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sábado, 29 de outubro de 2016

Doenças que atingem 1 bi de pessoas: E ninguém se importa


Negligência
Com o impacto gerado pela epidemia do vírus zika, que se espalha para outras partes do mundo, parece fácil esquecer que centenas de milhões de pessoas nos países mais pobres ou em desenvolvimento sofrem de "doenças tropicais negligenciadas", ou DTNs.
Trata-se de um grupo de doenças tropicais endêmicas, especialmente entre populações pobres da África, Ásia e América Latina.
A negligência é das autoridades de saúde e das empresas farmacêuticas, que não veem essa parcela da população como mercado capaz de comprar medicamentos.
Surtos como o de zika, emergência internacional presente hoje em mais de 60 países e territórios, vêm e vão ao longo do tempo e ganham as manchetes da imprensa. Porém, silenciosamente, mais de 1 bilhão de pessoas em 149 países sofrem com as doenças tropicais negligenciadas.

DTNs
A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece 18 doenças como DTNs: dengue, raiva, tracoma, úlcera de Buruli, bouba, hanseníase, doença de Chagas, doença do sono, leishmaniose, teníase/neurocisticercose, dracunculíase, equinococose, trematodíases de origem alimentar, filariose linfática, oncocercose (cegueira dos rios), esquistossomose, helmintíases transmitidas pelo solo e micetoma.
No Brasil, a DTN que tem maior incidência, em números absolutos, é a dengue, segundo a entidade Médicos Sem Fronteiras - ainda que, mais recentemente, venha havendo um esforço consistente para o desenvolvimento de uma vacina. Outra doença preocupante em território nacional é a hanseníase (lepra): o Ministério da Saúde registrou cerca de 28 mil novos casos de infecção em 2015.
Diferentemente da infecção por zika ou ebola - ou da gripe aviária e da Sars, voltando um pouco no tempo -, há pouco risco de as DTNs se espalharem pelo mundo desenvolvido.
Os atingidos se concentram em áreas rurais remotas ou aglomerados urbanos, e a voz dessas pessoas quase não se faz ouvir pelo mundo.

Anos Vividos com Incapacidade
Nem todas as infecções por DTNs resultam em morte, mas conviver com elas pode ser debilitante. Uma maneira de medir o impacto de doenças na saúde da população é relacionar a duração média da enfermidade com sua gravidade, um indicador chamado Anos Vividos com Incapacidade (AVIs).


Embora a China e a Índia sejam os países mais afetados por DTNs, isso ocorre pelo tamanho das populações dessas nações. Ajustando a medição por população, países africanos, do Sudeste Asiático e pequenos arquipélagos como Kiribati e ilhas Marshall se destacam como as áreas mais atingidas.
Na República Democrática do Congo, um dos países mais afetados, o Instituto para Métricas Médicas e Avaliações, centro de pesquisa da Universidade de Washington, disse que apenas em 2013 houve mais de 8 milhões de casos de apenas uma DTN, a oncocercose ou cegueira dos rios, resultando em 500 mil AVIs.
oncocercose é uma doença parasitária crônica transmitida por mosquitos que carregam o nematódeo Onchocerca volvulus. No corpo humano, essas larvas se tornam vermes adultos que podem causar cegueira, lesões cutâneas, coceira intensa e despigmentação da pele quando os vermes morrem.

Avanços e retrocessos
Apesar de a oncocercose ser uma das DTNs mais disseminadas, muitos países a controlaram pela aplicação de inseticidas, e houve uma queda de 24% de 1990 a 2013 nos AVIs causados pela enfermidade no mundo.
Há outros casos bem-sucedidos. Infecções intestinais por nematódeos, como aquelas causadas por vermes em forma de gancho, registraram a maior queda entre as DTNs - 46% até 2013. Já o chamado verme-da-Guiné, causador da dracunculíase, está quase erradicado.
Mas enquanto a maioria das DTNs registram prevalência menor em 2013 do que em 1990, algumas estão em alta, e certas doenças possuem um potencial de estrago maior do que as enfermidades que estão recuando.
leishmaniose é uma delas: Cerca de 12 milhões de pessoas estão infectadas, e houve um aumento de 136% nos AVIs desde 1990. E o caso mais preocupante é da dengue, doença conhecida dos brasileiros, mas distante do mundo desenvolvido. Segundo a OMS, há registro de cerca de 390 milhões de casos de dengue no mundo por ano, e 96 milhões desses casos resultam em doenças com alguma severidade. Houve aumento superior a 600% nos AVIs causados pela dengue desde 1990.

BBC

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Uma coleção de mapas inusitados para aumentar sua visão de mundo

Países que possuem população menor que a cidade de Xangai (China).




Marcas de carro mais procuradas nos países.


Mapa das principais doenças que acometem as populações dos continentes. Para cada doença ou grupo de doenças, a autora do mapa representou ilustrou o mapa com a célula do coro humano correspondente. América do Norte: células de gordura (tecido adiposo), em virtude da epidemia de obesidade. Europa e a Rússia: tecido cerebral, em virtude das doenças neurodegenerativas que afetam principalmente a população com idade avançada. Ásia Oriental e a região do Oceano Pacífico: Tecido pancreático, que, quando em disfunção, pode resultar em diabetes. África: Células do sangue, representando as doenças que mais vítimas fazem no continente – a malária e o HIV.  Brasil e o restante da América do Sul: Células pulmonares em virtude das mortes causadas pelo tabagismo e infecções respiratórias.
Mapa: Odra Noel



A Gallup fez uma pesquisa em 136 países a respeito da quantidade de amor que as pessoas percebiam em suas próprias vidas. A pergunta foi "Você experimentou amor durante grande parte do dia de ontem?".



Mapa representando os nomes das moedas dos países.



População do Sul/Sudeste asiático.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

OS MOSQUITOS MAIS PERIGOSOS DO MUNDO

O maior responsável por mortes de seres humanos é um animal minúsculo. Em todo o mundo existem 3,5 mil espécies de mosquitos. Um panorama dos mais letais, a serem evitados de todo jeito. Mais de 1 milhão de pessoas morrem a cada ano de doenças transmitidas por mosquitos — fato que torna esses insetos os seres mais mortíferos do mundo. Aprenda mais sobre os gêneros mais nocivos, seus habitats, padrões de alimentação e áreas de disseminação.

Anopheles, transmissor da malária
Existem mais de 460 espécies do gênero Anopheles, também conhecido como o “mosquito da malária”. Cerca de 20% delas são capazes de propagar entre humanos o plasmódio, protozoário causador da doença. A fêmea dissemina a malária quando pica uma pessoa infectada para sugar seu sangue e passa o parasita letal às vítimas seguintes.
Este gênero de mosquito é facilmente identificável pelas listras pretas e brancas nas asas. Ele está disseminado por praticamente todo o mundo, com exceção da Antártica. Embora hoje em dia a malária se restrinja às zonas tropicais, sobretudo a África Subsaariana, muitas espécies de Anopheles gostam de climas mais frios e se reproduzem neles. Focos de água parada, limpa e sem poluição são paraísos reprodutivos para o Anopheles.

A malária é uma doença sanguínea que não é contraída no simples contato com indivíduos infectados, mas pode ser transmitida por meio de agulhas contaminadas ou transfusões de sangue. Há mais probabilidade de sintomas graves ou fatais em idosos, pacientes com o sistema imunológico debilitado, crianças, gestantes e viajantes originários de regiões onde a doença não ocorre e, portanto, menos resistentes a ela.
Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que uma criança morra de malária a cada minuto, em nível global, apesar de o total de casos ter caído 47% nos últimos 15 anos. Foram desenvolvidos medicamentos antimalária, mas ainda não existe uma vacina contra a doença.

Aedes, transmissor da dengue, encefalite japonesa, zika e febre amarela
O Aedes é o mais invasivo dos três gêneros mais nocivos de mosquitos. Ele é transmissor frequente de infecções virais como a dengue, febre amarela e zika. Assim como o Anopheles, o Aedes é originário de regiões tropicais e subtropicais, mas pode ser encontrado atualmente em todos os continentes, exceto a Antártica. Ele se distingue por marcas brancas e pretas bem perceptíveis nas pernas e costas. Ao contrário dos demais, o gênero Aedes tem atividades diurnas.
Antes presente exclusivamente em habitats aquáticos,ele se adaptou aos ambientes rurais, suburbanos e urbanos. A OMS aponta que o Aedes se espalhou da Ásia para a África, as Américas e a Europa nas últimas décadas, sobretudo devido ao comércio de pneus usados, com a água da chuva concentrada em muitos deles propiciando a postura de ovos.
Encefalite japonesa: Transmitida a seres humanos, porcos domésticos e pássaros selvagens, a encefalite japonesa é uma infecção viral que resulta numa inflamação do cérebro. Em geral os pacientes apresentam febre moderada ou dores de cabeça, mas nos casos severos a infecção pode ser fatal.
Febre amarela: Segundo a OMS, mosquitos do gênero Aedes são responsáveis pelo contágio de quase 200 mil pessoas por ano com a febre amarela. Essa infecção viral hemorrágica aguda se manifesta nas áreas tropicais e sub-tropicais da América do Sul e África. Mais de 30 mil pessoas não vacinadas sucumbem anualmente a ela.

Dengue: Após a infecção, os portadores da dengue se tornam transmissores e multiplicadores, tendo os mosquitos como vetores. O vírus circula na corrente sanguínea humana por dois a sete dias, período em que o paciente poderá apresentar febre. Uma vez recuperado, ele se torna permanentemente imune à cepa do vírus da dengue que contraiu.
Vírus zika: Apenas uma em cada cinco pessoas infectadas pelo vírus zika apresenta sintomas que podem incluir náusea, irritabilidade, urticária, conjuntivite e fortes dores nos músculos e articulações. Em casos mais raros, é necessário hospitalização.
Embora menos de 0,01% de todos os casos registrados até o momento tenham sido fatais, o vírus representa risco sanitário grave. Os Centros de Controle e Prevenção (CDC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos divulgaram que o zika estaria relacionado a picos de microcefalia, defeito congênito caracterizado por uma caixa craniana menor do que o normal, além de eventuais danos cerebrais permanentes.
No início de fevereiro de 2016, a OMS declarou emergência sanitária global devido à grande incidência de microcefalia no Brasil. Segundo os CDC, em 2015 foram registrados no país 30 vezes mais casos de zika do que nos demais anos desde 2010. Em consequência, o órgão desaconselhou as gestantes de viajarem tanto para o Brasil como para a Colômbia, El Salvador, Guiana Francesa, Guatemala, Haiti, Honduras, Martinica, México, Panamá, Paraguai, Porto Rico, Suriname e Venezuela.
Ainda não existe tratamento contra o zika, mas a empresa alemã Genekam desenvolveu um teste que revela a existência de patógenos do zika em amostras de sangue.

Culex, transmissor da febre do Nilo Ocidental, encefalite japonesa, elefantíase e possivelmente zika
Conhecido como mosquito caseiro comum, o Culex geralmente prefere sugar o sangue de pássaros ao humano, saindo para se alimentar ao amanhecer e entardecer. O gênero, que inclui mais de mil espécies, não é considerado tão perigoso para a saúde humana quanto o Anopheles e o Aedes.
Apesar de não ser o principal transmissor de moléstias potencialmente fatais como a malária, febre amarela ou a dengue severa, o inseto de cor parda pode disseminar uma variedade de outras doenças bastante graves, como a febre do Nilo Ocidental, elefantíase e encefalite japonesa.
Febre do Nilo Ocidental: Ao longo da última década, houve um acréscimo das ocorrências desta febre, sobretudo em países onde seu agente patogênico não era tão comum, como os Estados Unidos, Grécia e Rússia. O vírus é característico de zonas temperadas e tropicais. Os que o contraem em geral ignoram que estão infectados, pois ele não costuma provocar sintomas. Atualmente não existe uma vacina contra a febre do Nilo Ocidental.

Elefantíase: Enquanto os surtos de febre do Nilo aumentaram, caiu o número de casos de elefantíase. Esta doença causada por vermes nematoides e transmitida por mosquitos já fez dezenas de milhões de vítimas pelo mundo, deixando muitas incapacitadas. Mais frequente na África, Ásia e Pacífico, a contaminação com o parasita provoca danos severos aos sistemas imunológico e linfático. Doença dolorosa e desfigurante, em parte dos casos a elefantíase permanece despercebida por muitos anos.
Vírus zika: Embora o Aedes seja o único vetor comprovado do vírus zika, os cientistas estudam agora se o Culex não seria também responsável pelo aumento do número de infecções. O fato de esse gênero de mosquito ser 20 vezes mais frequente no Brasil do que as espécies de Aedes explicaria a intensidade do surto no país. Pesquisadores da Fiocruz observam que, se o Culex for realmente um transmissor do zika, conter o vírus poderá ser “mais difícil do que se pensava”.
Autoria – Jessie Wingard

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Zika deverá se espalhar pelas Américas, adverte OMS


Zika nas Américas
A Organização Mundial de Saúde (OMS) acredita que o vírus zika se espalhará por todo o continente americano. Até agora, 21 países, sobretudo o Brasil, já registraram casos do vírus desde maio.
Segundo a OMS, a falta de imunidade natural nas Américas seria um dos fatores determinantes para a velocidade com que o vírus está se espalhando.
Em um comunicado oficial, a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço continental da OMS, afirmou que a doença só não atingirá os países em que não há presença do Aedes aegypti - o Chile e o Canadá.
"A Opas prevê que o vírus zika continuará a avançar e provavelmente alcançará todos os países e territórios na região onde mosquitos Aedes são encontrados", diz a organização.
Isto, porém, apenas se epidemiologistas não confirmarem a possibilidade de transmissão sexual do vírus: a Opas confirmou que o zika foi detectado em amostras de sêmen e diz haver o que chamou de pelo menos um possível caso de transmissão sexual - mas a entidade diz que ainda são necessárias mais evidências dessa forma de transmissão.
Gestantes 'especialmente cuidadosas'
A Opas engrossou o coro de entidades preocupadas com os casos de microcefalia associados ao zika e recomendou que gestantes "sejam especialmente cuidadosas" e consultem um médico antes de visitar áreas afetadas pelo vírus - ainda que os médicos não disponham de informações adicionais que possam embasar qualquer decisão.
Nos últimos dias, autoridades de saúde de Colômbia, Equador, El Salvador e Jamaica emitiram comunicados recomendando que mulheres adiassem os planos de engravidar - os salvadorenhos, por exemplo, querem moratória até 2018.
Microcefalia
Os sintomas mais comuns da zika são febre e erupção cutânea ou urticária, muitas vezes acompanhados por conjuntivite, dores musculares ou nas articulações. O mal-estar começa entre dois e sete dias após a picada de um mosquito infectado.
Mas cerca de 80% das infecções pelo zika são assintomáticas, o que também dificulta o diagnóstico.
No Brasil, estão sendo investigados cerca de 4 mil casos suspeitos de bebês que podem ter microcefalia associada à infecção com o vírus zika nas mulheres grávidas.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

O que falta para que o mundo vença a malária?


O Brasil tem-se destacado nas ações de combate àmalária e caminha rumo à eliminação da doença que ainda mata no mundo cerca de meio milhão de pessoas anualmente - a maioria crianças menores de 5 anos.
A análise foi feita por Keith Carter, da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) - vinculada à Organização Mundial de Saúde (OMS).
"O Brasil tem conseguido reduzir significativamente a transmissão de malária em seu território e representa um grande exemplo para o mundo. Claro que ainda há obstáculos a serem vencidos, especialmente nas áreas de fronteira. Já a Venezuela, onde o número de casos cresce a cada ano, é hoje o maior desafio do continente", disse Carter.
A concessão do Prêmio Nobel de Medicina de 2015 para Youyou Tu, a descobridora daquela que é praticamente a única droga existente contra a malária, reacendeu as esperanças de que a doença seja menos negligenciada no futuro.
DDT em todas as casas
O representante da Opas lembrou que, no início do século 20, a enfermidade transmitida pela picada dos mosquitos do gênero Anopheles estava disseminada em praticamente todo o planeta. Em meados da década de 1950 - apenas alguns anos após a criação da OMS - teve início a primeira campanha global para erradicação da malária, que tinha como principal arma o inseticida DDT (diclorodifeniltricloroetano).
A ideia era dedetizar todas as casas, de todos os países, de modo a reduzir a densidade do mosquito vetor a um ponto que a cadeia de transmissão fosse interrompida.
Isso pode parecer estranho hoje, depois que o DDT foi banido mundialmente por causar câncer e interferir em larga escala com a vida animal - mas o inseticida era barato e eficaz a curto prazo, com os pesquisadores da época endossando largamente seu uso para combater a doença.
O programa conseguiu eliminar a doença principalmente na Europa e na América do Norte, bem como reduzir o número de casos em outras regiões. Mas a erradicação efetiva não ocorreu tão rapidamente quanto se esperava e as fases de consolidação e manutenção se mostraram mais caras e demoradas do que o estimado.
"Em meados dos anos 1960, começaram a faltar recursos para dar continuidade aos esforços. Nas duas décadas seguintes o assunto caiu no esquecimento e o número de casos voltou a crescer", contou Carter.
Recidiva
Na avaliação da brasileira Márcia Castro, professora da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard (EUA), vários motivos explicam o fracasso da iniciativa.
"Em primeiro lugar, a cobertura não foi integral e mosquito não respeita barreira geográfica. Se você trata uma área, mas não todas, ele volta após algum tempo. Ficaram de fora da iniciativa, por exemplo, os países da África subsaariana, região onde até hoje concentra-se a maioria dos casos. Em muitos locais o acesso às casas era difícil por falta de estradas e falta de equipes de saúde bem estruturadas", afirmou Márcia.
Além disso, com o passar dos anos, os mosquitos foram adquirindo resistência ao inseticida e isso tornou inviável a proposta de reduzir a densidade vetorial a ponto de interromper a transmissão - meta que se tornou ainda mais difícil de ser alcançada uma vez que nem todos os pacientes estavam sendo tratados e, portanto, permaneciam como reservatórios do parasita causador da enfermidade.
Erradicação da pesquisa
De acordo com Márcia, a iniciativa da OMS não só falhou em erradicar a malária como teve um efeito colateral nefasto: erradicou a pesquisa sobre a doença e o treinamento de profissionais de saúde em praticamente todo o mundo.
"Eles achavam que o DDT sozinho resolveria o problema, então não seria preciso treinar pessoas ou investir na busca de novas estratégias de controle e de novos medicamentos. Pensavam ser desnecessário estudar a ecologia das regiões endêmicas ou a biologia do parasita e do mosquito vetor", disse a professora.
A retomada só ocorreu nos anos 1990, disse Márcia, quando muitos países se deram conta de que a malária não era apenas uma questão de saúde pública, mas um entrave ao desenvolvimento econômico. E era o início da globalização.
"Nos anos 1990, a tônica passou a ser o controle do número de casos para que a malária deixasse de ser um problema de saúde tão dramático. Já não se falava mais em erradicação (zero casos no mundo) ou eliminação (zero casos em uma região). Foi então adotada uma combinação de medidas, que inclui controle vetorial, diagnóstico e tratamento precoce dos pacientes", explicou.
Desafios para erradicar a malária
Mas, segundo os especialistas, ainda são grandes os desafios a serem superados para, ao menos, manter a malária sob controle e isso só será possível por meio de investimento em pesquisas.
"A melhor droga antimalárica que temos hoje é a artemisinina e já há casos de resistência no sudeste da Ásia, onde ela foi muito usada. Não sabemos ao certo se a resistência já chegou à África e temos um grande receio de que ela se espalhe, pois não temos outra droga tão potente em mãos", disse Márcia.
Além de novos medicamentos, a professora de Harvard ressalta a necessidade de desenvolver novos produtos para tratar mosquiteiros e borrifar as casas, pois também já há resistência aos inseticidas atualmente usados.
"O mosquito parece estar sempre dois passos à nossa frente. Ele se adapta tanto em termos de desenvolver resistência como em termos de comportamento. Os livros sobre malária dizem que o Anopheles só se reproduz em águas limpas, mas larvas já foram encontradas em águas poluídas. Os livros dizem que ele pica dentro de casa, à noite, mas na Amazônia ele passou a atacar fora de casa, em dois picos: no início da noite e no início da manhã, quando as pessoas estão indo e voltando do trabalho", relatou Márcia.
Também são necessários, segundo os especialistas, novos métodos de diagnóstico que permitam identificar portadores assintomáticos da doença. Bem como métodos que permitam diagnosticar a forma latente da malária causada pelo parasita da espécie Plasmodium vivax, a mais prevalente na Amazônia brasileira, que pode provocar recaídas meses após a infecção primária.

sábado, 25 de julho de 2015

Financiada por Bill Gates, 1ª vacina para malária é aprovada


São Paulo - A primeira vacina contra malária do mundo foi aprovada no último grande teste antes que sua aplicação em seres humanos seja autorizada.
A Agência Europeia de Medicamentos, órgão regulador da União Europeia, aprovou a vacina, afirmando que seu uso é seguro e eficaz em bebês. A Organização Mundial de Saúde deve decidir até o final do ano se recomenda o uso da vacina em seres humanos.
A vacina “RTS,S”, também conhecida como Mosquirix, é produzida pela farmacêutica britânica GlaxoSmithKline e foi parcialmente financiada pela Fundação Bill & Melinda Gates.

Ela não é a única que promete combater a malária. Pesquisadores descobriram que uma vacina ainda experimental chamada “PfSPZ” é ainda mais eficiente na prevenção da infecção.
A Mosquirix, porém, é a primeira que consegue chegar ao final do processo de aprovação.
O Mosquirix impede que o paciente seja infectado pelo Plasmodium falciparum, um dos parasitas mais fatais da malária. A vacina estimula no organismo a produção de uma quantidade maior de anticorpos que impedem que esse parasita infeccione o fígado do paciente.
A RTS,S foi criada especificamente para combater a infecção em crianças e seu uso não é recomendado em adultos ou pessoas que estão viajando para regiões de risco.
A eficácia da vacina, porém, gera polêmica na comunidade médica. Os primeiros resultados de um teste clínico da Mosquirix mostraram que três doses da vacina podem diminuir pela metade o risco de infecção em crianças com entre cinco e 17 meses de idade.
Mas, em bebês com entre seis e 12 semanas de vida, a possibilidade de infecção caia apenas 30%. E pior: em crianças mais velhas, a vacina se mostrou inútil.
Por isso, alguns cientistas consideram que os altos custos associados a uma vacina tão complexa não justificariam sua baixa eficácia.
Os defensores da vacina ressaltam que a África precisa urgentemente de uma vacina para a malária, mesmo que ela seja apenas parcialmente eficaz.
A doença mata mais de 500 mil pessoas todos os anos e metade da população mundial vive em regiões onde há risco de infecção.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Documento sobre ebola para profissionais de saúde está disponível em português


O Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, em Portugal, traduziu para a língua portuguesa o documento informativo do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) sobre o ebola.
O documento tem por objetivo contribuir para o esclarecimento dos profissionais de saúde sobre a doença provocada pelo vírus ebola.
O texto aborda temas como epidemiologia da doença, formas de transmissão, diagnóstico, controle e prevenção da infecção, entre outros.
Criado em 2005 e com sede em Estocolmo, na Suécia, o ECDC é a agência da União Europeia que tem como responsabilidade reforçar as defesas da Europa em face das doenças infecciosas.
O Instituto de Higiene e Medicina Tropical também disponibiliza outros documentos de referência em uma página específica para a doença em seu site. Entre elas, uma série de respostas a perguntas frequentes e uma lista de controle de preparação para a doença do vírus ebola.
texto sobre o vírus ebola pode ser lido diretamente. Os demais documentos podem ser consultados no endereço: 
http://www.ihmt.unl.pt/?lang=pt&page=actualidade&subpage=noticias&m2=579.
Fonte: http://www.diariodasaude.com.br/

sábado, 18 de outubro de 2014

Saiba como evitar o contágio por ebola


Com mais casos de ebola sendo registrados fora do epicentro do atual surto, o risco de contágio tem aumentado.
Por outro lado, especialistas têm aprendido mais sobre como conter o vírus, que já infectou cerca de 7,5 mil pessoas só na África Ocidental.
Casos também foram registrados na Espanha e nos Estados Unidos - onde uma pessoa morreu -, e um suspeito foi registrado no Brasil, mas o exame apontou resultado negativo.
Evite o contato
O ebola é transmitido pelo contato direto com fluidos corpóreos: sangue, saliva e vômito podem transportar o vírus.
Parentes dos pacientes e os profissionais de saúde que os tratam são os indivíduos em maior situação de risco. Porém, qualquer pessoa que se aproxime de infectados por ebola está em risco.
Por esta razão, o contato deve se restringir a situações de cuidados médicos essenciais e sempre mediante precauções, como usar a roupa de proteção completa.
O vírus não consegue penetrar a vestimenta, que inclui máscara, luvas, óculos de proteção, macacão de corpo inteiro e botas de plástico - mas poucas pessoas têm acesso a esse equipamento tão avançado.
Quem usar a roupa completa precisa trocá-la a cada 40 minutos. Colocar todas as peças leva cinco minutos - tirá-las leva, com a ajuda de outra pessoa, 15 minutos. Durante esse processo, as pessoas estão mais suscetíveis ao contágio com ebola, por isso são descontaminadas com cloro.
A temperatura interna dentro do uniforme pode chegar a 40 graus centígrados.
Cubra os olhos
Se uma gota de fluido infectado cair na pele, pode ser lavada imediatamente com água e sabão ou gel antibacterianos.
Já os cuidados com os olhos são mais complicados. Um espirro que atinja o olho pode transportar o vírus para dentro do corpo, o que torna obrigatório o uso de óculos com fechamento lateral.
De forma semelhante, as membranas mucosas da boca e de dentro do nariz são áreas vulneráveis.
Cuidados com a lavanderia
Um dos sintomas mais marcantes do ebola é o sangramento. Os pacientes podem sangrar pelos olhos, ouvidos, nariz, boca e reto. Vômitos e diarreias também podem ser carregados de sangue.
Assim, lavar as roupas se torna um risco. Qualquer lavanderia ou outro dejeto clínico é incinerado. Equipamentos médicos que podem ser reutilizados são esterilizados.
Sem essas medidas, o vírus pode continuar vivo e a transmissão pode se amplificar.
Gotas diminutas em uma superfície que não tenha sido totalmente limpa também são um risco. Ainda não se sabe quanto tempo o vírus pode permanecer vivo e continuar representando uma ameaça. O vírus da gripe e outros germes podem continuar vivos por duas horas ou mais em superfícies como mesas, maçanetas e escrivaninha.
A auxiliar de enfermagem espanhola confirmada com ebola contou ter entrado duas vezes no quarto de um dos dois pacientes que estava ajudando a tratar - primeiro, para ajudar a tratar o paciente, e depois para desinfetar o ambiente após a sua morte.
Nos dois casos, ela usou o equipamento protetor completo. Acredita-se que ela tenha sido infectada quando tirou a roupa.
Água e sabão ou gel antibacteriano rapidamente rompem a cápsula que envolve o vírus. Um método de descontaminação facilmente acessível em regiões remotas é o uso de detergentes diluídos em água.
Preservativos
Em tese, quem se recupera de uma infecção por ebola não tem mais a capacidade de passar a doença adiante.
No entanto, o vírus já foi encontrado no sêmen de um paciente três meses depois de ele ter sido declarado curado.
Por esta razão, médicos dizem que os pacientes que se recuperarem do contágio devem evitar as relações sexuais durante três meses ou usar preservativos.

domingo, 13 de julho de 2014

O que é Ebola?

O que é Ebola?
O vírus Ebola, que tem uma estrutura filamentosa, é enorme, medindo 14 micrômetros de comprimento e 80 nanômetros de diâmetro.[Imagem: Wikipedia]
O que é Ebola?
ebola é um dos vírus mais mortais do planeta porque mata até 90% das pessoas infectadas.
Ele foi identificado pela primeira vez em 1976 no Zaire, atual República Democrática do Congo, nas proximidades do rio Ébola, que lhe deu o nome.
O vírus causa uma doença conhecida como febre hemorrágica ebola.
Não há vacina ou cura. O vírus se espalha através do contato com fluidos corporais de uma pessoa infectada, causando febre, diarreia e sangramentos.
Os sintomas iniciais incluem febre repentina, fraqueza intensa, dores musculares e dor de garganta.
A seguir, surgem vômito, diarreia e, em alguns casos, sangramento interno e externo, com interrupção do funcionamento dos órgãos.
Os humanos pegam o vírus por meio do contato próximo com animais infectados, incluindo chimpanzés, antílopes florestais e morcegos frutíferos - estes últimos são uma iguaria na Guiné, onde a surgiu o atual surto.
Em seguida, o ebola se espalha de uma pessoa para outra, por contato direto com sangue contaminado, fluidos corporais ou órgãos, ou indiretamente, através do contato com ambientes contaminados.
Até mesmo os funerais das vítimas do ebola pode ser um risco, se os enlutados tiverem contato direto com o corpo do falecido.
O período de incubação do vírus pode durar de dois dias a três semanas, e o diagnóstico é difícil.
Pessoas podem transmitir a doença enquanto o vírus permanecer em seu sangue e secreções - o que pode elevar até sete semanas depois da recuperação.
Onde o ebola ataca?
A febre hemorrágica ebola até agora tem ficado restrita essencialmente à África. Surtos de ebola ocorrem principalmente em aldeias remotas na África Central e Ocidental, perto de florestas tropicais, segundo a OMS.
Os países afetados com mais frequência estão mais ao leste desta área: a República Democrática do Congo, Uganda e Sudão.
Mas o surto que está acontecendo agora é incomum, porque está concentrado na Guiné, um país que nunca tinha sido afetado pela doença, e está-se espalhando para áreas urbanas, tendo inclusive chegado à capital, Conakry, onde vivem dois milhões de pessoas.
A entidade Médicos Sem Fronteiras (MSF) diz que o surto é "sem precedentes" pois os casos estão espalhados em vários locais em toda a Guiné.
Como se prevenir contra o ebola?
A OMS orienta evitar o contato com pacientes infectados por ebola e seus fluidos corporais. Não se deve tocar em nada que poderia ter sido contaminado, como toalhas compartilhadas.
Quem cuidar do doente deve usar luvas e equipamento de proteção, tais como máscaras, e lavar as mãos regularmente.
A OMS também adverte contra o consumo da carne de caça crua e qualquer contato com morcegos ou macacos.
Mas o ministro da Saúde da Libéria foi além, aconselhando as pessoas a parar de ter relações sexuais, além da orientação de não apertar as mãos ou dar beijo. A OMS não se manifestou sobre essas orientações.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Vacina contra Doença de Chagas mostra elevada eficácia



Poucos dias depois que uma equipe de cientistas apresentou uma potencialcura para a Doença de Chagas, outro grupo agora promete uma vacina contra a doença.
A formulação, chamada asTcVac3, ofereceu mais de 90% de proteção contra a infecção crônica nos testes realizados em camundongos infectados com o Trypanosoma cruzi.
A equipe da Universidade do Texas (EUA) afirma que seu fármaco poderá ainda interromper os danos irreversíveis ao coração, causados pela Doença de Chagas, em cerca de 30% das pessoas já infectadas.
"Isto marca um grande avanço científico - uma vacina com uma eficácia sem precedentes para uma doença parasitária sem cura para os infectados crônicos," disse Nisha Garg, uma das autoras da pesquisa, publicada na revista científica PLOS One.
"Se essa vacina se mostrar prática, ela poderá ser aprovada em cerca de cinco anos para uso em cães, que são os hospedeiros reservatórios da doença," disse a pesquisadora.
Mais do que isso, o estudo mostra que uma vacina contra a Doença de Chagasé factível, algo considerado impossível há cerca de 10 anos - muitos pesquisadores acreditam que a doença é resultado de um efeito autoimune, gerado pelo sistema imunológico do próprio paciente.
O fármaco TcVac3 foi produzido a partir de análises computacionais e de bioinformática, que rastrearam o genoma do T. cruzi em busca de potenciais antígenos para destruir o parasita.
Os testes em cães já começaram, e a equipe também está trabalhando em novas análises in vitro, usando células de pacientes infectados.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Nem todas as malárias são iguais



Malária benigna e malária maligna
Em razão dos grandes investimentos em pesquisa e desenvolvimento de vacinas realizados por instituições filantrópicas internacionais, avançou-se muito nos últimos anos no conhecimento sobre oPlasmodium falciparum - uma das principais espécies causadoras de malária.
Já estudos sobre a espéciePlasmodium vivax - responsável por 85% dos casos de malária registrados no Brasil e 50% dos na Ásia - ficaram relegados a segundo plano.
Diferentemente do Plasmodium falciparum, o P. Vivax não causa mortalidade, supostamente não é resistente às drogas e é impossível cultivá-lo em laboratório, o que dificulta a pesquisa de sua biologia.
Nos últimos dez anos, no entanto, começaram a surgir no mundo inteiro - inclusive no Brasil - casos de pacientes diagnosticados com malária causada por P. Vivax que começaram a apresentar complicações de saúde e, em alguns casos, chegaram a óbito.
A fim de aumentar a compreensão sobre o parasita - até então considerado benigno -, grupos de pesquisa na Austrália, nos Estados Unidos, em Cingapura e no Brasil estão se voltando para seus estudos.
Os esforços de pesquisa, no entanto, estão aquém do necessário, alertam os malariologistas.
"É preciso aumentar os investimentos em pesquisa sobre Plasmodium vivaxporque se sabe pouquíssimo sobre ele no mundo, em parte em razão das dificuldades técnicas para estudá-lo, como a impossibilidade de cultivo," disse Fábio Trindade Maranhão Costa, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "Cada vez mais tem aumentado a letalidade do parasita e já foi reportado que ele apresenta quimiorresistência [resistência a fármacos]."
Similaridades entre vivax e falciparum
De acordo com Fábio, os primeiros casos de agravamento de quadro clínico de pacientes com malária causada por Plasmodium vivax no Brasil foram relatados por pesquisadores da Fundação de Medicina Tropical de Manaus (Amazonas) - cidade que, com Porto Velho (Rondônia) e Cruzeiro do Sul (Acre), é responsável por 20% dos casos de malária no país.
De modo a conseguir obter amostras do parasita dos pacientes e poder fazer ensaios no prazo máximo de 48 horas - o tempo de vida do patógeno fora do hospedeiro -, o pesquisador iniciou há quatro anos uma colaboração com o grupo de Manaus.
Uma das descobertas feitas pelo grupo foi que, apesar de o Plasmodium vivaxser genética e morfologicamente muito diferente do Plasmodium falciparum, eles possuem algumas características de patogênese similar.
Os pesquisadores brasileiros demonstraram que o parasita também tem a capacidade de aderir aos endotélios pulmonar e cerebral e à placenta.
"Essa descoberta foi muito importante porque, até então, havia um entendimento de que só o Plasmodium falciparum poderia ter essa capacidade adesiva porque apenas ele é letal", afirmou Fábio.
"Percebemos também que, apesar das complicações de saúde causadas por eles serem em um determinado momento parecidas, de modo geral, os fatores que causam essas complicações parecem ser bastante distintos", afirmou.
Diferenças entre vivax e falciparum
Segundo Fábio, uma das diferenças entre os dois parasitas é que, quando se trata rápido o paciente com malária causada por Plasmodium falciparum, é possível controlar indiretamente a transmissão da doença. Já no caso de malária causada por Plasmodium vivax, não.
Dessa forma, é possível diminuir significativamente os casos de malária porPlasmodium falciparum. No caso da doença causada por Plasmodium vivax, não se pode controlá-la na mesma proporção, mesmo se houver um bom atendimento médico.
"Isso faz com que no Brasil, onde o atendimento médico vem melhorando ao longo dos anos, a maioria dos casos atuais de malária seja causada porPlasmodium vivax", explicou Fábio.
Na Ásia, de acordo com o pesquisador, o Plasmodium vivax é responsável por cerca da metade dos casos de malária na região. A tendência, no entanto, é que ele supere o número de casos da doença por Plasmodium falciparum.
"Existe malária causada por Plasmodium vivax, por exemplo, na fronteira entre a Coreia do Norte e a do Sul, ao lado do Japão", disse Fábio. A transmissão do parasita pode ocorrer em temperaturas mais amenas, além de apresentar formas dormentes no fígado.
Vacina contra malária
Atualmente, o grupo de pesquisadores brasileiros investiga outras características de patogênese do Plasmodium vivax e a relação de alguns aspectos com a biologia do parasita, o que inclui sua infectividade.
Algumas das questões para as quais eles pretendem encontrar respostas é qual a relação com a capacidade do parasita aderir aos endotélios pulmonar e cerebral e à placenta e sua biologia.
"O Plasmodium falciparum, por exemplo, infecta qualquer célula do sangue. Já o Plasmodium vivax infecta só os eritrócitos jovens, que nós chamamos de reticulócitos", comparou Fábio.
Recentemente, os cientistas, em colaboração com colegas de Cingapura, conseguiram desenvolver uma metodologia capaz de fazer com que, quando o parasita rompe a célula consiga penetrar em outro reticulócito.
Os resultados do estudo foram publicados na revista Blood e podem auxiliar no desenvolvimento de uma vacina para tratamento da malária causada porPlasmodium vivax.
"Algumas das questões que estudamos tem aplicabilidade direta no desenvolvimento de uma vacina que seria capaz de inibir essa penetração do reticulócito pelo Plasmodium vivax e quais moléculas fazem parte deste processo", disse Fábio.
Em locais com casos de malária por Plasmodium vivax, a doença é tratada com medicamentos diferentes. No Brasil, o tratamento preconizado é com cloroquina. A droga, no entanto, não é mais utilizada para o tratamento de malária causada por Plasmodium falciparum porque o patógeno apresenta quimiorresistência a ela.
"A cloroquina é uma droga barata, conhecida, bem estudada e que, inclusive, tem aplicabilidade contra infecções virais", disse Fábio.
"Como ela foi utilizada amplamente no pós-guerra, de maneira não controlada, no entanto, o Plasmodium facilparum apresenta quimiorresistência a ela", explicou.
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