sábado, 29 de agosto de 2015

OS 5 ALFABETOS MAIS 'BONITOS' DO MUNDO


Desde os primeiros alfabetos, nascidos nos arredores da Mesopotâmia por volta de 2000 A.C., incontáveis sistemas de escrita, das mais diversas línguas e culturas, floresceram e padeceram na Terra. O exemplo mais clássico talvez seja o egípcio: uma civilização evoluída em vários campos do conhecimento, geograficamente vasta, que materializou seu legado em imponentes realizações arquitetônicas e um famoso sistema de escrita cuneiforme… que até hoje não conseguimos decifrar direito.
De uns tempos pra cá (2500 anos, mais precisamente), o alfabeto latino se popularizou a ponto de escantear e até extinguir os sistemas de escrita dos povos dominados pelos romanos, e pelos povos que deles descenderam. No entanto, ainda que seja o alfabeto mais usado no planeta, é a forma de comunicação escrita de menos de três quartos da humanidade. Mais de dois bilhões de pessoas ainda escrevem em outros formatos, e muitos deles impressionam pela beleza quase artesanal. Abaixo, conheça cinco dos alfabetos mais belos do mundo, e as razões pelas quais provavelmente eles vão se extinguir antes que você aprenda a lê-los.
1

Birmano (Myanmar)

O alfabeto birmano (da antiga Birmânia, moderna Myanmar) é composto por formas circulares que devem ser desenhadas sempre em sentido horário. A escrita hipnotizante tem uma razão mais prática que estética: as folhas de palmeira, nas quais as letras eram tradicionalmente entalhadas, seriam facilmente rasgadas por traços retos. Ainda que menos ameaçado que outros alfabetos dessa lista, o birmano tem cada vez mais ficado relegado a liturgias, enquanto, no uso cotidiano, é substituído pelo híndi e até pelo latino. Myanmar, que até pouco restringia o turismo estrangeiro, recentemente abriu suas fronteiras para visitantes, e deixou o seleto grupo de países nos quais não se vende Coca-Cola (ainda restam a Coréia do Norte e, discutivelmente, Cuba) / Foto: BBC.
2

Geórgio (Geórgia)

Espremida entre a Turquia e a Rússia, a Geórgia tem uma língua e um alfabeto próprios, que perduram sob fortes ameaças. No último século, a política imperialista russa tomou mais da metade da área original da Geórgia, e as atuais pressões para que o pequeno país ceda a independência para algumas porções de seu território indicam que cada vez menos caucasianos estarão falando e escrevendo em geórgio, e cada vez mais estarão falando russo e escrevendo pelo alfabeto cirílico. O desejo russo de controlar os oleodutos que passam pela Geórgia também ameaçam a soberania cultural local. É uma pena: o alfabeto geórgio tem uma elegância que remete ao árabe, combinada com uma simplicidade quase infantil expressa pelas curvas arredondadas.
3

Cingalês (Sri Lanka)

Considerado um dos alfabetos mais extensos do mundo, o cingalês possui mais de 50 fonemas, ainda que só 38 sejam usados com frequência na escrita contemporânea. Continua sendo ensinado em monastérios budistas e escolas, e é a língua-mãe de mais da metade dos 21 milhões de habitantes de Sri Lanka. A improbabilidade de que você aprenda a lê-lo se deve mais a sua baixa relevância geográfica (uma vez que praticamente só é usado na ilha de Sri Lanka) que às ameaças por ele sofridas. Restrito a uma porção de terra cercada de água, o cingalês tem boas chances de sobreviver por mais algum tempo, ainda que a tendência, daqui pra frente, é a de que seu uso só diminua.
4

Tagalogue (Filipinas)

Originado das línguas indianas, o tagalogue era o sistema de escrita dominante nas Filipinas até a chegada dos espanhóis. A colonização primeiro modificou preceitos do alfabeto: antes escrito de baixo pra cima, passou a correr da esquerda para a direita. Mais tarde, o espanhol foi denominado a língua oficial do país, numa imposição cultural devastadora para o antigo alfabeto. Ainda que o filipino (uma mistura de línguas locais antigas com o espanhol) tenha sido designado como língua co-oficial, em 1973, o idioma passou a ser expresso pelo alfabeto latino. A escrita tagalogue sobrevive, hoje, pelo menos segundo as autoridades. Na prática, seu destino deve ser parecido com o dos mais de 120 dialetos locais que, pouco a pouco, vão desaparecendo pelo país.
5

Hanacaraka (Indonésia)

Desenvolvido na ilha mais populosa do arquipélago indonésio como forma de comunicar o idioma javanês, a escrita hanacaraka foi se disseminando para ilhas vizinhas e incorporando variações regionais. Com a popularização das prensas, tentou-se insistentemente padronizar o alfabeto nos séculos XIX e XX, mas esses esforços foram subitamente interrompidos pela ocupação japonesa na Indonésia, no meio da segunda guerra mundial, durante a qual o uso do hanacaraka foi expressamente proibido. Desde então, o alfabeto tem sido suplantado pelo latino, ainda que o governo local tenha preservado seu uso em placas de trânsito, e tornado o seu ensino obrigatório em algumas escolas. Para conhecer o hanacaraka pessoalmente, a recomendação mais prudente é que você pegue logo um vôo para Jakarta. Antes que seja tarde demais. 

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