segunda-feira, 28 de junho de 2021

FORMAS DE CUMPRIMENTOS ENTRE POVOS - Evanildo Bechara



É assunto por demais palpitante o que se relaciona com as fórmulas e gestos de cumprimento e saudação entre vários povos que habitam este orbe terráqueo. Além de não fugir muito de nossa matéria, o que se vai ler oferecerá a alguns leitores uma série de curiosidades sobre o tema proposto.

Nem todos os aspectos das fórmulas e gestos serão aqui tratados; nem tampouco estas linhas pretendem ser a última palavra, nem têm sombra de ostentar o luxo de coisas inéditas.

 

É opinião corrente que as mais antigas maneiras de saudação seriam aquelas que consistiam em se lançar ao chão em sinal de inferioridade a quem cumprimentava. Assim procedem ainda hoje povos orientais e tribos selvagens.

Com o correr do tempo, foram substituídas pelo durativo ou momentâneo ajoelhar, pela curvatura demorada ou rápida do tronco e da cabeça, com as quais se indicava, simbolicamente, o intuito de submissão.

 

Este segundo gesto com rapidez é completamente estranho para nós outros brasileiros, e muito espalhado entre alemães e pela Europa. Tenho observado que entre nós, quando há intimidade, se costuma indicar o encontro com duas pessoas conhecidas fazendo-se uma ligeira suspensão das sobrancelhas, sinal talvez de agradável surpresa da presença do amigo. O costume de cumprimentar tirando o chapéu da cabeça parece ter-se originado do fato de, nestes atos de curvar a parte superior do corpo humano, a sua cobertura tender a cair. O indivíduo então se preparava, trazendo-a à mão. O gesto naturalmente agradou a todos pela sua simplicidade e comodidade, e veio a desbancar o seu concorrente na sociedade moderna, embora não se desprezando de todo o hábito primitivo que se especializou para as circunstâncias mais respeitosas. O descobrir a cabeça nestas situações parece ter-se tornado comum aí pelos séculos XVI ou XVII.

 

Quanto ao beijo, o assunto exige mais complexidade. Este gesto é assaz antigo como exteriorização de nosso afeto e carinho a um ente querido.

Só quando há mais familiaridade ou parentesco próximo é que se ajunta o beijo ao cumprimento. E em países onde as imagens de santos são veneradas com ósculo, o beijo passou a ser sinal de respeito. Este respeito nasceria também do amor puro.

 

Neste particular, é bom que se note que os gregos refletem em seu vocabulário a íntima relação entre amar e beijar. Da mesma maneira procedem os países eslavos. J.J. Nunes, citando R. Kleinpaul (Volkspsychologie, 36), nos lembra de que o sérvio “Ijubiti” significa ambas as coisas, e “Rukulibám” ou “beijo-lhe as mãos” é uma delicadeza e todos os dias se ouve aos tchecos. E mais. Quem não se recordará, neste instante, do fecho de respeito das cartas em espanhol?: “q.s.m.b”, iniciais que querem dizer: “que su mano besa”?

 

Permita-me o leitor abrir aqui um parêntese: os romanos tinham três denominações para o ato de beijar: osculumbasium e savium. Pretendeu-se afirmar que os escritores davam sentido particular a cada um destes vocábulos. Segundo alguns estudiosos, osculum demonstrava amizade, basium significava amor, savium expressava prazer.

 

Tal não revela, entretanto, a prática dos literatos latinos. Catulo, dirigindo-se à sua Lésbia, usa de basium onde deveríamos esperar, conforme o pretendido axioma, savium:

“Da mihi basia mille, deinde centum.

Dein mille altera, deinde secunda centum,

Deinde usque altera mille, deinde centum,

Dein, cum milia multa fecerimus,

Conturbabimus illa, ne sciamus,

Aut nequis malus individere posit,

Cum tantum sciet esse basiorum.”

(1,v)

E assim estes versos foram traduzidos pelo nosso correto Francisco Otaviano:

“Dá-me um beijo, portanto, e cem, e centos, 

E estes centos repete mais cem vezes;

E quando for mui longa, perturbemos

Essa conta dos beijos... Pode a inveja,

Se os somar todos, nos lançar maus olhos!...”

O beijo, como sinal de amor e afeição, não é somente dado nos lábios. Se esta é a forma habitual, não implica isto que seja a única. Varia também entre as comunidades o número de beijo na face, de um, dois (entre nós) a quatro, como fazem, por exemplo, os holandeses.

E fechemos sem mais demora o parêntese.

Os gregos, ao verem chegar um amigo, ou quando o encontravam, ou ainda quando dele se despediam, exclamavam “Kaire” (Alegra-te!). Os romanos, ao aproximar-se, diziam “Ave” (Seja saudado!); quando se retiravam “vale” (Fique com saudade!).

Os israelitas, aos conhecidos mais íntimos, beijam-se uns aos outros na mão, na cabeça e ombro. A sua habitual forma de saudação é “Cholem Alechem” (pronuncie-se Xalém Aléque, que significa Paz convosco!).

 

Lancemos nossas vistas para a culta Alemanha. Em algumas terras, daí, faz parte das boas maneiras beijar a mão às senhoras.

 

A diferença de seita religiosa implica quase sempre diferença nas fórmulas de saudação. Assim, enquanto a Alemanha protestante usa de “Guten Morgen! Ihr Diener!” (ao pé da letra: Bom dia! Seu criado!), por sua vez, a Alemanha católica serve-se de “Gelobt sei Jesus Christus!”, expressão recomendada pelo papa Benedito XIII, por volta do ano de 1728, além de outras variações regionais. A tais cumprimentos se respondia com “In Ewigeit, amem!” (literalmente: Em eternidade, Amém).

 

Na sociedade moderna, a forma de despedida difere da primeira saudação, e o mais idoso diz: “Gott befohlen! (Encomendado a Deus), “adieu”. E muitas vezes, a própria pessoa que se despede: “Empfehle mich!”(o que em bom português clássico significaria “Encomendo-me”, e na linguagem moderna, “Recomendo-me”).

 

Homens que dedicam mutuamente grande amizade se saúdam com o beijo, por quase todas as terras da Europa. Na despedida, alguns povos usam beijo na boca.

Na Inglaterra, porém, o beijo só era permitido com os parentes mais chegados.

 

Quanto ao beija-mão, na Itália só era dado fazê-lo aos amigos muito íntimos; na Rússia, por sua vez, as damas respondiam ao beija-mão de um cavalheiro com um beijo na testa.

 

O inglês saúda a alguém com o já conhecido “How do you do?”, “Good-Bye!” (redução que a linguagem coloquial fez da expressão “God be with ye”, antiga fórmula de despedida. Frequente em Shakespeare era “God buy you”. Abreviadamente, temos também “God buy”, ainda “b’w’y”), “Farewell”.

 

Semelhantemente, o holandês “Vaar well!”, o sueco “Farval!”, os franceses “Bonjour! Au plaisir!” (de vous revoir), os espanhóis “Buenos días! Adios! Hasta la vista!”, os italianos “Buon Giorno! Addio! A riverderci”. Em Portugal adeus (= a Deus) é a saudação tanto para o encontro como para a despedida; no Brasil, principalmente na cidade, só se usa para a despedida. Outra forma de despedida é o tchau, este mais moderno. O tchau, tão difundido entre nós brasileiros, na despedida, chegou-nos por influxo do italiano ciao, forma reduzida de schiavo, “escravo”, correlata a formas de cumprimento do tipo de seu servo.

 

Os turcos entrecruzaram os braços, batendo-os contra o peito, e curvam a cabeça. O árabe vulgar diz “Aleikum essalem” (Paz convosco). Os indus, em Bengala, tocavam a testa com a mão direita e curvavam a cabeça para a frente. Quando desejavam juntar ao ato uma demonstração de profunda reverência, colocavam primeiro a mão direita no peito, depois tocavam com ela o chão e, por fim, a testa, e, ao mesmo tempo, chamavam a si escravo submisso da pessoa a quem saudavam.

 

Em Ceilão, os súditos atiravam-se ao chão diante do superior que passava, e murmuravam, continuamente, o nome e título do superior.

Em geral, a maior parte das maneiras de saudação, no Oriente, e principalmente na Magnólia, tinha um cunho de pensar de escravo, modernamente, é claro que a influência do contato com outros povos tenha feito significativa mudança em tais maneiras.

 

Na China, quando duas pessoas a cavalo se encontravam, o inferior descia do animal e deixava passar o superior. No Japão, o inferior tinha de tirar a sandália diante do superior, enfiar a mão direita na manga da esquerda e descer vagarosamente os braços até o joelho e caminhar compassadamente diante do outro com gestos terríveis, exclamando “Auk! Auk!” (Não me faça mal!).

 

Entre os africanos civilizados, os abissínios caíam de joelho e beijavam a terra; os mandingas, ao saudarem uma mulher, pegavam-lhe a mão chegavam-na até o nariz e cheiravam-na duas vezes...

 

Os egípcios estendiam a mão, colocavam-na sobre o peito e curvavam a cabeça.

 

Entre os povos menos civilizados do mundo antigo, por exemplo, os camulcas, anamitas, em Nova Guiné, Taiti, ilhas Sandwich, da Sociedade e dos Amigos, era muito  espalhado o mútuo e insistente cheirar e juntar os narizes, esfregando-os um de encontro ao outro ou ainda com os lábios, e um forte ato de respiração.

Nas ilhas dos Navegadores, isto se dava com pessoas de igual condição. O inferior esfregava o próprio nariz e cheirava então a mão do outro. Semelhantemente procediam os habitantes das ilhas Sunís e Fidji.

 

E para terminar, a mais curiosa saudação que conheço: os tibetanos deitavam a língua para fora e faziam caretas arreganhando os dentes, e coçavam as orelhas.

Neste momento em que enfrentamos uma pandemia e precisamos evitar sair de casa pela saúde de todos, deixamos temporariamente de lado os cumprimentos calorosos próprios do nosso povo. O brasileiro, sempre muito criativo, já criou outros tantos cumprimentos à distância para evitar contato físico, mas sem deixar de transmitir o carinho que sente pelo próximo. E mantermos o isolamento necessário neste momento só deixa clara nossa solidariedade e a preocupação com o coletivo, para que em breve possamos voltar a nos encontrar pessoalmente e nos cumprimentar efusivamente da forma como estamos acostumados.

 

Texto publicado no jornal Mundo Português e na revista Na ponta da Língua, originalmente em duas partes: 16/8/1991 e 23/8/1991.]


Via https://www.ediouro.com.br/blog/cumprimentos-entre-povos



sexta-feira, 11 de junho de 2021

DOMINGO DA IGREJA ACOLHEDORA - Participe e envolva a sua igreja!

 O Domingo da Igreja Acolhedora é um movimento internacional de conscientização e intercessão aos migrantes internacionais e refugiados em todo mundo, que acontece no mês de junho pelo Dia Internacional do Refugiado.

Em 2021, o Domingo da Igreja Acolhedora acontecerá no dia 20 de junho, no Dia Internacional do Refugiado, e nosso clamor e ação será em favor dos milhares de migrantes internacionais que se encontram no Brasil, muitos com dificuldades documentais, de saúde, de emprego e até mesmo em risco alimentar.
Tire uns minutinhos para assistir o vídeo e também orar pela causa do migrante e refugiado!!!
Te animamos para que participe deste movimento internacional de conscientização e intercessão aos migrantes internacionais e refugiados *juntamente com sua igreja e/ou organização*.
Seja organizador deste evento!

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Eventos, cursos, treinamentos e ações missionárias acontecendo pelo Brasil

De 12/04 até 16/04, uma maratona de lives com o tema: O futuro de missões é agora? Convidados com experiência de campo entre povos muçulmanos.
Faça seu check-in se inscrevendo através desse link e garanta sua viagem, sem passaporte, para o mundo muçulmano. 

















Conferência Paixão Global 2030 – FREE - 17 e 24/04.

Para inscrição, favor acessar o link www.paixaoglobal2030.com  para optar pelos workshops. Após inscrição receberá um e-mail com link para escolha do(s) workshop (s). 




 Vem aí a CMO 2021. Serão 240 horas de intercessão sem parar! Sua igreja, agência ou movimento missionário também pode participar desse grande desafio!

Veja como é simples:

1) Abra o documento editável no link abaixo; 

2) Escolha um ou mais dia e horário que ainda esteja vago, colocando a sigla do nome da sua ingreja, agência ou movimento missionário no quadrinho correspondente (sugerimos que você abra e edite este documento pelo computador. Às vezes, pelo celular, a sua escolha não é incluída no documento que está no nosso drive.)

3) Preencha a ficha de inscrição que também está no link abaixo e envie para nós. Pronto! Ao se inscrever você vai receber por e-mail o material de divulgação e as instruções para organizar a programação da sua hora.

Toda a programação da CMO 2021 será transmitida 24 horas por dia, de 13 a 23 de maio pelo Youtube. 

Cada horário ficará sob a responsabilidade de uma instituição.

Faça parte! A oração é a arma mais poderosa da terra! 

Campanha Mundial de Oração 2021 – por um avivamento missionário no Brasil e no mundo.

Ficha de inscrição: https://forms.gle/yTh9sJyKLqRhmQvLA

Link para escolher o seu dia/horário no Relógio de Oração:

https://drive.google.com/file/d/1Plt41Z1WpVUWK6g7HngES7AaQOSAMYai/view?usp=sharing

sábado, 13 de fevereiro de 2021

Agências Missionárias e o tempo de resposta

 Estudo de inquérito da agência missionária

Um dos funcionários do Centro para Mobilização e Retenção Missionária dos Estados Unidos contatou 26 agências missionárias daquele país pedindo-lhes mais informações sobre as oportunidades missionárias de longo prazo. Eles queriam rastrear o tempo que as agências levaram para responder pessoalmente às nossas solicitações. Dadas as preferências da Geração Z e da Geração Y por respostas rápidas, ficaram curiosos para saber quantas agências enviaram uma resposta pessoal por e-mail em 24 e 48 horas. O gráfico de pizza da imagem mostra os resultados deste estudo. Como você pode ver, 50% das agências enviaram uma resposta pessoal em 24 horas, 7,7% responderam em 48 horas e 34,6% não responderam em uma semana.
Tempo de resposta da agência missionária



Isso me recorda de um episódio acontecido comigo há alguns anos, quando precisei de informações sobre a biografia de um determinado missionário. Contatei uma Missão brasileira focada em evangelização indígena, a qual me enviou o e-mail de um de seus missionários, um norte-americano que estava em missão em plena selva amazônica. Enviado o e-mail, o referido missionário me respondeu em apenas quatro horas. Aquilo me espantou, pois nossa cultura tem algumas deficiências estruturais (e eu mesmo sou um perfeito membro de nossa cultura), dentre elas falhas em prontidão e pontualidade, desconfiança gratuita em relação a estranhos ou elementos que podemos avaliar como desimportantes em nossa escala de prioridades, e por aí vai.
Que de tudo isso possamos extrair lições preciosas. A geração atual, bombardeada por informações que tendem a causar dispersão, como bem referiu o texto acima, demanda respostas se não urgentes, ao menos céleres. Disso também depende o bom avanço do Reino de Deus através da missão.

terça-feira, 28 de julho de 2020

MISSIOLÉXICO - Criando palavras e expressões para (melhor) pensar a Missão



Ampliar e/ou melhorar a capacidade de uma língua de dizer algo é ampliar a própria capacidade intelectiva de seus usuários; novos conceitos e configurações técnicas, científicas e sócio-organizacionais (traduzindo: novas coisas, processos e fenômenos) demandam termos apropriados para sua eficaz sedimentação no universo reflexivo seja de um idioma, seja de uma disciplina em particular, ao enriquecer seu arcabouço epistemológico.

Em língua portuguesa, possuímos métodos diversos para a criação de palavras, métodos sabatinados nos ensinos Fundamental e Médio, como o leitor há de recordar: os métodos capitais da derivação e da composição, mas ainda as onomatopeias, as reduções e os métodos que foram mais explorados neste nosso exercício criativo: os hibridismos (a união de elementos de idiomas diferentes – em nosso idioma, geralmente do grego e do latim) e os neologismos, que são palavras criadas para suprir uma necessidade comunicacional em contextos específicos.

Um aviso aos navegantes: O texto aqui apresentado, claro está, é chancelado pela ludicidade e em muito também pela informalidade: o purista, antes que se ofenda, poderá considerá-lo apenas uma “brincadeira” ou no máximo um exercício despretensioso de reflexão.
É provável que muitos desses termos jamais tenham sido “usados”. Quanto à necessidade de engendrá-los, alguns me pareceram interessantes; outros, verdadeiramente úteis; outros ainda constam apenas como exercício de reflexão, como já dito. Vamos lá?

Apomissional: Apo, designativo de grande, superior (apo, apóstolo, apocalipse, apologia). Grande ideia ou ação em termos de alcance e relevância missionárias. Exemplo de ato apomissional: Distribuição de um milhão de Bíblias pela Portas Abertas na China (Projeto Pérola); impacto geral da Conferência de Lausanne. Exemplo de conceito apomissional: o conceito de Janela 10/40, proposto por Luis Bush.

Cadeia missiotróficaTrofé, comida, alimentação. Uma apropriação do termo ecológico cadeia trófica: “Cadeia alimentar” ou pirâmide sistêmica que representa a forma de sustentação da ação missionária considerada em relação a determinado indivíduo, organização, lugar, tempo, cultura. Um exemplo da cadeia missiotrófica tipicamente brasileira: Missionário é treinado com financiamento dividido entre recursos próprios, de sua igreja local, de uma agência missionária que mantém a instituição de treinamento; enviado para o campo, sobrevive em geral de ofertas de parentes e de sua igreja local. Pode ainda contar com ofertantes perenes ou esporádicos, de outras igrejas, cooptados através de visitas a estas igrejas e indivíduos, da divulgação em redes sociais etc. Ilustrativamente, comparar com a cadeia missiotrófica dos Irmãos Morávios: Indivíduo partia em missão munido de poucos recursos, e em geral jamais recebia ajuda posterior de seus enviadores.
A expressão poderia ainda referir o estudo da estrutura de sustentação e propagação do evangelho em culturas “exóticas” em relação aos nossos padrões ocidentais.

Cristão conectivo (igreja conectiva, missão conectiva): Pessoa ou instituição que, em prol do objetivo maior cristão que é levar o conhecimento de Cristo a todos os viventes, trabalha em profunda sintonia e liberalismo com outros cristãos e organizações, muitas vezes de inclinação denominacional e/ou teológica diferente da sua. Não se trata simplesmente do ecumênico, tanto no bom quanto no mau sentido que este termo carrega; é uma superação prática deste estágio, rumo a uma operacionalidade eclesial focada na ou demandada pela urgência missionária.

Cristobstar: Interpor, ser, promover obstáculos à propagação do conhecimento de Cristo (evangelização). Ex.: O governo saudita cristobstou nossos esforços. O governo chinês é o maior cristobstáculo asiático. Uma variação do conceito seria cristobstruir. Ex.: O direcionamento dos recursos da igreja para a aquisição da guitarra Fender é uma verdadeira cristobstrução.

Eklesioeirinilatria: Este termo quase cacofônico dá conta de um fenômeno que corporifica uma terrível contradição: ekklesia é o termo que em grego refere a “chamados para fora”; eirini é paz; latria é adoração. Assim, o termo refere o conjunto de “chamados para fora” que ama, adora estar “dentro”: na segurança da vida comunal da igreja, entre iguais, ou seja, em paz – ao contrário de lançar-se ao encontro do outro e à oposição que todo fiel de Cristo encontrará em sua interface com o mundo caído; patologia da pessoa ou instituição que se recusa a evangelizar e empenhar-se nos muitos processos que a ela conduzem. Horror ou desprezo pelo mundo que faz calar o amor do qual o Cordeiro o fez digno; medo cristão do mundo que supera a coragem que, como já mortos (e, logo, impossíveis de matar) temos ou deveríamos ter em Cristo. Adoração ou dependência viciosa da “paz das quatro paredes”.

Endoekklesia / endoeclesiaEndo, dentro. Igreja voltada para dentro; contradição em termos. Endoeclesismo: Relacionada ao termo anterior.

Etnópolis, etnópoleEtno, raça, etnia; pólis, cidade. Cidade polarizadora dentro de uma cultura, país ou região (regional, nacional, continental, mundial) que reúne, dentre todas de seu conjunto, a maior confluência de povos (etnias) diferentes. Ex.: Nova Iorque é a maior etnópole do mundo. São Paulo, por sua vez, reúne a maior variedade de povos diferentes dentro do Brasil. Você saberia identificar a etnópole de seu estado? Nem sempre é a capital. Remete indiretamente à estratégia paulina de plantar igrejas em grandes centros do helenismo, para com isso facilitar a propagação do evangelho.

ExomissiologiaExo, fora. Acredite, há quem creia que existam formas de vida, e inteligentes, habitando em outros planetas. A Bíblia não nega, mas também não afirma e mesmo não fala nada sobre isso (embora há quem utilize o texto de João 10.16 para considerar tal possibilidade). Agora, imagine a questão. Seres inteligentes, em suposição igualmente caídos, personagens de culturas e processos outros que não os que nós vivenciamos, e eles também necessitados de re-ligação com o Criador, através da ponte Jesus Cristo. Que corpo fantástico de conhecimentos seriam necessários para que pudéssemos levar o evangelho a tais seres? Esta é a função da exomissiologia. Mas ei, este termo não é meu, já existe e há até uma tese de mestrado sobre o tema (HOFFMANN, 2004). Fascinante, não?
Mas, agora deixe-me ir além. E se não formos nós os emissários (transmissores), mas sim os receptores tanto de um contato com alguma outra civilização planetária, quanto com uma nova (ou nova faceta da) revelação (não confundir com um novo evangelho, que é anátema) que eles nos tragam acerca da obra de Cristo? Como lidar com esse aporte? Como debater, negar, avaliar, contextualizar? Uma ciência ou disciplina à parte se faria necessária, um novo braço ou ramo da (exo)missiologia, portadora de um novo nome exatamente para diferenciar epistemologicamente os estudos: uma xenoteologia e, porque não, uma xenomissiologia. Pois em grego xeno significa estrangeiro, mas também, convidado; logo, alguém que vem a nós.

KeryssofobiaKerisso, proclamar, anunciar, tornar conhecido, e fobia, medo. Medo do chamado. Após a percepção, por parte do indivíduo (percepção que por vezes dá-se até mesmo por métodos sobrenaturais), de que Deus o está chamado para a ação missionária, um misto de terror e desespero toma conta do mesmo, que não se imagina nem capaz de cumprir o chamado, nem desejoso de abandonar seu modo de vida atual. Aquele que já viu essa rejeição fóbica atuando num indivíduo em seus níveis extremos, percebe que ela pode aparentar ou assemelhar-se mesmo a uma patologia psicológica.

KeryssotomiaKerisso, proclamar, anunciar, tornar conhecido, e tomia, cortar. Corte, interrupção ou impedimento na obra de proclamação do evangelho. Quebra da (cadeia de) proclamação.

MazetniaMazi, junto; etnia, povo. Estar junto a uma etnia; etnia de adoção. Emprega-se para aquela pessoa que recebeu/percebeu um chamado especial para (trabalhar com, interceder, amar) determinado povo (etnos). Ex.: “Os ianomâmis são minha mazetnia”.

Missioastenia: Astenia, perda ou diminuição da força física. Debilidade (após eventual período de sucesso ou regularidade) de um indivíduo, uma organização, uma cultura ou mesmo toda uma era no seu desempenho missionário.

Missiocultura: Cultura, clima, atmosfera, comovisão (de pessoa ou grupo) centrada na Missio Dei. Ex.: “Aquela igreja vive em missiocultura”.

MissiofagiaFagia, comer. Ação de (re)direcionar para outros propósitos (ou quase que literalmente alimentar-se d)os recursos (financeiros, humanos e espirituais) que Deus providenciou para serem investidos em MISSÕES. Ex.: “Aquele pastor é um missiófago”.

Missiolaetaria: Uma espécie de alegria, de contentamento no Espírito, ocasionada exclusivamente pelo cumprimento da missão; aquela conhecida e simples satisfação de “missão cumprida”, acessível a qualquer ser humano, mas aqui potencializada no indivíduo cristão pelo Espírito Santo; é uma alegria sobrenatural, e traz consigo temor e tremor; uma paz associada a um aumento da certeza, de fazer parte dos processos maiores e globais (universais) de Deus, mesmo em ação no mínimo, no local. Uma alegria eu diria quase sabática, pelo descanso equalizador que ela acarreta; um contrito, pequeno, “civilizado” êxtase.

Singularidade TavTav, Taf, última letra do alfabeto hebraico. Em filosofia, em física e em outras áreas, alguns eventos-mestres são chamados de ‘singularidade’. Por exemplo, temos a hipótese da ‘Singularidade tecnológica’: o momento em que a inteligência artificial (IA), atingindo estado superior, autoreplicável, autoaperfeiçoável, ultrapassará o que é humano, nos tornando não apenas obsoletos, mas eventualmente dispensáveis (futuro discutido em filmes como Exterminador do Futuro e Matrix).
Agora me diga: você já imaginou o que pode acontecer no momento exato em que o último povo da Terra (não pela nossa incerta contagem humana, mas pela de Deus) for alcançado? Aquele momento exato e quase mágico em que a Grande Comissão, aos olhos de Cristo o Comissionador, for finalmente concluída? Tal evento merece com certeza o epíteto de singularidade. Como nomear tal singularidade? Me pareceu por bem utilizar a última letra do alfabeto hebraico. Você poderia propor, “por que não uma Singularidade Ômega, já que Ele o Cristo é o Alfa e o Ômega?”. A razão é que tal terminologia já existe em ciência (SCHMIDHUBER, 2006, baseado em CHARDIN, 1969), designando outro fenômeno.

Xenomissiologia – Ver Exomissiologia.


Referências:

CHARDIN, Teilhard. The Future of Man. New York: Perennial, 1969.
HOFFMANN, Thomas. Exomissiology: The Launching of Exotheology. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/229646070_Exomissiology_The_Launching_of_Exotheology
SCHMIDHUBER, Juergen. Website do autorhttp://people.idsia.ch/~juergen/


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Sammis Reachers - Licenciado em Geografia, com pós graduações em Metodologia do Ensino e Gestão Escolar, é professor, escritor, promotor missionário e editor de recursos vários para servir aos esforços de conscientização e de mobilização missionárias.


Você é livre para reproduzir este material e seu conteúdo, no todo ou em partes, desde que citando autor e fonte.

domingo, 12 de julho de 2020

Aliança Francesa dá aulas online gratuitas de francês para iniciantes


Aliança Francesa de São Paulo está ministrando aulas semanais online e gratuitas de francês para iniciantes.
O curso traz aulas temáticas por meio da plataforma Zoom. Durante os Ateliers de Francês ao vivo, os alunos aprendem os elementos de base da língua para iniciarem uma conversa em francês.
É justamente para um público iniciante, que teve pouco ou nenhum contato com o idioma. Entre os temas desenvolvidos estão: se apresentar, expressar e explicar seus gostos pessoais, falar sobre a família e atividades cotidianas.
As aulas acontecem todas as sextas-feiras (de 3 a 24 de julho), sempre às 18h e com 1h de duração. Para participar é necessário se inscrever três dias antes, na terça-feira de cada semana, a partir de um evento digital na plataforma Sympla. O interessado recupera seu ingresso e, em seguida, recebe o link de acesso por e-mail. Vale lembrar que os ingressos estão sujeitos a esgotamento.
A iniciativa, segundo a Aliança Francesa, é para seguir com a missão de divulgar a língua francesa e a cultura francófona no Brasil, que agora chega ao público diretamente em sua casa ou onde quer que esteja.
Ateliers de Francês (VAGAS LIMITADAS):
Próxima Aula: sexta-feira 10/07, às 18h
Ne ratez pas!
Temas:
Aula: Se présenter (Apresentar-se)
Aula: Exprimer ses goûts et préferences (Expressar seus gostos e preferências)
Aula: Présenter sa famille et actions quotidiennes (Apresentar sua família e atividades quotidianas)

sexta-feira, 20 de março de 2020

Cheondoísmo: Você conhece essa religião coreana?

Símbolo do chendoísmo
O Cheondoísmo, também conhecido como Chondoísmo é uma doutrina e movimento de ordem religiosa de origem coreana que começou a ganhar força no século XX, que é baseado em outro movimento coreano que teve grande importância no século XIX. Esse movimento anterior ao Cheondoísmo teve origem nas rebeliões de camponeses que aconteceram no território da Coreia (O rompimento na Coreia só ocorreu no século XX, no qual originou a Coreia do Norte e Coreia do Sul) em 1812, enquanto a Dinastia Joseon vigorava nas terras coreanas. Dentre outro fatores, absorveu elementos budistas e xamanistas.
Apesar de estarem presentes em ambas as Coreias, a religião Cheondonísta tem maior incidência na Coreia do Norte, onde os preceitos religiosos da doutrina dizem que Deus está presente em cada uma das pessoas, e que as boas atitudes devem estar sempre presentes em suas ações cotidianas. Como dizem que Deus se encontra em cada um, os praticantes dessa religião dizem que a vida deve ser vivida de forma intensa no presente, já que não acreditam em uma possível vida após a morte, como pregam muitas doutrinas religiosas, como o Cristianismo.
O movimento religioso é apontado, segundo o regime da Coreia do Norte, como a principal religião do território, com cerca de 10% da população envolvida com a religião. No entanto, o Cheondoísmo chegou com força, também, na Coreia do Sul, no qual o país registra, ano após ano, um crescimento significativo de seguidores da doutrina Cheondoísta.
No ano de 2005, foi feito um censo que determinou que, na Coreia do Sul, mais de 1.131.00 pessoas eram adeptas do movimento religioso, contabilizando, também, mais de 280 templos religiosos da seita por todo o território.
Em suma, o Cheondísmo determina que o Céu – que, na verdade, representa todo o Universo- é o limite para todas as ações e realizações mundanas. Por conta disso, a vida, segundo eles, é somente essa, descartando uma possível vida pós-terrena. Diz ainda que o Céu atua como “um instrutor” na vida cotidiana dos fieis, no qual o Deus é encontrado em cada um, e não um somente na qual todos devotam. Cabe a cada um, buscar o Deus interior e, por fim, agir como um, como, por exemplo, em boas ações e projetos que não prejudiquem o próximo.
Por essa noção de não existir uma vida após a morte no paraíso, a crença da religião determina que o “Paraíso” deva ser feito na Terra, com atitudes que façam prosperar a cooperação, a humildade, a compaixão, o amor e, principalmente, a paz entre as pessoas.


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