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quarta-feira, 6 de abril de 2016

Oito mapas que definem peso do Brasil no mundo

Compilado pelo departamento de pesquisa do Bank of America Merrill Lynch, o "Transforming World Atlas" ("Atlas do Mundo em Transformação") identifica as tendências econômicas mundiais por meio de um conjunto de mapas.
Os dados abaixo foram baseados na segunda edição do estudo do banco americano, publicada no início deste mês.
A BBC Brasil selecionou oito mapas que ajudam a definir o peso do Brasil no mundo. Confira:

1) População

BofAML’s Transforming World Atlas
O mapa mostra os países redimensionados de acordo com sua população.
O Brasil possui a quinta maior população do mundo (204 milhões), atrás de China (1,37 bilhão), Índia (1,25 bilhão), Estados Unidos (323 milhões) e Indonésia (256 milhões).
Em 31 de dezembro de 2015, havia 7,256,490,000 pessoas vivendo na Terra.

2) Pobreza

BofAML’s Transforming World Atlas
O mapa mostra a proporção da população de cada região que vive na extrema pobreza, ou seja, com menos de US$ 1,25 (R$ 4,60) por dia.
Segundo a ONU, os níveis de pobreza foram reduzidos para menos da metade desde 1990.
Mas o Bank of America Merrill Lynch estima que 14% da população mundial (cerca de 1 bilhão de pessoas) ainda vive na extrema pobreza.

3) Orçamento de defesa

BofAML’s Transforming World Atlas
Os Estados Unidos gastam mais com seu orçamento de defesa do que os próximos 15 países da lista combinados, excluindo a China, segundo o Sipri (Instituto Internacional de Estocolmo para Pesquisa sobre a Paz).
Enquanto a população americana responde por apenas 5% da população mundial, os gastos de defesa do país equivalem à metade de tudo o que é gasto no mundo.
O Pentágono gasta mais do que todos os Estados americanos gastam com saúde, educação, bem-estar social e segurança combinados.

4) Emissão de CO2

BofAML’s Transforming World Atlas
O mapa redimensiona cada país de acordo com as emissões anuais de CO2 em 2013.
As emissões de dióxido de carbono e a mudança climática se tornaram grandes questões ambientais, sociais e políticas.
A estimativa é que as perdas econômicas relacionadas ao clima tenham chegado a 200 bilhões por ano na última década.
O investimento em energias renováveis deve responder por 65% dos US$ 12,2 trilhões (R$ 44,8 trilhões) aplicados globalmente em energia nos próximos 25 anos; desse montante, US$ 3,7 trilhões (R$ 13,6 trilhões) serão direcionados à energia solar e US$ 2,4 trilhões (R$ 8,8 trilhões), à energia eólica.
Os combustíveis fósseis devem receber investimentos da ordem de US$ 2,6 trilhões (R$ 9,5 trilhões), 21% do total.

5) Procedimentos estéticos

BofAML’s Transforming World Atlas
O envelhecimento da população e o avanço da tecnologia são os dois principais motores do avanço dos procedimentos estéticos: foram, ao todo, 20 milhões de cirurgias corretivas só em 2014.
O mapa mostra os cinco países líderes em número de cirurgias plásticas em relação ao tamanho de sua população – o Brasil está em terceiro.
Na Coreia do Sul, que está no topo do ranking, uma em cada 50 pessoas fez cirurgia plástica em 2014.
Segundo o Bank of America Merrill Lynch, o gasto com produtos de beleza totalizou US$ 4,5 trilhões (R$ 16,5 trilhões) naquele ano, o equivalente à quarta maior economia do mundo.
6) Números de tuítes em 24h
BofAML’s Transforming World Atlas
O mapa mostra a atividade no Twitter em tempo real entre os dias 29 e 30 de janeiro deste ano.
Foram analisados apenas os tuítes públicos (que podem ser vistos por qualquer pessoas), que compreendem apenas entre 1% e 2% da atividade total na rede social.
As mídias sociais estão por trás da chamada "economia de compartilhamento", cujo potencial de mercado gira em torno de US$ 450 bilhões (R$ 1,6 trilhão), estima o Bank of America Merrill Lynch.

7) Interações no Facebook

BofAML’s Transforming World Atlas
O mapa mostra os dados de amigos conectados pelo Facebook.
O alcance global da rede social chega a 1,5 bilhão de usuários ativos por mês, número equivalente à população da China.
A inovação e as mídias sociais, combinadas, estão na vanguarda da interconectividade mundial; em 1995, menos de 1% da população mundial tinha acesso à internet; entre 1999 e 2014, o número de usuários decuplicou; o primeiro bilhão foi atingido em 2005, o segundo em 2010 e o terceiro, em 2014.
8) Turismo
BofAML’s Transforming World Atlas
Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT), 1,2 bilhão de pessoas viajaram ao exterior em 2015. Os desembarques internacionais subiram mais de 4,4% pelo sexto ano consecutivo.
Em 2014, a França foi o destino turístico mais popular (84 milhões) do mundo, seguida por Estados Unidos, Espanha, China e Itália.
O porcentual de turistas viajando para economias emergentes deve aumentar de 45% em 2014 para 57% em 2013 (em torno de 1 bilhão de chegadas internacionais, segundo a OMT).
fonte:http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160329_mapas_brasil_lgb.shtml?ocid=socialflow_facebook

sábado, 26 de março de 2016

ESCASSEZ DE ÁGUA PODE LIMITAR CRESCIMENTO ECONÔMICO NAS PRÓXIMAS DÉCADAS, DIZ ONU


A América Latina está particularmente vulnerável, uma vez que a maior parte de suas economias é dependente de matérias-primas; setores como mineração e agricultura são intensivos no uso de água. Três em cada quatro empregos do mundo são forte ou moderadamente dependentes de água, segundo estimativa de relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) publicado ontem (22/03/16), na ocasião do Dia Mundial da Água.

Consequentemente, a escassez e os problemas de acesso à água e ao saneamento podem limitar o crescimento econômico e a criação de empregos no mundo nas próximas décadas, de acordo com o documento, que citou a falta de investimentos em infraestrutura e os altos índices de vazamentos nos sistemas hídricos das cidades globais, inclusive de países desenvolvidos.
Segundo o Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, Água e Emprego, metade dos trabalhadores do mundo – 1,5 bilhão de pessoas – está empregada em oito indústrias dependentes de recursos hídricos e naturais: agricultura, silvicultura, pesca, energia, manufatura intensiva de recursos, reciclagem, construção e transporte.
“A água e o emprego estão indissociavelmente ligados em vários níveis, quer seja na perspectiva econômica, na ambiental ou na social”, disse a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova.
A América Latina e o Caribe estão particularmente dependentes da água na criação de empregos, porque a maior parte de suas economias é ligada à exploração de recursos naturais, como mineração e agricultura (incluindo biocombustíveis). Em países como Brasil, Argentina, Chile, México e Peru, a irrigação também é responsável por uma parte importante da produção agrícola, particularmente para exportação.
“Apesar de a região (América Latina e Caribe) ter cerca de um terço da provisão de água no mundo, o uso intenso desse recurso em suas economias e sua dependência dos recursos naturais e dos preços internacionais das matérias-primas impõem importantes desafios para o crescimento econômico e a criação de empregos”, disse o relatório.
“As secas são frequentes na região. Secas severas podem levar a um aumento do desemprego, particularmente entre a população rural”, completou.
Segundo o relatório, os efeitos da escassez de água já puderam ser verificados em casos como o da cidade de São Paulo, cuja economia foi prejudicada em 2014 e 2015 pelas frequentes enchentes e secas severas.
Pressão crescente
O relatório citou o problema da crescente pressão sobre os recursos de água potável no mundo, exacerbado pelos efeitos das mudanças climáticas.
Enquanto a taxa de extração de águas subterrâneas cresce a 1% ao ano no mundo desde 1980, a população global deverá crescer 33% (de 7 bilhões para 9 bilhões de pessoas) entre 2011 e 2050, junto com um aumento de 60% da demanda por alimentos.
A expectativa é que, para cada grau de aquecimento global, aproximadamente 7% da população mundial enfrente uma diminuição de quase 20% dos recursos hídricos renováveis, segundo avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC).
O relatório da ONU apontou também forte ineficiência da infraestrutura de gestão de recursos hídricos dos países. A estimativa é que, globalmente, 30% da extração de água seja perdida em vazamentos. Em Londres, a taxa é de 25%, e na Noruega, de 32%.
“Essa projeção de escassez de água exigirá recursos hídricos não convencionais, como aproveitamento de águas pluviais, águas residuais recicladas e drenagem urbana”, disse o relatório. “O uso desses recursos hídricos alternativos criará novos empregos no desenvolvimento de pesquisas e tecnologias e na implementação de seus resultados.”
A expectativa é que outra fonte crescente de empregos sejam as energias renováveis. Segundo o relatório, em 2014, em torno de 7,7 milhões de pessoas no mundo foram empregadas (direta ou indiretamente) pelo setor, sendo que o segmento de energia solar foi o que mais empregou, com 2,5 milhões, seguido pelos biocombustíveis, com 1,8 milhão.
“A crescente criação de empregos foi notada em todos os tipos de energias renováveis”, disse o relatório, afirmando que os países que mais empregaram nesse setor foram China e Brasil, seguidos por Estados Unidos, Índia, Alemanha, Indonésia, Japão, França, Bangladesh e Colômbia.
A reciclagem também é citada como uma nova fonte de ocupação e uma contribuição importante para reduzir a demanda global por produtos manufaturados. Contudo, o documento lembrou que, em alguns países, os empregos relacionados à reciclagem são insalubres e perigosos.
Segundo o documento, o Brasil emprega cerca de 500 mil pessoas no setor de reciclagem, enquanto nos EUA esse número é de 1,1 a 1,3 milhão, e na China, de 10 milhões.
FONTE: ONU Brasil

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

ÁGUA: PROPRIEDADE PRIVADA


http://super.abril.com.br/


Em alguns lugares do mundo, água tem dono - e quem quiser usar precisa pagar caro. Saiba por que devemos fazer de tudo para evitar a privatização dos recursos hídricos.

A água está acabando. Mas antes de acabar, ela vai ficar mais rara. E cara. Em algumas regiões do planeta, água já vale ouro - e tem gente ganhando muito dinheiro com isso. Quando a água deixa de ser um recurso natural público, direito de todos, e passa a ser um produto, acontece o que chamamos de “comoditização”.
Existem várias formas de comércio de água. “O que eu temo é que elas fiquem tão comuns que a gente nem perceba quando a água não for mais nossa, nem da comunidade, nem das próximas gerações”, diz Maude Barlow, co-fundadora do Blue Planet Project, organização que trabalha em nível internacional para garantir o direito humano à água. É preciso muita força nos remos para contrariar a maré da privatização.

A FONTE DO PROBLEMA

Não é de hoje que a água é tratada como produto. Conheça a história recente do fenômeno
A comoditização da água começou nos anos 1990, quando o Banco Mundial (organização financeira internacional que empresta dinheiro a países em desenvolvimento e economias fragilizadas) promoveu os serviços de água no mercado mundial. Naquela década, com o boom da privatização, o Banco convenceu alguns países que privatizar a distribuição de água para a população era uma boa forma de arrecadar fundos. Nos países que decidiram adotar essa prática, o Estado ainda era o proprietário da água, mas eram empresas privadas que cuidavam de sua distribuição para a população (e eram donas também das instalações necessárias para o serviço). Eram as chamadas “parcerias público-privadas” nos serviços de água.
O problema disso era que, para ter lucro, as empresas que dominavam o serviço subiram os preços da água que chegava às torneiras das pessoas. O povo sentiu no bolso e protestou. A insatisfação fez com que várias cidades comprassem de volta o direito de assumir o controle da água. “Só na França, 40 municípios, incluindo Paris, tornaram a água pública novamente”, diz Barlow.
Além do surgimento das parcerias público-privadas para a gestão da água, os anos 1990 trouxeram a moda da água mineral (nas décadas anteriores, água engarrafada era luxo). Com o passar do tempo, o costume ficou ainda mais popular. “Chegamos ao ponto de ter algo como 260 bilhões de litros de água engarrafada em garrafas de plástico no ano passado. Há países que acham que não precisam oferecer um serviço de água limpa para os cidadãos, porque as pessoas podem simplesmente comprar água engarrafada”, diz Barlow.
Outra forma de privatizar e restringir o acesso à água são os chamados "water tradings" (expressão em inglês para “trocas de água”) que funcionam mais ou menos assim: um país emite licenças para o acesso à água (por mineradoras, por empresas de água mineral, por agronegócios etc). Então, essas licenças são convertidas em direito à propriedade. Assim, as empresas passam a poder comprar e vender esse direito à água no livre mercado - como se fosse soja ou petróleo. O Chile e alguns estados dos EUA são exemplos de lugares que fizeram isso.
A Austrália também fez water tradings, e lá o sistema foi um completo desastre. Mas, quando ele surgiu, em 1994, parecia promissor. O país passava por períodos de seca na época, e o governo pensou que os water tradings serviriam como incentivo para que empresas e agronegócios economizassem água, pois, dessa maneira, a água que sobrasse podia ser vendida. Mas o que aconteceu de verdade foi que as grandes empresas engoliram as pequenas e os grandes agronegócios arrasaram os pequenos produtores. Entraram em jogo também os grandes investidores, e depois os investidores internacionais.
“O preço da água subiu dramaticamente em dez anos, ao ponto de surgirem as figuras de cowboys corretores de água, que fizeram rios de dinheiro”, conta Barlow. Foi mais ou menos como a bolha imobiliária que, segundo especialistas, vivemos agora. Só que, em vez de a especulação ser em cima de imóveis, era em cima de fontes de água. O resultado foi que, quando o governo federal quis comprar de volta os direitos sobre a água do país para salvar da seca a bacia Murray-Darling, não conseguiu pagar o preço que as empresas cobravam.
A água também pode ser comprada por meio dos “land and water grabs” (ou “‘abocanhados’ de terra e água”). Nos acordos desse tipo, uma empresa ou um governo rico compra grandes quantidades de terra em um país mais pobre e reivindica o direito à posse da água dentro daquele terreno. Segundo Maude, na África, há um território equivalente a três Grã Bretanhas que foi comprado por países ricos, investidores internacionais, fundos de cobertura, planos públicos de aposentadoria, dentre outros. “É uma nova forma de colonialismo”, comenta.
Normalmente, a água comprada em um país permanece dentro daquele país, mas legalmente pertence a um agente de fora. Atualmente, alguns poucos países do Oriente Médio compram água do exterior, mas a questão, segundo Maude, é muito controversa. No Canadá, em 1998, o governo de Ontario deu uma permissão para que uma empresa privada vendesse água do Lago Superior para abastecimento e enviasse para a Ásia para engarrafamento. O governo dos Estados Unidos interveio e Ontario cancelou a licença. Atualmente, somente em situações de emergência - como as frequentes secas sofridas pelo sudeste dos EUA - a água é transportada em caminhões pipa para o país vizinho.

ÁGUA VIRTUAL

Você consome muito mais água do que imagina
Na hora de calcular a água que vai de um país para o outro, também é importante por na conta a “água virtual”. Trata-se de todos os recursos hídricos gastos para a produção de uma coisa. “Se você come um bife no almoço, estará consumindo uma quantidade inacreditável de água [veja mais no nosso quiz], que foi necessária para criar o gado e preparar a carne. O Brasil é um grande exportador de água virtual em biocombustíveis, carne e arroz”, diz Maude Barlow.
Saber mais sobre a água virtual comercializada em cada produto não é desperdício. A conscientização serve para deixar mais clara a situação do comércio internacional de água. No passado, a pressão popular foi imprescindível para desacelerar a privatização e pode voltar a ser um grande trunfo na luta pelo direito à água. Para Maude Barlow, os cidadãos precisam fazer sua parte para garantir que, no futuro, a água não esteja completamente nas mãos de empresas. “Se essa tendência não parar, veremos mais e mais gente morrer por falta de água. Agora mesmo, mais crianças morrem de doenças trazidas pela água do que de qualquer forma de violência, até guerras”, diz a autora.
O problema também é dos brasileiros. Apesar de termos uma das maiores bacias hidrográficas do mundo, o Brasil também sofrerá as consequências de nosso uso desenfreado de água se não tomarmos cuidado. “Digo sempre que vocês precisam olhar para essas políticas [de acesso à água], porque vocês têm secas terríveis em seu país. Vocês estão secando a água de superfície rápido demais. O Brasil, como o Canadá, tem o mito da abundância e pensa que sua água nunca irá acabar. Mas isso não é verdade, e secas como as que estamos vendo em São Paulo, por exemplo, mostram isso”, conclui Maude.

GRÁFICO ÁGUA VIRTUAL

Veja quantos litros de água são usados para se obterem diferentes produtos:
gráfico água virtual
*Uma pessoa bebe de 2 a 4 litros de água por dia
Fonte: ONU



AZUL DA COR DO MAR

Saiba o que uma cidade precisa ter para se tornar uma “Blue City” e virar referência mundial em bom uso dos recursos hídricos

Transformar a água do mundo em uma “commodity” é uma tendência que vem desde os anos 1990. Mas não é todo mundo que se conforma com isso, e algumas pessoas não estão dispostas a deixar barato - ou caro, considerando os preços que a água alcança no mercado internacional. Para lutar contra a privatização de um dos nossos maiores recursos naturais da Terra, surgiram as Blue Cities.
Distribuir o título de “cidade azul” é uma iniciativa da organização Blue Planet Project, fundada pela canadense Maude Barlow, que luta por uma nova ética hídrica mundial. Para “colorir-se”, a cidade deve se comprometer a reconhecer a água como um direito humano, um bem e um serviço público - o que significa não privatizar nem seus serviços de distribuição. O lugar também precisa priorizar uma boa qualidade de água encanada, em vez de incentivar o consumo de água engarrafada.
Depois de assumir o compromisso internacional de ser azul, a cidade deve traçar um plano. “Quem ainda não tem água tratada e saneamento básico? Como podemos substituir a água engarrafada nos prédios e eventos públicos? Se não há violações ao direito humano à água naquela comunidade, a cidade deve encontrar formas de ajudar comunidades sem água em outros países”, sugere Barlow.
O projeto já começou a render frutos. ”Nós conseguimos parar a privatização da água em algumas cidades e ganhamos a luta contra empresas de água engarrafada”, conta a ativista. Mas, para ela, o maior benefício das Cidades Azuis é a conscientização que o processo leva aos habitantes da cidade, além da consciência de que a água é um bem precioso e que está em nossas mãos protegê-la.
O projeto começou no Canadá, que atualmente já tem 17 cidades azuis. Berna, na Suíça, foi a primeira fora do país e Cambuquira - uma das estâncias minerais do Sul de Minas - tornou-se a primeira Blue City da América Latina no dia 7 de junho. “Cambuquira é uma cidade de valor excepcional, mas que infelizmente caiu no descaso público. Com a exploração predatória (das águas minerais da cidade), temos diminuído o volume de água possível de voltar à atmosfera na forma de precipitações. Além disso, o engarrafamento tem gerado situações em que as nossas fontes ficam sem maiores cuidados, estando sujeitas a danos irreparáveis. Aliando a luta cambuquirense a uma luta internacional, ganhamos um respaldo ainda maior, e acreditamos que esse é o caminho”, declara Ana Paula Lemes de Souza, presidente da ONG Nova Cambuquira.
“O título muda o olhar das pessoas e mostra que a cidade está tendo um comportamento de proteger as nossas águas. A maior vantagem disso, além de dar visibilidade para o município, da proteção e do cuidado com a água, é estimular o cidadão a perceber o valor dessa água”, declara Evanderson Xavier, prefeito de Cambuquira. Em um primeiro passo como Cidade Azul, a prefeitura está agora trabalhando em um projeto de saneamento básico para a cidade - depois de ter inaugurado, em março deste ano, um sistema público de tratamento e distribuição de água que já atende 80% da população.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

6 milhões de brasileiros não têm banheiro, diz OMS. No mundo, são 1 bilhão

De acordo com relatório, 17% da população rural brasileira e 1% dos moradores das áreas urbanas defecam ao ar livre

Banheiro
Falta de acesso a banheiro atinge 3% dos brasileiros (Getty Images/VEJA)
Cerca de 6 milhões de brasileiros não têm acesso a sanitários, o equivalente a 3% da população do país. A revelação é do relatório Glass, divulgado nesta quarta-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Publicado a cada dois anos, o documento avalia o acesso à água e a sanitários com base em informações de 94 países e 23 agências.
De acordo com o levantamento, que utilizou dados de 2012, 17% da população rural brasileira não tem sanitário. Entre os moradores da área urbana, 1% defeca ao ar livre.

Isso não quer dizer que os demais 97% dos brasileiros têm um aposento com água encanada, vaso sanitário, parede e teto. O IBGE considera sanitário "o local limitado por paredes de qualquer material, coberto ou não por um teto, que disponha de vaso sanitário ou buraco para dejeções".  Em outras palavras, um buraco no chão revestido por folhas de bananeira é considerado um banheiro. 

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O número, ainda que ruim, já foi pior. Em 1990, 17% dos habitantes do país não tinham sanitário, ante 9% em 2000. Dentre os moradores das áreas urbanas, 6% se enquadravam nessa estatística em 1990, e 3%, em 2000. Nas áreas rurais, 48% não possuíam banheiro em 1990, número que caiu para 34%, em 2000.
Mundo — O documento da OMS revelou que, no mundo, 1 bilhão de pessoas ainda não têm acesso a sanitários, o que representa um risco potencial para a propagação de doenças, como demonstrou a disseminação do vírus do ebola. Das pessoas que não têm banheiro, 825 milhões se concentram em apenas dez países, cinco deles na Ásia, sendo que a Índia aparece na liderança, com 597 milhões de pessoas, seguida de Indonésia, Paquistão, Nepal e China (10 milhões). Na África, a Nigéria lidera o ranking com 39 milhões de pessoas. Completam a lista Etiópia, Sudão, Níger e Moçambique (10 milhões). 

domingo, 4 de março de 2012

Sem empregos e educação, milhões ficam à margem de crescimento brasileiro

Assunção do Piauí. Foto: Júlia Carneiro - BBC Brasil
Assunção do Piauí tem o 10º pior rendimento per capita domiciliar do Brasil. (Foto: Júlia Carneiro - BBC Brasil)



Ao chegar de carro por uma estrada de terra arenosa, uma placa dá as boas-vindas a Assunção do Piauí, "a capital do feijão". Mas as letras desbotadas, quase apagadas, deixam claro que a principal atividade econômica local já viu melhores dias.

Na pequena cidade, a 270 km de Teresina, as colheitas fracas estão fazendo muitos desistirem de plantar feijão.
"Aqui é assim, a gente só trabalha no escuro. Num ano dá e no outro não dá", diz a dona de casa Francisca Pereira Moreno, mãe de cinco filhos.
Depois de conversar com alguns moradores de Assunção, perguntar onde cada um trabalha parece perder sentido. Os principais empregos da cidade são na prefeitura local, mas para adultos como Francisca, que não sabe ler nem escrever, a única opção está na roça ou nos serviços domésticos. Sem alternativas, a maioria sobrevive do Bolsa Família.
"Tem que ter o Bolsa Família. Porque a renda aqui do feijão não está dando dinheiro. Dá R$ 60, R$ 70", diz Francisca.
A cidade é um dos retratos de um Brasil que ficou praticamente à margem do crescimento econômico nacional registrado nos últimos anos e que tem colocado o país próximo de economias consideradas de primeiro mundo como a Grã-Bretanha.
Apesar do recuo constante da pobreza desde o início do Plano Real, em 1994, e da emergência da classe C, na última década, o país ainda tem focos de pobreza extrema que se caracterizam por baixo rendimento domiciliar, acesso limitado a serviços como saúde e educação e poucas perspectivas de trabalho para os moradores locais.

Oportunidades insuficientes

“Com o crescimento e a geração de empregos, uma parte da população saiu da pobreza extrema. (Mas) as oportunidades não foram suficientes para todos – sobraram os com menos condições de aproveitar, como os que não tinham vínculos com o mercado de trabalho ou acesso à Previdência e à assistência social”, explicou Rafael Osório, pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas).
Segundo o Censo 2010, em média 8,5% da população brasileira ainda vive com renda per capita mensal de até R$ 70. Isso equivale a cerca de 16,2 milhões de pessoas – praticamente a população do estado do Rio de Janeiro.
Com 7,5 mil habitantes, Assunção do Piauí, visitada pela BBC Brasil em janeiro, teve em 2010 o 10º pior rendimento per capita domiciliar do país – uma média de R$ 137 reais, contra R$ 1.180 de São Paulo.
A taxa de analfabetismo é de quase 40% entre pessoas com 15 anos ou mais. A cidade tem quase 1.500 famílias beneficiárias do Bolsa Família.
"Muitos ficam na fila de espera (do programa) porque Assunção já extrapolou a cota que o Ministério do Desenvolvimento estipula para cada cidade", diz a assistente social Ana Alaídes Soares Câmara, que trabalha no Centro de Referência de Assistência Social da cidade.

Maria Iraneide Moreno, e Tamires. Foto: Júlia Carneiro – BBC Brasil
Cerca de 20% da população de Assunção do Piauí depende do Bolsa Família. (Foto: Júlia Carneiro – BBC Brasil)


‘O terço mais difícil’

Desde o Plano Real, a pobreza caiu 67% no Brasil, algo inédito na série estatística, disse à BBC Brasil o pesquisador Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da FGV. “Falta o último terço, que é o mais difícil da jornada.”
Para Neri, é possível que o número de extremamente pobres seja até menor do que o estimado pelo Censo, se for levada em conta a renda obtida em transações não monetárias, como trocas e agricultura familiar.
“Pelo Pnad (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios, também do IBGE), essas pessoas seriam 5,5% da população”, disse o pesquisador da FGV.
A incerteza a respeito do tamanho dessa população revela, na verdade, uma boa notícia: como o grupo de extremamente pobres está cada vez menor, eles ficam pouco representados na amostra geral dos brasileiros, explicou Rafael Osório, do Ipea.
“As pessoas extremamente pobres são mais difíceis de se investigar. Algumas sequer são achadas, não interagem com o Estado, não têm documentos, e o acesso a elas é complicado”, disse.
Além disso, a pobreza extrema não é apenas uma questão de renda: diz respeito também à falta de acesso a serviços básicos, como saneamento, moradia e educação de qualidade, e ao isolamento em relação ao mercado de trabalho.

Faltam atividades econômicas

Mas, um relatório do Ipea tenta traçar um perfil desse Brasil que demora a crescer: em 2009, 41,8% das famílias extremamente pobres eram formadas por casais com uma a três crianças; 29% eram agricultores e 34% eram inativos (não trabalhavam nem procuravam emprego).
Dados do Censo 2010 indicam que muitos desses bolsões extremamente pobres se concentram em cidades de porte mediano, de entre 10 mil e 50 mil habitantes.
“São cidades onde faltam atividades econômicas”, explicou Osório. “Muitas têm poucos atrativos para empresas e dependem cada vez mais de políticas sociais, e algumas têm um vácuo generacional (sua população economicamente ativa migra em busca de empregos).”
Mas o pesquisador ressalva que não se trata de uma população fixa e estagnada: “Uma parcela tem rendimento incerto e transita entre uma camada de renda e outra. É o caso, por exemplo, de um guardador de carro – se ele ficar doente, perde a renda (e passa a figurar entre os extremamente pobres)”.

Estratégias

Como, então, combater essa pobreza extrema?
A presidente Dilma Rousseff lançou como uma das prioridades de seu governo o programa Brasil Sem Miséria, que tem a ambiciosa meta de erradicar a pobreza extrema até 2014 e que foca as pessoas com renda per capita mensal de até R$ 70.
Iniciado em junho do ano passado, o plano contém ações que complementam o Bolsa Família, com programas para fomentar o emprego, a capacitação profissional e atividades econômicas locais, bem como o aumento da oferta de serviços públicos como saúde, educação e saneamento.
Os especialistas ouvidos pela BBC Brasil elogiam o foco estabelecido pelo programa, mas o projeto tem óbvias dificuldades em levar serviços, renda e oportunidades para as pessoas mais excluídas.
“É preciso localizar (as populações empobrecidas), levar serviços públicos, com agentes sociais. É algo mais caro, mais artesanal”, afirmou Neri, da FGV.
Para Osório, uma alternativa seria aumentar os valores pagos pelo Bolsa Família. “A maior parte dos extremamente pobres já faz parte do programa. Se aumentarem os valores, daremos um baque na pobreza.”
Mas os pesquisadores concordam que o grande estímulo para a saída da pobreza é a geração de empregos – e o desafio do Brasil é conseguir gerar vagas em áreas mais pobres justamente num momento de desaceleração econômica.
"Gerar empregos depende, em última instância, da economia", disse Osório. "E o cenário é adverso, apesar de ser o melhor caminho. Isso pode não ocorrer com a mesma intensidade do que nos anos de crescimento."

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