidade internacional - tido como fraco e cada vez mais impotente para lidar com as milícias das União das Cortes Islâmicas (UCI).
O ministro da Defesa teve que fugir com suas tropas quando as UCI avançaram sobre o porto de Kismayo, até então controlado pelo governo.
O governo, cuja sede fica em Baidoa, pediu ajuda internacional. O Conselho de Segurança da ONU aprovou planos de enviar uma força de paz africana para apoiar o governo.
O apoio mais consistente ao governo vem da Etiópia, que iniciou uma incursão militar direta na Somália contra alvos da milícia islâmica.

O que é a União das Cortes Islâmicas?
Trata-se de uma rede formada por 11 tribunais islâmicos criados na capital somali, Mogadíscio, financiados por comerciantes e empresários preocupados com a crescente anarquia na cidade.
O objetivo da UCI é restaurar e impor a Sharia, lei islâmica, e por fim à impunidade e a criminalidade na região. Moradores locais disseram que a atividade criminosa foi reduzida na cidade graças às milícias.
Mas há temores de que o objetivo real das milícias seria o de transformar a Somália num Estado islâmico.
Os Estados Unidos temem que a UCI esteja dando refúgio a militantes da Al-Qaeda, e acredita-se que Washington esteja apoiando a aliança de líderes tribais formada em Mogadíscio para combater a milícia.

Quem apóia a União das Cortes Islâmicas ?
A milícia tem ficado cada vez mais popular entre os residentes da capital somali, mas não se sabe ao certo de onde vêm as armas e o financiamento de sua campanha militar.
Um relatório da ONU disse que as Cortes estavam sendo providas de armas pela Eritréia, e que o governo interino somali estava sendo armado pela Etiópia.
Houve quem dissesse que a UCI estaria sendo financiada pela Arábia Saudita.

Quais são as supostas ligações com a Al-Qaeda?
A UCI nega qualquer ligação com a Al-Qaeda. Mas diplomatas acreditam que pequenos grupos de militantes, entre eles estrangeiros, estariam operando no país.
Houve pelo menos quatro ataques contra alvos dos Estados Unidos ou Israel em países do leste africano, todos eles ligados à Somália.

Qual é o papel da Etiópia no conflito?
A Etiópia estava preocupada com o avanço da milícia islâmica na Somália, que considera uma ameaça, e, por isso, resolveu intervir com uma ação militar no país vizinho.
O Exército etíope enviou tanques e artilharia pesada ao país, e jatos da força aérea etíope bombardearam alvos da milícia islâmica.
O exército da Etiópia é um dos maiores e mais bem-equipados da África, com mais de cem mil soldados treinados.
O primeiro-ministro etíope, Meles Zeawi, disse querer uma guerra "rápida e vitoriosa".
Vários grupos rebeldes tinham prometido resistir ao avanço etíope - o que parece não ter se concretizado.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Brasil: Número de povos indígenas em cada família linguística

Número de povos indígenas em cada família linguística

(Passe o cursor sobre os quadrados para visualizar os números. Clique nos círculos para visualizar mais partes do gráfico)

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Mapa mostra as línguas faladas no mundo e permite que você ouça os sotaques regionais



Qualquer um que já viajou de uma região a outra do Brasil, e, em alguns casos, mesmo de uma cidade a outra, sabe que há diferenças marcantes no vocabulário utilizado e mesmo no jeito como as palavras são pronunciadas.
Essas diferenças territoriais na forma como se fala são suficientes para constituir dialetos. No Brasil, por exemplo, há o dialeto recifense, falado na região metropolitana do Recife; o dialeto caipira, falado em partes de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Paraná; e o cearense.
Para quem não conhece uma língua, compreender e se acostumar com essas diferentes formas de falar pode ser tão difícil quanto aprender uma nova gramática. Foi a partir desse problema que David Ding, ex-engenheiro de softwares da Microsoft, criou o Localingual, um mapa interativo on-line no qual é possível ouvir trechos de falas de pessoas de diversas regiões do globo.
Clique aqui e veja o mapa interativo.
Com ele é possível ouvir não só as diferenças entre o português de um gaúcho e de um paraibano, mas também entre um falante de francês de Paris ou de Québec, no Canadá, por exemplo.
O site mostra um mapa-múndi com todos os países. Conforme se dá um zoom na imagem, as divisões administrativas internas — Estados, no caso do Brasil —, assim como algumas das principais cidades, são destacadas. Ao clicar nelas é possível ouvir o som de vozes locais.
O site foi ao ar no dia 8 de janeiro de 2017, e as gravações são enviadas por voluntários. Por isso, mesmo com mais de 18 mil diferentes gravações, ainda há diversos locais com poucos ou nenhum exemplo de falas.
Segundo o criador do Localingual, o objetivo é fazer com que o site, que é mantido à base de doações, se transforme em uma “Wikipédia das línguas e dialetos”, que poderia ser consultada por qualquer interessado em aprender a pronunciar as palavras de acordo com a região do globo.

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