domingo, 14 de maio de 2017
O ciclo de poder de Jesus
terça-feira, 6 de setembro de 2016
Pode o Evangelho ser conhecido na Índia urbana?

segunda-feira, 9 de julho de 2012
Direto do Sudão do Sul: Depoimento sobre refugiados
sexta-feira, 25 de março de 2011
MISSÕES: Um testemunho de amor aos muçulmanos
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
A vida de um executivo brasileiro na Líbia

domingo, 30 de maio de 2010
Culto pagão
quarta-feira, 31 de março de 2010
Fazendo missões como profissionais biocupacionais
Assim que senti o chamado para missões, escolhi uma carreira que me possibilitasse pregar a Palavra e ajudar comunidades carentes. Minha primeira experiência no campo transcultural foi num país em guerra, sob regime comunista. Nessa época não era permitida a entrada nem a permanência de missionários. Minha esposa e eu entramos como profissionais e tivemos a oportunidade de apoiar igrejas locais e socorrer diversas vilas na área de saúde pública.
Desde então temos trabalhado em outros países em conflito ou pós-conflito, nas áreas de emergência, construção civil e saúde, levando a Palavra e o socorro.
Há pouco tempo conversava com o senhor Ke, budista, no interior do país onde temos auxiliado famílias a cavarem poços de água. Olhávamos um grande buraco, que tinha 30 centímetros de água suja, e ele contava que muitos vinham ali buscar água para beber, para cozinhar etc. Era a única saída durante o período da seca. Perguntei se o novo poço seria útil e ele respondeu que sim. Eles já tinham manilhas de concreto e bomba e, agora, teriam uma água mais limpa, mesmo quando as chuvas viessem e inundassem os campos de arroz.
Esse pequeno país, outrora um grande império, hoje é considerado o segundo mais pobre da Ásia. Menos de 1% da população é cristã e não há liberdade religiosa. O que nos move é a esperança de que a verdadeira luz atinja os corações por meio da ação da igreja.
Vemos cada vez mais oportunidades para missionários biocupacionais -- tanto em países com restrição ao evangelho como naqueles em situação de calamidade. Além da facilidade de acesso, os biocupacionais prestam grande apoio aos outros missionários.
• Carlos Lemos, casado com Liliana, é engenheiro e trabalha no Sudeste da Ásia.
Fonte: http://www.ultimato.com.br
terça-feira, 24 de novembro de 2009
O Leão, o Leopardo, a Píton e o pequeno Kintano

quarta-feira, 14 de outubro de 2009
QUANTOS EU JÁ MATEI?
O aviãozinho fazia um sobre vôo de reconhecimento na pista de grama bem no meio da floresta amazônica para ver se realmente está livre para descer.
Geremias Bento - http://www.geremiasbento.net
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Salvação entre os Indígenas - RS
Louvamos a Deus pela obra de Salvação realizada entre os Kaingangs.
Segue testemunho do casal missionário Pr.Ray Miller e Luciana:
Aldeia Bananeiras, 14 de Março de 2.009
“Vinde e vede as obras de Deus: tremendos são seus feitos…”
Queridos irmãos e irmãs,
Expressamos primeiramente a nossa gratidão pela maravilhosa parceria nesta obra grandiosa.
Desejamos que cada um de vocês esteja desfrutando de um tempo de alegria no Senhor.
Sobre o Projeto Kaingang, temos iniciado quatro novos grupos familiares de estudos bíblicos nas casas com cerca de 8 pessoas por lar e, assim, Deus alcança os corações.
Ampliar a nossa visão é o que temos pedido ao Senhor, para realizarmos, por meio dEle, uma grande mudança e que este povo declare que Jesus é a Única Esperança…
Deus deseja realizar algo grandioso e está convocando seu povo para colocar as mãos no arado, e com os olhos fixos nEle.
Para os planos de Deus não existe crise, mas manter-se firme neles em meio à crise exige fé, não podemos permitir que o avanço da obra seja abalado.
Tremenda certamente seria o termo para descrever a amplitude do mover de Deus e a manifestação da Sua graça na vida daqueles que priorizam o reino de Deus e nEle depositam toda confiança.
Realizamos o batismo de cinco índias e pretendemos que estes motivem outros e que, dentre esses, Deus levante missionários nativos para comunicar o evangelho nessa aldeia.
Esse momento é de grandes vitórias e de um despertar deste povo junto com nossa Nação. Como poderemos parar diante de um Deus tão grande que quer agir através de nós e mostrar grandes feitos? Não podemos omitir nossa responsabilidade.
Povos estão clamando por Jesus, e nós, o que faremos?
Esses dias tivemos dois rapazes, um de cada família (indígenas), que parou nosso carro e falou dessa forma conosco: “Por favor, minha família não aguenta mais, eu não aguento mais, precisamos de ajuda, quero aprender a sua palavra (Palavra de Deus).”
Precisamos ainda mais que segurem as cordas, pois quando pensamos em desistir, o nosso Deus nos levanta e nos faz olhar para frente e avançar. Quanto maiores são as lutas, maiores serão as vitórias.
Celebremos ao Senhor com Alegria!
Em Cristo Jesus ,
Casal missionário Pr.Ray Miller e Luciana da Conceição
E-mail/MSN: raylu_filhosmissoes@hotmail.com
Skype: raylu_missoes
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sábado, 31 de janeiro de 2009
Nossa visita aos Konkombas de Gana - Ronaldo Lidório

Tivemos o privilégio de, como família, visitar a Igreja Konkomba em Gana neste mês de dezembro de 2008. Foram dias inesquecíveis que nos alegraram profundamente ao rever amigos e irmãos chegados.
Rossana estava radiante, de volta à aldeia onde moramos durante 9 anos. Vivianne e Ronaldo Junior aproveitaram cada momento revendo os amiguinhos com os quais brincavam na savana ao lado da nossa casa quando crianças. Mãe, com seus 74 anos de idade, esteve conosco nesta viagem e se encantou com a hospitalidade deste povo simples e amável, pelo qual orou durante tanto tempo.
É época seca e as estradas estão transitáveis. Conseguimos um bom carro, alto e forte o suficiente para levar-nos sem problemas até Koni, nossa aldeia alvo. Os missionários amigos bem como pastores africanos na capital nos aconselharam a aguardar o primeiro turno da eleição presidencial antes de deixarmos a cidade, o que fizemos. A viagem transcorreu bem e de forma tranqüila. Após dois dias chegamos até Koni, onde fomos recebidos com festa e alegria. Em sinal de boas vindas o chefe da aldeia nos presenteou com um pato, e explicou: “como vieram em família a tradição nos aconselha lhes presentearmos com um cabrito ou um pato. Escolhi, porém, um pato porque vocês são viajantes, ao contrário do cabrito que tem morada certa”. Da Igreja uma comitiva veio nos recepcionar com deliciosos inhames.
A Igreja Konkomba vai muito bem, pela graça de Deus, e continha fortalecida pela boa liderança dos 5 pastores locais: Labuer, Iagurá, Antni, Kimana e Nprompir, além de dezenas de presbíteros, diáconos e irmãos que trabalham em diversas áreas ministeriais. Além das 23 igrejas espalhadas por toda a região já contam hoje com mais 4 iniciativas missionárias no Togo, tendo a frente um ótimo plantador de igrejas, Kimana, que se mudou com sua família para um dos pontos mais remotos do norte daquele país vizinho.
Também ao norte da região Konkomba o trabalho cresce, rumo à área mais desértica. Npromprir, um nato plantador de igrejas, segue entrando em áreas novas além da região de Kandjokorá, que nós ainda desconhecemos.
Labuer continua sendo o líder do grupo de pastores. Tivemos um ótimo tempo juntos, de boas conversas e oração. Seu plano é investir mais tempo na distribuição do Novo Testamento Limonkpeln para a região do Togo onde ainda se encontram dezenas de milhares de Konkombas sem o conhecimento do evangelho. Com algumas ofertas bondosamente enviadas do Brasil foi possível comprar-lhe uma nova motocicleta que será especialmente útil nesta tarefa. Nprompir nos preocupou bastante, pois seu olho direito, já enfermo há alguns anos, piorou bastante. Rossana o encaminhou a uma boa clínica dos olhos, no Norte do País (Waa), e pedimos oração para que seja possível um tratamento e não venha a perder sua visão. Apesar desta dificuldade permanece resoluto em avançar para o extremo norte, para o plantio de novas igrejas. Iagorá. Os 5 pastores estão animados e, juntamente com suas esposas, tivemos um momento muito gostoso em Koni, onde partilhamos sonhos, lembramos o início do trabalho naquele lugar e oramos para que o Senhor nos sustente até o dia final. Um momento inesquecível.
Desejo partilhar que a maturidade da liderança da Igreja Konkomba nos impressiona. Desde 2001 quando voltamos para o Brasil para iniciar um trabalho entre indígenas no Amazonas, muitas foram as lutas e desafios que os líderes enfrentaram ali em Gana. Partilharam conosco alguns principais e como, em todos eles, encontraram resposta clara e firme na Palavra de Deus. Posso afirmar, com alegria no Senhor, que é uma liderança que estuda, teme e usa a Palavra de Deus.
Em 2004 Rossana e eu visitamos a Igreja Konkomba para a entrega do Novo Testamento na língua Limonkpeln. Ali foram entregues 3.000 exemplares que seriam distribuídos com bastante critério. Para receber um exemplar do Novo Testamento convencionou-se que seria preciso ter passado pelo curso de alfabetização em Limonkpeln (10 dias) bem como ler, perante o supervisor do curso, 3 capítulos escolhidos do Novo Testamento. Assim fizeram em toda a região e até o momento já distribuíram 2.640 exemplares. O maior pedido da Igreja Konkomba, portanto, é a reimpressão de mais 3.000 exemplares do Novo Testamento. Planejamos trabalhar em uma revisão dialetal do texto para facilitar a compreensão dos falantes de 2 dialetos Limonkpeln do Togo, onde o evangelho está entrando nestes dias.
Concluindo tal revisão planejamos uma nova tiragem do Novo Testamento (mais 3.000 exemplares) até início de 2010 com a graça de Deus.
A clínica em Koni foi o ponto de destaque nesta nossa visita pois desejavam realizar um culto de gratidão a Deus por sua existência, o que aconteceu no dia 14 de dezembro com cerca de 500 pessoas de diversas igrejas ao redor. A clínica em Koni tem tratado mais de 6.000 pessoas por ano, com os mais diversos problemas de saúde, e pela graça de Deus ganhou em 2008 o reconhecimento como entidade de utilidade pública estratégica pelo governo de Gana (a única no norte do país com este reconhecimento) facilitando, assim, o acesso mais fácil a medicamentos raros de se conseguir como certos antibióticos e soro antiofídico. Os testemunhos a respeito da clínica encheram nosso coração. Makandá, Imá, Mak e James – todos Konkombas – estão a frente realizando um ótimo trabalho. Iniciam o expediente a cada manhã com uma devocional e um tempo de aconselhamento individual aos pacientes, e logo depois se põe à triagem, consulta e tratamento. Todos já concluíram o curso padrão do governo para atendimento de enfermagem em clínicas de saúde e se saíram muito bem, especialmente Makandá que tem um talento natural para esta área.
No culto do dia 14 de dezembro podia-se ver de perto a alegria da Igreja Konkomba. Os testemunhos da bondade do Senhor, as muitas músicas, a Palavra lida e pregada bem como o desafio sempre missionário estavam ali presentes. Entre os 500 participantes havia representantes de quase todas as igrejas. Mebá, o primeiro convertido, deu um testemunho comovente de sua vida com o Senhor Jesus. Pudemos filmar e planejamos editar com subtítulos em Português para compartilhar suas palavras cheias de Jesus! Como não se contam os anos na cultura Konkomba não se sabe bem sua idade. Julgamos que já esteja com mais de 80 anos e continua forte e uma inspiração para os mais jovens. Mebá é um destes homens impressionantes que ama a Jesus de todo coração, fala com a sabedoria da Palavra e evangeliza sempre. Ouvi-lo sempre aquece o coração e nos faz lembrar do que é essencial para a vida: seguir a Jesus.
Que o Senhor o abençoe e guarde.
Para assistir uma apresentação da nossa visita à Igreja Konkomba, clique aqui
Para baixar essa apresentação em pps, clique aqui
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Fonte: SEPAL
Visite também: http://www.ronaldo.lidorio.com.br
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
A Bíblia para os povos indígenas - Um depoimento
Salvador Sanches, líder do povo Kaiowá - localizado no Mato Grosso do Sul, Brasil - durante o lançamento da Bíblia completa em Guarani-Mbya, em Rio das Cobras, Município de Nova Laranjeira - PR.
Fonte: Sociedade Bíblica do Brasil - http://www.sbb.org.br/
sábado, 6 de dezembro de 2008
Os desafios do Haiti segundo um líder haitiano
esteve, em setembro, na Sede de Missões Mundiais. Ele falou sobre a realidade social e espiritual do seu país e dos esforços para evangelizar a nação. Ele desafiou os batistas brasileiros a somarem forças com os irmãos haitianos para juntos ganharem aquela pátria para Cristo.
O pastor haitiano trouxe várias informações e imagens sobre o seu país. Segundo ele, o atendimento às necessidades físicas das pessoas foi a grande estratégia usada pelos crentes para vencer as barreiras e evangelizar. Como nosso país foi amplamente explorado pelos colonizadores, sendo inclusive rota de navios negreiros, a mentalidade do haitiano é de temor, fraqueza, submissão, desconfiança. Una-se a esse fator histórico a questão da filosofia da religião vodu, amplamente difundida no Haiti, que de acordocom o Pr. Jonathan “aprisiona as pessoas pelo medo dos espíritos”.
através de nós e muitas vidas têm sido salvas”, analisa o Pr. Jonathan.
mais a Seleção Brasileira que os próprios brasileiros! E o Programa Esportivo Missionário (PEM) é uma excelente oportunidade para alcançarmos ainda mais pessoas para Jesus no meu país. Mas não
somente o trabalho com futebol e outros esportes, mas projetos de assistência social, educacional e teológico são importantes, pois carecemos de mais apoio na área de treinamento de liderança”, finaliza o pastor haitiano.
FONTE: Junta de Missões Mundiais da Conv. Batista Brasileira - http://www.jmm.org.br/
terça-feira, 15 de abril de 2008
Compartilhando a Alegria – Ronaldo Lidório
Revisando o livro Konkombas para uma reedição em breve, tive o privilégio de consultar alguns dos primeiros convertidos entre os Konkomba-Bimonkeln a fim de preparar um capítulo dedicado especificamente a testemunhos pessoais. Fiquei admirado e alegre ao receber relatos tão intensos de pessoas como Mebá, Labuer, Kidiik e Makanda. É a história contada pela ótica de quem a experimentou.
Makanda é um rapaz brilhante e sincero. Após sua conversão foi rapidamente apontado como presbítero pela igreja ainda germinante e pouco a pouco passou a cooperar com o trabalho de saúde que Rossana iniciava. Hoje é um dos mais respeitados líderes Konkombas da região e está a frente da clínica em Koni. A época de sua conversão é setembro de 1995, que ele aqui aponta como "a época do inhame puná, um ano após a grande chuva". A "luz" a que ele se refere no seu testemunho são os primeiros raios da manhã que, na cultura Konkomba, significa esperança, ou seja, um novo dia em que algo bom pode acontecer.
Vale a pena ler seu relato que transmite alegria e aquece a alma.
Ronaldo e Rossana
“Antes de sermos cristãos nós adorávamos um fetiche chamado babasu que se localiza na aldeia de Sibru. Meu pai era feiticeiro grumadii mas eu estava a procura de algo novo.
Nós críamos que ele poderia curar ou ajudar aqueles que se devotavam a ele. Apesar de grumadii ser o fetiche invocado em Koni, em minha mente babasu era merecedor de devoção pois havia ouvido inúmeras histórias sobre seu poder.
Certo dia viajei até Sibru para trabalhar nos campos de inhame do feiticeiro local, e ali permaneci até o dia do sacrifício. Há vários tipos de sacrifícios, mas naquela manhã ele sacrificaria galinhas. Elas eram mortas com uma pancada na cabeça e todos observavam atentamente a forma como cairiam no chão, finalmente imóveis. Se elas caíssem com as pernas para cima significa que o espírito havia rejeitado o sacrifício. Com as pernas para baixo havia sido aceito.
Neste dia o sacrifício foi aceito e o sangue foi derramado, cuidadosa e lentamente, sobre um altar de pedra, uma espécie de mesa de pedra negra. A cor escura, eu cria, era devido ao sangue que ali era derramado constantemente. Após a cerimônia o feiticeiro local deu-me uma castanha como sinal de que o sacrifício havia sido aceito, e conseqüentemente o espírito levaria em consideração meu pedido, que era de proteção da morte e prosperidade.
Quando retornei a Koni continuei a servir babasu participando de sacrifícios e cerimônias e fiz o nome de babasu bem conhecido em nossa aldeia. De certa forma eu seguia os passos de meu pai, que trouxe a adoração a grumadii para aquela região. Também comecei a beber bastante. Lembro-me, inclusive, que estava um pouco bêbado quando o homem branco chegou pela primeira vez em nossa aldeia. Crianças corriam e choravam e todos estávamos curiosos para ver a ‘banana descascada’, como o chamávamos.
Nos meses que se passaram, porém, o homem branco não nos deixou. Víamos que ele sofria por não saber nossa língua e parecia sempre muito cansado. Ele, entretanto, aprendeu nossa língua em alguns meses e certo dia, sentados embaixo de uma castanheira, ele começou a nos falar sobre Uwumbor, um deus antigo e criador, mas que críamos estivesse perdido. Lembro-me de meus questionamentos: se Uwumbor é Deus mais poderoso que os espíritos, porquê não se manifesta como fazem os espíritos ? Por outro lado eu pensava: se Uwumbor for Deus, criador e mais poderoso, talvez seja quem nós procuramos. Era sabido por cada um de nós que grumadii e babasu, entre outros espíritos, não nos amavam. Algo, porém, nos fazia vacilar: como um estrangeiro nos ensinaria sobre o nosso próprio Deus ? Não parecia ser algo para nós.
Os feiticeiros começaram a acusá-lo de ser mentiroso e enganador. Também de perigoso ao utilizar de forma errada nossas histórias antigas. Curiosamente o vice-chefe da aldeia, do clã Binaliib, guardadores de fetiches, protegia o homem branco. O vice-chefe era homem conhecido por sua paciência e sabedoria, enquanto o chefe e seus filhos eram afoitos e guerreiros. A simpatia do vice-chefe nos fez pensar que talvez houvesse alguma verdade em suas palavras.
Certo dia o homem branco viajou e disse que voltaria. Pensávamos que ele não regressaria pois nossa região era muito distante, cortada por muitos riachos e planícies até chegar à terra dos Dabomgas, de onde ele poderia ir para algum outro lugar. Mas ele regressou e trouxe sua esposa, que sorria muito. Pareciam estar gostando do lugar e de nosso povo. Porquê estariam ali ? Pensávamos assim: será que foram expulsos de seu povo e precisam de um lugar para ficar ? Alguns sentiam pena deles, especialmente quando chegava a noite e víamos que não conseguiam dormir muito bem. Sempre diziam que estava quente, mesmo no inverno! Dormiam no pátio da casa do vice-chefe. Lá havia muita gente e não tinha muito espaço mas ninguém mais os queria receber. O vice-chefe, porém, parecia gostar deles. Quando eles falavam nossa língua todos queriam correr para escutá-los. Falavam engraçado e nós ríamos muito.
Um dia eles compraram um cabrito e prepararam alimento para várias pessoas. Convidaram os feiticeiros para o banquete. Todos na aldeia estavam curiosos para saber o que aconteceria. Treze feiticeiros compareceram, inclusive meu pai. A comida parecia boa e todos gostavam da forma como os brancos os alimentavam e lhes serviam água nas cabaças, se aproximando dos anciãos de cócoras e com respeito. Mas ao fim eles pediram permissão para lhes falar que tinham em mãos algo que lhes explicavam exatamente quem era Deus. Um livro que era a história de Deus. Todos ficaram muito encantados e prestamos atenção como este livro nos ensinava como as coisas haviam sido criadas. Algumas coisas eram parecidas com nossas histórias, outras meio diferentes, mas com muitos detalhes.
Ao fim, porém, houve um grande tumulto quando eles falaram que este Deus (Uwumbor), que criou a todos, não estava distante. Estava ali conosco, em Koni, nos observando, e triste porque adorávamos aos espíritos como se fossem Deus. Vários feiticeiros gritaram desafiando-os se Uwumbor era maior que seus espíritos. Alguns foram embora e outros permaneceram ouvindo. Gostávamos dos brancos, mas o que falavam era difícil de ouvir. No fundo acho que todos sabíamos que os espíritos que adorávamos eram maus e maliciosos. Na verdade sabíamos. Talvez nossa reação fosse por temor. E alguns pensaram assim: como estes brancos nos falam sobre nossos espíritos? Temíamos que nossos espíritos estivessem nos observando e que seríamos punidos se não os defendêssemos. Assim alguns gritaram com raiva dos brancos, mas de fato não estavam com raiva. Era apenas para que os espíritos não os punissem. Uwumbor, por outro lado, segundo os brancos, não precisava de defesa. Era algo curioso que me deixou muito pensativo. Fui para a roça sozinho no dia seguinte.
Certo dia alguma coisa em minha mente passou a me dizer que suas palavras eram verdadeiras, e isto me levou a desejar ouvi-lo ainda mais. Alguns falavam em matá-los, especialmente através de algum veneno conhecido. Seria fácil matá-lo pois eles comiam nossa comida e tomavam da nossa água. Moravam, porém, com a família do vice-chefe, que era conhecido como um homem bom e possivelmente não apoiaria o envenenamento. Mas acho que ninguém jamais conversou com o vice-chfe sobre isto. Mas eu não conseguia parar de pensar no que ele falava e fiquei pensando que, se Uwumbor realmente nos criou talvez não esteja tão longe.
Certo dia eu o ouvi pregar no meio da aldeia, enquanto as pessoas passavam, sobre o poder de Deus, o tema favorito do homem branco nos primeiros meses. Já que ele estava vivo mesmo falando tão mal dos espíritos talvez os espíritos não fossem tão fortes assim como pensávamos. Mas naquele dia ele nos falou sobre a salvação em Jesus Cristo e nos explicou a cruz. Foi diferente imaginar este Jesus, filho de Deus, e Deus feito gente, naquela cruz. Porque não fugiu ? Eu ficava pensando. Era a época do inhame puná, um ano após a grande chuva.
Não posso explicar muito bem o que aconteceu nem o momento exato que passei a crer em Deus mas em um certo momento eu vi a luz de Jesus perto de mim, e um sentimento de liberdade tomou conta de mim. Daquele dia em diante eu passei a contar minha experiência com Cristo com uma música.
‘Antes eu não sabia onde estava Jesus,
e eu procurava por caminhos de salvação.
Quando eu vi Jesus eu vi a luz’.
Muitas coisas aconteceram comigo depois, mas algo que ficou marcado era que, de alguma forma, Jesus parecia ser parte do nosso povo. Algo escondido que sempre procurávamos. Quando fui a procura de babasu, no fundo quem eu procurava era Jesus. Quando outros vão atrás de babasu, na verdade procuram é a Jesus.
Daquele dia em diante quando alguém me perguntava sobre Jesus eu alegremente respondia: quando eu vi Jesus, vi a luz.”
E.mail: ronaldo.lidorio@terra.com.br
www.ronaldo.lidorio.com.br


