sábado, 18 de agosto de 2018

Você sabe o que é estresse hídrico?


https://www.oeco.org.br
Mesmo repleto de rios, mares e oceanos, nosso planeta tem disponível apenas cerca de 2,5% a 3% de água doce, isto é, água propícia para o consumo de cerca de 7 bilhões de seres humanos. Estes percentuais seriam suficientes para abastecer toda a população global, mas há um problema: água doce é um recurso natural que não se distribui igualmente e boa parte é de difícil acesso (localizada em rios, lagos, geleiras e aquíferos). Abundante em alguns países, escasso em outros, é usado intensamente pela agricultura, indústria e em atividades domésticas – só que de forma cada vez mais insustentável.
Além das razões acima, ainda se pode acrescentar os desequilíbrios ambientais (poluição dos rios, seca, enfraquecimento dos lençóis freáticos, etc.), o desperdício e a má distribuição da água por parte dos órgãos gestores.
Quando a demanda por água de um número de habitantes e o consumo médio por habitante supera a oferta, ou seja, a quantidade e a capacidade de distribuição de água existente, uma determinada cidade ou região, está caracterizada uma situação de estresse hídrico.
A falta de acesso à água potável deixa os países mais pobres ou marcados por histórico de conflitos militares, instabilidades políticas e sociais, como é caso dos países do Oriente Médio e África, em grave estado de vulnerabilidade: o estresse hídrico pode limitar (e limita) o crescimento econômico, restringindo atividades empresariais e agrícolas. E também afeta a capacidade de produzir alimentos suficientes para alimentar as populações.
Em breve o mundo atingirá a marca de 9 bilhões de pessoas, 2 bilhões a mais que temos hoje. Se apenas um terço deste total adotar padrões de consumo de uma pessoa da classe média, será necessário produzir 50% a mais de alimentos, a oferta de energia terá de crescer 45% e o consumo de água aumentará 30%: a pressão sobre os recursos naturais do planeta se tornará insustentável. E, nada sendo feito para mudar padrões de consumo, dois terços da população global poderão sofrer com escassez de água doce até 2025, de acordo com a ONU (que, aliás, declarou 2013 como o Ano Internacional da Cooperação pela Água).
O Brasil, rico neste recurso natural - detém cerca de12% do total das reservas de águas doces do planeta -, já sente os reflexos da escassez. Aqui as condições de acesso não são equânimes: a região hidrográfica Amazônica (Norte e Centro-Oeste) equivale a 45% do território nacional e detém 81% da disponibilidade hídrica. As regiões litorâneas (Sul, Sudeste e Nordeste), que respondem por apenas 3% da oferta nacional, abrigam 45% da população do país. Em outras palavras, onde se concentram cada vez mais brasileiros, há cada vez menos água. A fórmula para o estresse hídrico.
De acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), dos 29 maiores aglomerados urbanos do país, 16 precisam buscar de novas fontes de água para garantir o abastecimento até 2015.
O problema também tem um aspecto social. O consumo entre regiões, e até entre municípios, é extremamente desigual. Enquanto um cidadão do Rio de Janeiro usa 236 litros de água por dia, o consumo em Alagoas é de 91 litros. Outro exemplo: o consumo de água na Região Metropolitana de São Paulo é 4,3 vezes maior do que a água que há disponível para todo o estado.
O estresse hídrico não se limita à escassez de água. Saneamento também é uma causa. O consumo humano exige que a água seja limpa e tratada, mas o crescimento das cidades destrói fontes de água (mananciais). As águas superficiais -- água que não penetra no subsolo, correndo ao longo da superfície do terreno, e acabando por entrar nos lagos, rios ou ribeiros -- são poluídas pelo lançamento de esgoto, efluentes industriais e até mesmo venenos usados em larga escala na agricultura. No Brasil, 73% dos municípios são abastecidos com águas superficiais, sujeitas a todo tipo de poluentes.
A concentração urbana tem sido sinônimo de degradação ambiental. Até mesmo as águas profundas são atingidas pela degradação e da exploração em excesso: a falta de saneamento adequado na região Nordeste, por exemplo, fez com que o esgoto alcançasse poços. Um grave problema, se considerarmos que nos últimos anos, ocorreu um aumento significativo no consumo de água subterrânea no país. Agrava a situação, uma política pública de saneamento básico que tem se mostrado irregular e deficiente, em todas as esferas da administração pública (federal, estadual e municipal).
O estresse hídrico é, portanto, maior nas regiões que concentram maior população, não necessariamente nas mais secas. Hoje, as áreas urbanas consomem 60% da água doce do planeta e, se confirmadas as projeções da ONU, até 2050, 70% da população mundial estará concentrada em grandes cidades, causando maior pressão a um sistema agora já está à beira da insustentabilidade.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Linguista afirma ter encontrado 14 formas de amor ao redor do mundo

casalDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionO linguista britânico estuda a forma como diferentes línguas tratam do amor
Laís Modelli - http://www.bbc.com/portuguese/
Há muitas formas de amar e ser amado. Pelo menos é isso o que o linguista britânico Tim Lomas, professor de Psicologia Positiva na Universidade do Leste de Londres, afirma ter descoberto e catalogado a existência de, pelo menos, 14 tipos de amor divididos em quatro categorias distintas.
O britânico pesquisa, desde 2015, palavras que descrevem experiências emocionais positivas de diversos idiomas, traduzíveis ou não para o inglês. Lomas estudou o vocabulário de cerca de 50 idiomas e reuniu mais de mil termos.
Ainda neste semestre, o linguista publicará no Reino Unido dois livros sobre suas pesquisas de lexicografia das emoções.
O primeiro sairá em maio e apresentará ao leitor a tradução de "felicidade" ao redor do mundo (Translating Happiness: A Cross-Cultural Lexicon of Well-Being, ou Traduzindo a felicidade: um léxico multicultural do bem-estar); o segundo livro será um dicionário de sentimentos e emoções positivos (The Happiness Dictionary: Words from Around the World to Help Us Lead a Richer Life, ou O dicionário da felicidade: palavras do mundo inteiro que nos ajudam a ter uma vida mais rica), que será publicado em junho.
O interesse do autor agora é catalogar a maneira como o amor é descrito em nessas línguas. Até o momento, Lomas encontrou mais de 600 palavras em inúmeros idiomas que se referem ao ato de amar e que não têm tradução para o inglês - a língua mais falada do nosso tempo.
Mas, afinal, o que é o amor?
Tim Lomas
Image captionO especialista Tim Lomas não dá uma resposta fechada sobre "o que é o amor" | Foto: Tim Lomas
"Sem dúvida, não existe nenhuma palavra que dê conta da ampla gama de sentimentos e experiências que envolve o amor", se esquiva Lomas da resposta.
Ou seja, a pesquisa de Lomas conclui que o vocabulário de cada povo pode expressar uma maneira específica de amar e se falar de amor naquela cultura.
No português, por exemplo, sentimos "saudade" quando não estamos perto da pessoa amada, do nosso "xodó". Também pedimos "cafuné" e dizemos que nos "apaixonamos" antes de dizer que, enfim, amamos alguém. Esse é o jeitinho único do brasileiro de falar e descrever o amor, já que "saudade", "xodó", "cafuné" e "apaixonar" nem sempre têm uma única palavra equivalente ou tradução para outras línguas.
Como explicar para seu amigo alemão porque sua mãe te chama de xodó e que paixão, para nós, é um verbo, apaixonar?

Os sabores do amor

Durante toda a entrevista, o pesquisador - simpático e hábil no uso das palavras - enfatizou que são "pelo menos" 14 tipos de amor, pois que não se trata de um esquema fechado e definitivo. Segundo Lomas, o amor é a emoção mais apreciada, falada e procurada ao redor do mundo, fazendo com que seja tarefa quase que impossível identificar todas as formas possíveis de amar.
Aliás, o linguista não usa a palavra "forma" ou "tipo" em sua pesquisa, publicada recentemente no Journal for the Theory of Social Analysis, mas sim "flavours", ou sabores. O pesquisador explica que prefere usar a metáfora de "sabores" do amor para demonstrar que cada situação pode envolver uma ou mais formas de amor.
"Um dado relacionamento não é exclusivamente só um 'tipo' de amor. Por exemplo, um relacionamento romântico pode entrever vários desses tipos. A metáfora dos sabores nos permite apreciar que um relacionamento possa misturar vários sabores para criar um 'gosto' único", afirma Lomas.
Família sorrindoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionO amor aos familiares e aos filhos tem uma palavra específica em grego
O linguista também explica que, para compor a lista dos "sabores", nomeou cada forma com termos gregos intraduzíveis para outros idiomas.
"Essas palavras podem revelar fenômenos (relacionados ao amor) que foram negligenciados ou subestimados em uma cultura", explica.
Em outras palavras, o linguista defende que para percebermos que um sentimento existe e que ele é diferente de outros que já conhecemos, é preciso que saibamos nomeá-lo. Por isso a especial atenção do pesquisador em nomear cada forma de uma maneira específica.

Além do romântico

Para demonstrar a complexidade de sentimentos, emoções e situações que envolve o amor, o linguista agrupou os 14 tipos em quatro categorias diferentes:
A primeira categoria abarca as formas impessoais de amor, "sabores" do amor que não estão relacionadas a pessoas, mas aos sentimentos de pertencimento e de identificação que estabelecemos com lugares, objetos e atividades:
"Érōs" - o amor por objetos que apreciamos;
"Meraki" - amor por determinadas ações e atividades;
Casal na praiaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionO amor romântico ou erótico é só um dos vários tipos descrito pelos gregos
"Chōros" - o amor que sentimos por determinados lugares, especialmente pelos que chamamos de "lar".
A segunda é a categoria do amor não romântico, que diz respeito aos sabores de amor estabelecido entre pessoas e por nós mesmos:
"Storgē" - o amor que protege, educa e cuida da família;
"Philia" - o amor que forma os laços que estabelecemos com os amigos;
"Philautia" - o amor por nós mesmos, capaz de construir nossa autoestima e a noção de autocuidado.
O amor romântico é a terceira categoria e abriga mais sabores de amor, inclusive um sabor azedo de se amar: a "Mania", que representa o amor nos problemas gerados pela dependência e intimidade com o outro. Há mais quatro sabores de amor romântico:
"Epithymía" - é a forma do amor nos desejos sexuais e nas paixões românticas;
"Paixnidi" - amor romântico por nossos afetos;
"Prâgma" - é o amor presente nos relacionamentos duradouros;
"Anánkē" - é a forma mais abstrata, pois se refere ao amor à primeira vista, um amor por alguém que acabamos de conhecer e que não conseguimos evitar.
Por último, há as formas transcendentais de amor, em que o ato de amar é capaz de reduzir nossas próprias necessidades e preocupações em razão do outro e do coletivo:
"Agápē" - o amor relacionado à caridade e à compaixão desinteressada;
"Koinōnía" - o amor que leva a autoabnegação temporária quando nos conectamos com um grupo, com o coletivo;
Inscrições em pedra do grego antigoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image caption"Granularidade" é o quanto uma língua consegue ter palavras específicas para cada caso
"Sébomai" - é o amor que se refere a um tipo de devoção por uma divindade ou por crer em algo.

A língua do amor

Há quem diga que a língua do amor é o inglês, por causa de autores como William Shakespeare, Jane Austin, Lord Byron e mais uma lista extensa de poetas e dramaturgos ingleses. Há quem defenda que a sonoridade do italiano, do francês e do espanhol fazem dessas as verdadeiras línguas do amor. Mas para Lomas, o idioma do amor é o grego.
"Em algumas línguas, há uma grande granularidade para se referir ao amor, permitindo uma diferenciação mais específica entre os diferentes tipos", afirma o pesquisador.
Ao falar em "granularidade" de uma língua, o linguista se refere ao que a ciência chama de "granularidade das emoções", que representa a capacidade de uma pessoa de usar várias palavras para descrever uma emoção com precisão. Segundo a Psicologia, pessoas que possuem um vasto vocabulário emocional, por exemplo, tendem a ter uma maior capacidade de lidar com os sentimentos.
Nesse sentindo, a língua com uma maior granularidade referente ao amor é o grego, segundo Lomas. Daí ter recorrido ao complicado idioma para nomear as 14 formas de amor de sua pesquisa.
Quando questionado qual língua, em contrapartida ao grego, fornece menos nuances para expressar o amor, Lomas rebate: "Essa é uma questão complicada". Ao insistir na pergunta, o linguista reflete sobre o vocabulário inglês.
Gravura de Lord ByronDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionO poeta Lord Byron (1788-1824) foi um dos principais autores do romantismo
"O fato de que o inglês tem uma única palavra para descrever inúmeras experiências faz com que seja fácil para seus falantes expressar o amor, já que as pessoas podem usar apenas 'love' para se referir a múltiplos contextos, sem ter que pensar em termos mais específicos para cada situação", explica o britânico.
"Por outro lado, a baixa granularidade do inglês também pode gerar maior dificuldade em seus falantes de se fazerem entendidos, pois, em várias situações, é preciso conseguir explicar o 'tipo' de amor que estamos falando."
Isso faz dos nativos da língua inglesa povos pouco românticos ou que amem menos?
"Afirmar isso é dar um poder determinista às línguas. Eu acredito que as pessoas são capazes de vivenciar emoções que elas não conseguem explicar em palavras", tranquiliza Lomas.
"Mas eu diria que a língua tem a capacidade de influenciar nossas vidas, pois o idioma pode afetar o que e como observamos, conceituamos, priorizamos e falamos sobre o mundo"

sábado, 6 de janeiro de 2018

ANAJURE, AMTB e CONPLEI lançam Cartilha dos direitos indígenas

a1701592-0668-46a4-8079-aa8b780ace7f
                             Painel de “Agências Enviadoras” no Congresso Brasileiro de Missões 2017
_________________
076122db-003b-4d25-bd7e-5d843588bef3
[Dr. Edmilson Almeida, Coordenador do GT Missões, Indígenas e Povos Minoritários; Paulo Feniman, Presidente eleito da AMTB; e Rodrigo Gomes, Executivo da AMTB]
Aconteceu durante esta semana (23 a 27 de outubro) o Congresso Brasileiro de Missões (CBM) 2017, principal evento nacional sobre o tema, com um público de aproximadamente duas mil pessoas e a presença das principais agências e associações missionárias que atuam no Brasil. 
A ANAJURE contribuiu diretamente com o evento, sendo a responsável pela ministração de dois seminários, cujo tema foi “Direitos Humanos e a missão: aspectos legais, morais e religiosos”, dando ênfase ao direito humano e fundamental à liberdade religiosa.
Sobre isto, o Dr. Edmilson Almeida, Coordenador do GT Missões, Indígenas e Povos Minoritários e ministrante do seminário, destacou suas impressões: “O CBM é um evento religioso, onde havia diversos outros seminários importantes voltados à teologia, mas dezenas de pessoas pararam para nos ouvir falar sobre Direitos Humanos. Isso é um reflexo de dias difíceis, quando é necessário reafirmar o óbvio respeito a um direito básico. Entretanto, é muito acalentador saber que existe tantas pessoas comprometidas em exercer essa liberdade em todo o seu potencial.”
Na quarta-feira (25), a ANAJURE esteve presente e assessorando a assembleia ordinária da Associação de Missões Transculturais Brasileiras (AMTB), quando foi eleita a diretoria para o novo mandato, a quem parabenizamos na figura do seu novo presidente, e reafirmamos o compromisso de manutenção desta parceria frutífera.
Neste mesmo momento, foi lançado e dado conhecimento aos associados da AMTB acerca do Programa de Apoio a Agências Missionárias (PAAM), que visa apresentar soluções aos problemas jurídicos por meio de um suporte integral – confecção de pareceres jurídicos, capacitações dos profissionais locais e representação litigiosa em processos administrativos e judiciais – nas mais diversas áreas de atuação.
O Rev. Ronaldo Lidorio, palestrante da abertura do CBM e um dos maiores missionários brasileiros, disse: “O Congresso Brasileiro de Missões foi um momento de edificação na Palavra, despertamento vocacional e muita comunhão. A presença e participação da ANAJURE foi de fundamental importância na assessoria jurídica, orientação institucional e parceria com o movimento missionário evangélico brasileiro.”
eb4d039f-b26c-440a-8608-5cd5d1e04239Na quinta-feira (26), foi lançada em primeira mão e extra-oficialmente a cartilha dos “Direitos Indígenas”, em uma parceria histórica entre a ANAJURE, AMTB e o Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas (CONPLEI). Ainda este ano haverá o lançamento oficial e disponibilização deste material, MAS AQUI já pode ser feito o download do material.
Sobre todos estes acontecimentos, o Presidente da ANAJURE, Dr. Uziel Santana, destacou: “Somos uma associação preocupada com as liberdades civis fundamentais e este compromisso nos impele a ajudar as igrejas, associações e missões em suas necessidades jurídicas, para que possam, livre e plenamente, exercer o direito à liberdade religiosa, sem qualquer espécie de embaraço. Neste sentido, a AMTB e as demais associadas tem nos dado a oportunidade de exercer nosso múnus. Esperamos que tais parcerias só cresçam. A nossa oração é para que em todas essas coisas o nome do Senhor Jesus seja glorificado e sua Igreja Edificada, especialmente, no contexto atual de perseguição real e simbólica contra os cristãos de todo o mundo.”


domingo, 24 de dezembro de 2017

Quais são os países que proíbem o Natal?

Decoração de Natal em um shopping em Pequim, dezembro de 2017
Image captionDecorações de Natal têm se tornado mais populares na China, apesar de proibição do Cristianismo | Foto: EPA

http://www.bbc.com/portuguese

O Natal é uma das celebrações mais difundidas no mundo, tanto pelo Cristianismo quanto pelo sistema capitalista. Mesmo assim, ainda causa controvérsia em diversos países, onde é vista como ameaça a outras religiões ou a tradições locais.
Nos últimos anos, em alguns países da Ásia, as celebrações natalinas e até as de Ano Novo têm sido desencorajadas, reguladas ou totalmente proibidas - mesmo para as comunidades cristãs que vivem nestes países.
Em meio a crescentes tensões com as potências ocidentais, o governo da Coreia do Norte se tornou mais hostil em relação ao Natal. O regime de Kim Jong-un não permite nenhuma celebração religiosa para os cristãos e, no dia 24 de dezembro, diz que a população deve celebrar o nascimento da "Mãe Sagrada da Revolução", a mãe do ex-líder Kim Jong-il. Em 2013 e 2014, as Coreias do Norte e do Sul trocaram farpas depois que a segunda ergueu uma enorme árvore de Natal na fronteira entre os países. O governo do Norte chegou a ameaçar um conflito por causa da prática.
Em 2016, Kim Jong-un chegou a proibir qualquer celebração também para os cristãos. E em novembro desse ano, estabeleceu uma nova regra que proíbe "quaisquer reuniões que envolvam álcool e cantoria", segundo a agência de inteligência sul-coreana.
Na China, o maior aliado da Coreia do Norte, os cristãos comemoram o Natal apesar de a festa - bem como o próprio Cristianismo - ser proibida no país desde a revolução socialista.
Apesar de clandestina, a igreja católica chinesa tem apoio do Vaticano, e o número de fieis cristãos se multiplicou na última década, segundo estimativas não-oficiais. E a festa de Natal tem se tornado mais popular entre famílias afluentes nas maiores cidades do país.
A cidade de Wenzhou, na província rica de Zhejiang, proibiu atividades natalinas em escolas e jardins de infância há cerca de três anos.
E segundo o jornal britânico The Telegraph, associações estudantis de uma universidade no Nordeste da China proibiram feriados como Natal e Ano Novo em 2017 para evitar a "corrosão da cultura religiosa oriental".
A Liga da Juventude Comunista na Universidade Farmacêutica Shenyang escreveu uma nota online dizendo aos estudantes que a proibição tinha o objetivo de desenvolver sua própria "confiança cultural".
"Nos anos recentes, influenciados pela cultura ocidental e por negócios individuais, assim como por opiniões públicas errôneas expressadas na Internet, alguns jovens estão cegamente excitados pelos feriados ocidentais, especialmente feriados religiosos como a véspera de Natal e o dia de Natal", diz a nota.
Brinquedos de Papai NoelDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionNo Tajiquistão, até decoração festiva e troca de presentes foram proibidas

Papai Noel proibido

Há dois anos, a Somália, o Tajiquistão, na Ásia Central, e Brunei, no sudeste asiático, chamaram a atenção do mundo com duras restrições aos símbolos e tradições natalinas.
No Tajiquistão, que tem maioria muçulmana, mas é, a rigor, secular, a lista de proibições inclui:
- Árvores de Natal (naturais ou artificiais);
- Fogos de artifício;
- Ceias natalinas;
- Troca de presentes;
Nos anos anteriores, a figura do "Papai Gelo", o equivalente russo do Papai Noel, foi proibida nas televisões do país. Antes disso, outra festa folclórica popular no Ocidente, o Dia das Bruxas também foi proibido no país. Em 2013 e 2014, policiais chegaram a prender pessoas vestidas de zumbis e vampiros, segundo a imprensa internacional.
Brunei também proibiu celebrações em público - que rendem multas e prisão aos que forem pegos até mesmo usando chapéus de Papai Noel, cantando hinos religiosos e colocando decorações temáticas.
Líderes religiosos do país, que vem adotando a sharia (lei islâmica), disseram que violar a proibição, que inclui usar símbolos religiosos como cruzes, acender velas, cantar músicas religiosas e até dizer "Feliz Natal", pode render até cinco anos de prisão.
Pessoas não muçulmanas ainda podem celebrar a festa, mas não devem fazê-lo "excessivamente e abertamente", segundo o governo. Lojas também tiveram que retirar suas decorações.
Também em 2015, a Somália proibiu o Natal com a justificativa de que, por ser um país muçulmano, não precisaria da festa. O governo justificou a proibição dizendo que o Natal e o Ano Novo "não têm nada a ver com o Islã".
Na época, o Ministério da Religião disse ter mandado cartas para a polícia, para a agência de inteligência e para autoridades na capital, Mogadishu, instruindo-os a "impedir celebrações de Natal".
As autoridades também afirmaram que as comemorações de fim de ano poderiam atrair ataques do grupo extremista islâmico Al-Shabaab.
Na Arábia Saudita, o Natal não chega a ser oficialmente proibido, mas as celebrações são desencorajadas, até mesmo para expatriados que vivem no país. Uma regulamentação anual proíbe "sinais visíveis" da festa.
Em 2012, 41 cristãos chegaram a ser detidos pela polícia religiosa árabe acusados de "conspirar para celebrar o Natal".
Decorações de Natal em Hong Kong
Image captionUniversidade chinesa proibiu associações estudantis de comemorar festas ocidentais no fim do ano | Foto: EPA

No Ocidente

A festa cristã também chegou a ser proibida, ainda que temporariamente, em países ocidentais.
A Inglaterra proibiu a celebração natalina em 1647, depois que o líder político e militar Oliver Cromwell derrubou a monarquia e executou o rei Charles 1º. Mercados natalinos foram fechados e a população foi às ruas de Londres para protestar.
O Natal só voltou a ser permitido em 1660, depois da morte de Cromwell e da restauração da monarquia.
Governos puritanos de estados americanos também ameaçavam punição a pessoas que celebrassem o Natal entre as décadas de 1620 e 1680. E o regime socialista de Fidel Castro em Cuba proibiu as comemorações de 1969 até 1998 - quando o Papa João Paulo 2º persuadiu o líder cubano a declarar o dia de Natal como feriado nacional.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

INDONÉSIA – A influência saudita por trás do aumento do extremismo islâmico


[Milhares de muçulmanos de toda a Indonésia foram às ruas para protestar contra o ex-governador de Jacarta, Basuki Tjahaja Purnama (‘Ahok’), em 4 de novembro de 2016. Ahok foi julgado por ter insultado o Islã quando citou um verso do Alcorão e está agora na prisão por blasfêmia. (Foto: World Watch Monitor)]
Ahok, ex-governador de Jacarta, foi preso por ter insultado o Islã quando citou um verso do Alcorão (Veja aqui). “A sua eleição e julgamento expuseram a crescente radicalização na Indonésia, especialmente entre os jovens, e levou a uma campanha mais agressiva para enfrentar o radicalismo islâmico” é o que afirma Paul Marshall em seu artigo (leia em inglês) para o Lausanne Movement.
O crescimento deste radicalismo islâmico tem se dado pelo desempenho da Arábia Saudita em oferecer uma rede bem financiada de escolas, bolsas e mesquitas. A tentativa é de substituir as interpretações locais do Islã, que geralmente incentivam a democracia e as relações pacíficas entre religiões, pelo wahhabismo, forma rígida e conservadora do islamismo e que é a religião oficial da Arábia Saudita.
De acordo com Paul Marshall, a Arábia Saudita tem estabelecido mais de 150 mesquitas na Indonésia desde 1979, providenciando livros escolares, trazendo seus próprios pregadores e professores e financiando milhares de bolsas de estudo para pós-graduação na Arábia Saudita.
“Alunos das universidades sauditas se tornaram influentes em círculos extremistas”, acrescenta Marshall. “Eles incluem Habib Rizieq, o fundador da Frente dos Defensores Islâmicos, e Jafar Umar Thalib, que fundou a milícia anti-cristã Laskar Jihad”.
“O governo indonésio respondeu ao risco de aumento do extremismo proibindo os grupos islâmicos radicais e introduzindo novas regras para impedir a disseminação de pontos de vista radicais em suas universidades”, observa Marshall.
Mas, segundo informações divulgadas pelo Human Rights Watch, os estudantes das escolas da Arábia Saudita recebem educação que contém ódio e linguagem provocativa contra outras tradições islâmicas que não sejam Sunita e fazem severas críticas aos judeus, cristãos e pessoas de outras crenças (veja aqui).
Como parte de um esforço para combater o aumento de extremismos e intolerância religiosa no país, o governo da cidade de Jakarta e a maior organização islâmica na Indonésia, Nahdlatul Ulama (NU), têm reunido forças para treinar e educar pregadores islâmicos para espalhar mensagens de união e paz, segundo afirma a agência de notícias católica UCANews. De acordo com o governo de Jacarta, “a meta do programa que começa em Novembro com 1000 pregadores, é instruí-los a ‘passar os ensinos islâmicos apropriados e um islã tolerante’”.
________________________
Fonte: World Watch Monitor
Por: Redação l ANAJURE

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A vida das minorias religiosas na teocracia islâmica do Irã


Estas comunidades são as três minorias reconhecidas pela Constituição iraniana graças à sua origem pré-islâmica


Teerã – Ser uma minoria religiosa em uma teocracia xiita é factível, ainda que nem sempre seja fácil. Os cristãos, judeus e zoroastras praticam seus ritos com liberdade no Irã, mas devem se submeter às leis islâmicas, o que provoca certas limitações.
Estas comunidades são as três minorias reconhecidas pela Constituição iraniana graças à sua origem pré-islâmica e contam com representantes no parlamento, bem como com templos e escolas para conservar suas tradições.
A principal linha vermelha é o proselitismo e as conversões, perseguidas pelas autoridades iranianas, que também vetam os fiéis destas religiões em certos cargos governamentais e nas forças de segurança.
Apesar das restrições, membros destas três comunidades consultados pela Agência Efe negaram sofrer o nível de discriminação e abusos relatados por um recente relatório sobre liberdade religiosa do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Dito relatório denunciou detenções por acusações como “insultos ao islã”, a negação de permissões para construir locais de culto, o confisco de material religioso e limitações no âmbito trabalhista e educativo.
Para Siamak Morehsedg, representante dos judeus no parlamento iraniano pelo terceiro mandato consecutivo, é normal que haja alguns problemas por tratar-se de “uma religião minoritária em um país regulado por outra religião” como o Irã, onde 99% da população é muçulmana.
No entanto, o deputado e médico ressaltou à Efe que há “muitos judeus em postos importantes” e que no Irã não há antissemitismo. Os judeus – segundo disse – não se sentem atingidos pelo famoso lema da República Islâmica de “Morte a Israel” porque diferenciam entre judaísmo e sionismo.
Em seu escritório do hospital beneficente judeu de Teerã, em que a maioria dos pacientes e médicos são muçulmanos, defendeu que não há restrições para ensinar hebreu e que dispõem de mais de 50 sinagogas e de açougues “kosher”, que cumprem as normas judaicas de alimentação.
Atualmente vivem cerca de 25.000 judeus no Irã, a maior população no Oriente Médio após Israel, segundo os dados de Morehsedg, que acrescentou que muitos emigraram após a Revolução Islâmica de 1979, mas que este fenômeno freou com o tempo.
A emigração fez diferença entre as minorias religiosas de todo Oriente Médio. A população de cristãos armênios no Irã também diminuiu até 80.000.
A comunidade armênia, a mais numerosa dos cristãos, seguida pelos assírios, conta com três dioceses e dois deputados no parlamento.
Também tem suas igrejas, escolas de armênio e clubes sociais, em cujo interior se pode consumir álcool e as mulheres podem ficar sem véu, e participar em coros e grupos de dança, tudo isso proibido no Irã.
O Irã reconhece para os armênios, bem como para as outras minorias citadas, o direito a comportar-se nesses espaços segundo sua cultura e tradições, algo que, no entanto, não é suficiente para o jovem ex-militar Suida Omidi.
Na porta da catedral armênia de São Sarkis, no centro de Teerã, Omidi expressou à Efe sua rejeição à obrigação de que sua mãe tenha que cobrir-se com um véu na rua, como todas as mulheres, muçulmanas ou não.
De mãe cristã armênia e pai muçulmano, já divorciados, Omidi se considera cristão, mas a lei lhe designa como muçulmano, um credo que se vê “obrigado” a dizer que professa para poder trabalhar, depois que lhe expulsaram da Marinha por este motivo.
A tudo isso se soma o perigo que enfrentam os convertidos: “Tenho amigos muçulmanos que se converteram ao cristianismo e que agora estão na prisão”, denunciou Omidi, vestido de preto e com um crucifixo no pescoço.
Esta situação recebeu uma ênfase especial no relatório dos EUA, que abrange os casos de detenções de convertidos e de missionários, já que a lei iraniana proíbe os cidadãos muçulmanos de renunciar à sua fé.
Isto afeta principalmente às missões dos evangélicos, na mira do governo iraniano, enquanto os armênios, judeus e zoroastras tentam evitar o proselitismo para viver em paz.
A esse respeito, uma fiel zoroastra, que preferiu não se identificar, declarou à Efe que eles podem praticar suas cerimônias com total liberdade, mas que os muçulmanos só podem ir aos seus templos uma vez.
“Se as pessoas vão e vêm muito é problemático, porque as autoridades pensam que fazemos propaganda”, acrescentou, em um dos centros de culto de Teerã desta ancestral religião monoteísta, professada por cerca de 25.000 pessoas no Irã.
As minorias citadas têm seus direitos religiosos garantidos graças à sua presença no Irã antes da chegada do islã. Uma sorte que não compartilham, por exemplo, os fiéis do bahaísmo, vítimas de discriminação e até mesmo perseguição na maioria dos países do Oriente Médio.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...