O
alfabeto tibetano foi composto no
século VII pela tradução de textos sagrados do
budismo. Derivado das escritas cursivas utilizadas nessa altura na
Índia central, foi composto com um manifesto cuidado de simplificação, graças a um rigoroso conhecimento da
fonética. A criação foi atribuída a
Thonmi Sambhota, ministro do primeiro
rei tibetano convertido ao
budismo, que teria trazido, em livros sagrados, estas escritas das
Índias.
A escrita Tibetana tem 30
consoantes, também conhecidas como radicais.
| ཀ ka | ཁ kha | ག ga | ང nga |
| ཅ ca | ཆ cha | ཇ ja | ཉ nya |
| ཏ ta | ཐ tha | ད da | ན na |
| པ pa | ཕ pha | བ ba | མ ma |
| ཙ tsa | ཚ tsha | ཛ dza | ཝ wa (não era originalmente parte do alfabeto)4 |
| ཞ zha 5 | ཟ za | འ 'a 6 |
| ཡ ya | ར ra | ལ la |
| ཤ sha 5 | ས sa | ཧ ha 7 |
| ཨ a |
Como ocorre como na maior parte das línguas Indianas, cada consoante inclui uma vogal /a/ inerente. Um aspecto único da escrita tibetana é que as consoantesa podem ser escritas simplesmente como radicais, ou podem ser escritas de outras formas, como, por exemplo, com sobrescritos e subscritos.A posição sobrescrita sobre o radical é reservada para as consoantes (sons) r, l, s, enquanto que as posições subscritas sob o radical é para as consoantes y, r, l, w. Para entender como isso funciona, pode-se observar o radical do carácter "ka" ao se tornar "kra" ou "rka". Em ambos os casos, o símbolo para "ka" é usado, mas quando o R está entre a
consoante e a
vogal, é adicionado um subscrito. Por outro lado, quando o R vem antes do conjunto consoante + vogal, adiciona-se um sobrescrito.(Conf. Daniels) R realmente muda de forma quanto está acima da maior parte das outras consoantes; assim temos རྐ rka. Há, porém, uma exceção a isso no grupo consonantal རྙ rnya. De forma similar, as consoantes w, r, y mudam sua forma quando estão junto a outras consoantes - ཀྭ kwa; ཀྲ kra; ཀྱ kya.
Além de serem escrita com sobre e subscritos, algumas consoantes podem também ser pocionadas em posições de pré-escritas, pós-escritas ou mesmo pós-pós-escritas. Por exemplo, as consoantes g, d, b, m, ’a ("’a chung") podem ser usadas em posição pré-escrita, à esquerda, de outros radicais, enquanto que a posição após o radical (pós-escrita) pode ser tomada por dez das consoantes ( g, n, b, d, m, ’a, r, n̄, s, l. A terceira posição, a pós-pós-escrita, é usada somente para as consoantes d e s (Conf. Daniels).
As vogais usadas na escrita tem os sons a, i, u, e, o. A
vogal a é inerente a cada dos radicais de
consoantes, mas as demais devem ser indicadas por marcas (
diacríticos). Assim: ཀ ka,
ཀི ki,
ཀུ ku,
ཀེ ke,
ཀོ ko. As vogais i, e, o são posicionadas sobre a consoante como diacríticos, enquanto que a vogal u é posicionada sob a consoante (conf. Daniels). No Tibetano antigo havia o diacrítico gigu 'verso' de significado desconhecido. Não há distinção ente vogais longas e curtos no
tibetano antigo, exceto para palavras externas à língua, em especial aquela vindas di
Sânscrito.
No sistema Tibetano de escritas as
sílabas são escritas da esquerda para a direita
8 As sílabas são separadas por um “tseg” (
་); Como muitas palavras Tibetanas são monossilábicas, essas marca é por vezes não usada, sendo substituída por um espaçor para separação de palavras.
Mesmo que alguns
dialetos Tibetanos apresentem Tons, como a língua em si própria não tinha esses tons quando da criação da escrita, os mesmos não são expressos na escrita. Como os tons se desenvolveram a partir de característcas segmentais, eles podem ser inferidos pela também ser identificados nas palavras tibetanas. Como nas outras escritas indianas, dígrafos consonantais são por vezes feitos caracteres um sobre o outro na vertical. Infelizmente, algumas fontes para informática não atendem a essa caracterísca da escrita Tibetana, não podendo ser aqui apresentados de forma correta.
| Devanagari | IAST | Tibetano | Sinais dependentes de vogais | | Devanagari | IAST | Tibetano | Sinais dependentes de vogais |
| अ | a | ཨ | | औ | au | ཨཽ | ཽ |
| आ | ā | ཨཱ | ཱ | ऋ | ṛ | རྀ | ྲྀ |
| इ | i | ཨི | ི | ॠ | ṝ | རཱྀ | ཷ |
| ई | ī | ཨཱི | ཱི | ऌ | ḷ | ལྀ | ླྀ |
| उ | u | ཨུ | ུ | ॡ | ḹ | ལཱྀ | ཹ |
| ऊ | ū | ཨཱུ | ཱུ | अं | aṃ | ཨཾ | ཾ |
| ए | e | ཨེ | ེ | अँ | ཨྃ | ྃ |
| ऐ | ai | ཨཻ | ཻ | अः | aḥ | ཨཿ | ཿ |
| ओ | o | ཨོ | ོ | |
| Devanagari | IAST | Tibetano | | Devanagari | IAST | Tibetano |
| क | ka | ཀ | द | da | ད |
| ख | kha | ཁ | ध | dha | དྷ |
| ग | ga | ག | न | na | ན |
| घ | gha | གྷ | प | pa | པ |
| ङ | ṅa | ང | फ | pha | ཕ |
| च | ca | ཙ | ब | ba | བ |
| छ | cha | ཚ | भ | bha | བྷ |
| ज | ja | ཛ | म | ma | མ |
| झ | jha | ཛྷ | य | ya | ཡ |
| ञ | ña | ཉ | र | ra | ར |
| ट | ṭa | ཊ | ल | la | ལ |
| ठ | ṭha | ཋ | व | va | ཝ |
| ड | ḍa | ཌ | श | śa | ཤ |
| ढ | ḍha | ཌྷ | ष | ṣa | ཥ |
| ण | ṇa | ཎ | स | sa | ས |
| त | ta | ཏ | ह | ha | ཧ |
| थ | tha | ཐ | क्ष | kṣa | ཀྵ |
As consoantes retroflexas "cerebral" do
Sânscrito ट ठ ड ण ष (
ṭa,
ṭha,
ḍa,
ṇa,
ṣa) são representadas pela reversão das letras ཏ ཐ ད ན ཤ (ta, tha, da, na, sha) para ter-se ཊ ཋ ཌ ཎ ཥ (Ta, Tha, Da, Na, Sa).
È um regra clássica de
transliteração च छ ज झ (ca cha ja jha) para ཙ ཚ ཛ ཛྷ (tsa tsha dza dzha), respectivamente. Atualmente, ཅ ཆ ཇ ཇྷ (ca cha ja jha) também podem ser usados.
Bloco em
Unicode Tibetano é U+0F00–U+0FFF.
9 Esse inclui letras, dígitos, várias pontuações e símbolos especiais usados em textos religiosos.
- Ir para cima↑ Chamberlain 2008
- ↑ Ir para:a b Daniels, Peter T. and William Bright. The World’s Writing Systems. New York: Oxford University Press, 1996.
- Ir para cima↑ Ver, por exemplo [1]
- Ir para cima↑ No antigo Tibetano não há letra w, que era, porém, um dígrafo para 'w.
- ↑ Ir para:a b No caso de Zh e Sh, o h significa palatização.
- Ir para cima↑ O h ou apóstrofo (’) geralmente significa aspiração.
- Ir para cima↑ A letra h isolada implica fricativa glotal surda.
- Ir para cima↑ Asher, R. E. ed. The Encyclopedia of Language and Linguistics. Tarrytown, N. Y.: Pergamon Press, 1994. 10 vol.
- Ir para cima↑ Unicode block U+0F00 – U+0FFF; Tibetan script.
- Asher, R. E. ed. The Encyclopedia of Language and Linguistics. Tarrytown, N. Y.: Pergamon Press, 1994. 10 vol.
- Beyer, Stephan V. (1993). The Classical Tibetan Language. Reprinted by Delhi: Sri Satguru.
- Chamberlain, Bradford Lynn. 2008. Script selection for Tibetan-related languages in multiscriptal environments. International Journal of the Sociology of Language 192:117-132.
- Csoma de Kőrös, Alexander (1983). A Grammar of the Tibetan Language. Reprinted by Delhi: Sri Satguru.
- _____ (1980–1982). Sanskrit-Tibetan-English Vocabulary. 2 vols. Reprinted by Delhi: Sri Satguru.
- Daniels, Peter T. and William Bright. The World’s Writing Systems. New York: Oxford University Press, 1996.
- Das, Sarat Chandra: “The sacred and ornamental characters of Tibet”. Journal of the Asiatic Society of Bengal, vol. 57 (1888), pp. 41–48 and 9 plates.
- Das, Sarat Chandra (1996). An Introduction to the Grammar of the Tibetan Language. Reprinted by Delhi: Motilal Banarsidass.
- Jäschke, Heinrich August (1989). Tibetan Grammar. Corrected by Sunil Gupta. Reprinted by Delhi: Sri Satguru.