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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

República da Calmúquia, parte da Europa onde o budismo é a religião dominante


República da Calmúquia ou Kalmykia (em calmuco: Хальмг Таңһч, transl. Xal'mg Tanghch; em russo: Республика Калмыкия, transl. Respublika Kalmykiya) é uma divisão federal da Federação Russa (uma república). É a única região da Europa onde o budismo é a religião maioritária, e tornou-se também famosa devido a ter-se tornado o centro mundial do xadrez por determinação dos seus dirigentes. Os calmucos estão relacionados etnicamente com os mongóis. A sua capital é Elista. Seu atual presidente é Aleksey Maratovich Orlov.


RELIGIÃO
budismo na Calmúquia é tibetano na sua origem. Números significantes de cristãos ortodoxos e muçulmanos vivem igualmente na Calmúquia, tal como um número significante de ateus, como era típico da Rússia durante o período soviético.

O Templo de Ouro na capital, Elista


TURISMO
Os turistas começaram a afluir à Calmúquia, viajando principalmente de Volgogrado para Elista. Alguns registos das suas viagens estão presentes no YouTube e noutros sites. A Calmúquia é um destino seguro para turistas estrangeiros, tendo o território ganhado muita publicidade após acolher as Olimpíadas de Xadrez de 1998 em Elista. Muitos visitantes se espantam com o número de camelos presente no interior da república; de facto, a Calmúquia é lar do único camelo indo-europeu. Na sua capital existe pouco trânsito.

Mais informações disponíveis no artigo em inglês da Wikipédia, AQUI.
E ainda: Conheça cinco regiões russas que querem se separar da Federação, AQUI.

Elista

Língua oficialrusso
Outras línguas:calmuco
CapitalElista
Área74.721,3 km²
População292.410
Densidade populacional3,9/km²

sexta-feira, 22 de maio de 2015

UMA PONTE ENTRE AS COSMOVISÕES BUDISTA E CRISTÃ

A comunicação adequada para a comunicação do Evangelho entre budistas theravadaPor  Rev. Dr. Bantoon e Sra. Mali Boon-Itt, cedido pela Mission Frontier Magazine


Nosso sonho é ver em breve um movimento histórico de budistas theravadas conhecendo a Cristo como Salvador. Esse também é o sonho e o desejo de seu coração?
O que tem impedido tal movimento e limitado a salvação dos budistas, apesar de décadas de empenho missionário? Alguns dizem que trabalhar entre budistas é como semear em terra rochosa. Alguns estão convencidos de que não há número suficiente de cristãos trabalhando e orando. Outros pensam que nossos métodos estão errados. Por exemplo, usando meios literários, quando a maioria dos budistas prefere meios orais e visuais de comunicação.[1]

O PROBLEMA: FALHA NA COMUNICAÇÃO PELA DISPARIDADE ENTRE AS COSMOVISÕES DE BUDISTAS E CRISTÃOS

Fiz duas perguntas para mim mesmo: 1) Por que é tão difícil os budistas aceitarem Cristo como Senhor e Salvador? 2) Por que, apesar de eu ser tailandês, pregar e ensinar na língua local, os que procedem de contextos cristãos apreciam minha mensagem, mas amigos tailandêses não cristãos não? Como pastor tailandês, precisei chegar à raiz dessa assunto. Com essa convicção e essas perguntas em mente procurei, por dez anos, identificar o problema, estudando o desenvolvimento do budismo e do cristianismo na Tailândia e a interação entre as duas religiões. Percebi que, sendo cristão, era difícil trabalhar com muitos tipos diferentes de budismo que são praticados na Tailândia. Descobri algumas situações que precisam ser consideradas.[2]
O problema principal é que a mensagem que os cristãos apresentam com tanto entusiasmo aos budistas é incompreensível, pouco atraente e irrelevante. Ocorreu-me que, assim como considero dificílimo tirar as lentes cristãs e colocar as budistas, também deve ser complicado para eles enxergarem a perspectiva cristã. A raíz do problema é que não temos comunicado de maneira eficaz porque não percebemos que as falhas de comunicação ocorrerão naturalmente devido a disparidade entre as cosmovisões de budistas e cristãos. Nós, cristãos tailandêses, não percebemos a necessidade de aprender a compreender o budismo theravada. Doutrinas expressadas num vocabulário cristão são em geral comunicadas pelos cristãos em termos incompreensíveis aos budistas. Um entendimento profundo do budismo nos ajudará a entender por que isso ocorre.[3]

RESPOSTAS ENCONTRADAS NA BÍBLIA

Exemplos da Bíblia mostram que precisamos deixar que o contexto do ouvinte nos guie no uso de vocabulário, métodos e ilustrações para explicar Deus, o que Jesus fez na cruz e sua ressurreição. Paulo mudava seu jeito de apresentar o evangelho de acordo com a audiência.[4] Os autores do Novo Testamento empregavam palavras e até termos religiosos provenientes do contexto local para explicar o que Deus fez por meio de Cristo. Infelizmente, em vez de aprender com exemplos bíblicos e apresentar o evangelho no contexto budista local, os cristãos esperam que os budistas compreendam nossa mensagem do mesmo jeito que nós, sem perceber que a interpretação de um budista é moldada pela cosmovisão budista. Assim, nossas boas novas não são boas novas para os budistas. Os cristãos locais precisam fazer com que o mistério da cruz seja relevante para os tailandêses budistas, levando em consideração que na cosmovisão budista palavras e ideias cristãs como expiação, sacrifício, redenção ou filhos adotivos não comunica nenhum significado relevante.
Vemos na Bíblia que a contextualização da mensagem é uma questão crucial no caminho para um grande avanço entre os budistas theravada. Isso significa explicar aos budistas o significado daquilo que Cristo fez na cruz em termos cuidadosamente selecionados que ajudem na compreensão e sejam significativos para a vida deles. Não significa simplesmente pegar palavras budistas para substituir as cristãs. Os budistas o considerariam negativo. A língua tailandêsa reflete a cosmovisão tailandêsa que, por sua vez, é sustentada pelo budismo. Não se pode simplesmente traduzir palavras de uma língua, esperando que transmitam o mesmo significado e nuances em outra língua com outra cosmovisão. Por exemplo, alguns termos cristãos nem existem na língua tailandêsa fora da igreja. Para a palavra comunhão, os cristãos usam a expressão as mak kee tham(literalmente, ensino acerca da unidade). Um tailandês não cristão não compreenderia que essa palavra significa “reunião para conhecer e apoiar um ao outro, partilharCOMIDA, cantar, orar e estudar a Bíblia”. Dificuldade semelhante ocorre com outros termos cristãos, entre eles: Deus, amor, fé, pecado, arrependimento, redenção, santificação, justificação, justiça, glorificação, e assim por diante. Muitos desses termos não existem na cosmovisão budista. Mesmo para os termos que têm um equivalente budista, os cristãos precisam gastar um tempo para explicar as semelhanças e diferenças entre os significados nas duas cosmovisões diferentes. Deixe-me explicar um pouco:
O que um cristão entende pela palavra “Deus” é bem diferente do que entende um budista. Para o budista, “deus” pode significar muitas coisas, mas o entendimento mais comum é que “deus” significa uma das muitas divindades que ocupam um espaço nas diferentes dimensões celestiais.
O alvo da vida para um budista é alcançar o nibbana, mas para o cristão, é ser salvo, se relacionar com Cristo e tornar realidade o Reino de Deus em sua vida. O budista pode entender isso como a pessoa fazendo algo em benefício próprio, a fim de alcançar o céu e ficar com Deus.
Para o budista, o céu e o inferno são dimensões celestiais e infernais hierárquicas em que os seres recebem as consequências de seus atos (kamma), mas para os cristãos, “o céu é a plenitude do Reino de Deus”, enquanto “o inferno é a separação eterna de Deus”.
Pecado: no budismo não existe esse conceito, só atos maus, bap – ou seja, ações negras (kamma), que no budismo são ações inábeis,akusala, que impedem a pessoa de atingir o nibbana. Para o cristão, pecado é desobediência a Deus, ficar aquém dos padrões divinos. Uma vez que no budismo não existe esse conceito de um Deus criador como no cristianismo, o entendimento do pecado como uma ofensa contra um Deus criador não faz sentido na cosmovisão budista.
Com essas diferenças, não é de se admirar que os budistas não entendam o cristianismo e o considerem incompreensível e irrelevante para a vida deles. Há várias áreas em que as palavras que os cristãos usam não comunicam aos budistas aquilo que os cristãos acreditam estar comunicando. É só quando os cristãos conhecem a cosmovisão budista e aprendem acerca da percepção que os budistas têm do cristianismo que podemos compreender o que realmente estamos dizendo. Conhecer pouco sobre a percepção budista a cerca do cristianismo tem resultado uma apresentação pouco sábia da mensagem cristã para os budistas theravada tailandêses.
Evidentemente, isso significa que a cosmovisão e a terminologia budista precisam ser compreendidas pelo comunicador cristão. Se isso não acontecer, o cristão desejoso de comunicar o evangelho não consegue avaliar ou entender as raízes das dificuldades de compreensão dos budistas em relação ao cristianismo. Ao tentar compreender a perspectiva budista, chegamos à conclusão de que são os cristãos que tem falhado na comunicação. Uma resposta cristã ao budismo pode ser desenvolvida de maneira mais efetiva depois de estudarmos a cosmovisão deles e percebemos como os budistas entendem nossa mensagem. É só quando tentam compreendê-los que os cristãos conseguem comunicar Cristo de maneira que realmente faz sentido para eles.
Talvez os cristãos nãos percebam, mas doutrinas budistas importantes estão bem incrustadas e são expressas no cotidiano dos budistas: linguajar, lei, moralidade, crença, cultura, tradição, arte e arquitetura. Assim, precisamos compreender o âmago das doutrinas budistas porque elas determinam a cosmovisão e o estilo de vida das pessoas. Ainda que a maioria do povo budista talvez não conheça a terminologia budista nem seja capaz de explicar doutrinas budistas, a maneira de pensarem, de praticarem o budismo e de verem o mundo está fundamentada no budismo. Precisamos compreender a base do budismo clássico para nos ajudar a avaliar e compreender as várias expressões do budismo que encontramos no mundo hoje. Como ilustração, considere a necessidade de aprender os princípios e teorias da matemática para aplicá-los a problemas matemáticos. Se o entendimento básico é precário, fica difícil, ou até impossível, resolver problemas matemáticos.
É necessário um conhecimento sadio do cristianismo e do budismo para uma comunicação eficaz. As palavras que escolhemos precisam transmitir toda a teologia cristã. Tome, por exemplo, o desafio de comunicar sobre o pecado aos budistas. Cristãos tailandêses usam a palavra bap (conforme já explicado). Precisamos compreender o que a palavra bap significa na cosmovisão budista e saber se ela comunica tudo o que “pecado” significa na cosmovisão cristã. Atualmente, a palavra bap, que os cristãos escolheram para falar do pecado, carrega significados bem distintos nas duas cosmovisões. Assim, vemos que o desafio desce ao nível de escolher as palavras corretas — criar conceitos e métodos para explicar a teologia cristã de maneira que um budista consiga compreender. Talvez, usando um conjunto de palavras ou cunhando novos termos a partir de palavras existentes em tailandês (ou na língua de determinado país budista), seremos capazes de comunicar, sem sermos mal compreendidos. Toda linguagem humana tem suas limitações. Não é possível explicar plenamente o mistério de Deus ou o mistério da cruz. O que se pode fazer é testemunhar e proclamar Cristo, para que possam ter um relacionamento íntimo com ele e se tornarem mais parecidos com o Senhor.
Essa tarefa requer a cooperação de pessoas de muitas disciplinas, como linguística e teologia. No contexto tailandês, isso conclama os que compreendem a cosmovisão local (a língua e a cultura tailandêsa), os que compreendem o budismo e os que compreendem o cristianismo.
A repercussão da contextualização da mensagem será extensa. As sociedades bíblicas, os cristãos e os evangelistas na Tailândia precisarão trocar alguns termos empregados na Bíblia em tailandês. A igreja local estabelecida precisará trocar termos com que está familiarizada, mas confundem os budistas. Não será fácil para a igreja já estabelecida substituir termos que são usados há quase duzentos anos por outros que possam comunicar melhor a mensagem da cruz aos budistas.
E se não encontrarmos termos melhores para comunicar a vida e o significado de Jesus de um modo que seja significativo e relevante para os budistas? Vamos continuar experimentando pouquíssima resposta de budistas ainda por muitas décadas. Amigos budistas que ouvirem nossa mensagem não compreenderão, ainda que usemos meios orais (não escritos) de comunicação, pois o conteúdo não fará a transmissão das necessidades reais de nossos ouvintes budistas. Mas se comunicarmos a mensagem da cruz com sensibilidade cultural, em termos com que os ouvintes budistas consigam interagir e serem transformados por eles, as palavras terão significado profundo para a evangelização e o discipulado. Cristãos tailandêses precisam estar prontos para transmitir o evangelho com clareza para os outros. Eles precisam crescer no entendimento das duas cosmovisões para espalhar o evangelho falando mais do que “Essa é a minha experiência, logo, creia”.

CONSCIÊNCIA: O PRIMEIRO PASSO EM DIREÇÃO AO CORAÇÃO DOS BUDISTAS

A consciência do problema de comunicação entre cosmovisões diferentes é o ponto chave para comunicar Cristo de tal modo que possa alcançar corações budistas. Isso é crucial para a mensagem do evangelho para os budistas na Tailândia e se aplica a outros contextos. Embora o judaísmo, o cristianismo e o islamismo tenham muitos pontos óbvios de contato em suas cosmovisões, isso não é tão óbvio no hinduísmo, no confucionismo e nas várias correntes do budismo (theravada, mahayana, xintoísmo, etc.). Que fique claro: se eu não tiver consciência de que, quando falo tailandês com amigos budistas tailandêses, eles podem não compreender o que desejo comunicar, eu posso ter a impressão de que eles têm coração duro ou que a mensagem caiu em terreno rochoso. Em vez de analisar como apresentei a mensagem, posso ser induzido a pensar que tudo o que preciso é orar mais e pedir ao Espírito Santo que derreta o coração deles. Precisamos sim de oração e de crer que somente o Espírito Santo é quem convence a todos do pecado, mas não podemos ignorar que somos chamados a comunicar e testemunhar o evangelho de forma compreensível. A cosmovisão do outro e o entendimento que eu tenho do outro determina o entendimento que eles têm de minha mensagem. Quando tenho consciência de que preciso transpor cosmovisões quando estou comunicando Cristo, fico mais atento a como estou anunciando o nosso Salvador. Terei mais cuidado para escolher palavras e métodos de comunicação e vou me certificar se a pessoa realmente entendeu o que eu queria comunicar.
Necessitamos urgentemente encontrar um meio efetivo de comunicar Cristo aos budistas, de modo que aquilo que comunicamos possa realmente tocar-lhes o coração. A tarefa de tornar o cristianismo compreensível aos amigos budistas exigirá grande sabedoria, uma vez que as ideias e os conceitos cristãos são muito estranhos e muito diferentes das ideias budistas na Tailândia. Assim, precisamos adequar a mensagem cristã ao contexto budista para ajudá-los a compreender Cristo. Os budistas poderão então perceber que a mensagem cristã não é inteiramente estranha a eles, receber novos insights e perceber que há uma resposta alternativa ao sofrimento humano ou dukkha.
Nosso sonho é que a comunidade budista abrace a mensagem do evangelho dentro de seu contexto cultural e desencadeie um avanço entre budistas theravadas.
 Rev. Dr. Bantoon e Sra. Mali Boon-Itt
Dr. Bantoon e Mali Boon-Itt são um casal que trabalha junto para o aprimoramento da comunicação da mensagem cristã a fim de torná-la compreensível e relevante para budistas tailandêses. Rev. Dr. Boon-Itt escreveu vários ensaios e uma tese de doutorado ligados a esse tópico. Ele é o pastor titular da 4a. Igreja Suebsampantawong em Bancoque, Tailândia.
O artigo original “Bridging Buddhist-Christian Worldviews” foi generosamente cedido pelo Mission Frontier Magazine, edição de novembro-dezembro de 2014, e traduzido em português pelo Martureo.
Notas
[1] Veja uma explicação das diferenças entre esses tipos de comunicação em www.ask.com/question/difference, entre a comunicação oral e escrita.
[2] Por exemplo: a igreja não consegue incentivar e preparar os cristãos para que sejam sal e luz na sociedade budista; pelo contrário, os tiramos dela e os colocamos em ambientes totalmente novos com novos amigos, vocabulário e tradições cristãs ocidentais. A sociedade tailandêsa entende o cristianismo como uma religião estrangeira (ocidental). Tailandêses que se tornam cristãos perdem a identidade cultural local. Novos convertidos não são orientados quanto à maneira de se relacionarem com a sociedade local como um nativo que crê em Cristo. Eles descobrem que precisam se desligar da família e da antiga sociedade. Não se faz nenhum esforço para formar uma identidade cristã tailandêsa, de modo que os cristãos locais possam ser vistos como cidadãos que não abandonaram suas raízes, pelo contrário, continuam sendo tailandêses de verdade. Insistimos para que aceitem Cristo, apesar de eles não terem compreendido o significado e as implicações disso. É como se os estivéssemos vacinando contra Cristo: eles acham que já o conhecem e que foram salvos. O parto prematuro diminui as chances de permanecerem firmes na fé.
[3] Três boas fontes para compreender o problema:
  • Boon-Itt, Bantoon. 2011 “What is being communicated to Buddhists”. In: Suffering: Christian Reflections on Buddhist Dukkha. Paul De Neui, ed. Pasadena: William Carey Library, 1-22.
  • Boon-Itt, Bantoon. 2007 “A study of the dialogue between Christianity and Theravāda Buddhism in Thailand as represented by Buddhist and Christian writings from Thailand in the period of 1950 – 2000”. Ph.D. dissertation, St John’s College, Nottingham, United Kingdom.
  • youtube.com/watch?v=_B_kVieeqSQ
[4] Veja Atos 13, 14 e 17.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Rohingyas: o povo muçulmano que o mundo esqueceu

Muçulmanos rohingyas não são reconhecidos como cidadãos em Myanmar
http://www.bbc.co.uk/portuguese
Recentemente, as Nações Unidas descreveram os rohingya como um dos povos mais perseguidos do mundo, uma minoria "sem amigos e sem terra."
No último domingo, cerca de 500 membros dessa etnia se juntaram a esse êxodo, abandonados por traficantes de pessoas em uma ilha perto da Malásia.
Apesar de terem vivido em Mianmar por gerações, o governo do país alega que eles são novos imigrantes, negando-lhes, portanto, cidadania.
Cerca de 1 milhão de pessoas formam a minoria étnica, linguística e religiosa do povo rohingya, muçulmanos discriminados e perseguidos por décadas.
Acredita-se que a repressão brutal contra eles provocou uma diáspora de pelo menos outros 1 milhão, em várias partes do mundo.
Neste fim de semana, 500 rohingya, a maioria mulheres e crianças, foram resgatados do mar no norte da Indonésia.
Eles haviam optado por um caminho alternativo, em vez do mais comum: lançar-se selva adentro e atravessar a fronteira entre Mianmar e Tailândia.
Segundo autoridades, além dos rohingya, 500 cidadãos de Bangladesh foram detidos.
De acordo com Steve Hamilton, da Organização Internacional para as Migrações, o grupo podia estar tentando chegar à Malásia.

Pobreza e repressão

(AFP)
No domingo, autoridades resgataram do mar 500 muçulmanos rohingya no norte da Indonésia
No país que o rohingya chamar de lar, Mianmar (antiga Birmânia), eles são proibidos de se casar ou viajar sem a permissão das autoridades e não têm o direito de possuir terra ou propriedade.
No exemplo mais recente de discriminação, autoridades regionais anunciaram recentemente que vão começar a implementar uma regra que proíbe os rohingya de ter mais de dois filhos.
Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), a crise do povo rohingya é uma das mais longas do mundo e também uma das mais negligenciadas.
Por isso, em dezembro do ano passado, a ONU aprovou uma resolução que exortou Myanmar a permitir o acesso à cidadania para os rohingya, a maioria dos quais são classificados como apátridas.
Os rohingya são cerca de 5% dos 60 milhões de habitantes de Mianmar. Mas a origem desse povo ainda é amplamente debatida.
Por sua parte, eles afirmam serem indígenas do Estado de Rakhine, anteriormente conhecido como Arakan, no oeste do país, mas outros apontam que são, na verdade, muçulmanos de origem bengali que migraram para Mianmar durante a ocupação britânica.
Desde 1948, quando o país se tornou independente, eles têm sido vítimas de tortura, negligência e repressão.
Agora, com as dramáticas mudanças políticas e sociais em curso em Mianmar, os ânimos das várias comunidades que habitam o país estão em ebulição e uma onda de violência e discriminação voltou a emergir contra os rohingya.
Nos últimos anos, após ter sido governado por uma junta militar por mais de meio século, a Birmânia está passando por uma transição para a democracia e melhorias sociais que muitos têm elogiado.
Mas a situação não parece ter melhorado para os rohingyas.
Em 2012, duas ondas de violência, uma em junho e a outra em outubro, orquestradas por grupos extremistas de maioria budista em Rakhine, deixaram cerca de 140 mortos, centenas de casas e edificações muçulmanas destruídas e 100 mil desabrigados.
Autoridades e a polícia foram acusadas de não agir de modo a defendê-los.
Segundo explica o correspondente da BBC no sudeste da Ásia, Jonathan Head, "Rakhine é o segundo Estado mais pobre em Mianmar, e este é um dos países menos desenvolvidos do mundo".
"A pobreza, negligência e repressão têm desempenhado um grande papel na violência étnica", diz o repórter.
"Adicione a isso as memórias históricas amargas e os medos sentidos por comunidades rivais do que poderiam perder ou ganhar no ambiente político novo e incerto de Mianmar", acrescenta.

Desconfiança e desinformação

Duas ondas de violência, em junho e em outubro, deixaram 140 mortos
Após os acontecimentos de Rakhine, as duas comunidades – budistas e muçulmanos - que há décadas já viviam separadas, ficaram totalmente segregadas.
"Os muçulmanos estão confinados a áreas de segurança cada vez mais reduzidas", diz o repórter.
"Aldeias que haviam sido destruídas na onda de violência de junho foram arrasadas completamente durante o novo surto de outubro. E milhares de rohingyas terminaram em acampamentos onde não recebem ajuda do governo e vivem em extrema pobreza."
"Ambos os lados estão agora completamente segregados", acrescenta.
Os rohingya também foram acusados de incitar a violência. Acredita-se que os acontecimentos do ano passado ocorreram após o estupro e o assassinato de uma mulher budista em Rakhine.
Mas a campanha sangrenta de violência organizada contra os muçulmanos rohingya tem raízes profundas e seu objetivo final, diz Head, é que eles deixem Mianmar.
"Os budistas de Rakhine repetem boatos terríveis sobre as atrocidades cometidas por muçulmanos e, ocasionalmente, apresentam fotos borradas de corpos mutilados", explica o correspondente da BBC.
"Mas eles (os budistas de Rakhine) também foram negligenciados por muito tempo por parte do governo central e foram levados a acreditar que a população muçulmana está crescendo fora de controle e que isso pode se tornar uma ameaça para a sua sobrevivência".
"Eles estão com medo da propagação do extremismo islâmico, especialmente entre os jovens rohingya que viveram na Arábia Saudita", acrescenta Head.
É por isso que as autoridades de Rakhine estão usando uma forma de "apartheid" e já falaram abertamente que a única alternativa é a deportação em massa dos rohingya.

Direitos civis

Em 2012, 100 mil muçulmanos rohingya ficaram desabrigados
Tanto as Nações Unidas quanto as organizações de defesa dos direitos humanos pedem que as autoridades de Mianmar revejam a Lei de Cidadania de 1982, de forma a garantir que os rohingya não continuem sem pátria.
Essa é a única maneira, dizem, para combater as raízes da longa discriminação contra essa etnia.
Contudo, muitos budistas de Mianmar nem sequer reconhecem o termo rohingya. Chamam-nos de "bengalis muçulmanoss". Uma alusão à visão oficial de que os rohingya são imigrantes de Bangladesh.
Como diz Jonathan Head, cerca de 800 mil rohingyas de Mianmar não possuem cidadania. E isso de certa forma incentivou budistas a acreditar que sua campanha de segregação e expulsão forçada é justificada.
Mas a segregação, explica o correspondente da BBC, não só é social.
"As longas décadas de isolamento e de injustiça crônica impostas pela junta militar de Mianmar criou um preconceito e ressentimento no Estado de Rakhine. E isso tem fermentado um clima venenoso da desconfiança e falta de informação."
"É claro que, além de a separação física dos muçulmanos e budistas, também há uma extrema segregação mental."

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

7 cidades sagradas para as maiores religiões do mundo

Por Luíza Antunes
Bilhões de pessoas no mundo têm crenças baseadas em uma religião. A fé de cada pessoa pode ter um deus único, vários deuses ou até deus nenhum. Como a história das religiões está profundamente ligada à história da humanidade, listamos 7 cidades consideradas sagradas por algumas das maiores religiões do mundo.

7. Amritsar, Índia – Sikhismo
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Talvez você nunca tenho ouvido falar dos Sikhs, mas saiba que o sikhismo é a sexta maior religião do mundo, com mais de 20 milhões de adeptos – cerca de 1,9% da população indiana, onde a fé dos sikhs se concentra. Amritsar é uma cidade no Norte da Índia, onde fica o Harmandir Sahib, ou o Golden Temple dos Sikhs. Tanto a cidade quanto o templo foram fundadas por gurus Sikhs no século 16. O Harmandir Sahib é uma construção grandiosa e atrai mais visitantes por dia que o Taj Mahal. O templo permite que qualquer pessoa, de qualquer idade, religião, sexo ou cor possa entrar e se purificar. Na cidade, não é permitido fumar ou consumir bebidas alcoólicas.

6. Hebron, Palestina e Israel – Judaísmo e Islamismo
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Hebron é uma das quatro cidades sagradas tanto para judeus quanto para muçulmanos. A cidade foi ocupada por Israel em 1967, mas acordos feitos em 1995 e 1997 garantiram que ela fosse dividida com a Palestina. É em Hebron que ficam os túmulos de figuras bíblicas que são considerados patriarcas e matriarcas do judaísmo, Abraão e Sarah, Isaac e Rebecca, Jacob e Leah. Para os muçulmanos, acredita-se que o Profeta Maomé esteve ali, no caminho entre Meca e Jerusalém. Além disso, Abraão também é considerado uma figura importante para o islã.

5. Bodhgaya, Índia – Budismo
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Também na Índia, fica Bodhgaya, uma das cidade sagradas para o Budismo, a quinta maior religião do mundo, com aproximadamente 376 milhões de adeptos. Foi ali, no nordeste da Índia, que Siddhartha Guatama passou 49 dias meditando embaixo da Árvore de Bodhi, atingiu o nirvana e se tornou Buda. Hoje em dia, em frente à árvore de Bodhi (que já teve que ser replantada 3 vezes) fica o templo Mahabodhi, considerado o mais sagrado dos templos budistas.

4. Varanasi, Índia – Hinduísmo
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Não é à toa que a Índia é considerado um país muito espiritualizado. Além das cidades já citadas, o Hinduísmo, terceira maior religião do mundo, com mais de 900 milhões de seguidores, foi fundado lá. No total, são sete as cidades sagradas para o Hinduísmo, mas a mais importante de todas elas é Varanasi, que também é considerada sagrada para os Budistas e Jainistas. Os hindus acreditam que a cidade foi fundada pelo deus Shiva. Eles vão ali para se purificar nas águas do Rio Ganges. Também acredita-se que quem morre em Varanasi consegue libertar sua alma.

3. Meca, Arábia Saudita – Islamismo
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A cidade mais sagrada para o mundo Islâmico, fé que reúne cerca de 1,6 bilhões de fieis, é Meca, na Arábia Saudita. Foi nessa cidade que o Profeta Maomé nasceu e em geral, os islâmicos oram voltados para essa direção. Ali, fica a maior mesquita do mundo, al-Masjid al-Haram. Todo muçulmano deve ir pelo menos uma vez na vida a Meca, uma tradição chamada Hajj. Nenhuma pessoa que não siga a religião islâmica pode entrar na cidade.

2. Cidade do Vaticano – Catolicismo
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O catolicismo reúne cerca de 1,2 bilhões de seguidores ao redor do mundo. É na cidade do Vaticano, um enclave no meio de Roma, que mora o Papa, principal líder religioso dos católicos, considerado o Vigário de Cristo. O primeiro papa foi São Pedro, para quem Jesus entregou as chaves do reino dos céus. É na cidade do Vaticano que foi construída a Basílica de São Pedro, e onde alegam estar a sua tumba, logo abaixo da igreja, onde fica uma antiga necrópole, que pode ser visitada por fiéis.

1. Jerusalém, Israel – Cristianismo, Judaísmo e Islamismo
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Jerusalém provavelmente é um dois locais mais sagrados e disputados do mundo. Essa é também uma das cidades mais antigas que exist0em, motivo de guerras e mais guerras ao longo dos anos, devido à importância espiritual que tem para Cristãos, Judeus e Muçulmanos. Ali você vai encontrar mesquitas, sinagogas e igrejas. No Monte Sião fica a igreja onde acredita-se que Maria, a mãe de Jesus, teria morrido. Lá também está o edifício onde pode ter ocorrido a última ceia e a tumba do Rei Davi. A via Sacra indica o caminho de Jesus até o calvário. O Domo da Rocha, que fica dentro da Mesquita de Omar, seria o lugar onde Maomé ascendeu aos céus. E o Muro das Lamentações é sagrado para o Judaísmo por ser parte do antigo Templo de Salomão.

domingo, 21 de novembro de 2010

Diwali, festa religiosa de diversas religiões indianas






Em Amritsar, Índia, devotos  Sikh no templo dourado de Amristar, iluminado com cores variadas, para comemorar o  Diwali.



Diwali (também transcrito do Deepavali ou Deepawali) é uma festa religiosa hindu, conhecida também como o festival das luzes. Durante o Diwali, celebrado uma vez ao ano, as pessoas estreiam roupas novas, dividem doces e estouram rojões e fogos de artifício. Este festival celebra o assassinato de Narakasura, o que converte o Diwali num evento religioso que simboliza a destruição das forças do mal.
O Diwali é um grande feriado indiano, e um importante festival para o hinduísmo, o sikhismo, o budismo e o jainismo. Muitas lendas são associados a Diwali. O feriado é atualmente comemorado pelos hindus, sikhs e jains em todo o mundo como o festival das luzes, onde as luzes ou lâmpadas significam a vitória do bem sobre o mal dentro de cada ser humano. Diwali é comemorado no primeiro dia do mês lunar Kartika, que ocorre no mês de outubro ou novembro.
Em muitas partes da Índia, é o Baile do Rei Rama de Ayodhya,que após 14 anos de exílio na floresta derrotou o mal Ravana. O povo de Ayodhya (a capital do seu reino) congratulou-se com Rama por iluminação em fileiras (avali) das lâmpadas (Deepa), dando assim o seu nome: Deepavali. Esta palavra, em devido tempo, se tornou Diwali em hindi. Mas, no sul indiano em algumas línguas, a palavra não sofreu qualquer alteração e, portanto, o festival é chamado Deepavali no sul da Índia. Existem várias observâncias do feriado em toda a Índia.
O Jainismo Diwali é marcado como o nirvana do Lord Mahavira, que ocorreu em 15 de outubro, 527 aC.
Entre os sikhs, o Diwali veio a ter significado especial a partir do dia ao qual houve o retorno a cidade de Amritsar do iluminado Guru Hargobind (1595-1644), que havia sido detido no Forte em Gwalior sob as ordens do imperador Mughal, Jahangir (1570-1627). Como o sexto Guru (professor), do Sikhismo, Guru Hargobind Ji, foi libertado da prisão - juntamente com 53 hindus Kings (que eram mantidos como prisioneiros políticos) a quem o Guru havia organizado sua libertação. Após a sua libertação ele foi para o Darbar Sahib (Templo Dourado) na cidade santa de Amritsar, onde foi saudado pelo povo com tamanha felicidade que acenderam velas e diyas para cumprimentar o Guru. Devido a isto, sikhs referem frequentemente que Diwali também como BANDI Chhorh Divas - "o dia da libertação dos detidos".
O festival também é comemorado pelos budistas do Nepal, especialmente os Newar budistas.
Na Índia, o Diwali é hoje considerado um festival nacional quanto ao aspecto estético, entretanto, é usufruído pelos hindus, independentemente da fé.


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