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sexta-feira, 20 de março de 2020

Cheondoísmo: Você conhece essa religião coreana?

Símbolo do chendoísmo
O Cheondoísmo, também conhecido como Chondoísmo é uma doutrina e movimento de ordem religiosa de origem coreana que começou a ganhar força no século XX, que é baseado em outro movimento coreano que teve grande importância no século XIX. Esse movimento anterior ao Cheondoísmo teve origem nas rebeliões de camponeses que aconteceram no território da Coreia (O rompimento na Coreia só ocorreu no século XX, no qual originou a Coreia do Norte e Coreia do Sul) em 1812, enquanto a Dinastia Joseon vigorava nas terras coreanas. Dentre outro fatores, absorveu elementos budistas e xamanistas.
Apesar de estarem presentes em ambas as Coreias, a religião Cheondonísta tem maior incidência na Coreia do Norte, onde os preceitos religiosos da doutrina dizem que Deus está presente em cada uma das pessoas, e que as boas atitudes devem estar sempre presentes em suas ações cotidianas. Como dizem que Deus se encontra em cada um, os praticantes dessa religião dizem que a vida deve ser vivida de forma intensa no presente, já que não acreditam em uma possível vida após a morte, como pregam muitas doutrinas religiosas, como o Cristianismo.
O movimento religioso é apontado, segundo o regime da Coreia do Norte, como a principal religião do território, com cerca de 10% da população envolvida com a religião. No entanto, o Cheondoísmo chegou com força, também, na Coreia do Sul, no qual o país registra, ano após ano, um crescimento significativo de seguidores da doutrina Cheondoísta.
No ano de 2005, foi feito um censo que determinou que, na Coreia do Sul, mais de 1.131.00 pessoas eram adeptas do movimento religioso, contabilizando, também, mais de 280 templos religiosos da seita por todo o território.
Em suma, o Cheondísmo determina que o Céu – que, na verdade, representa todo o Universo- é o limite para todas as ações e realizações mundanas. Por conta disso, a vida, segundo eles, é somente essa, descartando uma possível vida pós-terrena. Diz ainda que o Céu atua como “um instrutor” na vida cotidiana dos fieis, no qual o Deus é encontrado em cada um, e não um somente na qual todos devotam. Cabe a cada um, buscar o Deus interior e, por fim, agir como um, como, por exemplo, em boas ações e projetos que não prejudiquem o próximo.
Por essa noção de não existir uma vida após a morte no paraíso, a crença da religião determina que o “Paraíso” deva ser feito na Terra, com atitudes que façam prosperar a cooperação, a humildade, a compaixão, o amor e, principalmente, a paz entre as pessoas.


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A vida das minorias religiosas na teocracia islâmica do Irã


Estas comunidades são as três minorias reconhecidas pela Constituição iraniana graças à sua origem pré-islâmica


Teerã – Ser uma minoria religiosa em uma teocracia xiita é factível, ainda que nem sempre seja fácil. Os cristãos, judeus e zoroastras praticam seus ritos com liberdade no Irã, mas devem se submeter às leis islâmicas, o que provoca certas limitações.
Estas comunidades são as três minorias reconhecidas pela Constituição iraniana graças à sua origem pré-islâmica e contam com representantes no parlamento, bem como com templos e escolas para conservar suas tradições.
A principal linha vermelha é o proselitismo e as conversões, perseguidas pelas autoridades iranianas, que também vetam os fiéis destas religiões em certos cargos governamentais e nas forças de segurança.
Apesar das restrições, membros destas três comunidades consultados pela Agência Efe negaram sofrer o nível de discriminação e abusos relatados por um recente relatório sobre liberdade religiosa do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Dito relatório denunciou detenções por acusações como “insultos ao islã”, a negação de permissões para construir locais de culto, o confisco de material religioso e limitações no âmbito trabalhista e educativo.
Para Siamak Morehsedg, representante dos judeus no parlamento iraniano pelo terceiro mandato consecutivo, é normal que haja alguns problemas por tratar-se de “uma religião minoritária em um país regulado por outra religião” como o Irã, onde 99% da população é muçulmana.
No entanto, o deputado e médico ressaltou à Efe que há “muitos judeus em postos importantes” e que no Irã não há antissemitismo. Os judeus – segundo disse – não se sentem atingidos pelo famoso lema da República Islâmica de “Morte a Israel” porque diferenciam entre judaísmo e sionismo.
Em seu escritório do hospital beneficente judeu de Teerã, em que a maioria dos pacientes e médicos são muçulmanos, defendeu que não há restrições para ensinar hebreu e que dispõem de mais de 50 sinagogas e de açougues “kosher”, que cumprem as normas judaicas de alimentação.
Atualmente vivem cerca de 25.000 judeus no Irã, a maior população no Oriente Médio após Israel, segundo os dados de Morehsedg, que acrescentou que muitos emigraram após a Revolução Islâmica de 1979, mas que este fenômeno freou com o tempo.
A emigração fez diferença entre as minorias religiosas de todo Oriente Médio. A população de cristãos armênios no Irã também diminuiu até 80.000.
A comunidade armênia, a mais numerosa dos cristãos, seguida pelos assírios, conta com três dioceses e dois deputados no parlamento.
Também tem suas igrejas, escolas de armênio e clubes sociais, em cujo interior se pode consumir álcool e as mulheres podem ficar sem véu, e participar em coros e grupos de dança, tudo isso proibido no Irã.
O Irã reconhece para os armênios, bem como para as outras minorias citadas, o direito a comportar-se nesses espaços segundo sua cultura e tradições, algo que, no entanto, não é suficiente para o jovem ex-militar Suida Omidi.
Na porta da catedral armênia de São Sarkis, no centro de Teerã, Omidi expressou à Efe sua rejeição à obrigação de que sua mãe tenha que cobrir-se com um véu na rua, como todas as mulheres, muçulmanas ou não.
De mãe cristã armênia e pai muçulmano, já divorciados, Omidi se considera cristão, mas a lei lhe designa como muçulmano, um credo que se vê “obrigado” a dizer que professa para poder trabalhar, depois que lhe expulsaram da Marinha por este motivo.
A tudo isso se soma o perigo que enfrentam os convertidos: “Tenho amigos muçulmanos que se converteram ao cristianismo e que agora estão na prisão”, denunciou Omidi, vestido de preto e com um crucifixo no pescoço.
Esta situação recebeu uma ênfase especial no relatório dos EUA, que abrange os casos de detenções de convertidos e de missionários, já que a lei iraniana proíbe os cidadãos muçulmanos de renunciar à sua fé.
Isto afeta principalmente às missões dos evangélicos, na mira do governo iraniano, enquanto os armênios, judeus e zoroastras tentam evitar o proselitismo para viver em paz.
A esse respeito, uma fiel zoroastra, que preferiu não se identificar, declarou à Efe que eles podem praticar suas cerimônias com total liberdade, mas que os muçulmanos só podem ir aos seus templos uma vez.
“Se as pessoas vão e vêm muito é problemático, porque as autoridades pensam que fazemos propaganda”, acrescentou, em um dos centros de culto de Teerã desta ancestral religião monoteísta, professada por cerca de 25.000 pessoas no Irã.
As minorias citadas têm seus direitos religiosos garantidos graças à sua presença no Irã antes da chegada do islã. Uma sorte que não compartilham, por exemplo, os fiéis do bahaísmo, vítimas de discriminação e até mesmo perseguição na maioria dos países do Oriente Médio.

terça-feira, 1 de março de 2016

Religiões mundiais: Cao Dai

                       Cerimônia Cao Dai

Cao Dai ("Morada Alta" em língua vietnamita) ou Caodaísmo é uma religião sincretista relativamente nova, monoteísta, oficialmente fundada na cidade de Tay Ninh, no sul do Vietnã, por Ngô Văn Chiêu, no ano de 1926.
O nome completo da religião é Đạo Đại Tam Ky Tél Độ, o que significa "a terceira grande amnistia religiosa universal". A religião tem 7 ou 8 milhões de seguidores no Vietnã, e uma significante quantia em Austrália, Nova Zelândia e Oceania.
 

História

O fundador do Cao Dai foi Ngô Văn Chiêu, nascido no seio de uma família pobre. Aos sete anos foi viver com uma tia cuja condição económica era consideravelmente superior. Desde novo, Ngo Van Chieu mostrava-se interessado em religião, tendo estudado as tradições orientais do confucionismo e do taoísmo, bem como o espiritismo.
Em 1919 Ngo Van Chieu, que se tinha tornado funcionário do governo francês na Indochina, alegou ter recebido uma mensagem do Ser Supremo ("Duc Cao Dai") enquanto participava numa sessão mediúnica na qual procurava uma resposta para os problemas de saúde da sua mãe. Ele se tornaria o profeta do novo movimento religioso, cuja constituição oficial ocorre a 7 de Outubro de 1926. Quando o Japão invadiu a Indochina um exército constituído por membros do Cao Dai foi estabelecido e após a guerra o movimento se tornou uma força que influenciou a vida política nacional. Quando o Vietname se tornou um país comunista em 1975, o movimento foi reprimido pelas autoridades e em consequência surgiu uma diáspora de membros do movimento que levou a religião a outros locais do planeta.

 

Principais crenças

A religião acredita na existência de um único Deus, a quem chama de "Cao Dai", que se considera ser o mesmo deus adorado pelas outras religiões sob diversos nomes. Este ser, que não possui género ou forma, é representado como um olho esquerdo inserido num triângulo, símbolo que pode ser visto em todos os templos da religião.
Deus era a única coisa existente até ele ter decidido criar o universo, os seres humanos, as plantas , os animais, etc. O processo de criação implicou a divisão de Deus e por isso o caodaísmo defende que todos os seres possuem uma parte de Deus neles próprios.
A história religiosa do mundo é dividida em três grandes períodos. O primeiro iniciou-se em 2500 a.C. quando Deus inspirou a fundação do judaísmo, do hinduísmo e da religião chinesa. Cerca de mil anos depois, iniciou-se o segundo período durante o qual surgiram o budismo, confucionismo, o cristianismo e o islã. Porém, as mensagens destas religiões foram corrompidas e elas não deram lugar ao nascimento de uma religião universal, entre outras razões, pelas dificuldades nos transportes e nas comunicações. Por esta razão, Deus iniciou um terceiro período de transmissão no qual surgiu o caodaísmo cujo objectivo pretende ser reunir os ensinamentos destas religiões e ao mesmo tempo unir toda a humanidade na mesma religião. Enquanto que nas ocasiões anteriores Deus usuou profetas para comunicar a sua mensagem, desta feita ele decidiu comunicar directamente com os seres humanos através de sessões espíritas. Neste terceiro período Deus escolheu especificamente o sul do Vietname para divulgar a sua mensagem por entender que ao longo dos tempos o povo desta região se mostrou aberto à religião.
O sincretismo deste movimento religioso pode ser detectado na fusão de elementos centrais do taoísmo, confucionismo e budismo.
O adeptos do Cao Dai acreditam na reencarnação e no karma. As ações positivas ou negativas de uma pessoa determinam as condições de vida futura. Uma pessoa cujas ações forem excessivamente negativas continuará a entrar no ciclo das existências; pelo contrário, aqueles que tenham levado uma vida plena de boas ações poderão experimentar uma futura vida agradável ou poderão mesmo libertar-se do ciclo de morte e renascimento.

 

Práticas

O Cao Dai oferece duas formas de praticar a religião: a exotérica e a esotérica. A primeira forma é a mais seguida pelos adeptos e é praticada no contexto de uma vida de leigo. A via exotérica implica praticar o bem e evitar o mal, seguir os preceitos e virtudes confucionistas, seguir os cinco preceitos (não matar, não roubar, não cometer adultério, não tomar substâncias intoxicantes e não usar palavras agressivas) e levar uma alimentação vegetariana durante dez dias de um mês.
A via esotérica (conhecida como Chieu-Minh Vo Vi) é considerada a mais elevada das duas vias, mas é também é mais rigorosa e exigente. Nela é obrigatório seguir sempre uma alimentação vegetariana e praticar a meditação. Os padres do Cao Dai seguem esta via, na qual comprometem-se a seguir os quatro mandamentos.
As práticas religiosas devem ser realizadas diariamente, podendo ter lugar nos lares ou nos templos. É recomendado que os adeptos do caodaísmo realizem quatro cerimónias ao longo do dia (às seis horas da manhã, ao meio-dia, às oito horas da noite e à meia-noite); porém o mínimo exigido é uma cerimónia. O local central deste culto religioso é o altar, que deve ser posicionado no centro de uma casa ou templo. Perante o altar os crentes recitam orações e fazem prostrações.

                                                  Típico altar Cao Dai

 

Organização interna

A organização interna da religião assemelha-se em larga medida à da Igreja Católica Romana. A estrutura do movimento encontra-se definida no "Phap-Chanh-Truyen", que é a constituição escrita do movimento, alegadamente transmitida por Deus ao longo de uma série de sessões espíritas. A religião possui padres, bispos, arcebispos, cardeais e um papa. As mulheres podem ser ordenadas na religião, porém não podem alcançar a posição de papa. Desde 1934 que o movimento não possui um papa.


domingo, 27 de setembro de 2015

O alfabeto mais longo do mundo

Você sabe qual é o alfabeto mais longo do mundo?
É o Khmer, ou Cambojano, com 68 caracteres. É o idioma oficial do Camboja e é falado por mais de 25 milhões de pessoas – entre cambojanos, tailandeses, vietnamitas e alguns chineses. São 33 consoantes, 24 vogais, 11 independentes vogais (não precisam das consoantes e podem formar palavras monossilábicas) – e ainda temos os números!
Cambodian Alphabet: Khmer ConsonantsCambodian Alphabet: Khmer VowelsCambodian Alphabet: Khmer Numerals
Por incrível que pareça, é uma língua relativamente fácil de aprender. Em Khmer, os verbos e os nomes não são flexionados (não há verbos irregulares e a maioria dos nomes não contém sufixos, prefixos, derivações ou flexões de gênero, número ou grau), a conjugação é simples e as palavras não tem singular nem plural. Claro que não seria brincadeira memorizarmos esses símbolos todos, principalmente para nós que já estamos acostumados com o nosso ABC.
Veja como fica a palavra ‘professor’ (ou ‘professora’) em Khmer: គ្រូបង្រៀន
Oi ou Olá escreve-se ជំរាបសួរ e pronuncia-se  /shumripsua/ (formal) e /sousdei/ (informal).
Fácil não é?
Há alguns outros idiomas com longos alfabetos, mas para ser chamado “alfabeto”, tudo depende se o símbolo representa uma palavra, uma sílaba ou um fonema. Nem todas as formas de escrita são representadas por um alfabeto, alguns são chamados sistemas de escrita logográficos (Chinês, Japonês, Coreano) ou silábicos (Cherokee). No “verdadeiro” alfabeto, cada caractere ou letra deve representar um fonema e as vogais tem o mesmo status que as consoantes.
Deixemos a teoria de lado e vejamos mais alguns exemplos, só por curiosidade: o Thai possui 44 consoantes e 15 símbolos para as vogais; o antigo eslavo tem 43 letras; o !Xu falado pelos Ikung na Namíbia, Botswuana e Angola tem mais de 100 símbolos, o Cherokee tem 85 e o Yi, usado apenas para escrita das línguas Yi, tem mais de 800 símbolos.
De repente, eu fiquei muito feliz e satisfeita com o nosso maravilhoso alfabetinho de apenas 26 letrinhas. Right?
Leia mais sobre a Língua Khmer: https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_khmer

sexta-feira, 22 de maio de 2015

UMA PONTE ENTRE AS COSMOVISÕES BUDISTA E CRISTÃ

A comunicação adequada para a comunicação do Evangelho entre budistas theravadaPor  Rev. Dr. Bantoon e Sra. Mali Boon-Itt, cedido pela Mission Frontier Magazine


Nosso sonho é ver em breve um movimento histórico de budistas theravadas conhecendo a Cristo como Salvador. Esse também é o sonho e o desejo de seu coração?
O que tem impedido tal movimento e limitado a salvação dos budistas, apesar de décadas de empenho missionário? Alguns dizem que trabalhar entre budistas é como semear em terra rochosa. Alguns estão convencidos de que não há número suficiente de cristãos trabalhando e orando. Outros pensam que nossos métodos estão errados. Por exemplo, usando meios literários, quando a maioria dos budistas prefere meios orais e visuais de comunicação.[1]

O PROBLEMA: FALHA NA COMUNICAÇÃO PELA DISPARIDADE ENTRE AS COSMOVISÕES DE BUDISTAS E CRISTÃOS

Fiz duas perguntas para mim mesmo: 1) Por que é tão difícil os budistas aceitarem Cristo como Senhor e Salvador? 2) Por que, apesar de eu ser tailandês, pregar e ensinar na língua local, os que procedem de contextos cristãos apreciam minha mensagem, mas amigos tailandêses não cristãos não? Como pastor tailandês, precisei chegar à raiz dessa assunto. Com essa convicção e essas perguntas em mente procurei, por dez anos, identificar o problema, estudando o desenvolvimento do budismo e do cristianismo na Tailândia e a interação entre as duas religiões. Percebi que, sendo cristão, era difícil trabalhar com muitos tipos diferentes de budismo que são praticados na Tailândia. Descobri algumas situações que precisam ser consideradas.[2]
O problema principal é que a mensagem que os cristãos apresentam com tanto entusiasmo aos budistas é incompreensível, pouco atraente e irrelevante. Ocorreu-me que, assim como considero dificílimo tirar as lentes cristãs e colocar as budistas, também deve ser complicado para eles enxergarem a perspectiva cristã. A raíz do problema é que não temos comunicado de maneira eficaz porque não percebemos que as falhas de comunicação ocorrerão naturalmente devido a disparidade entre as cosmovisões de budistas e cristãos. Nós, cristãos tailandêses, não percebemos a necessidade de aprender a compreender o budismo theravada. Doutrinas expressadas num vocabulário cristão são em geral comunicadas pelos cristãos em termos incompreensíveis aos budistas. Um entendimento profundo do budismo nos ajudará a entender por que isso ocorre.[3]

RESPOSTAS ENCONTRADAS NA BÍBLIA

Exemplos da Bíblia mostram que precisamos deixar que o contexto do ouvinte nos guie no uso de vocabulário, métodos e ilustrações para explicar Deus, o que Jesus fez na cruz e sua ressurreição. Paulo mudava seu jeito de apresentar o evangelho de acordo com a audiência.[4] Os autores do Novo Testamento empregavam palavras e até termos religiosos provenientes do contexto local para explicar o que Deus fez por meio de Cristo. Infelizmente, em vez de aprender com exemplos bíblicos e apresentar o evangelho no contexto budista local, os cristãos esperam que os budistas compreendam nossa mensagem do mesmo jeito que nós, sem perceber que a interpretação de um budista é moldada pela cosmovisão budista. Assim, nossas boas novas não são boas novas para os budistas. Os cristãos locais precisam fazer com que o mistério da cruz seja relevante para os tailandêses budistas, levando em consideração que na cosmovisão budista palavras e ideias cristãs como expiação, sacrifício, redenção ou filhos adotivos não comunica nenhum significado relevante.
Vemos na Bíblia que a contextualização da mensagem é uma questão crucial no caminho para um grande avanço entre os budistas theravada. Isso significa explicar aos budistas o significado daquilo que Cristo fez na cruz em termos cuidadosamente selecionados que ajudem na compreensão e sejam significativos para a vida deles. Não significa simplesmente pegar palavras budistas para substituir as cristãs. Os budistas o considerariam negativo. A língua tailandêsa reflete a cosmovisão tailandêsa que, por sua vez, é sustentada pelo budismo. Não se pode simplesmente traduzir palavras de uma língua, esperando que transmitam o mesmo significado e nuances em outra língua com outra cosmovisão. Por exemplo, alguns termos cristãos nem existem na língua tailandêsa fora da igreja. Para a palavra comunhão, os cristãos usam a expressão as mak kee tham(literalmente, ensino acerca da unidade). Um tailandês não cristão não compreenderia que essa palavra significa “reunião para conhecer e apoiar um ao outro, partilharCOMIDA, cantar, orar e estudar a Bíblia”. Dificuldade semelhante ocorre com outros termos cristãos, entre eles: Deus, amor, fé, pecado, arrependimento, redenção, santificação, justificação, justiça, glorificação, e assim por diante. Muitos desses termos não existem na cosmovisão budista. Mesmo para os termos que têm um equivalente budista, os cristãos precisam gastar um tempo para explicar as semelhanças e diferenças entre os significados nas duas cosmovisões diferentes. Deixe-me explicar um pouco:
O que um cristão entende pela palavra “Deus” é bem diferente do que entende um budista. Para o budista, “deus” pode significar muitas coisas, mas o entendimento mais comum é que “deus” significa uma das muitas divindades que ocupam um espaço nas diferentes dimensões celestiais.
O alvo da vida para um budista é alcançar o nibbana, mas para o cristão, é ser salvo, se relacionar com Cristo e tornar realidade o Reino de Deus em sua vida. O budista pode entender isso como a pessoa fazendo algo em benefício próprio, a fim de alcançar o céu e ficar com Deus.
Para o budista, o céu e o inferno são dimensões celestiais e infernais hierárquicas em que os seres recebem as consequências de seus atos (kamma), mas para os cristãos, “o céu é a plenitude do Reino de Deus”, enquanto “o inferno é a separação eterna de Deus”.
Pecado: no budismo não existe esse conceito, só atos maus, bap – ou seja, ações negras (kamma), que no budismo são ações inábeis,akusala, que impedem a pessoa de atingir o nibbana. Para o cristão, pecado é desobediência a Deus, ficar aquém dos padrões divinos. Uma vez que no budismo não existe esse conceito de um Deus criador como no cristianismo, o entendimento do pecado como uma ofensa contra um Deus criador não faz sentido na cosmovisão budista.
Com essas diferenças, não é de se admirar que os budistas não entendam o cristianismo e o considerem incompreensível e irrelevante para a vida deles. Há várias áreas em que as palavras que os cristãos usam não comunicam aos budistas aquilo que os cristãos acreditam estar comunicando. É só quando os cristãos conhecem a cosmovisão budista e aprendem acerca da percepção que os budistas têm do cristianismo que podemos compreender o que realmente estamos dizendo. Conhecer pouco sobre a percepção budista a cerca do cristianismo tem resultado uma apresentação pouco sábia da mensagem cristã para os budistas theravada tailandêses.
Evidentemente, isso significa que a cosmovisão e a terminologia budista precisam ser compreendidas pelo comunicador cristão. Se isso não acontecer, o cristão desejoso de comunicar o evangelho não consegue avaliar ou entender as raízes das dificuldades de compreensão dos budistas em relação ao cristianismo. Ao tentar compreender a perspectiva budista, chegamos à conclusão de que são os cristãos que tem falhado na comunicação. Uma resposta cristã ao budismo pode ser desenvolvida de maneira mais efetiva depois de estudarmos a cosmovisão deles e percebemos como os budistas entendem nossa mensagem. É só quando tentam compreendê-los que os cristãos conseguem comunicar Cristo de maneira que realmente faz sentido para eles.
Talvez os cristãos nãos percebam, mas doutrinas budistas importantes estão bem incrustadas e são expressas no cotidiano dos budistas: linguajar, lei, moralidade, crença, cultura, tradição, arte e arquitetura. Assim, precisamos compreender o âmago das doutrinas budistas porque elas determinam a cosmovisão e o estilo de vida das pessoas. Ainda que a maioria do povo budista talvez não conheça a terminologia budista nem seja capaz de explicar doutrinas budistas, a maneira de pensarem, de praticarem o budismo e de verem o mundo está fundamentada no budismo. Precisamos compreender a base do budismo clássico para nos ajudar a avaliar e compreender as várias expressões do budismo que encontramos no mundo hoje. Como ilustração, considere a necessidade de aprender os princípios e teorias da matemática para aplicá-los a problemas matemáticos. Se o entendimento básico é precário, fica difícil, ou até impossível, resolver problemas matemáticos.
É necessário um conhecimento sadio do cristianismo e do budismo para uma comunicação eficaz. As palavras que escolhemos precisam transmitir toda a teologia cristã. Tome, por exemplo, o desafio de comunicar sobre o pecado aos budistas. Cristãos tailandêses usam a palavra bap (conforme já explicado). Precisamos compreender o que a palavra bap significa na cosmovisão budista e saber se ela comunica tudo o que “pecado” significa na cosmovisão cristã. Atualmente, a palavra bap, que os cristãos escolheram para falar do pecado, carrega significados bem distintos nas duas cosmovisões. Assim, vemos que o desafio desce ao nível de escolher as palavras corretas — criar conceitos e métodos para explicar a teologia cristã de maneira que um budista consiga compreender. Talvez, usando um conjunto de palavras ou cunhando novos termos a partir de palavras existentes em tailandês (ou na língua de determinado país budista), seremos capazes de comunicar, sem sermos mal compreendidos. Toda linguagem humana tem suas limitações. Não é possível explicar plenamente o mistério de Deus ou o mistério da cruz. O que se pode fazer é testemunhar e proclamar Cristo, para que possam ter um relacionamento íntimo com ele e se tornarem mais parecidos com o Senhor.
Essa tarefa requer a cooperação de pessoas de muitas disciplinas, como linguística e teologia. No contexto tailandês, isso conclama os que compreendem a cosmovisão local (a língua e a cultura tailandêsa), os que compreendem o budismo e os que compreendem o cristianismo.
A repercussão da contextualização da mensagem será extensa. As sociedades bíblicas, os cristãos e os evangelistas na Tailândia precisarão trocar alguns termos empregados na Bíblia em tailandês. A igreja local estabelecida precisará trocar termos com que está familiarizada, mas confundem os budistas. Não será fácil para a igreja já estabelecida substituir termos que são usados há quase duzentos anos por outros que possam comunicar melhor a mensagem da cruz aos budistas.
E se não encontrarmos termos melhores para comunicar a vida e o significado de Jesus de um modo que seja significativo e relevante para os budistas? Vamos continuar experimentando pouquíssima resposta de budistas ainda por muitas décadas. Amigos budistas que ouvirem nossa mensagem não compreenderão, ainda que usemos meios orais (não escritos) de comunicação, pois o conteúdo não fará a transmissão das necessidades reais de nossos ouvintes budistas. Mas se comunicarmos a mensagem da cruz com sensibilidade cultural, em termos com que os ouvintes budistas consigam interagir e serem transformados por eles, as palavras terão significado profundo para a evangelização e o discipulado. Cristãos tailandêses precisam estar prontos para transmitir o evangelho com clareza para os outros. Eles precisam crescer no entendimento das duas cosmovisões para espalhar o evangelho falando mais do que “Essa é a minha experiência, logo, creia”.

CONSCIÊNCIA: O PRIMEIRO PASSO EM DIREÇÃO AO CORAÇÃO DOS BUDISTAS

A consciência do problema de comunicação entre cosmovisões diferentes é o ponto chave para comunicar Cristo de tal modo que possa alcançar corações budistas. Isso é crucial para a mensagem do evangelho para os budistas na Tailândia e se aplica a outros contextos. Embora o judaísmo, o cristianismo e o islamismo tenham muitos pontos óbvios de contato em suas cosmovisões, isso não é tão óbvio no hinduísmo, no confucionismo e nas várias correntes do budismo (theravada, mahayana, xintoísmo, etc.). Que fique claro: se eu não tiver consciência de que, quando falo tailandês com amigos budistas tailandêses, eles podem não compreender o que desejo comunicar, eu posso ter a impressão de que eles têm coração duro ou que a mensagem caiu em terreno rochoso. Em vez de analisar como apresentei a mensagem, posso ser induzido a pensar que tudo o que preciso é orar mais e pedir ao Espírito Santo que derreta o coração deles. Precisamos sim de oração e de crer que somente o Espírito Santo é quem convence a todos do pecado, mas não podemos ignorar que somos chamados a comunicar e testemunhar o evangelho de forma compreensível. A cosmovisão do outro e o entendimento que eu tenho do outro determina o entendimento que eles têm de minha mensagem. Quando tenho consciência de que preciso transpor cosmovisões quando estou comunicando Cristo, fico mais atento a como estou anunciando o nosso Salvador. Terei mais cuidado para escolher palavras e métodos de comunicação e vou me certificar se a pessoa realmente entendeu o que eu queria comunicar.
Necessitamos urgentemente encontrar um meio efetivo de comunicar Cristo aos budistas, de modo que aquilo que comunicamos possa realmente tocar-lhes o coração. A tarefa de tornar o cristianismo compreensível aos amigos budistas exigirá grande sabedoria, uma vez que as ideias e os conceitos cristãos são muito estranhos e muito diferentes das ideias budistas na Tailândia. Assim, precisamos adequar a mensagem cristã ao contexto budista para ajudá-los a compreender Cristo. Os budistas poderão então perceber que a mensagem cristã não é inteiramente estranha a eles, receber novos insights e perceber que há uma resposta alternativa ao sofrimento humano ou dukkha.
Nosso sonho é que a comunidade budista abrace a mensagem do evangelho dentro de seu contexto cultural e desencadeie um avanço entre budistas theravadas.
 Rev. Dr. Bantoon e Sra. Mali Boon-Itt
Dr. Bantoon e Mali Boon-Itt são um casal que trabalha junto para o aprimoramento da comunicação da mensagem cristã a fim de torná-la compreensível e relevante para budistas tailandêses. Rev. Dr. Boon-Itt escreveu vários ensaios e uma tese de doutorado ligados a esse tópico. Ele é o pastor titular da 4a. Igreja Suebsampantawong em Bancoque, Tailândia.
O artigo original “Bridging Buddhist-Christian Worldviews” foi generosamente cedido pelo Mission Frontier Magazine, edição de novembro-dezembro de 2014, e traduzido em português pelo Martureo.
Notas
[1] Veja uma explicação das diferenças entre esses tipos de comunicação em www.ask.com/question/difference, entre a comunicação oral e escrita.
[2] Por exemplo: a igreja não consegue incentivar e preparar os cristãos para que sejam sal e luz na sociedade budista; pelo contrário, os tiramos dela e os colocamos em ambientes totalmente novos com novos amigos, vocabulário e tradições cristãs ocidentais. A sociedade tailandêsa entende o cristianismo como uma religião estrangeira (ocidental). Tailandêses que se tornam cristãos perdem a identidade cultural local. Novos convertidos não são orientados quanto à maneira de se relacionarem com a sociedade local como um nativo que crê em Cristo. Eles descobrem que precisam se desligar da família e da antiga sociedade. Não se faz nenhum esforço para formar uma identidade cristã tailandêsa, de modo que os cristãos locais possam ser vistos como cidadãos que não abandonaram suas raízes, pelo contrário, continuam sendo tailandêses de verdade. Insistimos para que aceitem Cristo, apesar de eles não terem compreendido o significado e as implicações disso. É como se os estivéssemos vacinando contra Cristo: eles acham que já o conhecem e que foram salvos. O parto prematuro diminui as chances de permanecerem firmes na fé.
[3] Três boas fontes para compreender o problema:
  • Boon-Itt, Bantoon. 2011 “What is being communicated to Buddhists”. In: Suffering: Christian Reflections on Buddhist Dukkha. Paul De Neui, ed. Pasadena: William Carey Library, 1-22.
  • Boon-Itt, Bantoon. 2007 “A study of the dialogue between Christianity and Theravāda Buddhism in Thailand as represented by Buddhist and Christian writings from Thailand in the period of 1950 – 2000”. Ph.D. dissertation, St John’s College, Nottingham, United Kingdom.
  • youtube.com/watch?v=_B_kVieeqSQ
[4] Veja Atos 13, 14 e 17.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Rohingyas: o povo muçulmano que o mundo esqueceu

Muçulmanos rohingyas não são reconhecidos como cidadãos em Myanmar
http://www.bbc.co.uk/portuguese
Recentemente, as Nações Unidas descreveram os rohingya como um dos povos mais perseguidos do mundo, uma minoria "sem amigos e sem terra."
No último domingo, cerca de 500 membros dessa etnia se juntaram a esse êxodo, abandonados por traficantes de pessoas em uma ilha perto da Malásia.
Apesar de terem vivido em Mianmar por gerações, o governo do país alega que eles são novos imigrantes, negando-lhes, portanto, cidadania.
Cerca de 1 milhão de pessoas formam a minoria étnica, linguística e religiosa do povo rohingya, muçulmanos discriminados e perseguidos por décadas.
Acredita-se que a repressão brutal contra eles provocou uma diáspora de pelo menos outros 1 milhão, em várias partes do mundo.
Neste fim de semana, 500 rohingya, a maioria mulheres e crianças, foram resgatados do mar no norte da Indonésia.
Eles haviam optado por um caminho alternativo, em vez do mais comum: lançar-se selva adentro e atravessar a fronteira entre Mianmar e Tailândia.
Segundo autoridades, além dos rohingya, 500 cidadãos de Bangladesh foram detidos.
De acordo com Steve Hamilton, da Organização Internacional para as Migrações, o grupo podia estar tentando chegar à Malásia.

Pobreza e repressão

(AFP)
No domingo, autoridades resgataram do mar 500 muçulmanos rohingya no norte da Indonésia
No país que o rohingya chamar de lar, Mianmar (antiga Birmânia), eles são proibidos de se casar ou viajar sem a permissão das autoridades e não têm o direito de possuir terra ou propriedade.
No exemplo mais recente de discriminação, autoridades regionais anunciaram recentemente que vão começar a implementar uma regra que proíbe os rohingya de ter mais de dois filhos.
Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), a crise do povo rohingya é uma das mais longas do mundo e também uma das mais negligenciadas.
Por isso, em dezembro do ano passado, a ONU aprovou uma resolução que exortou Myanmar a permitir o acesso à cidadania para os rohingya, a maioria dos quais são classificados como apátridas.
Os rohingya são cerca de 5% dos 60 milhões de habitantes de Mianmar. Mas a origem desse povo ainda é amplamente debatida.
Por sua parte, eles afirmam serem indígenas do Estado de Rakhine, anteriormente conhecido como Arakan, no oeste do país, mas outros apontam que são, na verdade, muçulmanos de origem bengali que migraram para Mianmar durante a ocupação britânica.
Desde 1948, quando o país se tornou independente, eles têm sido vítimas de tortura, negligência e repressão.
Agora, com as dramáticas mudanças políticas e sociais em curso em Mianmar, os ânimos das várias comunidades que habitam o país estão em ebulição e uma onda de violência e discriminação voltou a emergir contra os rohingya.
Nos últimos anos, após ter sido governado por uma junta militar por mais de meio século, a Birmânia está passando por uma transição para a democracia e melhorias sociais que muitos têm elogiado.
Mas a situação não parece ter melhorado para os rohingyas.
Em 2012, duas ondas de violência, uma em junho e a outra em outubro, orquestradas por grupos extremistas de maioria budista em Rakhine, deixaram cerca de 140 mortos, centenas de casas e edificações muçulmanas destruídas e 100 mil desabrigados.
Autoridades e a polícia foram acusadas de não agir de modo a defendê-los.
Segundo explica o correspondente da BBC no sudeste da Ásia, Jonathan Head, "Rakhine é o segundo Estado mais pobre em Mianmar, e este é um dos países menos desenvolvidos do mundo".
"A pobreza, negligência e repressão têm desempenhado um grande papel na violência étnica", diz o repórter.
"Adicione a isso as memórias históricas amargas e os medos sentidos por comunidades rivais do que poderiam perder ou ganhar no ambiente político novo e incerto de Mianmar", acrescenta.

Desconfiança e desinformação

Duas ondas de violência, em junho e em outubro, deixaram 140 mortos
Após os acontecimentos de Rakhine, as duas comunidades – budistas e muçulmanos - que há décadas já viviam separadas, ficaram totalmente segregadas.
"Os muçulmanos estão confinados a áreas de segurança cada vez mais reduzidas", diz o repórter.
"Aldeias que haviam sido destruídas na onda de violência de junho foram arrasadas completamente durante o novo surto de outubro. E milhares de rohingyas terminaram em acampamentos onde não recebem ajuda do governo e vivem em extrema pobreza."
"Ambos os lados estão agora completamente segregados", acrescenta.
Os rohingya também foram acusados de incitar a violência. Acredita-se que os acontecimentos do ano passado ocorreram após o estupro e o assassinato de uma mulher budista em Rakhine.
Mas a campanha sangrenta de violência organizada contra os muçulmanos rohingya tem raízes profundas e seu objetivo final, diz Head, é que eles deixem Mianmar.
"Os budistas de Rakhine repetem boatos terríveis sobre as atrocidades cometidas por muçulmanos e, ocasionalmente, apresentam fotos borradas de corpos mutilados", explica o correspondente da BBC.
"Mas eles (os budistas de Rakhine) também foram negligenciados por muito tempo por parte do governo central e foram levados a acreditar que a população muçulmana está crescendo fora de controle e que isso pode se tornar uma ameaça para a sua sobrevivência".
"Eles estão com medo da propagação do extremismo islâmico, especialmente entre os jovens rohingya que viveram na Arábia Saudita", acrescenta Head.
É por isso que as autoridades de Rakhine estão usando uma forma de "apartheid" e já falaram abertamente que a única alternativa é a deportação em massa dos rohingya.

Direitos civis

Em 2012, 100 mil muçulmanos rohingya ficaram desabrigados
Tanto as Nações Unidas quanto as organizações de defesa dos direitos humanos pedem que as autoridades de Mianmar revejam a Lei de Cidadania de 1982, de forma a garantir que os rohingya não continuem sem pátria.
Essa é a única maneira, dizem, para combater as raízes da longa discriminação contra essa etnia.
Contudo, muitos budistas de Mianmar nem sequer reconhecem o termo rohingya. Chamam-nos de "bengalis muçulmanoss". Uma alusão à visão oficial de que os rohingya são imigrantes de Bangladesh.
Como diz Jonathan Head, cerca de 800 mil rohingyas de Mianmar não possuem cidadania. E isso de certa forma incentivou budistas a acreditar que sua campanha de segregação e expulsão forçada é justificada.
Mas a segregação, explica o correspondente da BBC, não só é social.
"As longas décadas de isolamento e de injustiça crônica impostas pela junta militar de Mianmar criou um preconceito e ressentimento no Estado de Rakhine. E isso tem fermentado um clima venenoso da desconfiança e falta de informação."
"É claro que, além de a separação física dos muçulmanos e budistas, também há uma extrema segregação mental."

terça-feira, 21 de abril de 2015

O alfabeto tibetano


A Escrita tibetana é um abugida originado da família Brahmi usada para escrever a língua tibetana bem como as línguasbutanesa, siquim, ladakhi e por vezes a balti. A forma impressa da escrita é denominada escrita uchen (tibetano: དབུ་ཅན་; Wylie: dbu-can; "com uma cabeça") enquanto que a escrita cursiva a mão e usada no dia a dia é chamada escrita umê script (tibetano: དབུ་མེད་; Wylie: dbu-med; "sem cabeça").

História[editar | editar código-fonte]

O alfabeto tibetano foi composto no século VII pela tradução de textos sagrados do budismo. Derivado das escritas cursivas utilizadas nessa altura na Índia central, foi composto com um manifesto cuidado de simplificação, graças a um rigoroso conhecimento da fonética. A criação foi atribuída a Thonmi Sambhota, ministro do primeiro rei tibetano convertido ao budismo, que teria trazido, em livros sagrados, estas escritas das Índias.

Essa escrita está intimamente ligada à etnia tibetana, porém, é também usada por línguas tibetanas faladas no Butão, em partes da Índia e do Nepal e mesmo no Paquistão.1Além disso, a escrita tibetana influenciou a criação de outras escritas como a limbu e lepcha2 e a ’phags-pa.2 . A escrita tibetana apresenta muitas formas romanizadas.3

Descrição[editar | editar código-fonte]

"Escrita Tibetana"
A escrita Tibetana tem 30 consoantes, também conhecidas como radicais.
ཀ kaཁ khaག gaང nga
ཅ caཆ chaཇ jaཉ nya
ཏ taཐ thaད daན na
པ paཕ phaབ baམ ma
ཙ tsaཚ tshaཛ dzaཝ wa (não era originalmente parte do alfabeto)4
ཞ zha 5ཟ zaའ 'a 6
ཡ yaར raལ la
ཤ sha 5ས saཧ ha 7
ཨ a
Texto policrômico à esquerda do centro é o mantra primário do Budismo tibetano,Sânscrito – IAST “Om Mani Padmeṃ"
Como ocorre como na maior parte das línguas Indianas, cada consoante inclui uma vogal /a/ inerente. Um aspecto único da escrita tibetana é que as consoantesa podem ser escritas simplesmente como radicais, ou podem ser escritas de outras formas, como, por exemplo, com sobrescritos e subscritos.A posição sobrescrita sobre o radical é reservada para as consoantes (sons) r, l, s, enquanto que as posições subscritas sob o radical é para as consoantes y, r, l, w. Para entender como isso funciona, pode-se observar o radical do carácter "ka" ao se tornar "kra" ou "rka". Em ambos os casos, o símbolo para "ka" é usado, mas quando o R está entre aconsoante e a vogal, é adicionado um subscrito. Por outro lado, quando o R vem antes do conjunto consoante + vogal, adiciona-se um sobrescrito.(Conf. Daniels) R realmente muda de forma quanto está acima da maior parte das outras consoantes; assim temos རྐ rka. Há, porém, uma exceção a isso no grupo consonantal རྙ rnya. De forma similar, as consoantes w, r, y mudam sua forma quando estão junto a outras consoantes - ཀྭ kwa; ཀྲ kra; ཀྱ kya.
Além de serem escrita com sobre e subscritos, algumas consoantes podem também ser pocionadas em posições de pré-escritas, pós-escritas ou mesmo pós-pós-escritas. Por exemplo, as consoantes g, d, b, m, ’a ("’a chung") podem ser usadas em posição pré-escrita, à esquerda, de outros radicais, enquanto que a posição após o radical (pós-escrita) pode ser tomada por dez das consoantes ( g, n, b, d, m, ’a, r, n̄, s, l. A terceira posição, a pós-pós-escrita, é usada somente para as consoantes d e s (Conf. Daniels).
As vogais usadas na escrita tem os sons a, i, u, e, o. A vogal a é inerente a cada dos radicais de consoantes, mas as demais devem ser indicadas por marcas (diacríticos). Assim: ཀ ka, ཀི ki, ཀུ ku, ཀེ ke, ཀོ ko. As vogais i, e, o são posicionadas sobre a consoante como diacríticos, enquanto que a vogal u é posicionada sob a consoante (conf. Daniels). No Tibetano antigo havia o diacrítico gigu 'verso' de significado desconhecido. Não há distinção ente vogais longas e curtos no tibetano antigo, exceto para palavras externas à língua, em especial aquela vindas di Sânscrito.
No sistema Tibetano de escritas as sílabas são escritas da esquerda para a direita 8 As sílabas são separadas por um “tseg” (་); Como muitas palavras Tibetanas são monossilábicas, essas marca é por vezes não usada, sendo substituída por um espaçor para separação de palavras.
Mesmo que alguns dialetos Tibetanos apresentem Tons, como a língua em si própria não tinha esses tons quando da criação da escrita, os mesmos não são expressos na escrita. Como os tons se desenvolveram a partir de característcas segmentais, eles podem ser inferidos pela também ser identificados nas palavras tibetanas. Como nas outras escritas indianas, dígrafos consonantais são por vezes feitos caracteres um sobre o outro na vertical. Infelizmente, algumas fontes para informática não atendem a essa caracterísca da escrita Tibetana, não podendo ser aqui apresentados de forma correta.

Transliteração do Sânscrito[editar | editar código-fonte]

Conforme o IAST

Vogais[editar | editar código-fonte]

DevanagariIASTTibetanoSinais dependentes de vogais DevanagariIASTTibetanoSinais dependentes de vogais
अaཨ औauཨཽཽ
आāཨཱཱऋṛརྀྲྀ
इiཨིིॠṝརཱྀཷ
ईīཨཱཱིིऌḷལྀླྀ
उuཨུུॡḹལཱྀཹ
ऊūཨཱཱུུअंaṃཨཾཾ
एeཨེེअँཨྃྃ
ऐaiཨཻཻअःaḥཨཿཿ
ओoཨོོ 

Consoantes[editar | editar código-fonte]

DevanagariIASTTibetano DevanagariIASTTibetano
कkaཀदdaད
खkhaཁधdhaདྷ
गgaགनnaན
घghaགྷपpaཔ
ङṅaངफphaཕ
चcaཙबbaབ
छchaཚभbhaབྷ
जjaཛमmaམ
झjhaཛྷयyaཡ
ञñaཉरraར
टṭaཊलlaལ
ठṭhaཋवvaཝ
डḍaཌशśaཤ
ढḍhaཌྷषṣaཥ
णṇaཎसsaས
तtaཏहhaཧ
थthaཐक्षkṣaཀྵ
As consoantes retroflexas "cerebral" do Sânscrito ट ठ ड ण ष (ṭa, ṭha, ḍa, ṇa, ṣa) são representadas pela reversão das letras ཏ ཐ ད ན ཤ (ta, tha, da, na, sha) para ter-se ཊ ཋ ཌ ཎ ཥ (Ta, Tha, Da, Na, Sa).
È um regra clássica de transliteração च छ ज झ (ca cha ja jha) para ཙ ཚ ཛ ཛྷ (tsa tsha dza dzha), respectivamente. Atualmente, ཅ ཆ ཇ ཇྷ (ca cha ja jha) também podem ser usados.

Unicode[editar | editar código-fonte]

Bloco em Unicode Tibetano é U+0F00–U+0FFF.9 Esse inclui letras, dígitos, várias pontuações e símbolos especiais usados em textos religiosos.

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Ir para cima↑ Chamberlain 2008
  2. ↑ Ir para:a b Daniels, Peter T. and William Bright. The World’s Writing Systems. New York: Oxford University Press, 1996.
  3. Ir para cima↑ Ver, por exemplo [1]
  4. Ir para cima↑ No antigo Tibetano não há letra w, que era, porém, um dígrafo para 'w.
  5. ↑ Ir para:a b No caso de Zh e Sh, o h significa palatização.
  6. Ir para cima↑ O h ou apóstrofo (’) geralmente significa aspiração.
  7. Ir para cima↑ A letra h isolada implica fricativa glotal surda.
  8. Ir para cima↑ Asher, R. E. ed. The Encyclopedia of Language and Linguistics. Tarrytown, N. Y.: Pergamon Press, 1994. 10 vol.
  9. Ir para cima↑ Unicode block U+0F00 – U+0FFF; Tibetan script.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Em inglês
  • Asher, R. E. ed. The Encyclopedia of Language and Linguistics. Tarrytown, N. Y.: Pergamon Press, 1994. 10 vol.
  • Beyer, Stephan V. (1993). The Classical Tibetan Language. Reprinted by Delhi: Sri Satguru.
  • Chamberlain, Bradford Lynn. 2008. Script selection for Tibetan-related languages in multiscriptal environments. International Journal of the Sociology of Language 192:117-132.
  • Csoma de Kőrös, Alexander (1983). A Grammar of the Tibetan Language. Reprinted by Delhi: Sri Satguru.
  • _____ (1980–1982). Sanskrit-Tibetan-English Vocabulary. 2 vols. Reprinted by Delhi: Sri Satguru.
  • Daniels, Peter T. and William Bright. The World’s Writing Systems. New York: Oxford University Press, 1996.
  • Das, Sarat Chandra: “The sacred and ornamental characters of Tibet”. Journal of the Asiatic Society of Bengal, vol. 57 (1888), pp. 41–48 and 9 plates.
  • Das, Sarat Chandra (1996). An Introduction to the Grammar of the Tibetan Language. Reprinted by Delhi: Motilal Banarsidass.
  • Jäschke, Heinrich August (1989). Tibetan Grammar. Corrected by Sunil Gupta. Reprinted by Delhi: Sri Satguru.

Referências externas[editar | editar código-fonte]

Placa de resgistro de veículo deJammu e Caxemira, em escritas Latina e Tibetana

Referências Unicode[editar | editar código-fonte]

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