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domingo, 14 de maio de 2017

O ciclo de poder de Jesus


"Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem." – Romanos 12:21
Seria o efeito dos medicamentos? Seria um sonho confuso? Ou seria uma função prejudicada do cérebro que os médicos previram? Qualquer que fosse o cenário, era desconcertante.
“Nuri”, um muçulmano vivendo no norte da Índia, esteve no hospital por vários dias. Agora, na névoa da fadiga e remédios, ele viu seu filho, “Rasheed”, acompanhado por um hindu, religião tradicional na Índia. E o hindu, que depois veio a ser conhecido como “Pavaak”, estava gritando: “Nuri, seja curado em nome de Jesus!”
Toda essa confusão começou com uma disputa por terra entre seus vizinhos muçulmanos. Como Nuri se recusava a entregar um pedaço do lote da família, a disputa se tornou violenta, até que os vizinhos do clã armaram uma emboscada e bateram nele com varas de bambu até acharem que ele tinha morrido.
Seriam os remédios? Seria apenas uma questão de tempo? Ou seria a oração fervorosa do hindu invocando o nome Jesus? O que quer que estivesse dirigindo o cenário, Nuri deixou hospital poucas semanas depois, em condições muito melhores do que os médicos esperavam. Além disso, sua vida e a de seu filho foram mudadas para a eternidade.
Durante a recuperação, Nuri teve bastante tempo para pensar no que aconteceu. Inicialmente, ele estava bem irado. Ele havia vivido de acordo com as tradições muçulmanas. Ele ordenou ao seu filho que tomasse uma esposa quando Rasheed tinha apenas 13 anos de idade. Nuri continuou a seguir os costumes islâmicos da área, obrigando Rasheed a tomar uma segunda esposa há poucos anos atrás. Seguir estas tradições trouxe muitos problemas à família, pois alimentar duas bocas a mais não é nada fácil.
E que gratidão recebeu? Muçulmanos tentaram roubar a terra de onde ele tirava o sustento de sua família. Depois de espancado, não foi um muçulmano que veio orar por ele. Quem veio orar foi um hindu, que se tornou cristão. Pavaak desconsiderou o complicado sistema de castas da nação para mostrar amor e preocupação por Nuri.
Pavaak levou seu amigo, “Bill”, um trabalhador da Frontiers que mora na cidade, para visitar Nuri e Rasheed no hospital. Foi assim que eles entenderam quem era Jesus, aquele que Pavaak citava em suas orações. A medida que Bill explicava o papel do pecado, Nuri e Rasheed entenderam melhor a motivação de seus vizinhos. Quando Bill descreveu como, através da cruz, Jesus quebrou a maldição do pecado, Nuri e Rasheed estavam prontos para seguir Jesus.
Finalmente, à medida que Bill os ensinava sobre perdão, Nuri e Rasheed foram capazes de retornar ao lugar onde puderam ter paz com seus vizinhos. Aquele perdão não passou desapercebido pelos muçulmanos. Logo os vizinhos estavam se perguntando como vítimas de injustiça eram capazes de perdoar e Nuri e Rasheed responderam: “Cristo crucificado!”
Desde que recebera alta do hospital, Rasheed continuou a estudar com Bill acerca de Jesus. Seu testemunho estimulou outros muçulmanos a aceitarem o Salvador. Atualmente, Bill está ensinado aos novos seguidores a usarem suas influências na comunidade para criar um reavivamento por Jesus.
Através da fé em Cristo, velhos ciclos são quebrados. O sistema de casta entre hindus e muçulmanos, o espírito de violência dentro da comunidade islâmica e a falta de perdão entre vizinhos foram substituídos por um novo ciclo – o ciclo de amor – pelo poder de Jesus.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Pode o Evangelho ser conhecido na Índia urbana?


Por Jessica Grant
http://ultimato.com.br/
#ELJ2016 – O mapa que mostrava onde estão os grupos ainda não alcançados pintava de vermelho diversos pontos na Índia, uma das maiores nações do mundo com mais de 1 bilhão de habitantes. Para Ravi “Jojo” Landge isso significava algo simples: “Preciso continuar fazendo o que já faço”, compartilhou durante o Encontro de Jovens Líderes 2016, organizado pelo Movimento Lausanne em Jakarta (Indonésia).
Ravi "Jojo". Foto: Jessica Grant
Ravi “Jojo”. Foto: Jessica Grant
Ravi está a frente do projeto “Love Delhi”, que atua em meio a juventude da capital indiana, a segunda cidade mais populosa do país. O hinduísmo é a religião de cerca de 80% dos moradores, seguida pelo islamismo. Os cristãos são menos de 1% e, para Ravi, muitos deles estão seguindo um modelo ocidental de religião que não impacta nem a milenar cultura indiana, nem a moderna juventude urbana.
Apesar de ser a quarta geração cristã em sua família, o cristianismo tornou-se a fé pessoal de Ravi quando jovem, quando ele processou o que significava e pode experimentar a alegria da salvação. “A Palavra de Deus explodiu em mim”, conta. Mas, mesmo sendo líder de louvor em sua igreja, ele estava cansado e com tédio da impessoalidade dentro da congregação. “Não deveria ser assim! Deus é um Deus engajado e alegre!”, pensava. Na sua perspectiva, Jesus atraía as pessoas, e a igreja deveria abandonar o modelo estrangeiro adotado e mostrar um cristianismo autenticamente indiano.
A percepção da necessidade de engajamento com sua própria cultura veio quando um dia, ao fazer evangelismo, encontrou dois homens que falaram que curtiram a ideia do que ele contava, mas pediram: “Cara, me fala o que está neste livro [a Bíblia]?”. “Eu não consegui explicar em hindi [língua de origem sânscrita oficial do país], e então percebi como as igrejas estavam formatadas para a cultura ocidental, usando só o inglês.” Hoje, em sua banda, Ravi canta apenas em hindi. Ele também faz questão de usar roupas indianas, especialmente a cor laranja, que significa devoção a Deus, renúncia do ser. “Precisamos aceitar quem somos, nossa cultura, nossa identidade, e o evangelho em meio a isso”, ele compartilha ao ressaltar sua visão de engajamento do cristianismo com a cultura.
Desde 2008 ele começou a atuar para tornar esta visão em realidade. Na universidade, colaborou com outros movimentos, especialmente de juventude, e depois o seu trabalho basicamente mudou do campus para os cafés. Com tentativa e erro, buscando sustentabilidade, o projeto foi tomando forma sempre com o objetivo de apresentar o cristianismo de maneira relevante ao seu contexto.
Um dos focos foi o “Love Campaign”, em que eles tinham por objetivo envolver as pessoas da cidade através do serviço para se motivarem a amar as pessoas de Délhi, de seu contexto, mesmo por ações simples, como não buzinar com raiva. A ideia era convidar as pessoas a se juntarem e a amarem. E com o tempo os frutos surgiam: pessoas antes viciadas em drogas se convertiam, suicidas eram atraídos pela música e encontravam vida.
Além de grandes eventos, como o também chamado “Love Delhi” de novembro de 2014, em que quase três mil pessoas participaram, hoje eles fazem encontros mensais em espaços não convencionais. Uma vez por mês eles se reúnem em uma cafeteria Starbucks, também envolvendo as pessoas que já estavam lá. Há narrativa de histórias, comédias, esquetes relevantes, música e outras formas de arte. “Basicamente contamos como o evangelho muda a nossa vida”, explica Ravi.
Já no centro de Délhi, também uma vez ao mês, organizam sua igreja em um estúdio. Para os “cultos”, convidam as pessoas que estão nas ruas com uma chamada: “Vamos pensar juntos como podemos amar Délhi? O que podemos fazer juntos para mudar a nossa cidade?”. E com o olhar focado nas injustiças, como uma discussão, atraem o mais variado público, fazem conexão com cada um deles. Depois começam a construir relacionamentos profundos para impactar não só a cidade, mas a vida daquelas pessoas. Eles dão seguimento, acompanham as pessoas e convidam para os outros eventos, também abrindo oportunidades de discipulado.
Entre os cristãos, alcançam as pessoas que “não curtem” a igreja, lidando com dificuldades e criando um espaço que podem compartilhar coisas que nunca compartilhariam no templo tradicional. Entre os não cristãos, Ravi aponta para uma oportunidade única: os jovens urbanos estão mais descolados de sua religião familiar, abertos para ouvir.
Ravi também já realizou oficinas em 10 cidades diferentes levando a ideia e a iniciativa está sob a alçada da missão Cooperative Outreach of India, a qual é diretor de missões jovens, e pode ser acompanhada pelo Facebook neste link. Hoje, casado e pai de dois filhos, Ravi vai continuar fazendo o que faz: impactando e amando de maneira relevante a Índia urbana.

• Jessica Grant é jornalista e tradutora (inglês – português), interessada em audiovisual e literatura. Está se preparando para entrar na ABUB (Aliança Bíblica Universitária do Brasil) como Assessora de Comunicação e Arte, atuando, entre outras coisas, com a peça de teatro “Experimento Marcos”.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

sexta-feira, 25 de março de 2011

MISSÕES: Um testemunho de amor aos muçulmanos

Vestida com uma burca preta, tendo seu corpo coberto dos pés à cabeça, inclusive os olhos. Assim uma missionária na Jordânia há 3 anos, que não pode ter seu nome revelado por questões de segurança, começou a falar aos presentes ao culto realizado na Sede da JMM no 1º dia deste mês de março, a convite do Pr. Mayrinkellison Wanderley, Coordenador de Missões Mundiais para a África. Aos poucos ela descobriu os olhos, o rosto e por fim toda a cabeça, mostrando assim os níveis de submissão das mulheres no mundo muçulmano. 
A missionária lembra o quanto sofreu no início de seu trabalho ao ver as jordanianas totalmente cobertas circulando pelas ruas, sob temperaturas altíssimas. Mas depois ela descobriu que aquelas mulheres já estavam acostumadas à burca desde pequenas. A maioria se conforma em ocupar posição inferior na sociedade. 
Ela contou que para a mulher muçulmana é muito importante ter um filho homem, do contrário, corre o risco de perder o marido para outra que possa lhe dar um herdeiro. Porque diante do povo, o homem muçulmano é valorizado quando tem um menino, tanto que seu nome muda pra “Abu” (mais o nome do filho), Ou seja, “Pai de...”. 
A Jordânia tem como vizinhos a Síria, o Iraque, a Arábia Saudita e tem fronteira com Israel e parte do Egito. A missionária agradece a Deus por conhecer praticamente todo o Oriente Médio, tendo visitado mais de 10 países naquela região.
Ela conta que a economia da Jordânia é baseada em serviços, mas que o rei Abdula, cuja mãe é inglesa, tem uma parceria muito forte com a Inglaterra. Ela define o jordaniano como um povo mais descontraído que os egípcios, como se fossem paulistanos e cariocas. 
Uma curiosidade da Jordânia é a valorização da comida. Seu povo costuma se reunir com frequência para comer. E estes encontros acabam se tornado oportunidades para a missionária falar de Jesus às jordanianas. Ela considera que é preciso estar atenta a este segmento da cultura jordaniana.

Amor
A missionária lamenta o hábito da maioria dos ocidentais de considerar que todos os árabes são terroristas. “A grande maioria dos mais de 1 bilhão de muçulmanos é amável, carinhosa e hospitaleira”, diz. 
Dentre as moças que a missionária teve a oportunidade de falar de Jesus está a filha de um líder muçulmano muito importante. Dentro de sua religião, ele costuma bater com a cabeça numa pedrinha durante suas orações. A testa tem uma espécie de afundamento por conta disso. Mesmo diante de tal radicalismo, a missionária conseguiu entregar uma bíblia à filha dele. A moça pegou o livro com todo o respeito, considerando-o realmente muito precioso e sagrado e se comprometeu em lê-lo. 
A missionária sempre procurou buscar situações em que pudesse se aproximar daquelas mulheres e assim ter uma oportunidade para falar-lhes da graça do Pai. O relacionamento que começava com uma pequena atitude acabava se transformando numa grande amizade e a missionária conquistava a confiança e o respeito daquelas mulheres. Tanto é que na sua despedida de uma vila, um grupo de mulheres fechou a rua e se colocou diante da kombi da equipe em que estava a missionária, pedindo para que ela não fosse embora. “Foi uma experiência muito impactante, pois eu havia acabado de chegar à região. A minha liderança disse que nunca havia visto algo parecido. Não é em vão que a igreja brasileira está investindo na vida de missionários. Não podemos perder tempo. Deus quer fazer uma grande obra através de nós”, disse a missionária. 
A missionária também realiza um trabalho com alunos de uma escola no interior. Ela conta que certa vez sonhou que pregava e o público era formado apenas por crianças, que corriam para abraçá-la ao final da mensagem. No dia se questionou sobre o que poderia ser aquele sonho. Dois dias depois veio a resposta: sua liderança a convidou para ajudar no trabalho com as crianças. Mais tarde ela trabalhou com jovens, quando conheceu um rapaz que teve o rosto cortado por seus colegas muçulmanos só porque ainda estava indeciso se seguiria o islamismo ou o cristianismo. 
“Um levantamento feito na virada do ano 2000 mostra que a maioria das agências missionárias investia na época uma média de 10 bilhões de dólares, anualmente, na evangelização do mundo. Enquanto isso, no mesmo período, os muçulmanos já tinham investido cerca de 83 bilhões de dólares para islamizar as nações. Eles não estão de brincadeira. Lembre-se que o seu trabalho, o seu investimento e as suas orações em prol de missões não são em vão. Os missionários estão nos campos e muitos não podem testemunhar sobre suas atividades, porque correm sério risco de perseguição. Há certas coisas que acontecem no campo que eu nunca poderei contar para não colocar em perigo a vida daqueles que se dedicam em pregar o Evangelho. Eu tenho certeza que o Senhor da seara ainda nos mostrará os frutos de todo esse investimento, para a glória do nome Dele”, encerra.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A vida de um executivo brasileiro na Líbia




Depoimento: Daniel Villar - O Estado de S.Paulo 



Era novembro de 2007 quando recebi no escritório de Buenos Aires um telefonema de Marcelo Odebrecht fazendo-me o convite para liderar o início da operação da Odebrecht na Líbia. Minha reação foi perguntar: "Onde?". Depois de escutar os detalhes do programa, o que se seguiu foi uma mistura de sentimentos conflitantes.



Por um lado, o desafio proposto era extremamente motivador, pela oportunidade de ser pioneiro na abertura de um mercado. Ainda mais em um país como a Líbia, que vive um momento histórico relevante, com a retomada do crescimento. Por outro lado, fiquei apreensivo quanto à necessidade de mobilizar minha família. Afinal, em 12 anos de experiência profissional como expatriado no Equador, Peru e Argentina, minha esposa e três filhos sempre estiveram ao meu lado. Na Líbia, país muçulmano com uma cultura tão diferente da nossa, seria prudente levá-los comigo? Qual seria a qualidade do ensino, da moradia e do atendimento médico? Seria seguro?



Felizmente, todas essas dúvidas desapareceram durante uma visita à capital, Trípoli. A cidade, com seu clima mediterrâneo, é agradável e saudável para se viver. Nossos filhos recebem uma educação de qualidade numa escola internacional onde estudam crianças de 38 nacionalidades. Vivemos com conforto e segurança numa bela casa com piscina. Além disso, os líbios são amáveis e tolerantes com os costumes estrangeiros.



Claro que algumas diferenças culturais causam um certo impacto inicial. Minha esposa anda livremente nas ruas e não precisa usar o véu, mas preferiu excluir do guarda-roupa as saias curtas e as camisas sem mangas ou decotadas. Ela sente que perdeu um pouco de sua independência porque precisa do apoio de um motorista líbio tanto para se locomover quanto para se comunicar com vendedores e prestadores de serviço. Aqui, o árabe é praticamente o único idioma falado. Nos mercados locais, encontramos de tudo, com exceção de bebidas alcoólicas e carne de porco e seus derivados (proibidos por lei). Também nos acostumamos a sair de casa sempre carregados de dinheiro, já que as transações eletrônicas ainda não fazem parte do cotidiano e o preenchimento de cheques deve ser feito em árabe. Resta apenas o pagamento em espécie - até mesmo quando compramos um carro.



Com o passar do tempo, passamos a entender melhor a cultura árabe e a religião muçulmana. Apesar de termos mais contato com outros expatriados, o convívio com os líbios nos trouxe experiências marcantes. Já estivemos em um casamento onde homens e mulheres ficam em grupos separados. Presenciei o momento em que o pai do noivo, com a intermediação de um Imam (autoridade religiosa do islamismo), negociou e assinou o contrato de casamento com o pai da noiva. Enquanto isso, minha esposa observava as mulheres solteiras desfilando sem véu, na esperança de atrair os olhares de alguma potencial futura sogra (na tradição árabe, é comum que as mães escolham as esposas de seus filhos).



Hoje, temos a certeza de que tomamos a decisão correta ao aceitar esse desafio. A vida de expatriado não é fácil, seja na Líbia ou em qualquer outro lugar, pois nos tira da nossa zona de conforto. Mas o retorno que a experiência nos traz é imensurável. Enquanto me proporciona um acelerado crescimento profissional, a Líbia também contribui para que estejamos cada vez mais maduros e unidos como família e como casal.

domingo, 30 de maio de 2010

Culto pagão

*

Dave Branon

Durante uma viagem ao distante Oriente, visitei um santuário insólito feito de centenas de estátuas. De acordo com o nosso guia, os adoradores escolhiam a estátua mais parecida com um antepassado e oravam para ela.
Alguns anos atrás, li sobre um estudante cujo nome era Le Thai. Ele cultuava seus antepassados e encontrava grande conforto em suas orações para sua querida falecida avó. Como rezava para alguém que conhecia e amava, considerava isto como algo pessoal e íntimo.
Porém, quando veio do Vietnam para estudar nos Estados Unidos, Le Thai conheceu o cristianismo. Parecia um conto de fadas baseado no pensamento americano. Para ele, era como cultuar um Deus estrangeiro (veja Atos 17:18).
Nessa época um amigo cristão o convidou para passar o Natal na casa dele. Ele viu como aquela família cristã se relacionava e mais uma vez ouviu a história de Jesus. Le Thai ouviu. Leu em João 3 sobre o “novo nascimento” e fez perguntas. Começou a sentir o toque do Espírito Santo, e compreendeu que o cristianismo era verdadeiro. Le Thai confiou em Jesus como seu Salvador pessoal.
Quando um amigo enxerga o cristianismo como um culto pagão, precisamos respeitar sua herança cultural enquanto compartilhamos o evangelho com generosidade, dando-lhe tempo para descobrir mais sobre o cristianismo. E então confiar no Espírito para fazer Seu trabalho. 

Deus é o único Deus verdadeiro.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Fazendo missões como profissionais biocupacionais

 *
Carlos Lemos

Sempre me chamou a atenção o momento em que Jesus olhou ao redor e observou que as pessoas eram como ovelhas sem pastor.

Assim que senti o chamado para missões, escolhi uma carreira que me possibilitasse pregar a Palavra e ajudar comunidades carentes. Minha primeira experiência no campo transcultural foi num país em guerra, sob regime comunista. Nessa época não era permitida a entrada nem a permanência de missionários. Minha esposa e eu entramos como profissionais e tivemos a oportunidade de apoiar igrejas locais e socorrer diversas vilas na área de saúde pública.

Desde então temos trabalhado em outros países em conflito ou pós-conflito, nas áreas de emergência, construção civil e saúde, levando a Palavra e o socorro.

Há pouco tempo conversava com o senhor Ke, budista, no interior do país onde temos auxiliado famílias a cavarem poços de água. Olhávamos um grande buraco, que tinha 30 centímetros de água suja, e ele contava que muitos vinham ali buscar água para beber, para cozinhar etc. Era a única saída durante o período da seca. Perguntei se o novo poço seria útil e ele respondeu que sim. Eles já tinham manilhas de concreto e bomba e, agora, teriam uma água mais limpa, mesmo quando as chuvas viessem e inundassem os campos de arroz.

Esse pequeno país, outrora um grande império, hoje é considerado o segundo mais pobre da Ásia. Menos de 1% da população é cristã e não há liberdade religiosa. O que nos move é a esperança de que a verdadeira luz atinja os corações por meio da ação da igreja.

Vemos cada vez mais oportunidades para missionários biocupacionais -- tanto em países com restrição ao evangelho como naqueles em situação de calamidade. Além da facilidade de acesso, os biocupacionais prestam grande apoio aos outros missionários.

Carlos Lemos, casado com Liliana, é engenheiro e trabalha no Sudeste da Ásia.

Fonte: http://www.ultimato.com.br

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O Leão, o Leopardo, a Píton e o pequeno Kintano


Durante os anos em que trabalhamos entre as etnias Konkombas no nordeste de Gana, África ocidental, muitas vezes nos surpreendemos com a forma como os novos crentes interpretavam e contextualizavam os ensinos bíblicos a medida que lhes eram apresentados, utilizando histórias, contos e provérbios milenares na cultura Konkomba para elucidar o princípio em questão. Ao fim de uma exposição bíblica sempre há alguém que diga: Temos um conto que explica isto!

Visualizando a profundidade de uma língua recheada de provérbios onde curtas expressões como ‘Aananken amman’ significa ‘Não julgue a sabedoria de um homem pelos seus cabelos brancos, mas pela verdade em suas palavras’, nos deparamos com inúmeros contos que expressam, culturalmente, a forma como a tribo entende e avalia os princípios bíblicos dentro de sua cosmovisão.

Estas próximas linhas trazem um destes contos, que nos foi narrado por dois Konkombas e um Bassari, após termos falado sobre as estratégias do inimigo em confundir o povo de Deus, quando mencionamos o texto de 1 Pedro 5:8 - “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar”.
Procurei, até onde foi possível, realizar uma tradução acurada, utilizando algumas poucas adaptações nas expressões tipicamente Konkombas com pouca equivalência em Português.
Que este conto sirva de edificação para a sua vida advertindo-o contra aquele que veio somente para roubar, matar e destruir. Em Cristo, “Tindindana”- Senhor das vitórias,

Ronaldo Lidório

O Conto
“Vivia em uma mata junto ao rio Molan um Leão idoso e sábio que, como líder dos animais que habitavam a terra, era grandemente respeitado entre todos. Devido aos longos anos de experiência em liderança, desenvolveu uma personalidade paciente, meticulosa, vagarosa, quase beirando a contemplação. Entretanto, era por demais ouvido entre todos quando se levantava pensativamente de sua moita favorita usualmente dizendo: ‘Creio que sei o que deve ser feito!’ Até seus rivais que o criticavam pelo seu jeito pacificador de ser, enxergavam nele uma fonte de sensatez.


Havia apenas um pequeno e quase imperceptível defeito em sua personalidade o qual, por tão pequeno, não era por ninguém visto como erro, mas sim como uma excentricidade, ou ‘até uma virtude’ - diziam muitos: o Leão odiava sujeira! Lama, restos de comida ou uma simples poeira o deixava irritado e descontente. Não chegava a ser, entretanto, suficiente para nenhuma discórdia ou discussão. No máximo um desabono como um balançar de cabeça ou um ligeiro suspiro de indignação.
Descendo o rio, no topo de uma árvore pouco frondosa, morava o Leopardo. Ele era esguio e vivaz. Alegre, contador de piadas e particularmente gostava de narrar engraçadas histórias sobre os habitantes do rio. Sendo o único animal de grande porte naquela parte da floresta era chamado em qualquer emergência e, mesmo sem a ponderação e experiência do leão, promovia soluções fazendo piadas dos problemas e tornando-os menos sérios. Quase nunca usava sua autoridade de mais forte e gostava de andar ao redor toda tarde prometendo aos macacos que eles seriam a sua refeição do dia seguinte se nada melhor aparecesse, o que gerava uma algazarra nas árvores enquanto ele dava boas risadas.
Apesar de amigo e companheiro havia algo que o impedia de ter mais proximidade com outros animais. Ele ficava enraivecido sempre que alguém o fitava. Poderia conversar longamente com todos, desde que ninguém olhasse diretamente em seus olhos, pois ficaria por demais irado e, com um rugido, saía mal-humorado. Mas todos, conhecendo esta particularidade, sabiam como tratá-lo e até brincavam entre si dizendo que ele ficara assim desde que vira sua própria face no espelho de água do rio Molan, e admirou-se de como era feio. Era apenas uma versão entre os macacos que se divertiam com esta história durante as noites. Ninguém, nem mesmo ele, na verdade, sabia o porquê desta irritação ao ser fitado. Conhecendo de antemão o seu temperamento, todos sabiam como tratá-lo e tudo corria bem naquela parte da mata.
Mais distante próximo ao pântano da árvore alta vivia Píton, a cobra. Dentre tantas outras cobras que habitavam aquela área, Píton era a maior, mais forte e mais inteligente dentre elas. Apesar de temida entre todos os animais, Píton não era de tão difícil relacionamento como imaginavam. Era séria, compenetrada e muito desconfiada, sem dúvida. Mas também sempre se mostrava bem disposta a ajudar em momentos de crise. ‘Quando houve a última enchente’- reconhecem todos – ‘Píton foi a primeira a voluntariar-se para ajudar os animais que não conseguiam nadar’. ‘Mas também fala disto até hoje!’- completam os mais críticos. Apesar de não ter a sensatez do Leão e a descontração do Leopardo, Píton era reconhecida como líder. ‘Um líder não deve ser temido, ranzinza e Desconfiado’- lembravam os macacos, mostrando que lhe retirariam o cargo se pudessem. Era sabido que Píton, a cobra, possuía um grande complexo de inferioridade pelo fato de se postar sempre mais baixa que os outros animais, por ter que rastejar.Muitos, assim, ignoravam a sua presença. Certa vez um elefante quase a pisou por não vê-la, o que causou grande indignação. Desde então ela detesta ser tocada e sempre lembra a todos o seu lema: ‘Nunca pise em mim!’
Certo dia surgiu um assunto de urgência que envolvia toda a floresta. Algumas hienas, temidas por todos os animais de bem, decidiram mudar-se para aquela região. Todos estavam preocupados e criavam muitos boatos e rumores sobre isto. O Leão, prevendo um estado de pânico, decidiu convocar uma reunião entre a liderança da floresta: ele, o Leopardo e a Píton iriam se reunir junto à sua moita no dia seguinte.
No dia esperado, logo cedo, chegou o Leopardo e como de costume fazia piadas do Leão chamando-o de “Jubinha” referindo-se a um fato constrangedor e nunca mencionado pelos outros animais: o Leão nascera com menos pelo em sua juba que outros da sua espécie. Fingindo ignorar as piadinhas o Leão chamou-o para baixo da árvore e ofereceu-lhe água do riacho que por ali passava. Logo em seguida, sutil e esguia, chegou Píton causando surpresa no Leão. ‘Não pensei que viria tão cedo’ - comentou ele referindo-se aos constantes atrasos de Píton nas últimas reuniões de liderança. Como sempre Píton permanecia calada e procurou calmamente o lugar mais úmido para se enrolar.
Durante o dia o Leão, o Leopardo e Píton conversaram sobre todas as implicações da vinda das hienas para a floresta e, após ouvir longamente as inúmeras sugestões dos outros animais, estavam prestes a tomar uma decisão quando foram interrompidos pela comida que chegava. ‘Pensei que era plano do Leão trazer-nos aqui para matar-nos de fome’ - comentou o Leopardo entre risos. Comeram regaladamente e após tudo ser devidamente limpo decidiram descansar por um curto período antes de retomarem as discussões.
Neste momento, enquanto Leão, Leopardo e Píton dormiam, surgiu sorrateiramente um
pequeno inseto típico daquela parte da floresta chamado Kintano. É uma espécie de grilo com apenas 2 centímetros de tamanho e que costuma fazer um buraquinho na areia onde esconde-se nos momentos mais quentes do dia. Sem ser por ninguém percebido, Kintano pulou até o lugar onde o Leão deitava sobre sua limpa e macia moita e começou a cavar o seu buraquinho com suas patinhas traseiras, lançando a areia para trás à medida que desaparecia dentro do seu abrigo. Entretanto, com a força de suas patinhas, Kintano conseguiu arremessar aquela fina areia até o focinho do Leão o qual, cheirando a poeira, levantou-se de um salto julgando ser uma brincadeira do Leopardo. Fitou-o bem nos olhos e num rugido gritou: ‘por que me sujou? Você sabe como detesto sujeira!!’
O Leopardo rosnou indignado: ‘Não sei do que está falando, mas você sabe que odeio quando alguém me fita!’
Os dois começaram uma estrondosa luta quando, não percebendo a Píton, o Leopardo a pisou com sua pata traseira fazendo-a acordar irada e gritando: ‘Não admito ser pisada por ninguém!’
O Leopardo, mais jovem e forte, matou o Leão em uma tremenda batalha! A Píton, sagaz, enlaçou o Leopardo e o apertou até que morresse; entretanto, com tamanho esforço, não resistiu e também morreu. Houve silêncio em toda a floresta.
Como líderes tão bondosos, gentis e responsáveis chegaram ao ponto de se matar? - Perguntavam todos. Os animais da floresta, atônitos, baixaram suas cabeças e dispersaram-se. E o Kintano...
O Kintano, após tudo acabar, saiu do buraquinho na areia, olhou ao seu redor e começou a pular em direção a outro vale, a procura de outros líderes em outras florestas.
‘U Mallenyaan nyen Kintan so. U nyen kenin, sedimaten, tob anun ni kagbaan pu na’.
‘O Diabo é como o Kintano. Ele veio apenas matar, roubar e destruir’ - dizem os Konkombas.”

via blog Pensar e Orar

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

QUANTOS EU JÁ MATEI?






O aviãozinho fazia um sobre vôo de reconhecimento na pista de grama bem no meio da floresta amazônica para ver se realmente está livre para descer.
Por vezes há pessoas ou animais na pista e para evitar acidentes os pilotos sempre usam deste procedimento.
Lá embaixo podíamos ver dezenas de indígenas nas trilhas correndo em direção a pista.
A chegada de um avião significa para os missionários a presença da civilização, de colegas, o rancho do mês que chega com quitutes apreciados ou a saída de férias da aldeia aproveitando o retorno do vôo; mas para os índios, as novidades maiores estão nas coisas que levamos no vôo.
Um índio em tratamento médico fora da aldeia pode estar retornando, pessoas novas com quem estabelecerão contato.
Coisas como sal, arroz, açúcar e outras bugigangas.
Enquanto abraçávamos os missionários e descarregávamos o avião percebia, que ao me aproximar de um nativo, fosse adulto ou criança imediatamente ele se afastava.
Fiquei intrigado com aquilo.
Em todas as outras aldeias de etnias diferentes eram solícitos e imediatamente estavam misturados entre os brancos (branco para eles são todos os que não são índios, seja branco ou negro), mas naquela aldeia estava acontecendo algo que eu não conseguia identificar.
O missionário me chamou para um canto e me disse que os índios estavam com medo de mim.
Imediatamente perguntei: mas por quê? Não faço medo a uma mosca.
Respondeu o missionário: O problema é sua barriga.
Como assim? Indaguei.
Respondeu o missionário: Para eles que tem barriga grande é matador e me desculpa chefe realmente eles têm razão.
Depois de tudo explicado conseguimos estabelecer um diálogo razoável com índios.
Mas a pergunta que ficava no ar era:
Quantos o chefe branco já matou?
Minha barriga me denunciava...

Geremias Bento - http://www.geremiasbento.net

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Salvação entre os Indígenas - RS

Louvamos a Deus pela obra de Salvação realizada entre os Kaingangs.


Segue testemunho do casal missionário Pr.Ray Miller e Luciana:


Aldeia Bananeiras, 14 de Março de 2.009

“Vinde e vede as obras de Deus: tremendos são seus feitos…”

Queridos irmãos e irmãs,
Expressamos primeiramente a nossa gratidão pela maravilhosa parceria nesta obra grandiosa.
Desejamos que cada um de vocês esteja desfrutando de um tempo de alegria no Senhor.
Sobre o Projeto Kaingang, temos iniciado quatro novos grupos familiares de estudos bíblicos nas casas com cerca de 8 pessoas por lar e, assim, Deus alcança os corações.
Ampliar a nossa visão é o que temos pedido ao Senhor, para realizarmos, por meio dEle, uma grande mudança e que este povo declare que Jesus é a Única Esperança…
Deus deseja realizar algo grandioso e está convocando seu povo para colocar as mãos no arado, e com os olhos fixos nEle.
Para os planos de Deus não existe crise, mas manter-se firme neles em meio à crise exige fé, não podemos permitir que o avanço da obra seja abalado.
Tremenda certamente seria o termo para descrever a amplitude do mover de Deus e a manifestação da Sua graça na vida daqueles que priorizam o reino de Deus e nEle depositam toda confiança.
Realizamos o batismo de cinco índias e pretendemos que estes motivem outros e que, dentre esses, Deus levante missionários nativos para comunicar o evangelho nessa aldeia.
Esse momento é de grandes vitórias e de um despertar deste povo junto com nossa Nação. Como poderemos parar diante de um Deus tão grande que quer agir através de nós e mostrar grandes feitos? Não podemos omitir nossa responsabilidade.
Povos estão clamando por Jesus, e nós, o que faremos?
Esses dias tivemos dois rapazes, um de cada família (indígenas), que parou nosso carro e falou dessa forma conosco: “Por favor, minha família não aguenta mais, eu não aguento mais, precisamos de ajuda, quero aprender a sua palavra (Palavra de Deus).”
Precisamos ainda mais que segurem as cordas, pois quando pensamos em desistir, o nosso Deus nos levanta e nos faz olhar para frente e avançar. Quanto maiores são as lutas, maiores serão as vitórias.
Celebremos ao Senhor com Alegria!

Em Cristo Jesus ,


Casal missionário Pr.Ray Miller e Luciana da Conceição
E-mail/MSN: raylu_filhosmissoes@hotmail.com
Skype: raylu_missoes

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via http://www.evangelizabrasil.com

sábado, 31 de janeiro de 2009

Nossa visita aos Konkombas de Gana - Ronaldo Lidório


Por: Ronaldo Lidório

Tivemos o privilégio de, como família, visitar a Igreja Konkomba em Gana neste mês de dezembro de 2008. Foram dias inesquecíveis que nos alegraram profundamente ao rever amigos e irmãos chegados.

Rossana estava radiante, de volta à aldeia onde moramos durante 9 anos. Vivianne e Ronaldo Junior aproveitaram cada momento revendo os amiguinhos com os quais brincavam na savana ao lado da nossa casa quando crianças. Mãe, com seus 74 anos de idade, esteve conosco nesta viagem e se encantou com a hospitalidade deste povo simples e amável, pelo qual orou durante tanto tempo.

É época seca e as estradas estão transitáveis. Conseguimos um bom carro, alto e forte o suficiente para levar-nos sem problemas até Koni, nossa aldeia alvo. Os missionários amigos bem como pastores africanos na capital nos aconselharam a aguardar o primeiro turno da eleição presidencial antes de deixarmos a cidade, o que fizemos. A viagem transcorreu bem e de forma tranqüila. Após dois dias chegamos até Koni, onde fomos recebidos com festa e alegria. Em sinal de boas vindas o chefe da aldeia nos presenteou com um pato, e explicou: “como vieram em família a tradição nos aconselha lhes presentearmos com um cabrito ou um pato. Escolhi, porém, um pato porque vocês são viajantes, ao contrário do cabrito que tem morada certa”. Da Igreja uma comitiva veio nos recepcionar com deliciosos inhames.

A Igreja Konkomba vai muito bem, pela graça de Deus, e continha fortalecida pela boa liderança dos 5 pastores locais: Labuer, Iagurá, Antni, Kimana e Nprompir, além de dezenas de presbíteros, diáconos e irmãos que trabalham em diversas áreas ministeriais. Além das 23 igrejas espalhadas por toda a região já contam hoje com mais 4 iniciativas missionárias no Togo, tendo a frente um ótimo plantador de igrejas, Kimana, que se mudou com sua família para um dos pontos mais remotos do norte daquele país vizinho.

Também ao norte da região Konkomba o trabalho cresce, rumo à área mais desértica. Npromprir, um nato plantador de igrejas, segue entrando em áreas novas além da região de Kandjokorá, que nós ainda desconhecemos.

Labuer continua sendo o líder do grupo de pastores. Tivemos um ótimo tempo juntos, de boas conversas e oração. Seu plano é investir mais tempo na distribuição do Novo Testamento Limonkpeln para a região do Togo onde ainda se encontram dezenas de milhares de Konkombas sem o conhecimento do evangelho. Com algumas ofertas bondosamente enviadas do Brasil foi possível comprar-lhe uma nova motocicleta que será especialmente útil nesta tarefa. Nprompir nos preocupou bastante, pois seu olho direito, já enfermo há alguns anos, piorou bastante. Rossana o encaminhou a uma boa clínica dos olhos, no Norte do País (Waa), e pedimos oração para que seja possível um tratamento e não venha a perder sua visão. Apesar desta dificuldade permanece resoluto em avançar para o extremo norte, para o plantio de novas igrejas. Iagorá. Os 5 pastores estão animados e, juntamente com suas esposas, tivemos um momento muito gostoso em Koni, onde partilhamos sonhos, lembramos o início do trabalho naquele lugar e oramos para que o Senhor nos sustente até o dia final. Um momento inesquecível.

Desejo partilhar que a maturidade da liderança da Igreja Konkomba nos impressiona. Desde 2001 quando voltamos para o Brasil para iniciar um trabalho entre indígenas no Amazonas, muitas foram as lutas e desafios que os líderes enfrentaram ali em Gana. Partilharam conosco alguns principais e como, em todos eles, encontraram resposta clara e firme na Palavra de Deus. Posso afirmar, com alegria no Senhor, que é uma liderança que estuda, teme e usa a Palavra de Deus.

Em 2004 Rossana e eu visitamos a Igreja Konkomba para a entrega do Novo Testamento na língua Limonkpeln. Ali foram entregues 3.000 exemplares que seriam distribuídos com bastante critério. Para receber um exemplar do Novo Testamento convencionou-se que seria preciso ter passado pelo curso de alfabetização em Limonkpeln (10 dias) bem como ler, perante o supervisor do curso, 3 capítulos escolhidos do Novo Testamento. Assim fizeram em toda a região e até o momento já distribuíram 2.640 exemplares. O maior pedido da Igreja Konkomba, portanto, é a reimpressão de mais 3.000 exemplares do Novo Testamento. Planejamos trabalhar em uma revisão dialetal do texto para facilitar a compreensão dos falantes de 2 dialetos Limonkpeln do Togo, onde o evangelho está entrando nestes dias.
Concluindo tal revisão planejamos uma nova tiragem do Novo Testamento (mais 3.000 exemplares) até início de 2010 com a graça de Deus.

A clínica em Koni foi o ponto de destaque nesta nossa visita pois desejavam realizar um culto de gratidão a Deus por sua existência, o que aconteceu no dia 14 de dezembro com cerca de 500 pessoas de diversas igrejas ao redor. A clínica em Koni tem tratado mais de 6.000 pessoas por ano, com os mais diversos problemas de saúde, e pela graça de Deus ganhou em 2008 o reconhecimento como entidade de utilidade pública estratégica pelo governo de Gana (a única no norte do país com este reconhecimento) facilitando, assim, o acesso mais fácil a medicamentos raros de se conseguir como certos antibióticos e soro antiofídico. Os testemunhos a respeito da clínica encheram nosso coração. Makandá, Imá, Mak e James – todos Konkombas – estão a frente realizando um ótimo trabalho. Iniciam o expediente a cada manhã com uma devocional e um tempo de aconselhamento individual aos pacientes, e logo depois se põe à triagem, consulta e tratamento. Todos já concluíram o curso padrão do governo para atendimento de enfermagem em clínicas de saúde e se saíram muito bem, especialmente Makandá que tem um talento natural para esta área.

No culto do dia 14 de dezembro podia-se ver de perto a alegria da Igreja Konkomba. Os testemunhos da bondade do Senhor, as muitas músicas, a Palavra lida e pregada bem como o desafio sempre missionário estavam ali presentes. Entre os 500 participantes havia representantes de quase todas as igrejas. Mebá, o primeiro convertido, deu um testemunho comovente de sua vida com o Senhor Jesus. Pudemos filmar e planejamos editar com subtítulos em Português para compartilhar suas palavras cheias de Jesus! Como não se contam os anos na cultura Konkomba não se sabe bem sua idade. Julgamos que já esteja com mais de 80 anos e continua forte e uma inspiração para os mais jovens. Mebá é um destes homens impressionantes que ama a Jesus de todo coração, fala com a sabedoria da Palavra e evangeliza sempre. Ouvi-lo sempre aquece o coração e nos faz lembrar do que é essencial para a vida: seguir a Jesus.

Que o Senhor o abençoe e guarde.



Para assistir uma apresentação da nossa visita à Igreja Konkomba,
clique aqui
Para baixar essa apresentação em pps, clique aqui
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Fonte: SEPAL
Visite também: http://www.ronaldo.lidorio.com.br

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

A Bíblia para os povos indígenas - Um depoimento

“Obrigado Deus. O Senhor Jesus preparou cada um de nós, principalmente, nossos índios, o meu irmão índio Guarani, Kaingang, ... e demais irmãos índios que estão presentes. Ele nos preparou para que tenhamos a Palavra dele na nossa língua. Quando eu leio a Palavra de Deus na nossa língua eu entendo melhor. Creio também que cada um de nós, como o Guarani, e os demais que leiam essa Palavra no seu idioma puro, entendem melhor essa Palavra de Deus. Então eu agradeço a Deus por causa disso. Deus nos deu uma grande oportunidade. E também preparou muitas pessoas para trazer essa mensagem para cada um de nós."

Salvador Sanches, líder do povo Kaiowá - localizado no Mato Grosso do Sul, Brasil - durante o lançamento da Bíblia completa em Guarani-Mbya, em Rio das Cobras, Município de Nova Laranjeira - PR.

Fonte: Sociedade Bíblica do Brasil - http://www.sbb.org.br/

sábado, 6 de dezembro de 2008

Os desafios do Haiti segundo um líder haitiano

Em visita ao Brasil para aproximar relações entre batistas haitianos e brasileiros, o Pr. Jonathan Joseph, presidente da Associação de Pastores da Missão Batista para as Américas (Convenção Batista do Haiti),
esteve, em setembro, na Sede de Missões Mundiais. Ele falou sobre a realidade social e espiritual do seu país e dos esforços para evangelizar a nação. Ele desafiou os batistas brasileiros a somarem forças com os irmãos haitianos para juntos ganharem aquela pátria para Cristo.

O pastor haitiano trouxe várias informações e imagens sobre o seu país. Segundo ele, o atendimento às necessidades físicas das pessoas foi a grande estratégia usada pelos crentes para vencer as barreiras e evangelizar. Como nosso país foi amplamente explorado pelos colonizadores, sendo inclusive rota de navios negreiros, a mentalidade do haitiano é de temor, fraqueza, submissão, desconfiança. Una-se a esse fator histórico a questão da filosofia da religião vodu, amplamente difundida no Haiti, que de acordo
com o Pr. Jonathan “aprisiona as pessoas pelo medo dos espíritos”.

A missão é quebrar essa mentalidade derrotista e transformar o entendimento do povo através do amor e do evangelho de Cristo. Portanto, para se chegar junto ao povo com a mensagem do Evangelho é preciso, primeiro, levar assistência social, pois do contrário há rejeição, não por ser a mensagem de Deus, mas simplesmente por medo e desconfiança. “Agindo dessa maneira estratégica o amor de Cristo é refletido
através de nós e muitas vidas têm sido salvas”, analisa o Pr. Jonathan.

Para ele, os projetos e programas que os batistas brasileiros possuem, através da JMM, apresentam-se como grandes possibilidades para ampliar o alcance das ações evangelísticas no Haiti. “Onde visualizamos uma grande porta aberta é através do futebol brasileiro. O haitiano provavelmente ama
mais a Seleção Brasileira que os próprios brasileiros! E o Programa Esportivo Missionário (PEM) é uma excelente oportunidade para alcançarmos ainda mais pessoas para Jesus no meu país. Mas não
somente o trabalho com futebol e outros esportes, mas projetos de assistência social, educacional e teológico são importantes, pois carecemos de mais apoio na área de treinamento de liderança”, finaliza o pastor haitiano.

FONTE: Junta de Missões Mundiais da Conv. Batista Brasileira - http://www.jmm.org.br/

terça-feira, 15 de abril de 2008

Compartilhando a Alegria – Ronaldo Lidório

A conversão de Makanda, filho de Mebá, do clã Sanbol dos Konkomba de Gana é um daqueles fatos que marcam nossas vidas.

Revisando o livro Konkombas para uma reedição em breve, tive o privilégio de consultar alguns dos primeiros convertidos entre os Konkomba-Bimonkeln a fim de preparar um capítulo dedicado especificamente a testemunhos pessoais. Fiquei admirado e alegre ao receber relatos tão intensos de pessoas como Mebá, Labuer, Kidiik e Makanda. É a história contada pela ótica de quem a experimentou.

Makanda é um rapaz brilhante e sincero. Após sua conversão foi rapidamente apontado como presbítero pela igreja ainda germinante e pouco a pouco passou a cooperar com o trabalho de saúde que Rossana iniciava. Hoje é um dos mais respeitados líderes Konkombas da região e está a frente da clínica em Koni. A época de sua conversão é setembro de 1995, que ele aqui aponta como "a época do inhame puná, um ano após a grande chuva". A "luz" a que ele se refere no seu testemunho são os primeiros raios da manhã que, na cultura Konkomba, significa esperança, ou seja, um novo dia em que algo bom pode acontecer.

Vale a pena ler seu relato que transmite alegria e aquece a alma.

Ronaldo e Rossana

“Antes de sermos cristãos nós adorávamos um fetiche chamado babasu que se localiza na aldeia de Sibru. Meu pai era feiticeiro grumadii mas eu estava a procura de algo novo.

Nós críamos que ele poderia curar ou ajudar aqueles que se devotavam a ele. Apesar de grumadii ser o fetiche invocado em Koni, em minha mente babasu era merecedor de devoção pois havia ouvido inúmeras histórias sobre seu poder.

Certo dia viajei até Sibru para trabalhar nos campos de inhame do feiticeiro local, e ali permaneci até o dia do sacrifício. Há vários tipos de sacrifícios, mas naquela manhã ele sacrificaria galinhas. Elas eram mortas com uma pancada na cabeça e todos observavam atentamente a forma como cairiam no chão, finalmente imóveis. Se elas caíssem com as pernas para cima significa que o espírito havia rejeitado o sacrifício. Com as pernas para baixo havia sido aceito.

Neste dia o sacrifício foi aceito e o sangue foi derramado, cuidadosa e lentamente, sobre um altar de pedra, uma espécie de mesa de pedra negra. A cor escura, eu cria, era devido ao sangue que ali era derramado constantemente. Após a cerimônia o feiticeiro local deu-me uma castanha como sinal de que o sacrifício havia sido aceito, e conseqüentemente o espírito levaria em consideração meu pedido, que era de proteção da morte e prosperidade.

Quando retornei a Koni continuei a servir babasu participando de sacrifícios e cerimônias e fiz o nome de babasu bem conhecido em nossa aldeia. De certa forma eu seguia os passos de meu pai, que trouxe a adoração a grumadii para aquela região. Também comecei a beber bastante. Lembro-me, inclusive, que estava um pouco bêbado quando o homem branco chegou pela primeira vez em nossa aldeia. Crianças corriam e choravam e todos estávamos curiosos para ver a ‘banana descascada’, como o chamávamos.

Nos meses que se passaram, porém, o homem branco não nos deixou. Víamos que ele sofria por não saber nossa língua e parecia sempre muito cansado. Ele, entretanto, aprendeu nossa língua em alguns meses e certo dia, sentados embaixo de uma castanheira, ele começou a nos falar sobre Uwumbor, um deus antigo e criador, mas que críamos estivesse perdido. Lembro-me de meus questionamentos: se Uwumbor é Deus mais poderoso que os espíritos, porquê não se manifesta como fazem os espíritos ? Por outro lado eu pensava: se Uwumbor for Deus, criador e mais poderoso, talvez seja quem nós procuramos. Era sabido por cada um de nós que grumadii e babasu, entre outros espíritos, não nos amavam. Algo, porém, nos fazia vacilar: como um estrangeiro nos ensinaria sobre o nosso próprio Deus ? Não parecia ser algo para nós.

Os feiticeiros começaram a acusá-lo de ser mentiroso e enganador. Também de perigoso ao utilizar de forma errada nossas histórias antigas. Curiosamente o vice-chefe da aldeia, do clã Binaliib, guardadores de fetiches, protegia o homem branco. O vice-chefe era homem conhecido por sua paciência e sabedoria, enquanto o chefe e seus filhos eram afoitos e guerreiros. A simpatia do vice-chefe nos fez pensar que talvez houvesse alguma verdade em suas palavras.

Certo dia o homem branco viajou e disse que voltaria. Pensávamos que ele não regressaria pois nossa região era muito distante, cortada por muitos riachos e planícies até chegar à terra dos Dabomgas, de onde ele poderia ir para algum outro lugar. Mas ele regressou e trouxe sua esposa, que sorria muito. Pareciam estar gostando do lugar e de nosso povo. Porquê estariam ali ? Pensávamos assim: será que foram expulsos de seu povo e precisam de um lugar para ficar ? Alguns sentiam pena deles, especialmente quando chegava a noite e víamos que não conseguiam dormir muito bem. Sempre diziam que estava quente, mesmo no inverno! Dormiam no pátio da casa do vice-chefe. Lá havia muita gente e não tinha muito espaço mas ninguém mais os queria receber. O vice-chefe, porém, parecia gostar deles. Quando eles falavam nossa língua todos queriam correr para escutá-los. Falavam engraçado e nós ríamos muito.

Um dia eles compraram um cabrito e prepararam alimento para várias pessoas. Convidaram os feiticeiros para o banquete. Todos na aldeia estavam curiosos para saber o que aconteceria. Treze feiticeiros compareceram, inclusive meu pai. A comida parecia boa e todos gostavam da forma como os brancos os alimentavam e lhes serviam água nas cabaças, se aproximando dos anciãos de cócoras e com respeito. Mas ao fim eles pediram permissão para lhes falar que tinham em mãos algo que lhes explicavam exatamente quem era Deus. Um livro que era a história de Deus. Todos ficaram muito encantados e prestamos atenção como este livro nos ensinava como as coisas haviam sido criadas. Algumas coisas eram parecidas com nossas histórias, outras meio diferentes, mas com muitos detalhes.

Ao fim, porém, houve um grande tumulto quando eles falaram que este Deus (Uwumbor), que criou a todos, não estava distante. Estava ali conosco, em Koni, nos observando, e triste porque adorávamos aos espíritos como se fossem Deus. Vários feiticeiros gritaram desafiando-os se Uwumbor era maior que seus espíritos. Alguns foram embora e outros permaneceram ouvindo. Gostávamos dos brancos, mas o que falavam era difícil de ouvir. No fundo acho que todos sabíamos que os espíritos que adorávamos eram maus e maliciosos. Na verdade sabíamos. Talvez nossa reação fosse por temor. E alguns pensaram assim: como estes brancos nos falam sobre nossos espíritos? Temíamos que nossos espíritos estivessem nos observando e que seríamos punidos se não os defendêssemos. Assim alguns gritaram com raiva dos brancos, mas de fato não estavam com raiva. Era apenas para que os espíritos não os punissem. Uwumbor, por outro lado, segundo os brancos, não precisava de defesa. Era algo curioso que me deixou muito pensativo. Fui para a roça sozinho no dia seguinte.

Certo dia alguma coisa em minha mente passou a me dizer que suas palavras eram verdadeiras, e isto me levou a desejar ouvi-lo ainda mais. Alguns falavam em matá-los, especialmente através de algum veneno conhecido. Seria fácil matá-lo pois eles comiam nossa comida e tomavam da nossa água. Moravam, porém, com a família do vice-chefe, que era conhecido como um homem bom e possivelmente não apoiaria o envenenamento. Mas acho que ninguém jamais conversou com o vice-chfe sobre isto. Mas eu não conseguia parar de pensar no que ele falava e fiquei pensando que, se Uwumbor realmente nos criou talvez não esteja tão longe.

Certo dia eu o ouvi pregar no meio da aldeia, enquanto as pessoas passavam, sobre o poder de Deus, o tema favorito do homem branco nos primeiros meses. Já que ele estava vivo mesmo falando tão mal dos espíritos talvez os espíritos não fossem tão fortes assim como pensávamos. Mas naquele dia ele nos falou sobre a salvação em Jesus Cristo e nos explicou a cruz. Foi diferente imaginar este Jesus, filho de Deus, e Deus feito gente, naquela cruz. Porque não fugiu ? Eu ficava pensando. Era a época do inhame puná, um ano após a grande chuva.

Não posso explicar muito bem o que aconteceu nem o momento exato que passei a crer em Deus mas em um certo momento eu vi a luz de Jesus perto de mim, e um sentimento de liberdade tomou conta de mim. Daquele dia em diante eu passei a contar minha experiência com Cristo com uma música.

‘Antes eu não sabia onde estava Jesus,

e eu procurava por caminhos de salvação.

Quando eu vi Jesus eu vi a luz’.

Muitas coisas aconteceram comigo depois, mas algo que ficou marcado era que, de alguma forma, Jesus parecia ser parte do nosso povo. Algo escondido que sempre procurávamos. Quando fui a procura de babasu, no fundo quem eu procurava era Jesus. Quando outros vão atrás de babasu, na verdade procuram é a Jesus.

Daquele dia em diante quando alguém me perguntava sobre Jesus eu alegremente respondia: quando eu vi Jesus, vi a luz.”


E.mail: ronaldo.lidorio@terra.com.br
www.ronaldo.lidorio.com.br
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