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quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Reflexão missiológica: O Brasil missionário e a “cultura do evento”

A pandemia de Covid-19 descontruiu preconceitos, demoliu expectativa$ e, como a perseguição na Jerusalém do primeiro século, apressou o passo duma igreja sonolenta até o quase pecado.

Mas não adiantou de todo: Tiramos um pé do atoleiro, mas seguimos presos no que eu chamo de a “cultura do evento”. Encontros presenciais, capacitações, cursos de fim-de-semana ou que se estendem por três longos anos estão sendo retomados na modalidade presencial, para alegria de meia-dúzia que ainda não entendeu, e para azar de um país de colossais 8.510.000 quilômetros quadrados, 5.558 municípios e em torno de 60 milhões de crentes. SESSENTA MILHÕES DE CRENTES, que certamente não cabem na sua sede missionária, seminário, sítio, estádio ou o que você conseguir.

SESSENTA MILHÕES DE CRENTES.

Grandes igrejas, missões, denominações, agências e colegiados de agências nacionais parecem firmemente presos ao presencial, ao evento. O tempo que seria gasto em proporcionar RECURSOS GRATUITOS E DEMOCRATIZADOS (via web) é gasto em passagens de avião, hospedagens, alimentação, gasolina. Tudo com uma naturalidade, um “tem que ser assim, só pode mesmo ser assim” de causar arrepios em quem sabe dar valor (pois não o tem ou já não o teve um dia) ao DINHEIRO. Principalmente o dinheiro que compete ser alocado na obra de Deus.

Vamos a um teste, vamos ao que nos possa dar discernimento efetivo. Entre em sites de missões e colegiados (associações) de missão ou sites de igrejas genéricas/denominacionais (evangélicas/reformadas) e procure pela aba “Recursos”. Nos EUA, fonte nossa e de todos estes, é comum a cada site haver os recursos para capacitação de quem quiser se capacitar, em sua maioria gratuitos – e-books, podcasts, séries de vídeos auto instrutivos e etc. Mas faça o teste aqui em Pindorama, em nosso Brasil continental. Fez?

Pois bem, deve ter chegado a alguma conclusão. Sem querer desgastar ainda mais seu tempo, lhe proponho que faça agora outro teste. Procure pela aba “Eventos” ou “Agenda”.

Fez? Se fez, não preciso me estender, os festivos fatos são a melhor pedagogia.

Mas, E DAÍ?

Faça a sua parte. Empreenda esforços para trocar (no seu coração e na sua instituição) a “cultura do evento” pela “cultura dos recursos”. Ou a cultura do “venha” pela cultura do “tome aqui”. Não se questiona aqui a necessidade e riqueza maior proporcionada pelo tête-à-tête, o cara-a-cara; sou professor, como o faria? O questionável é a manutenção deste sistema monocórdio, pouco produtivo, elitista (sim, elitista!), num momento em que já adentramos até as canelas do século XXI, talvez o último.

Talvez o último. Será? Ou agimos no atacado sobre uma igreja de 60 milhões de almas dispersas por 5.558 municípios que se estendem por 8.510.000 km², ou pingamos gotas no varejo dos eventos - lá naquela estância hidromineral no Centro-Oeste, no indobrável eixo-de-aço RJ-SP, ou mesmo naquela base ensolarada no Nordeste...

No mais, celebro e reafirmo a importância de tais eventos, e ser um dos seus maiores divulgadores (vide a vida do blog/canais Veredas Missionárias) o comprova. Mas torço para que eles tenham cada vez menos importância, pelo simples e monolítico fato de sermos sessenta milhões de crentes. 

Sammis Reachers

- www.veredasmissionarias.blogspot.com

(Este texto pode ser livremente reproduzido, por quaisquer meios, sem necessidade de prévia autorização. Mamon já nos impõe pedidos de autorização demais, concorda?).

domingo, 18 de junho de 2017

Como os cristãos devem se relacionar com os muçulmanos?

No outono passado, o jornal Times, do Reino Unido, apresentou aos seus leitores o uso do taweez[1] no sufismo sunita generalista dentro do islamismo. Por quê? Porque estava a noticiar a condenação de um salafista que havia assassinado um imã que praticava esta forma do islamismo[2].

A variedade do Islão

Os leitores do Times, já familiarizados com termos como sunita, xiita, sufismo e salafismo, estavam a conhecer mais uma vertente do islamismo, praticada por 41 % dos paquistaneses e 26 % dos nacionais do Bangladesh[3]. Como, pergunto eu, eles irão integrar esta informação nas categorias “radical” e “moderado” que a mídia costuma atribuir ao islamismo? E como podem os cristãos integrar a variedade do islamismo nas suas cosmovisões?
Como devemos olhar para o islamismo?
Ao longo das quatro décadas e meia desde que compreendi como Deus se preocupa com os muçulmanos, já escutei muitos debates acerca de como a missão cristã deve ser dirigida. Devemos nos focar no islamismo “popular” — na enorme percentagem daqueles que usam o taweez e cujas vidas são dominadas pelas crenças no jinn. Devemos nos focar no serviço — às mulheres que foram abusadas, às minorias que sofrem com o racismo e aos que vivem na pobreza. Devemos nos focar na apologética, na polêmica, no diálogo e na coexistência… ou talvez em questões políticas. Talvez os cristãos devessem estar na frente da batalha contra o terrorismo ao estilo do Estado Islâmico.
Por detrás destes debates estão perguntas sobre como deveremos olhar para o islamismo, que, por sua vez, encontram eco nas respostas polarizadas dadas aos muçulmanos, que estão a dividir o universo evangélico nos nossos dias. Creio que o principal problema é não sabermos como encaixar a variedade do islamismo nas nossas categorias de pensamento. À medida que o mundo secular luta com a dificuldade que é acrescentar o mundo do taweez no seu entendimento da “religião”, os cristãos também têm dificuldade para encaixar o islamismo na sua compreensão do mundo. Por isso, escolhemos categorias que já existem e nos focamos nos muçulmanos que cabem dentro delas. Os nossos mestres e pregadores precisam urgentemente ler a Bíblia de uma forma que permita a toda a igreja se relacionar com toda a variedade do islamismo e dos muçulmanos
PRECISAM
Se pensarmos assim, vemos que o desafio é ainda maior: o islamismo pode ser um caso especial, mas precisamos de uma cosmovisão bíblica que nos dê um enquadramento que permita o relacionamento com todos os povos de todas as fés. O meu livro, The Bible and Other Faiths,[4] procura fornecer isso mesmo: uma forma de ler a Bíblia que tem em conta o mundo religioso “por detrás” dos textos bíblicos, de forma a ajudar-nos a entender o nosso próprio mundo religioso. O meu livro mais recente, Thinking Biblically about Islam,[5] lida com o caso especial do islamismo.

Enquadramentos bíblicos

A obra Thinking Biblically about Islam desenvolve dois enquadramentos bíblicos de pensamento e aplica-os de duas formas:
Os enquadramentos bíblicos lidam, em primeiro lugar, com o desenvolvimento de uma compreensão da humanidade que inclui os muçulmanos e, em segundo, de uma forma de entender o islamismo. Ambas estão relacionadas porque o “islamismo” é praticado por seres humanos, e é por isso mesmo que apresenta tanta variedade.
As aplicações interrogam, para começar, sobre como podemos refletir acerca de vários aspectos do islamismo: o Corão, Maomé, a umma e a sharia; e, em segundo lugar, sobre como os nossos estudos bíblicos podem nos transformar em nossos relacionamentos com muçulmanos.
Esta análise de duas vertentes reflete uma tensão inerente a muita da polarização a que assistimos nas respostas cristãs ao islamismo: estamos tentando compreendê-lo como um sistema posterior a Jesus Cristo e que se vê a si mesmo como suplantando o cristianismo, enquanto tentamos nos relacionar com a enorme proporção de seres humanos que são muçulmanos. Por um lado, muitos cristãos sentem que o islamismo nunca deveria ter existido e que os muçulmanos são intrusos no seu mundo. Por outro, muitos cristãos vivem em lugares onde se relacionam com muçulmanos diariamente e têm amigos, colegas e familiares muçulmanos a quem amam.
Aqui está uma amostra dos dois enquadramentos bíblicos:

Uma visão da humanidade que inclui os muçulmanos

A base deste enquadramento é Gênesis 4 a 11. É uma análise padronizada do texto como um quiasmo (a letra maiúscula chi, do grego, parece um X). Ou seja, a sua estrutura é ABCB’A’ ou ABA’ ou ABCDC’B’A, etc. Os primeiro e último elementos “correspondem”, à medida que definem temas e assuntos, podendo repetir palavras. O elemento central é o ponto principal do assunto do texto. Os elementos intermédios “correspondem” (aqui são ambos genealogias) e indicam de que forma todo o argumento faz sentido.[6] Portanto, esta análise corresponde Gênesis 4 e 11, Gênesis 5 e 10 e, depois, considera Gênesis 6 a 9 como central.
Em Gênesis 1 a 3, aprendemos que todos os seres humanos, incluindo muçulmanos, são feitos à imagem de Deus e estão debaixo da queda. Gênesis 4 a 11 nos dá uma análise de um mundo religioso caído que pode ser lida como um quiasmo. O início e fim lidam com a religião à escala individual e societal. O ponto central é a história do dilúvio, e no meio estão as genealogias que são tão importantes em toda a estrutura de Gênesis:
A Capítulo 4: Os seres humanos fora do Éden procuram se aproximar de Deus através de um ato religioso. Não é evidente o porquê de um ser aceito e o outro rejeitado, mas fica claro que o resultado é a violência.
B Capítulo 5: Os seres humanos têm uma origem comum, e todos (exceto Enoque que aponta para uma esperança de vida) partilham a morte na sua genealogia.
C Capítulos 6 a 9: A resposta de Deus ao alastrar da violência é a ira e o sofrimento(6:6). A história do dilúvio é lida como demonstrando duas formas possíveis de Deus lidar com o mal: o juízo do dilúvio e o pacto de aliança que sucede ao sacrifício de Noé. Esta última indica a preferência de Deus, que se mantém por toda a história.
B’ Capítulo 10: As sociedades humanas têm uma origem comum e estão debaixo da mão provedora e doadora de vida de Deus.
A’ Capítulo 11: Os seres humanos têm a tendência de usar a religião para propagar o poder e o território de um povo em particular. Esta é a religião perigosa, que Deus irá julgar para limitar o mal que dela advém.
Esta análise nos fornece categorias simples, mas convincentes, para refletir sobre sunitas e xiitas, sufismo e salafismo, e sobre quem usa o taweez e os apoiantes do Estado Islâmico que matam idólatras.

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A: Religião individual. Podemos olhar para todos os muçulmanos como pessoas que tentam chegar a Deus, seja pelo exemplo de Abel ou com motivações iguais às de Caim. Podemos esperar lutas religiosas violentas por causa de questões sobre o que agrada a Deus
Portanto, este tipo de cisões é esperável entre sunitas e xiitas. Contudo, podemos também esperar que alguns dos sufistas, que buscam a face de Deus como um amante busca aquele a quem ama, sejam os “Abéis” do mundo muçulmano. A história nos leva a perguntar até que ponto conseguimos distinguir quais dos apoiantes do Estado Islâmico que sacrificam suas vidas são como Caim, e quais são como Abel.
A’: Religião social. É possível entender as várias dimensões políticas do islamismo como manifestações de uma tendência humana comum de juntar religião, etnia e poder[7] Podemos estar certos de que quando esta fusão ergue estruturas de poder exploradoras que se opõem a Deus, ele irá limitar os danos que elas causam à sua criação, que é boa.
B e B’: Genealogias. Tudo isto é a condição humana partilhada. Os muçulmanos não são intrusos no nosso mundo: todos fazemos parte do mundo de Deus. Uma das implicações disso é podermos esperar os padrões de Gênesis entre cristãos e entre muçulmanos também. Os cristãos também podem discutir sobre quem é aceitável diante de Deus. Os cristãos também podem lutar e matar-se uns aos outros. Os cristãos também podem usar a religião para construir impérios.
C: No centro de tudo está o problema do mal. Não me refiro à questão da origem do mal, embora o livro explore algumas das principais diferenças entre a posição muçulmana e cristã sobre o assunto, ao estudar a história de Adão no Corão e na Bíblia. Antes, a grande questão levantada pela história de Noé em Gênesis é: como é que Deus lida com o mal, e quais as implicações disso para a forma como os seres humanos devem lidar com mal em si mesmos e nos outros.
A minha esperança é que os leitores cristãos estejam agora partilhando um pouco da dor, da ira e do coração de Deus (Gn. 6:6). Espero também que, tal com Aquele a quem servimos, o leitor esteja decidido a preferir o caminho do sacrifício e do pacto de aliança em vez do caminho do juízo em resposta ao mal. Ele nos leva a Jesus e à sua cruz, ao sangue que clama tão mais alto do que o de Abel, o mártir. Talvez a nossa maior dor seja que a cruz e o sangue não existam no pensamento islâmico e, por isso, não são tidos em conta por quem usa o taweez ou pelos apoiantes do Estado Islâmico nas suas lutas contra o mal. E assim chegamos ao centro do segundo enquadramento analítico.Isto nos sugere uma chave para um pensamento biblicamente fundamentado acerca das variedades do islamismo: podemos descobrir o que estes muçulmanos em particular consideram ser o mal, e como estão a tentar lidar com isso. Um exemplo é a polarização entre quem usa o taweez e os apoiantes do Estado Islâmico. Os primeiros se focam no mal que os afeta e às suas famílias na vida diária. Eles lidam com isto através de rituais e, muitas vezes, tentando controlar o jinn que consideram ser responsável pelos seus problemas. Os apoiantes do Estado Islâmico concentram-se mais nos males políticos, que consideram serem causados por uma adoração errada. É frequente tentarem lidar com eles tentando destruir as causas.

O enquadramento para entender o islamismo

Este enquadramento advém da transfiguração. Ao escrever o livro, compreendi a centralidade da transfiguração nos evangelhos sinóticos; o evangelho de João pode ser lido como uma exegese da transfiguração.[8]
As perguntas às quais a transfiguração responde são perguntas islâmicas: De que forma Jesus está relacionado com os profetas anteriores? O que significa que ele é o Messias? Como lidamos com o escândalo da sua insistência em sofrer uma morte humilhante?
Até aqui, os evangelhos estão largamente em harmonia com a visão corânica de Jesus, sendo que o Corão levanta as mesmas questões que os evangelhos. No entanto, os muçulmanos encontram respostas diferentes.[9] Eles negam a crucificação e colocam Jesus no mesmo nível de todos os outros profetas. Na verdade, eles revertem a transfiguração para depois desenvolver uma tradição profético-jurídica, com base numa figura que combina o paradigma da entrega da lei como alicerce da comunidade de Moisés, com o zelo monoteísta e de aplicação da lei de Elias.
Estas observações provocam uma releitura dos paradigmas jurídicos e proféticos representados por Moisés e Elias, pelo menos enquanto formas de lidar com os males do pecado humano. Por um lado, como pode o material bíblico nos ajudar a entender as forças e as fraquezas do islamismo? Por outro, por que motivo os relatos bíblicos destes profetas encontram o seu cumprimento na cruz de Cristo em vez de na Medina de Maomé?
Portanto, uma compreensão do propósito e da natureza, das riquezas e limitações da lei bíblica e do sistema dos profetas nos oferece algumas categorias para pensar acerca do islamismo; além disso, abre a possibilidade de uma forma de ler o Novo Testamento que ilumina o modo e o motivo para ser boas novas para os muçulmanos. De ponta a ponta, a Bíblia fala ao mundo do islamismo e para a desorientação do povo secular e cristão que está tendo dificuldades para o entender.
Qual a implicação para os líderes evangélicos? Vamos colocar a Bíblia “em conversa” seria com o pensamento islâmico e o povo muçulmano, pregando todos os desígnios de Deus ao nosso mundo que sofre.
Os muçulmanos ainda estão aguardando a vinda de Jesus e de outras figuras messiânicas, que vêm para lidar definitivamente com o mal, destruindo os maus e salvando os bons. Tal como os cristãos também aguardam o julgamento final, que diferença faz nas nossas vidas e naquilo que pregamos o fato de o Messias já ter vindo e de ter lidado com o mal na cruz?  A cruz é o sacrifício aceitável disponível para quem é como Caim tanto como para quem é como Abel. Ela desafia todas as fusões de religião e poder, juntando, de uma vez para sempre, o julgamento que purifica e a dor que perdoa. De que forma podemos fazer dessa cruz a base de todas as nossas respostas ao islamismo?

Notas

  1. Taweezé uma palavra do urdu geralmente traduzida como “amuleto”. Ela se refere a um objeto usado ao pescoço ou atado de outra forma na pessoa. Nele está contido um papel com alguns versos do Corão ou diagramas místicos. A sua preparação é realizada por um religioso bem conhecido do povo, sendo considerada uma forma de combater problemas que podem ir da doença física ao comportamento inaceitável ou à proteção contra a magia negra. ↑
  2. Para ler e saber mais sobre o debate em torno desta ocorrência, consulte, por exemplo, https://www.theguardian.com/uk-news/2016/sep/05/alleged-killer-imam-court-islamic-state-rochdale, http://www.asianimage.co.uk/news/14748549.Why_was_use_of_taweez_s_so_offensive_to_killers_/ ↑
  3. Esta é, de acordo com o Times, a percentagem de pessoas que admitem usar o taweez num inquérito realizado pela Pew em 2006. The Times, 17, n.º 9 (2016): 15. ↑
  4. Ida Glaser, The Bible and Other Faiths (Langham: InterVarsity, 2005). ↑
  5. Ida Glaser and Hannah Kay, Thinking Biblically about Islam (Langham: Langham Global Library, 2016). ↑
  6. Muitas passagens bíblicas e livros apresentam esta estrutura. A e A’ indicam qual é o argumento, sendo que o ponto central é o elemento fundamental.. ↑
  7. Nota do editor: consulte o artigo de Jonathan Andrews intitulado “Living as a Christian, Registered as a Muslim?” (Vivendo como cristão, registado como muçulmano?) na edição de março de 2017 da Análise Global de Lausanne. ↑
  8. João 1:14 é a chave hermenêutica. ↑
  9. A extensão das respostas diferentes do Corão é um assunto de grande debate, especialmente onde os silêncios são preenchidos por tradições de polêmica anticristã. Consulte, por exemplo, o debate de questões em torno da crucificação na obra The Crucifixion and the Qur’an: a study in the history of Islamic thought, de Todd Lawson (Oxford: OneWorld, 2009). ↑

Photo credits

Feature image from ‘Making dua‘ by Omar Chatriwala (CC BY-NC-ND 2.0).
Ida Glaser é a diretora do Centre for Muslim-Christian Studies (Centro de estudos muçulmano-cristãos) em Oxford, no Reino Unido, associado à Crosslinks, agência missionária anglicana. É tutora associada em Wycliffe Hall e membro da Faculdade de Teologia e Religião na Universidade de Oxford. É co-editora da nova série Routledge Biblical Interpretation in Islamic Context series. Este artigo apresenta o seu último livro, Thinking Biblically about Islam (Langham, 2016).

terça-feira, 23 de julho de 2013

Conheça os Muçulmanos Ahmadis


Comunidade Ahmadi ou simplesmente Ahmadiyya é um movimento religioso muçulmano fundado na Índia por Mirza Ghulam Ahmad(1835-1908).
Proclamando-se instrumento da decisão divina que o capacitara para realizar missão redentora da humanidade, Mirzã afirmava ser uma metamorfose do deus Krishna e, como tal, um guia (mahdi) dos homens. O movimento, embora combatido por alguns segmentos da sociedade indiana, progrediu, mantendo-se atuante através de seus partidários, desenvolvendo contínua e persistente ação missionária. Seus adeptos buscavam, principalmente, apoio das camadas superiores da população. Em Londres, edificaram a mesquita Baitul Futuhao mesmo tempo que editavam numerosas publicações a respeito de sua doutrina, distribuídas pelo mundo inteiro em vários idiomas. Uma das suas idéias chama a atenção: para os ahmadiyya, Jesus foi retirado da cruz ainda com vida e, posteriormente, curado de suas chagas, vindo finalmente a morrer na cidade de Caxemira (antigo Estado da Índia) com a idade de 120 anos. O seu principal centro de irradiação é o Paquistão onde, em 1953, fomentaram várias rebeliões. Considerados não-muçulmanos desde 1974, esses sectários são osperosos missionários do Islã, principalmente no continente africano.

Porque os Ahmadis são perseguidos?


Ahmadiyah é um movimento religioso islâmico fundado na Índia perto do final do século 19, originário com a vida e os ensinamentos de Mirza Ghulam Ahmad (1835-1908), que alegou ter cumprido as profecias sobre o reformador do mundo do final dos tempos, que foi para anunciar o Eschaton como previsto nas tradições de várias religiões do mundo e trazer o triunfo final do Islãoo como por profecia islâmica. Mirza Ghulam Ahmad alega que era o Mujaddid (reformador divina) do século 14 islâmico, o Messias prometido e Mahdi esperado pelos muçulmanos.

Os aderentes da seita Ahmadia são referidos como Ahmadis ou muçulmanos Ahmadi. Ahmadi ênfase reside na crença de que o Islão é a lei final para a humanidade como revelado a Maomé e à necessidade de restaurar-lhe a sua verdadeira essência e forma primitiva, que havia sido perdido através dos séculos. Assim, Ahmadis crem que são o líder do avivamento e propagação pacífico do Islão. Ahmadis eram um dos primeiros comunidades muçulmanos a chegar na Grã-Bretanha e outros países ocidentais.
Mirza Ghulam Ahmad fundou o movimento em 23 de Março de 1889 e denominou-o Ahmadiyya Jama'at (comunidade), prevendo-lo para ser uma revitalização do islamismo. Ahmadis se consideram muçulmanos e afirmam que são os que pratica o Islão na sua forma pura, no entanto, pontos de vista Ahmadiyya em certas crenças do Islão têm sido controversos para os muçulmanos moderados, desde o início do movimento.
Muitos muçulmanos moderados não consideram Ahmadis como muçulmanos, citando, em particular o ponto de vista de Ahmadiyya sobre a morte e o retorno de Jesus. De acordo com a base teológica da crença Ahmadi diz-se que Jesus esteve apenas desmaiado, quando foi tirado da cruz. Depois da sua ressurreição, Jesus fugiu da Palestina para evitar a recaptura e viajou para a Índia. Mais tarde, estabeleceu-se em (o que é agora) Caxemira, onde morreu de morte natural da idade e foi sepultado em Srinagar, na Caxemira. O profeta Yuz Asaf (nome de Jesus pelos Ahmadis), Jesus foi enterrado lá (no que é hoje conhecido como o Bal Roza).
Em vários países islâmicos Ahmadis têm sido marginalizados pela maioria da comunidade religiosa. Com severa perseguição e opressão sistemática, muitos Ahmadis emigran e reinstalação noutro local.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

CHOMSKY, LEVY-STRAUSS E MAUSS - Pensadores e antropólogos reconhecem: é necessário que exista um Deus


Ronaldo Lidório

     A filosofia antropológica é uma das minhas áreas de interesse, sobretudo as teorias que giram em torno das formas normativas para agrupamentos sociais. Nos últimos tempos tenho lido pensadores contemporâneos que, em algum instante de suas conclusões teóricas, propuseram a não existência de Deus. Já estudava Chomsky há algum tempo e recentemente interessei-me por outras mentes brilhantes que igualmente iniciaram suas carreiras acadêmicas tentando dispensar teoricamente a existência do Eterno na formulação social humana. Minha pequena pesquisa pessoal tinha como alvo avaliar as conclusões finais em seus estudos já que todo pensador possui valores ainda inconclusivos ao longo da pesquisa. Como interessado na antropologia sinto-me atraído pelo que podemos chamar de ‘acuo filosófico’. Um momento dialético em que o pensador (ou uma sociedade pensante) conclui, mesmo com amargura e não raramente revolta acadêmica, a necessidade do Eterno sem o qual a humanidade torna-se empírica e filosoficamente inviável. Reconheço como leitor da Palavra que não há aí nenhuma luz que os conduza a Deus. Somente a Graça o faz. Entretanto há certamente uma escuridão que faz compreender o vácuo existencial sem a concepção de Deus. 
     Lendo o pensamento científico destes pensadores torna-se quase facilmente perceptível a sua divisão conclusiva em dois grupos. Aqueles que se frustram existencialmente e inconcluem suas teorias como Nietzche com seu niilismo onde se torna "negador de Deus" (1) e posteriormente (como seria diferente?) negador da vida sendo claramente influenciado pelo trauma da morte do pai, ministro luterano, já por algum tempo enlouquecido, quando ainda era criança. Ou por Kafka em seu ceticismo disfuncional onde jamais chegou a conceber sentido para a vida e vendo o mundo como "uma sociedade esquelética sem qualquer fim" (2) e sem conseguir detectar ‘a fonte da formulação deste cenário socio humano que chamamos de vida’ (3) que aparentemente era seu alvo inicial. Seguem-se a estes, outros como Derrida, Freud, atualmente Goleman e quase todos à sombra de Darwin sem mencionar Kant com seu racionalismo irônico onde diz ter "destruído Deus para depois o reinventar, apenas em benefício da necessidade teísta de Lampe, seu criado". (4) 

     O segundo grupo é formado por aqueles que, ao fim, conseguem achar humildade de espírito suficiente para concluir que, mesmo não defendendo cientificamente a existência de Deus, a vida (especialmente a humana) não poderia ser concebida sem a presença interventora do Eterno. Rendem-se, não à adoração a Deus, mas à sua necessidade, para eles próprios existirem. Dentre eles encontramos Levy-Strauss, Chomsky, Mauss e o próprio Kant, em seus arroubos de iluminação. 

     Gostaria inicialmente de destacar Noam Chomsky, um dos mais respeitados lingüistas do século XX, conhecido por sua busca axiomática das estruturas de comunicação e influente no mundo acadêmico e filosófico. Judeu, filho de um estudioso da língua Hebraica, tentou ele explicar racional e empiricamente as raízes de comunicação socio-humana quando, desenvolvendo seus principais estudos em Harvard foi tomado pela síntese teórica, óbvia ao seu ver, da ‘cognição inata’. Em poucas palavras trata-se da compreensão de que a comunicação socio-cultural foi desenvolvida antes dos agrupamentos sociais. Ou seja, toda a estrutura de comunicação humana, verbal ou semiótica, foi criada antes do ser humano se agrupar. Ele afirma que ‘a liberdade lingüística e a criatividade não são adquiridas, mas sempre existiram de forma apriorística" (5) e finalmente sucumbe reconhecendo que usuários de linguagem jamais poderiam compreender novas estruturas gramaticais sem jamais as ter encontrado na prática, o que torna a linguagem inata, e primeira, antes da dispersão social. Chomsky concluiu a necessidade do Eterno para que a humanidade pudesse se comunicar. 

     Chomsky trata também em outros estudos da aquisição da linguagem e a sua competência pressupondo a criatividade como sendo algo nascido do "estímulo/resposta" (6). Entretanto mais uma vez conclui que a linguagem, por sua estrutura socio-comunicativa, não poderia ter sido assimilada. Antes precisaria ter sido criada pré-homem. Afirma que ‘a linguagem não possui, como muitos imaginavam, um status autônomo, ..... mas sim a expressão do sujeito psicológico’ (7). Segundo o lingüista Saussure (8) ‘primeiro surgiu a parole (fala), depois a langue (estrutura gramatical)’. Garnins reconhece que ‘a fala surgiu com o primeiro homem, portanto não evoluiu com as escalas pré-humanas, e indica o dedo de Alguém que, antes do homos, já se comunicava’ (9). Mais uma vez não podemos entender aqui qualquer apologia teológica mas ver tão somente pensadores e filósofos reconhecendo a necessidade de Deus. Um acuo filosófico. 

     Claude Levy-Strauss é um dos mais renomados, e citados, antropólogos em nossos dias. Filho de pais artistas, intuitivo e acadêmico, completou sua agregation em filosofia na Sorbonne nos anos 30 e até mesmo teve uma rápida passagem por São Paulo como professor de antropologia. Sua obra clássica (As Estruturas Elementares do Parentesco) possui clara e forte influência de Mauss (que alías chegou próximo das suas conclusões chamadas ‘místicas’). Em sua tese inicial Levi-Strauss estuda o agrupamento humano em uma perspectiva evolutiva e assim esperava-se encontrar ao longo das pesquisas etnológicas uma paralela evolução dos valores humanos. Entretanto, para surpresa do racionalismo e existencialismo reinantes na época, Levy-Strauss analisa os agrupamentos humanos históricos e presentes sob a ótica de uma pesquisa empírica e conclui que os valores sócios culturais sem sombra de dúvidas eram pré-estabelecidos. Em outras palavras, o valor moral existiu antes dos agrupamentos humanos se dispersarem para a formação de grupos maiores. Utilizando o estudo antropológico de alguns axiomas gerais como o incesto ele concluiu que tais valores existiam antes da formação da sociedade alvo. Se o homem ainda não havia tido ‘história’ suficiente para, ele mesmo, desenvolver seu padrão moral e transmiti-lo a grupos posteriores, qual a raiz do padrão moral ? Não há resposta fora da pessoa de Deus. Levy-Strauss menciona que ‘...o princípio da vida não pode ser unicamente explicado por uma versão do funcionalismo (vive-se para um fim) nem tampouco empiricamente por fatos condenados a falares por si mesmos... De fato, sistemas de parentesco mantêm a natureza em xeque pois o incesto, a priori, não é um fenômeno natural, evolutivo, mas sim axiomático, pré-existente’ (10). 

     Curiosamente passei a ler um pouco mais de Mauss, que fortemente influenciou Levy-Strauss. Apesar de não possuir conclusões tão expressivas ele expõe exaustivamente o conceito de ‘mana’. ‘Mana’ para Mauss é uma inexplicável sobrenaturalidade sem a qual as sociedades tornar-se-iam inviáveis. A conclusão nesta fase inicial de Mauss foi a de unicidade. A humanidade é uma pois vivemos sob a sombra de um só ‘mana’. Chegou a esta conclusão após o estudo exaustivo etnográfico de três grupos, os Potlatch na América, os Kula no Pacífico e os Hau da Nova Zelândia. Afirmou, ao fim, que ‘passo a crer em meios necessariamente biológicos de se entrar em comunicação com Deus’ (11). Não pensemos entretanto que ‘comunicação com Deus’ provém de uma concepção teológico/revelacional. Ele jamais chegou perto disto. Entretanto reconhece que sem ‘mana’, a existência autônoma do Eterno interventor, a sociedade como existe hoje seria inconcebível pois ‘todos os grupos culturalmente definidos concordam, buscam e reconhecem submissão do invisível sobre a natureza humana’ (12). Mais uma vez enfatizo que não há apologia teológica mas sim reconhecimento da necessidade de conceber Deus, sem o qual invibializaria a própria transmissão cultural. 

     Temos aqui, portanto, uma tríade de conclusões filosóficas as quais, distintas e teóricas, desembocam na expectativa por Deus. Chomsky reconhece a necessidade de Deus para justificar a existência da comunicação pré-social e pré-evolutiva. Levy-Strauss o faz para conseguir explicar a existência de um padrão moral na raiz dos agrupamentos sociais e Mauss torna-se quase obcecado pelo ‘existente espiritual‘ que chama de ‘mana’ sem o qual a transmissão de cultura se tornaria inviável. 

     Como temos a Revelação Bíblica, que expõe um Deus existente e redentor a busca do homem não precisamos de conclusões filosóficas para fundamentar nossa fé. Entretanto faz bem à alma perceber que, mesmo na escuridão anti-teísta, homens, imagem de Deus, não conseguem parar de buscar no Eterno o Ser iniciador e mantenedor social. E isto me faz pensar que, no vácuo existencial do pecado, sob a escuridão da incredulidade e ante as hostes do inferno, a existência de Deus é a único alento perante o desespero de um homem a procura do sentido da vida, qualquer vida. Não há vida sem Deus. 

     Notas 
(1) Human All Too Human, Cambridge Univ. Press 1986 
(2) The Diaries of Franz Kafka, Peregrine 1964 
(3) Literature and Evil, G. Bataille, 1973 
(4) Crítica da Razão Prática – Grandes Filósofos, Ed. Globo 1952 
(5) Do Estruturalismo à pós modernidade, John Lechte, Difel 1994 
(6) Chomsky: Selected Readings, J. Allen, Oxford University Press. 1971 

(7) Language and Problems of Knowledge, Cambridge, MIT Press 1988 
(8) Ferdinand de Saussure, chamado de "pai da lingüística e do estruturalismo" nos círculos de Genebra no início do sec XX 
(9) Signs and System, Holdcroft, Cambridge Univ Press 1991 
(10) The Bearer of Ashes, D. Pace, Boston 1983 
(11) As técnicas do corpo, Marcell Mauss, Editora da Univ de São Paulo 1974. Na verdade Ele aqui se referia a Pascal quando afirmou instruiu: "Ajoelhe-se, mova os lábios em oração e você acreditará em Deus". 
(12) Do Estruturalismo à pós modernidade, John Lechte, Difel 1994 

segunda-feira, 1 de março de 2010

Diferenças entre o Budismo e o Cristianismo

*

Enquanto construía um teatro para o Dalai Lama, um dos trabalhadores de Heinrich Harrer matou acidentalmente uma minhoca no filme "Sete Anos no Tibet". A construção praticamente parou. "Não fira mais minhocas", disse um dos trabalhadores a Harrer, representado por Brad Pitt. "Numa vida passada, esta pobre minhoca poderia ter sido a sua mãe."

Essa crença na reencarnação é uma das características do budismo, embora não seja de modo nenhum a mais importante. Notável no budismo é também sua crescente popularidade nos Estados Unidos. Três filmes com temáticas budistas foram "Sete Anos no Tibet"; "Red Corner", estrelado por Richard Gere; e "Kundun".
Várias celebridades são bem conhecidas por suas crenças e práticas budistas, entre elas Gere, o ator Steve Seagal, a cantora Tina Turner e o técnico do Chicago Bulls, Phil Jackson.

Preocupações com a libertação do Tibet da China, como também matérias de capa de revistas como Time, têm colocado o budismo em destaque. "Há algumas coisas no budismo que são muito atraentes", disse Shanta Premawardhana, pastor da igreja batista de Cornell em Chicago. O objetivo final do budismo é alcançar o nirvana. "Nós ouvimos freqüentemente que se alguém seguir a 'senda óctupla' alcançará o nirvana; mas a verdade é que ao viver nela, sua vida é o nirvana", escreve Gyomay Kubose em seu livrete "American Buddhism". "Nirvana é a condição de vida onde há paz, harmonia e alegria produtiva. A vida real é a vida no nirvana".

De acordo com Premawardhana, a meditação é algo de que os cristãos também podem se beneficiar. "Eu penso que a meditação pode complementar muito as nossas orações", disse ele. "De fato, acho que os exercícios de meditação cristã são muito importantes nesta época e nestes dias tão corridos. Eles nos ajudam a aquietar nossas mentes agitadas, a focalizar em Cristo e a prestar atenção na 'mansa e humilde voz'. Nossa oração pode ser tremendamente enriquecida se aprendermos a ouvir a voz de Deus".

Mas, enquanto a meditação cristã é focalizada em Deus e na Sua Palavra, a meditação budista é baseada em si mesmo e em encontrar a paz interior. Os budistas não acreditam em Deus, a não ser que "Deus signifique a verdade, a realidade final de todas as coisas, sendo o próprio universo", de acordo com Kubose.

Se bem que muitas pessoas imaginam que os budistas adoram Buda, Kubose observa que isso é uma concepção errada, provavelmente baseada "nas estátuas e imagens de Buda, que são símbolos, não ídolos. Uma estátua é um símbolo do mesmo modo que uma bandeira é o símbolo de um país". (Word & Way, 20/11/97)
A diferença básica entre o cristianismo e o budismo, e todas as outras religiões, está no fato delas tentarem alcançar a Deus, enquanto no cristianismo Deus alcança o homem.

Já nas primeiras páginas da Bíblia, vemos o homem tentando alcançar a Deus por meio de uma torre "...cujo tope chegue até aos céus..." Isso acabou numa grande confusão, porque o único caminho para chegar até Deus é através de Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo 14.6).

O budismo tornou-se popular nos últimos anos devido à revelação de que um grande número de artistas famosos é budista. Contudo, o seu ensino é contrário às Escrituras. A Bíblia ensina que o homem caiu em pecado, e desde então: "...aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo" (Hb 9.27).

Existe somente um caminho de volta a Deus, que é através da fé: "Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus" (Jo 3.36). Esta salvação, contudo, não se aplica a animais, mas somente aos homens, que foram criados segundo a imagem de Deus. Devemos acrescentar, também, que a salvação não inclui o nosso corpo, porque a nossa carne e sangue permanecem sujeitos à lei do pecado e estão determinados a se deteriorar até que o texto acima seja cumprido; isto é, até o encontro com a morte.

A única outra forma de escapar é pelo arrebatamento, que ocorrerá no momento da vinda do Senhor. Então será cumprido o que está escrito em 1 Coríntios 15.54: "E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória."

Entretanto, com base em Romanos 8.21-22, toda a criação de Deus será libertada: "A própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora." 

Arno Froese

Via http://www.chamada.com.br

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Estudo sobre o Islamismo

Estudos sobre o Islamismo

A Missão A Voz dos Mártires apresenta os estudos do Dr. Salim Almahdy, autor da série "Uma Olhada Por Trás do Véu", é um cristão especialista em Islamismo. Nasceu e foi criado em um país muçulmano. Através da seção "Uma Olhada Por Trás do Véu" o Dr. Almahdy procura desvendar as verdades a respeito do islamismo, bem como apresentar os testemunhos encorajadores de muçulmanos convertidos ao cristianismo e de cristãos que ministram aos muçulmanos.

1- Perguntas e Respostas: O Islamismo Ensina Que Todos Adoramos o Mesmo Deus?
2- Os Mais Belos Nomes de Alá
4- O Perdão no Islamismo
5- O Ramadã
6- Como Vivem Os Cristãos sob o Regime Islâmico
7- Inferno e Paraíso no Islamismo
8- Como as Mulheres são Tratadas no Islamismo
9- Como Alcançar os Muçulmanos - 1ª Parte
10- Como Alcançar os Muçulmanos - 2ª Parte
11- Como Alcançar os Muçulmanos - 3ª Parte
12- Como Alcançar os Muçulmanos - 4ª Parte
13- Como Alcançar os Muçulmanos - 5ª Parte
14- Como Alcançar os Muçulmanos - 6ª Parte
15- O Islamismo e o Livre Arbítrio
16- Em Nome da Liberdade
17- Cristianismo e Islamismo

sábado, 25 de julho de 2009

O Deus do Alcorão e o Deus da Bíblia

*
Mesquita no Brás, em São Paulo

Por: Apologetic Index
Tradução: Stephen Adams

No livro, The Compact Guide to World Religions, Dean Halverson compara e contrasta os dois conceitos de Deus como visto no Alcorão e a Bíblia:

As Semelhanças

Ambos são Um.


Ambos são Criadores transcendentes do Universo.


Ambos são soberanos.


Ambos são onipotentes.


Falou à humanidade por mensageiros ou profetas, por anjos, e pela palavra escrita.


Ambos sabem em íntimo detalhe os pensamentos e ações de homens.


Ambos julgarão o ímpios.

As Diferenças

O Deus do Alcorão é uma unidade singular; mas o Deus da Bíblia é uma unidade composta que é uma pessoa em essência e três em posição (Mt. 28:19; Jo. 10:30; At. 5:3-4).


O Deus do Alcorão não é um pai, e ele não gerou nenhum filho (Sura 19:88-92; 112:3); mas o Deus da Bíblia é uma triunidade que existiu eternamente como Pai, Filho, e Espírito Santo (Mt. 28:19; Lc. 3:21-22; Jo. 5:18).


Pelo Alcorão, Deus entrou na história por um mundo que é uma palavra que é escrita; mas por Jesus Cristo, Deus entrou na história pelo Verbo, que é uma Pessoa (Jo. 1:1; Cl. 1:15-20; Hb. 1:2-3; 1 Jo. 1:1-3; 4:9-10).


O Deus do Alcorão "não aprecia os iníquos" (Sura 3:140, Ali), nem ama "quem é traiçoeiro, pecador" (Sura 4:107, Ali); mas "Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores." (Rm. 5:8).


"Alá os castigará por seus pecados" (Surah 5:49, Ali,; também veja as Suras 4:168-169; 7:179; 9:2; 40:10); mas o Deus da Bíblia "não tem prazer na morte dos ímpios" (Ez. 18:23) e "não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento" (IIPd. 3:9).


O padrão do julgamento para o Deus do Alcorão é que nossas boas ações têm que exceder em valor nossas más ações (Suras 7:8-9; 21:47); mas o padrão do Deus da Bíblia não é nada menos que perfeição completa medida pelo santo caráter de Deus (Mt. 5:48; Rm. 3:23).


O Deus do Alcorão providenciou um mensageiro, Maomé, que advertiu do juízo iminente de Alá (Suras 2:119; 5:19; 7:184, 188,; 15:89-90) e que declarou que "Nenhum portador de um fardo poderá levar o fardo de outro" (Suras 17:15; 35:18, Ali); mas o Deus da Bíblia providenciou um Salvador sem pecado, Jesus, que levou nossos pecados e suportou a ira de Deus em nosso lugar (Mt. 20:28; 26:28; Lc. 22:37; Jo. 3:16; 10:9-11; IICo. 5:21; Gl. 3:13; ITs. 5:9-10).

Fonte: LOGOS Apologética

quinta-feira, 2 de julho de 2009

QUEM SÃO OS FILHOS DE ABRAÃO?

*
Um esclarecimento bíblico sobre a descendência árabe

Por Jeferson Dias, do projeto MAHABBA

Os muçulmanos, com aproximadamente 1,3 bilhões de adeptos, são encontrados em centenas de grupos étnicos diferentes ao redor do mundo e, possivelmente, três quarto das pessoas do mundo muçulmano não possuem antecedentes árabes. Contudo, o estilo de vida e cultura árabe de Maomé influenciou profundamente o islamismo.

A herança bíblica árabe é geralmente esquecida ou desconhecida por muitos. Talvez saibamos que Ismael se tornou um príncipe árabe e o fundador de muitas tribos árabes, porém, nosso conhecimento sobre a herança bíblica árabe é superficial.

Abraão é o pai de todos os que crêem. De acordo com as promessas de Deus, cada um é bendito ou maldito, dependendo da sua relação com o pai da fé. Ao longo da história, cristãos, judeus e muçulmanos buscam ostentar seu vínculo com o pai da fé.

A Bíblia é uma grande fonte de informações a respeito das genealogias árabes. E os árabes são um povo semita (descendentes de Sem), tanto quanto os judeus (Gn 10.21-32).

Segundo algumas fontes de pesquisa, existem, no mínimo, três tipos de árabes no Oriente Médio: os jotanianos (da linhagem de Jotão, filho de Gideão), os ismaelitas (da união de Abraão com Hagar) e os queturaítas (da união de Abraão com Quetura).

Todos querem pertencer à família de Abraão. Mas todos os árabes são descendentes de Ismael? Quem são os verdadeiros filhos de Abraão? Os árabes que afirmam ser descendentes de Abraão por meio de Ismael também estão incluídos nas promessas de bênçãos?

Vejamos o que a Bíblia diz.

A família de Abraão

Não podemos subestimar a importância de Abraão para as três grandes religiões monoteístas do mundo. Jesus era chamado “filho de Davi, filho de Abraão” (Mt 1.1). O Alcorão menciona Maomé como alguém achegado a Abraão (Surata 3.68).

Deus chamou Abraão para sair de sua terra, dos seus parentes e dos seus pais, para uma terra que ele não tinha idéia de onde seria. E o prêmio da obediência, as bênçãos, seria endereçado a ele e a todas as nações da terra (Gn 12.1-3). A bênção ou a maldição dos povos dependia da posição que Abraão tomasse. A porta da restauração da humanidade perdida foi aberta com o “sim” dado pelo profeta a Deus.

Foi difícil para Abraão meditar sobre a bênção aos seus descendentes, visto que ele e sua esposa estavam idosos e, aos do patriarca, a possibilidade de ter um filho tinha se esgotado. Deus disse que seu filho seria o herdeiro, porém, a paciência de Sara se esgotou primeiro e, “tentando ajudar a Deus”, pediu a Abraão para tomar a serva egípcia Hagar para que a descendência de Abraão fosse iniciada (Gn 16.2). Abraão, que tinha 86 anos de idade, teve um momento de fraqueza, chegando a ponto de concordar que realmente deveria “fazer alguma coisa” para que a promessa de Deus se cumprisse.

Obviamente, esse “não” era o caminho que Deus planejara para dar uma descendência numerosa a Abraão. Imediatamente, começaram os problemas. Sara, a legítima esposa, passou a ser desprezada aos olhos de sua serva Hagar quando esta constatou a gravidez. Sara, então, culpa Abraão, que se isenta da responsabilidade deixando a escrava nas mãos de sua esposa que, por sua vez, maltrata tanto a escrava que Hagar decide fugir para o deserto com o filho.

Com a fuga da escrava, parecia que a história tinha se encerrado, mas Deus não abandonaria Hagar. Ele a amava e também a seu filho. O amor de Deus socorre Hagar no deserto. Um anjo é enviado para ajudá-la e convencê-la a voltar para as tendas de Abraão. Deus dá um nome para o filho da escrava: Ismael, que significa “Deus ouve”. Realmente, Deus ouviu o choro de Hagar!

A escrava obedeceu a Deus e voltou para sua senhora, permitindo que Abraão vivesse ao lado de Ismael. Enquanto o menino crescia, Abraão se alegrava, crendo que a promessa de Deus se cumpriria por intermédio daquele menino, porém, a surpresa bateu à porta daquela família. O filho da promessa ainda estava por vir e não seria filho de uma escrava, mas da própria Sara, ainda que, fisiologicamente, fosse algo impossível. Deus não tinha se esquecido da promessa. Nasceu Isaque e, agora, Ismael tinha um rival. Apesar de Isaque ser o filho prometido, isso não diminuía a tremenda bênção sobre Ismael. Ismael deveria ser abençoado, ser frutífero, multiplicar-se, não apenas de maneira normal, mas “extraordinariamente”. Ele seria pai de doze príncipes e não se tornaria apenas uma nação, mas “uma grande nação”.1

A descendência de Ismael

Assim como houve doze patriarcas em Israel e doze filhos de Naor (Gn 22.20), assim também Ismael, considerado por muitos o patriarca dos árabes, gerou doze príncipes árabes.

Uma característica marcante na vida de Ismael era que ele seria como um “homem bravo” (ACF), “jumento selvagem” (NVI) (Gn 16.12). Ismael haveria de ser forte, selvagem e livre, e de trato difícil, desprezando a vida na cidade e amando sua liberdade a ponto de não ser capaz de viver com ninguém, nem com seus próprios parentes.

Ismael não desapareceu das páginas da história sagrada e muito menos ficou sem bênção, meramente por não pertencer à linhagem de Israel. Deus tinha um lugar e um destino reservados para ele. O Messias, da linhagem de Isaque, também seria o Salvador dos demais descendentes de Abraão e de todas as famílias da terra. Entretanto, os descendentes de Ismael se tornaram inimigos ferrenhos de Israel, descendentes de Isaque (Sl 83.1-18). E permanecem assim até os dias de hoje.2

A Bíblia cita os doze filhos de Ismael e afirma que seus descendentes se estabeleceram na região que vai de Hávila a Sur (região Leste do Egito e região Norte do deserto de Sinai), na direção de quem vai para Assur (Assíria, região Norte do Iraque). Abraão habitou por um tempo nessa região. Foi também a habitação dos amalequitas e de outras tribos nômades (Gn 25.18; 1Sm 15.7; 27.8). Além da Bíblia, os assentamentos, como, por exemplo, os de Quedar, Tema, Dumá e Nebaiote também são conhecidos, há mais de dois milênios.

Nebaiote, o filho mais velho de Ismael, que, em hebraico, significa “frutificação”, era chefe tribal árabe (1Cr 1.29). Sua descendência continuou a ser conhecida por esse nome (Gn 17.20; 25.16). Uma curiosidade histórica é o fato de que a terra de Esaú ou Edom finalmente caiu sob o controle da posteridade de Nebaiote. Esse clã árabe era vizinho do povo de Quedar. Ambos os nomes aparecem nos registros de Assurbanipal, rei da Assíria (669-626 a.C.). Embora alguns estudiosos rejeitem a idéia, possivelmente eles foram os antepassados dos nabateus.

Os nabateus eram um povo árabe cujo reino se expandiu, no passado, até Damasco, capital da Síria, um país árabe. Perto do século 4o a.C., eles estavam firmemente estabelecidos em Petra, que atualmente é um sítio arqueológico, com ruínas e construções magníficas, localizado na Jordânia, que também é um país árabe.

Quedar, o segundo filho de Ismael, em hebraico significa “poderoso”. Alguns estudiosos dizem que essa palavra significa “negro” ou “moreno”, uma referência aos efeitos da radiação solar na pele das pessoas que habitam os desertos quentes do Sul da Arábia, onde vivem os beduínos. O interessante é que, no livro de Cantares de Salomão (1.5), a esposa diz que “é morena como as tendas de Quedar”. No Antigo Testamento, o termo Quedar é usado genericamente para indicar as tribos árabes — beduínos (Ct 1.5; Is 21.16,17; 42.11; 60.7; Jr 2.10; Ez 27.21). No Salmo 120.5, Quedar e Meseque se referem, metaforicamente, a certas tribos bárbaras. Eram negociantes, numerosos em rebanhos e camelos. Alguns deles eram ferozes e temidos guerreiros. Jeremias predisse o julgamento de Quedar, dando a entender que seria destruído por Nabucodonosor (Jr 49.28,29). Após serem destruídos parcialmente por Nabucodonosor e Assurbanipal, eles diminuíram em números e em riquezas e se dissolveram em outras tribos árabes. Os estudiosos muçulmanos, ao reconstruírem a genealogia de Maomé, fazem-no descendente de Abraão, de Ismael, por meio de Quedar. Sam Shamoun, apologista cristão, nega que Maomé seja descendente direto de Ismael, baseado em pesquisas geográficas e étnicas.3

Em face de tudo isso, parece claro que a descendência de Ismael apresentou traços culturais, raciais e lingüísticos com algumas linhagens árabes existentes nos dias de hoje. Além disso, as próprias evidências históricas fortalecem a idéia de que os árabes são descendentes de Ismael, mas isso não significa afirmar que a totalidade dos árabes é descendente de Ismael.

Outras descendências

Descendentes de Jotão

Alguns árabes se referem a si mesmos como descendentes de Jotão (os árabes lhe chamam de Kahtan) e uma das tribos mais famosas que descendiam dele era Sabá, da qual os descendentes fundaram o reino de Sabá, no Iêmen, incluindo a renomada rainha de Sabá (chamada pelos árabes de Bilquis). A visita dessa rainha a Jerusalém, durante reinado de Salomão, é um exemplo de como o povo de Deus teve influência das “arábias”, mesmo nos tempos do Antigo Testamento. Salomão escreveu um dos salmos messiânicos (Sl 72), parcialmente, tendo Sabá em mente (veja os versículos 10 e 15). Jesus falou positivamente sobre a rainha de Sabá (Mt 12.42).

Aparentemente, pelo menos algumas das tribos semíticas adoravam o Deus de Sem, mesmo sem conhecê-lo inteiramente.

Descendentes de Ló

No final do capítulo 19 de Gênesis, observamos o aparecimento de duas linhas genealógicas, os moabitas e os amonitas.

Os moabitas foram descendentes de Ló e sua filha mais velha (Gn 19.30-37). Eles eram arrogantes e inimigos de Israel, mas Deus estava, mais uma vez, usando os babilônios como medida disciplinadora. Isaías (Capítulos15 e 16) e Jeremias (Capítulo 28) predisseram a queda de Moabe e a redução de um povo arrogante a um povo débil. Os moabitas viveram em sítios vizinhos aos seus irmãos amonitas.

Os amonitas eram descendentes de Amon, filho mais novo de Ló (Gn 19.38) e da sua filha mais jovem. Em Juízes 3.13, lemos que esse povo se mostrou hostil para com Israel. Uniu-se em ataque combinado a Israel com outros adversários do povo de Deus. A capital deles era Rabá. Posteriormente, essa cidade tomou o nome de Filadélfia, em honra a Ptolomeu Filadelfo. Atualmente, chama-se Aman, capital da Jordânia. A língua deles era semítica. Hoje, todas aquelas regiões são árabes.4 A raça amonita desapareceu misturada com outras raças semitas.

Embora não seja possível afirmar com precisão, podemos supor, juntamente com muitos estudiosos em genealogias, que há uma grande possibilidade de alguns árabes de hoje serem descendentes não somente de Ismael, mas também de Ló.

Descendentes de Esaú

Esaú, da linhagem de Isaque, teve como uma de suas esposas Maalate ou Basemate, irmã de Nebaiote, da linhagem de Ismael (Gn 28.9; 36.3). As “crianças de Isaque” estavam se misturando com as “crianças de Ismael”, nascendo assim outra linhagem genealógica. Com isso, nasce Reuel, que gerou Naate, Zerá, Samá e Mizá (Gn 36.13). Certamente, muitos árabes hoje apresentam suas genealogias oriundas dessa estranha, mas verdadeira fusão.

Outra descendência de Abraão

Depois que Isaque se casou com Rebeca, Gênesis 25 diz que Abraão desposou outra mulher, Quetura, e com ela teve outros filhos. Abraão, já em idade avançada, criou outra família! Todos os filhos de Quetura, eventualmente, tornaram-se chefes das tribos árabes. Uma dessas tribos era Midiã; os midianitas se opuseram ao Israel do profeta Balaão, porém, nem todos os midianitas eram contra os hebreus. Moisés se casou com Zípora, a filha de Jetro (Êx 2.16-22), que também era chamado de sacerdote de Mídia. Jetro reconhecia o Deus verdadeiro e até mesmo deu bons conselhos a Moisés que agradaram a Deus (Êx 18). Os midianistas, certamente, tiveram alguma revelação de Deus por intermédio de seu pai, Abraão.

Portanto, vemos claramente que os árabes em geral, que reivindicam ter Abraão como pai, certamente pertencem à mesma família e estão ligados a Israel.

A revista Veja apresentou uma reportagem em que as várias populações judaicas não apenas são parentes próximas umas das outras, mas também de palestinos, libaneses e sírios. A descoberta significa que todos são originários de uma mesma comunidade ancestral, que viveu no Oriente Médio há quatro mil anos. Em termos genéticos, significa parentesco bem próximo, maior que o existente entre os judeus e a maioria das outras populações. Quatro milênios representam apenas duzentas gerações, tempo muito curto para mudanças genéticas significativas. O resultado da pesquisa é coerente com a versão bíblica de que os árabes e os judeus descendem de um ancestral comum, o patriarca Abraão.5

Os árabes de hoje e as bênçãos dadas à descendência de Abraão

Por conveniência, definimos os árabes como o povo que fala o árabe, como língua mãe, e que vive na península arábica e regiões circunvizinhas. Hoje, existem diferentes tipos de etnias dentro da região árabe. Algumas nações se tornaram árabes, pois foram arabizadas, como o Sudão e a Somália. Outras realmente descendem das linhagens dos antepassados. Mas, afinal, os ismaelitas (filhos de Ismael) são os árabes de hoje?

Flávio Josefo, historiador judeu, declara que Ismael é pai da nação árabe, conforme crêem os árabes. Segundo Josefo, não podemos descartar a profecia de Isaías, que diz que os ismaelitas adorarão o Messias.6

Raphael Patai, um judeu, declara em seu livro, Semente de Abraão, que o termo “árabe” está contido nas mesmas inscrições com o termo “Quedar”, filho de Ismael, no século 9 a.C., nas epígrafes assírias. Patai também encontrou provas que mostram que os árabes foram sinônimos dos “nabateus”, descendentes de Nebaiote.

Em verdade, o mundo árabe hoje é oriundo de um mosaico de etnias, haja vista as diferentes genealogias formadas no decorrer da história. Talvez, Mahmud, Hassan ou quaisquer outros árabes, sejam descendentes de Ismael, por intermédio da descendência de Nebaiote ou Quedar, ou até mesmo por Ló, ou pela nova família de Abraão com Quetura. Não podemos também descartar a possibilidade de os árabes serem descendentes da fusão entre as crianças de Isaque com as de Ismael ou até mesmo por intermédio de Jotão. Em todas essas possibilidades, encontramos a genética do pai Abraão.

A promessa de Deus a Abraão foi clara e específica: “O seu próprio filho será o seu herdeiro” (Gn 15.4). Mas a grande questão é a seguinte: esta promessa de descendência deve ser entendida em termos raciais ou espirituais?

O apóstolo Paulo esclarece a questão em sua carta aos gálatas: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e a seu descendente. A Escritura não diz: E a seus descendentes, como falando de muitos, mas como de um só: E a teu descendente, que é Cristo” (Gl 3.16).

Todas as promessas feitas a Abraão são cumpridas em Jesus. É por meio do maior Filho de Abraão, Jesus, que a bênção falada em Gênesis alcançará os povos do mundo. A linhagem racial se torna minúscula quando sabemos que podemos ser herdeiros de Abraão, ainda que não sejamos árabes ou judeus.

Jesus nasceu no tempo determinado por Deus (Gl 4.4), como o “descendente” de Abraão. A relação que temos com Jesus se torna fator determinante se pertencemos realmente a Deus ou não.

Paulo resume isso definitivamente ao declarar: “Se vocês são de Cristo, são descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa” (Gl 3.26,27, 29).

Louvamos a Deus, pois milhares de árabes encontraram Jesus nestes últimos tempos. E na Bíblia, além dos versículos já mencionados, existem muitos outros que nos dão a esperança de que os árabes, eventualmente, serão salvos. Isaías 60.6,7 relata sobre um tempo em que a glória do Senhor será manifestada: “A multidão de camelos te cobrirá, os dromedários de Midiã e Efá [os descendentes de Abraão por intermédio de Quetura]; todos virão de Sabá [descendentes de Jotão]; trarão ouro e incenso e publicarão os louvores do SENHOR. Todas as ovelhas de Quedar [descendentes de Ismael] se reunirão junto de ti; servir-te-ão os carneiros de Nebaiote; para o meu agrado subirão ao meu altar, e eu tornarei mais gloriosa a casa da minha glória”.

Finalmente, quando olhamos para o Novo Testamento, lá estavam os árabes no dia de Pentecoste (At 2.11). Deus, realmente, quer que sua mensagem alcance os árabes, porque Allahu Mahabba — “Deus é amor”.

Temos de acreditar que Deus salvará os árabes, seja qual for a sua descendência. Que os milhões de árabes possam ser realmente inseridos na descendência espiritual de Abraão, por intermédio de Jesus, e que a igreja evangélica seja capaz de reconhecer e compreender as promessas dirigidas a esse povo.

O nascimento de Ismael

“Ora Sarai, mulher de Abrão, não lhe dava filhos, e ele tinha uma serva egípcia, cujo nome era Agar.

“E disse Sarai a Abrão: Eis que o SENHOR me tem impedido de dar à luz; toma, pois, a minha serva; porventura terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai.

“Assim tomou Sarai, mulher de Abrão, a Agar egípcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão seu marido, ao fim de dez anos que Abrão habitara na terra de Canaã.

“E ele possuiu a Agar, e ela concebeu; e vendo ela que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos.

“Então disse Sarai a Abrão: Meu agravo seja sobre ti; minha serva pus eu em teu regaço; vendo ela agora que concebeu, sou menosprezada aos seus olhos; o SENHOR julgue entre mim e ti.

“E disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está na tua mão; faze-lhe o que bom é aos teus olhos. E afligiu-a Sarai, e ela fugiu de sua face. E o anjo do SENHOR a achou junto a uma fonte de água no deserto, junto à fonte no caminho de Sur.

“E disse: Agar, serva de Sarai, donde vens, e para onde vais? E ela disse: Venho fugida da face de Sarai, minha senhora. Então lhe disse o anjo do SENHOR: Torna-te para tua senhora, e humilha-te debaixo de suas mãos.

“Disse-lhe mais o anjo do SENHOR: Multiplicarei sobremaneira a tua descendência, que não será contada, por numerosa que será.

“Disse-lhe também o anjo do SENHOR: Eis que concebeste, e darás à luz um filho, e chamarás o seu nome Ismael; porquanto o SENHOR ouviu a tua aflição.

“E ele será homem feroz, e a sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele; e habitará diante da face de todos os seus irmãos.

“E ela chamou o nome do SENHOR, que com ela falava: Tu és Deus que me vê; porque disse: Não olhei eu também para aquele que me vê?

“Por isso se chama aquele poço de Beer-Laai-Rói; eis que está entre Cades e Berede.

“E Agar deu à luz um filho a Abrão; e Abrão chamou o nome do seu filho que Agar tivera, Ismael.

“E era Abrão da idade de oitenta e seis anos, quando Agar deu à luz Ismael” (Gn 16.1-16)

Notas de referência:

1 FROESE, Arno.Conflito em família no Oriente Médio. www.chamada.com.br
2 MCCURRY, Don. Esperança para os muçulmanos. Ed. Descoberta, p.8-23, 1999.
3 SHAMOUN, Sam. Ishmael is not the father of Muhammad. www.answering-islam.org
4 The Arabs in Bible Prophecy. www.chrisadelphia.org/archive/arabs.html
517/5/2000, p. 86.


Fonte: http://www.icp.com.br

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