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sábado, 7 de março de 2015

Escassez: Tecnologias da Embrapa para o manejo da água


O manejo da água sempre foi objeto da pesquisa da Embrapa e com a crise no abastecimento, que tem causado tantos prejuízos, é ainda mais urgente dar respostas para minimizar a escassez desse recurso.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Tecnologia simples e revolucionária para o transporte de água vem da Índia

http://greenstyle.com.br/

Para muitos de nós, a água limpa vem com o toque de uma torneira. Mas para 1 em cada 6 pessoas o acesso à água exige muito trabalho: horas de caminhada, espera em filas e trabalho pesado.
A Wello, uma companhia de empreendimento social americana, criou uma maneira nova e revolucionária para o transporte de água de uma forma mais eficiente e higiênica. O WaterWheel é um recipiente de 50 litros redonda que permite “rolar” a água a partir de fontes em vez de levá-lo em suas cabeças. Graças a esta nova invenção, três a cinco vezes a quantidade de água pode ser transportada, em comparação com o método tradicional.
"Menos viagens para coletar água significa que as mulheres e as crianças podem passar mais tempo em atividades educacionais e econômicas produtivas”, diz Cynthia Koenig, fundadora e executiva-chefe da Wello ao InHabitat.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Mitos e verdades sobre a seca

Mãe e filha da Comunidade quilombola de Fonseca, Manaíra (PB). Crédito: John Medcraft.
Mãe e filha da Comunidade quilombola de Fonseca, Manaíra (PB). Crédito: John Medcraft.
Portal Ultimato – Qual o nível de gravidade desta seca no Nordeste?
John Medcraft - Esta seca é gravíssima. É a pior que vi em 41 anos de trabalho aqui.
Marcos Sal da Terra - Esta é, sem dúvida, a maior seca que se tem registro no sertão. A fauna e flora são as maiores vítimas desta estiagem.
Ita Porto - A falta de chuvas em períodos prolongados como o dos últimos 3 anos é considerado um desastre ambiental, considerado um dos piores dos últimos 50 anos. Segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) já são cerca de 1.200 cidades espalhadas em nove Estados que já declararam situação de emergência. São 22% dos municípios do Brasil e quase 10 milhões de pessoas afetadas pelas secas na região. Todos os estados que compõe o semiárido nordestino estão passando por grandes dificuldades. Pernambuco, por exemplo, é o estado com maior número de municípios atingidos. Segundo a Compesa (Companhia Pernambucana de Saneamento), dos 185 municípios do Estado, 151 estão com algum tipo de déficit no abastecimento. Desses, 16 estão em colapso, sendo abastecidos por carros-pipa.
Portal Ultimato – Que tipo de sofrimento as pessoas estão vivendo?
John Medcraft - A falta de água é crítica. Patos (100.000 habitantes) sobrevive, graças a uma adutora do açude de Coremas (60 km ao oeste) que foi uma luta nossa de dez anos atrás. Mesmo assim temos água três dias sim, um dia não. Muitas cidades estão em colapso total de água e dependem de caminhões-pipa do Exército. Imaculada, onde ACEV tem uma igreja, está sem água desde janeiro. Nos sítios, quem não tem poço, precisa andar cada vez mais longe para conseguir água.
Marcos Sal da Terra – A economia quase que entrou em colapso em algumas regiões, principalmente nas bacias leiteiras. As notícias dão conta, por exemplo, que Pernambuco perdeu mais de 600 mil cabeças de gado (mortos, abatidos antes do tempo ou enviados para outros estados da Federação que não estão padecendo com a seca).
Ita Porto - Além da falta de água, algumas regiões também enfrentam a contaminação dos mananciais pelos restos dos animais mortos pela seca, o que provoca doenças diarreicas agudas, com registro de mortes de crianças e idosos. Outro problema é o aumento dos preços dos alimentos, sobretudo aqueles oriundos da agricultura. Com a morte de plantas frutíferas e dos rebanhos de animais, há perda da produção agrícola e diminuição do fornecimento de alimentos. Na pecuária, de acordo com a Associação Municipalista de Pernambuco (AMUPE), a seca já provoca prejuízos da ordem de R$ 1,5 bilhão na pecuária.
Portal Ultimato – Os Governos têm ajudado, de verdade, a enfrentar a seca deste ano?
John Medcraft - Aqui na Paraíba tem sido a seca melhor administrada que já vi. O Exército administra a distribuição de água nos sítios, com fiscalização transparência. Os governos federal, estadual e municipal estão reativando poços velhos e perfurando novos. O governo estadual tem distribuído ração animal subsidiada para, pelo menos, ajudar os pequenos produtores. A bolsa família pelo menos ajuda o sertanejo a sobreviver.
Marcos Sal da Terra - Esperar que os governos ajudem de verdade é uma atitude infantil. A gente sabe que existe a “indústria da seca”, a barganha eleitoral (voto por água, por exemplo), que situações de calamidades e emergenciais favorecem a corrupção. Porém não se pode negar que ações pontuais têm minorado os flagelos que são comuns à estiagem no sertão (caminhões-pipa, Bolsa Família etc).
Ita Porto - Algumas atitudes emergenciais têm sido realizadas pelo Governo Federal como o fornecimento de água através da Operação Carro-Pipa. São 835 cidades, em nove estados, totalizando quase quatro milhões de pessoas. Existem investimentos para construção de reservatórios de água como barragens, cisternas, perfurações de poços, dentre outras ações emergenciais de enfrentamento à seca (confira no Observatório da Seca. Da mesma forma os governos estaduais e municipais têm contribuído de acordo com a sua capacidade de recursos.
Portal Ultimato – No imaginário brasileiro, a seca está muito ligada à região Nordeste. E junto com ela, há toda uma “cultura da seca”. Que mitos ou ideias falsas o brasileiro tem da seca e de suas vítimas? O que é verdade e o que é mentira?
John Medcraft –
1. “Os nordestinos são coitadinhos ou preguiçosos”. O nordestino sertanejo que eu conheço e com convivo há mais de 40 anos levanta ainda no escuro e trabalho num sol escaldante durante longas horas cada dia. Não há mais preguiçosos aqui de que em outros lugares – acredito muito menos. Quanto a coitadinhos, esta imagem vem da exploração de imagens de miséria por organizações, inclusive evangélicas, que faturam com isso para si.
2. “Deus é um culpado pela seca”. A seca é um fenômeno natural. Alguns dizem que ela é causada por um pecado específico; outros que é causada pela idolatria (como se apenas no Nordeste houvesse idolatria). Se chove tanto no Rio de Janeiro e em São Paulo, ninguém deve pecar por lá então!
3. “A seca é a maior inimiga do sertanejo”. Que a seca complica a vida, é verdade. Mas aprendemos cada vez mais a conviver com ela cada e a nos organizar para enfrentar a próxima. Lutamos para uma melhor distribuição da água e que a transposição do Rio São Francisco chegue às pessoas certas e aos centros que mais precisam.
Marcos Sal da Terra - O grande mito é tentar “combater a seca”. Seca não se combate. O sertão é seco e continuará com índices de precipitação pluviométricas muito baixos; este é o nosso clima. O que tem que ser feito é a adoção de políticas públicas e de convivências com a seca. A transposição do São Francisco é um grande exemplo desta realidade. O que era para ser um grande benefício para tanta gente, virou uma vergonha nacional.
Ita Porto - A seca está realmente ligada à região Nordeste do Brasil; isso é fato, consequência de um fenômeno ambiental natural, considerada uma catástrofe natural. Com as mudanças climáticas, no entanto, essa realidade vem deixando de ser um “privilégio” apenas da região Nordeste. No nosso caso, temos percebido que a maioria do nosso povo, devido a forma dos líderes governar os municípios, tem abandonado a cultura da convivência a partir do conhecimento acumulado de convivência com o semiárido pelos nossos antepassados. Esses conhecimentos foram (ou estão sendo) esquecidos por esse povo. Por exemplo, diminuímos a capacidade de plantio, migramos para as cidades, aumentamos o consumo de água como se vivêssemos em uma região que tem muita oferta de água. A seca está tendo um impacto maior, pois perdemos essa resiliência. Antigamente as pessoas guardavam queijo nas paredes para comer, hoje é melhor comprar do que produzir o alimento. Perdemos essa capacidade de convivência. Tínhamos animais adaptados ao ambiente. Nossos rios não eram devastados, hoje os rios não tem a capacidade de guardar água como antigamente. Para nós, perdemos a capacidade de viver nessa região, pois colocaram na nossa cabeça que o bom é viver na cidade.
O gado também sofre com a seca. Crédito: Acervo Diaconia.
O gado também sofre com a seca. Crédito: Acervo Diaconia.
Portal Ultimato – Como expressar o amor de Jesus no meio de tanto sofrimento?
John Medcraft - Há tantas maneiras! O essencial é trabalhar com comunidades perfurando poços e, onde for possível, criando hortas onde a água for suficiente e de qualidade. Demonstrar o amor de Jesus em coisas práticas assim torna a fé visível. Ainda se pode ensinar comunidades a criar abelhas, melhorar criação de cabras e coisas assim. O melhor é ajudar as comunidades a criar sua própria renda e cultivar seu próprio alimento, mas quando isso não é possível as cestas básicas devem ser distribuídas, de forma emergencial, dentro das possibilidades de cada instituição.
Marcos Sal da Terra - É simples, façamos o que Jesus ensinou: “Dai-lhe vós de comer” (Lc 9.13). O problema é convencer uma igreja já acostumada a pedir, que também assuma a responsabilidade de dar.
Ita Porto - Jesus Cristo, em toda sua trajetória de vida e missão, nos ensinou (e ainda ensina) a enxergar os problemas da sociedade através da convivência (discipulado) com as pessoas. Seus milagres são relatados sempre do ponto de vista de alguém que se deu ao trabalho de sentir o sofrimento alheio, se misturando na multidão de pessoas que o seguiam. O amor de Jesus pode ser expresso por meio do envolvimento das pessoas com a problemática que estamos vivenciando nos últimos três anos. Somos convidados e convidadas a nos solidarizarmos com as pessoas e, em um contexto de emergência que estamos vivendo com essa seca. Isso pode significar envolver-se na luta por melhoria da qualidade de vida das pessoas que enfrentam o desafio de conviver com esse fenômeno climático. Envolver-se nos espaços de políticas públicas e cobrar a melhor aplicação dos recursos também é uma forma de lutar junto de quem precisa e revelar o amor de Jesus, proporcionando justiça social.
Portal Ultimato – Você vê com bons olhos a participação das igrejas evangélicas na luta contra a seca?
John Medcraft - Igrejas evangélicas que não participam desta luta vão ter que responder diante de Deus. Deus nos coloca em nossas comunidades para sermos “sal e luz”. Pregar é bom, é essencial, mas fazer vista grossa quanto ao sofrimento do próximo é pecado grave. As igrejas evangélicas grandes e ricas de outras regiões precisam entender que estamos no meio de uma catástrofe lenta e discreta; não chama atenção como uma enchente, mas tem efeitos devastadores. Estas igrejas precisam trabalhar junto com instituições sérias e transparentes que fazem auditorias independentes e têm experiência em agir no sertão. Todo cuidado é pouco com os exploradores do momento.
Marcos Sal da Terra - Como na história do aleijado que foi colocado na presença de Jesus, por alguns homens, através de um buraco feito no telhado da casa (Mc 2), vivemos a mesma realidade no sertão. Apenas a exceção se envolve, de forma prática, com a nossa gente.
Ita Porto - Nosso grande desafio é fazer com que as igrejas evangélicas compreendam sua importância e grande potencial no contexto do desenvolvimento social. Nosso convite é que as igrejas se sintam desafiadas a, junto conosco, ocuparmos os espaços de controle social, propondo ações de justiça social e ambiental e, nesse caso, colaborando com as ações de transformação cultural de enfrentamento dos efeitos da seca no Nordeste. Já temos tido bons resultados junto a igrejas parceiras que tem se levantado para lutar em favor de ações de convivência com o semiárido, envolvendo-se em audiências públicas, conscientização da sociedade, numa visão de missão integral.
Menino brinca em região seca de Pernambuco. Crédito: Alison Worrall.
Menino brinca em região seca de Pernambuco. Crédito: Alison Worrall.
Portal Ultimato – A seca tem um “lado positivo”?
John Medcraft - O lado positivo da seca é, como dizia Dom Helder Câmera, que ela é um desafio que faz a vida interessante. Ela nos estica a buscar soluções novas como, por exemplo, dessalinizar água salobra de poços com o mínimo possível de prejuízo ao meio ambiente.
Marcos Sal da Terra - Vemos nela a soberania de Deus. Apesar dos nossos pecados, Ele nos permite “continuar vivos pra contar a história”.
Ita Porto - Sim. As famílias tem se preocupado em se precaver com armazenamento de alimentos a partir do aprendizado das dificuldades enfrentadas pelos anos de seca. Essa pode ser uma oportunidade para, em longo prazo, voltarmos à cultura de convivência com a seca.
Portal Ultimato – Conte-nos alguma história de superação que você viu ou ouviu.
John Medcraft - A ACEV fez um poço nesta seca com uma comunidade quilombola em Manaíra (PB). Era uma comunidade isolada que, além de sofrer com o grave problema da falta de água, ainda sofria terríveis preconceitos raciais. Na terceira tentativa, conseguimos ajudar a comunidade a perfurar um poço que deu água e então bombear a água do vale onde fica o poço para o alto da serra onde a comunidade reside. Presenciei todo este processo e luta. Vi as lágrimas de alegria, a esperança renovada e a autoestima do povo começando a ser restaurada. “Se alguém está em Cristo é verdadeiramente livre”!
Marcos Sal da Terra – Uma comunidade caminhava 18 quilômetros a pé para buscar água (barrenta e salobra), apesar de dispor de cisternas em suas casas, mas que nunca haviam sido abastecidas pelo governo. Lá, uma igreja cavou um poço que custou R$ 7.900. Hoje a comunidade tem 36 mil litros d’água por hora.
Ita Porto - Seu Antonio Magalhães é agricultor e mora na Comunidade Carnaúbinha, na cidade de Afogados da Ingazeira, Sertão do Pajeú (PE). Ele e sua família são assessorados por Diaconia há cerca de 10 anos e desenvolvem estratégias de convivência com a seca, como a reutilização da água usada no trabalho doméstico, o uso inteligente da silagem para armazenar alimento humano e animal. Seu Antonio também gerencia um Banco de Sementes Comunitário que existe há 13 anos com sementes nativas que beneficiam a família dele e a comunidade. Ele cultiva um banco de proteínas com variedades de plantas forrageiras como gliricídia, leucena, palma, feijão guandu, sorgo forrageiro, dentre outras. Essas estratégias fazem parte do resultado da ação de Diaconia junto as famílias, estimulando-as a aplicarem técnicas de convivência com o semiárido. Os silos são feitos em mutirões comunitários estimulando a organização das famílias como forma de fortalecimento político.
Portal Ultimato – Como os leitores podem ajudar seu ministério e organização na luta contra a seca?
John Medcraft - A ACEV só não faz mais poços (já fez mais de 200), só não inicia mais plantações no meio do deserto, e só não cria mais cabras, abelhas e galinhas por falta de mais recursos financeiros. A resposta é simples assim. Já temos uma equipe maravilhosa, dedicada e experiente que deseja e precisa fazer mais. O sertanejo ama o sertão e não quer sair daqui. Temos que facilitar isso e fortalecer a igreja evangélica sertaneja no processo.
Marcos Sal da Terra - O samaritano em (Lc 10) fez o que a grande maioria (representada na mesma história pelo sacerdote e levita) hoje não faz. Ele prestou atenção na situação daquele que havia sido salteado, aproximou-se dele e, cheio de íntima compaixão, pôs “a mão na massa”.
Precisamos mais do que dinheiro (o samaritano não se limitou a dar dois denários ao dono da estalagem), precisamos de gente que disponha dos seus dons e talentos, do seu tempo e do seu esforço. Precisamos menos de discurso e mais de ações. Temos uma “teologia refinada” (tantas vezes), mas uma prática cristã pífia, que não acompanha o discurso (tantas vezes). Temos um exército que tenta em vão defender a fé em Cristo, mas que não vive o que ele ensinou (e acha que isto é defesa).
“Grande é, em verdade, a seara (sertaneja e toda a sua problemática), mas os obreiros são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara.”
Ita Porto - Ocupar os espaços de construção das políticas públicas como fóruns e conselhos de desenvolvimento. Que os líderes evangélicos possam estimular os debates sobre o poder da cidadania de seus membros junto às comunidades em que vivem.
***

Entrevistados:
John Medcraft é inglês, naturalizado brasileiro, e mora em Patos (PB). É o presidente da Ação Evangélica (ACEV), uma igreja que neste ano completou 75 anos. A ACEV trabalha em todo sertão paraibano, e também em regiões de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará.
Marcos Sal da Terra é o vocalista da banda Sal da Terra, um projeto missionário que leva a música, o serviço (alimento, água, oração, voluntários) e a Palavra de Deus para o sertão pernambucano.
Ita Porto trabalha na Diaconia, uma organização de inspiração cristã, sem fins lucrativos, que promove a justiça e o desenvolvimento social no Nordeste. A instituição enfrenta a seca com ações estruturantes que ajudam a população, de forma sustentável, a conviver com as condições de semiaridez. Marcelino Lima e Adilson Viana também colaboraram com as respostas.

domingo, 28 de outubro de 2012

Documentário: como transformar água salina em potável


Neste programa, conheça o programa "Água Doce". A escassez e a salinidade na maioria dos poços artesianos do semiárido brasileiro tornaram necessária a existência de tecnologias para dessalinização e transformação da água em potável. O projeto visa aumentar a oferta de água de boa qualidade para a população da região. O vídeo "Programa Água Doce" foi realizado pelo Ministério do Meio Ambiente. 07/10/12 - TV NBR - 18:19


Via Jornal Agrosoft - http://www.agrosoft.org.br

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Vídeo: Como armazenar água da chuva


O programa SC Agricultura foi até o Oeste Catarinense para mostrar o passo a passo da construção de uma cisterna, prática muito utilizada na prevenção contra as estiagens. 24/08/12 - TV Epagri - 8:55

http://www.agrosoft.org.br

terça-feira, 7 de agosto de 2012

África: O Deserto de Afar



via blog Curiosidades e Culturas



O Deserto de Afar

O fascinante deserto de Afar é conhecido como o lugar mais quente do planeta. O deserto Afar não tem nada que ver com outros desertos como o Saara, já que em vez de areia, está cheio de sal (porque antigamente foi um lago enorme).

O fato de estar coberto de sal cria um cenário todo branco e fascinante. Fica no Nordeste de África e estende-se a quatro países: Eritreia, Etiópia, Jibuti e Somália. Os seus habitantes mais importantes são os Danaquil (ou Afares), de origem etíope, e os Issas, de origem somali. Estão divididos em centenas de tribos.

Os Afares e os Issas podem ser classificados em três grupos: pastores agricultores, que cultivam a terra junto das fontes de água e criam animais; pastores nómadas, que circulam com os rebanhos por terras onde haja erva; e os que optaram por viver nos centros urbanos.

Os agricultores cultivam sorgo, milho, trigo, sésamo, favas, batata-doce, bananas, melão e algodão.



Os pastores criam camelos, ovelhas, cabras, cavalos e burros.

Os Afares Os Afares são perto de dois milhões. Mais de metade vive no Leste da Etiópia. Cerca de 600 mil habitam no Sul da Eritreia; outros 600 mil ocupam todo o Jibuti, e uma minoria – cerca de 60 mil – moram na Somália.

Este povo permanece nestes lugares há pelo menos 2800 anos. Eles foram os que sofreram mais com a independência da Eritreia em relação à Etiópia, e do Jibuti com respeito à Somália, porque esse facto dividiu famílias.

A sociedade afar divide-se em duas classes: os «Asaemara» são a nobreza, a classe dominante, os políticos, e os «Adaemara» são o «povo».



A maioria é nômade. Vivem da criação de gado: ovelhas, cabras, vacas e camelos. Alguns dedicam-se à extracção de sal. Um afar para ser notável deve cumprir dois requisitos: ser um guerreiro forte e vingador e ter gado.

A vingança é uma prova de honra e a maior demonstração de valor viril. As mulheres afares desprezam os pretendentes que nunca mataram um homem. Elas desejam alguém que ostente um bracelete de ferro, sinal indicador de que matou dez inimigos.

Por outro lado, um adulto que não tem gado é um homem de pouco valor: ninguém dá importância à sua palavra. A opinião tem mais força e dignidade consoante o tamanho do rebanho.

Todos os acontecimentos importantes da vida social – nascimentos, iniciações, casamentos, alianças, mortes e sucessões – implicam doações, intercâmbios ou sacrifícios de gado.

A iniciação dos rapazes é a circuncisão e a das raparigas é a excisão (mutilação sexual feminina). Os matrimónios são monogâmicos em geral. Os mais ricos podem ter mais mulheres. As jovens são dadas em matrimónio a partir dos dez anos. De preferência, os noivos são primos. Os pais do noivo pagam o dote da noiva.

Os Afares constroem as casas com estacas de madeira, erva seca e folhas de árvores. Tem um formato oval. As camas são esteiras. Montar o acampamento é responsabilidade das mulheres. Quando viajam, todo o material é carregado pelos camelos. Uma cerca com espinhos rodeia o acampamento, para prevenir os ataques de animais selvagens ou dos inimigos.

A carne, a manteiga e o leite são os principais alimentos dos Afares. O leite é um ingrediente importante na tradição da hospitalidade. Quando se dá leite quente a um hóspede, o anfitrião assegura-lhe total protecção e se, porventura, ele for assassinado, a sua morte é vingada como se fosse a de um membro do clã.

Os Afares converteram-se ao Islão no século X, depois do contacto com os árabes. Todavia, mantém alguns traços das religiões naturais. Por exemplo, crêem que certas árvores têm poderes sagrados.

Em certos ritos ungem os corpos com uma espécie de manteiga. Atribuem um grande poder aos restos mortais das pessoas e, todos os anos, celebram a festa dos mortos, chamada «Rabena». Muitos levam amuletos de coro ao pescoço que contêm ervas e versos do Alcorão.

Os Issas Quinze milhões de issas vivem espalhados por oito países no Nordeste de África. Nove milhões vivem na República da Somália, dois quais dois milhões são nómadas.

Na Etiópia vivem entre três e cinco milhões. Habitam em tendas feitas de peles e couros presos em varas de madeiras curvas. O curral dos animais fica perto das casas. São as mulheres que montam o acampamento que congrega a família alargada. No caso de poligamia, cada mulher tem uma tenda. O número de divórcios é elevado. A custódia dos filhos é decidida segundo os sexos: os pais ficam com os filhos e as mães com as filhas. O primogénito da primeira esposa é quem herda a chefia. Em caso de guerra, o conselho dos chefes de família escolhe um líder para a ocasião. Quando viajam, levam as estacas, a pele, o couro e outras madeiras nas costas de camelos. Quando encontram um local para se instalar, agrupam-se e fazem ao redor da área uma cerca com arbustos torcidos e espinhos. São um dos grupos mais homogéneos de África: falam uma língua comum, professam o Islão como única fé e partilham a mesma herança cultural.

Cada clã issa identifica-se através da ligação a um antepassado comum e por ocuparem sempre os mesmos terrenos. A existência de poços é que dita a escolha destas propriedades. As mulheres e as crianças pequenas cuidam das ovelhas e cabras, enquanto os homens e os rapazes mais crescidos apascentam os camelos e as vacas. Deles retiram o leite, o seu principal alimento. A carne é só para ocasiões especiais. As crianças aprendem a história e as tradições do povo através da poesia.

Os Issa têm uma memória extraordinária e cantarolam contos folclóricos para se divertir nas longas caminhadas durante a noite. A seca, a fome e a guerra têm dispersado muitos para os países vizinhos e dividido os seus lares. Os que fugiram para o Iémen e a Etiópia enfrentam mais guerra, mais pobreza e mais rivalidade entre os clãs. A esperança de vida é de 46 anos.

Outras tribos Na Eritreia, além dos Afares, vivem uns 107 mil Bejas. Eles foram os primeiros pastores de África (2700 a. C.). São hospitaleiros e gentis com os outros clãs mas facilmente litigam com os estrangeiros.

Seguem um «islamismo popular», que é uma mistura da fé islâmica com as suas crenças tradicionais. Contêm tribos menores, como os Ababde, Hedareb, Bisharin e os Hadendoa. No Centro deste país moram os Tigrinya e os Bilen; no Norte – e Nordeste da Etiópia –, os Tigre; no Sudoeste, os Saho, os Kunama e os Nara; e, no Noroeste, os Rashaida.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Um sistema de purificação de água de grande eficiência energética


Um sistema de purificação de água  de grande eficiência energética e custo razoável que está sendo usado em um campo do Chile poderá um dia fornecer água potável para milhões de pessoas nos países subdesenvolvidos.

Criado por cientistas Chilenos, o sistema limpa a água contaminada ao atingi-la com partículas ionizadas, tornando-a potável.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Desertificação



No dia 17 de junho, de todos os anos, comemora-se o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca.

A Desertificação é definida como processo de destruição do potencial produtivo da terra nas regiões de clima árido, semi-árido e sub-úmido seco. O problema vem sendo detectado desde os anos 30, nos Estados Unidos, quando intensos processos de destruição da vegetação e solos ocorreu no Meio Oeste americano.

Muitas outras situações consideradas como graves problemas de desertificação foram sendo detectadas ao longo do tempo em vários países do mundo. América Latina, Ásia, Europa, África e Austrália oferecem exemplos de áreas onde o homem, através do uso inadequado e/ou intensivo da terra, destruiu os recursos e transformou terras férteis em desertos ecológicos e econômicos.
A medida que o estudo sobre a origem dos desertos evoluiu, surgiram conceitos a respeito do assunto:
Deserto: região de clima árido; a evaporação potencial é maior que a precipitação média anual. Caracteriza-se por apresentar solos ressequidos; cobertura vegetal esparsa, presença de xerófilas e plantas temporárias.
Desertificação: origina-se pela intensa pressão exercida por atividades humanas sobre ecossistemas frágeis, cuja capacidade de regeneração é baixa.
Processo de desertificação: diz respeito a atividade predatória que irá conduzir a formação de desertos.
Área de desertificação: é a área onde o fenômeno já se manifesta.
Área propensa à desertificação: área onde a fragilidade do ecossistema favorece o processo de instalação da desertificação.
Deserto específico: a desertificação já se manifesta em grau máximo.
As causas mais freqüentes da desertificação estão associadas ao uso inadequado do solo e da água no desenvolvimento de atividades agropecuárias, na mineração, na irrigação mal planejada e no desmatamento indiscriminado.
Principais problemas:
  • vulnerabilidade às secas, que impactam diretamente a agricultura de sequeiro e pecuária
  • fraca capacidade de reorganizar a estrutura produtiva do sertão
  • desmatamento resultante da pecuária extensiva e do uso de madeira para fins energéticos
  • problemas graves de desertificação já identificados
  • sinalização dos solos decorrente do manejo inadequado na agricultura e no pastoreio
  • perda de dinamismo de atividades industriais e comerciais
  • precária conservação da infra-estrutura rodoviária
  • precário atendimento dos serviços de comunicação
  • precário sistema de difusão tecnológica
  • baixa produção científica e tecnológica para as necessidades do semi-árido
  • deficiência nos níveis de capacitação da mão-de-obra rural, industrial e do comércio
  • fragilidade institucional
  • gestão municipal sem planejamento e comprometimento com objetivos a longo prazo.
A desertificação ocorre em mais de 100 países do mundo. Por isso é considerada um problema global. No Brasil existem quatro áreas, que são chamadas núcleos de desertificação, onde é intensa a degradação. Elas somam 18,7 mil km² e se localizam nos municípios de Gilbués, no Piauí; Seridó, no Rio Grande do Norte; Irauçuba, no Ceará e Cabrobó, em Pernambuco. As regiões áridas, semi-áridas e subúmidas secas, também chamadas de terras secas, ocupam mais de 37% de toda a superfície do planeta, abrigando mais de 1 bilhão de pessoas, ou seja, 1/6 da população mundial, cujos indicadores são de baixo nível de renda, baixo padrão tecnológico, baixo nível de escolaridade e ingestão de proteínas abaixo dos níveis aceitáveis pela Organização Mundial de Saúde - OMS. Mas a sua evolução ocorre em cada lugar de modo específico e apresenta dinâmicas influenciadas por esses lugares.
As regiões sul-americana e caribenha têm inúmeros países com expressivas áreas de seus territórios com problemas de desertificação. Os mais significativos são Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Cuba, Peru e México.
Possíveis causas da desertificação podem ser apuradas.
O desmatamento, que além de comprometer a biodiversidade, deixa os solos descobertos e expostos à erosão, ocorre como resultado das atividades econômicas, seja para fins de agricultura de sequeiro ou irrigada, seja para a pecuária, quando a vegetação nativa é substituída por pasto, seja diretamente para o uso da madeira como fonte de energia (lenha e carvão).
O uso intensivo do solo, sem descanso e sem técnicas de conservação, provoca erosão e compromete a produtividade, repercutindo diretamente na situação econômica do agricultor. A cada ano, a colheita diminui, e também a possibilidade de ter reservas de alimento para o período de estiagem. É comum verificar-se, no semi-árido, a atividade da pecuária ser desenvolvida sem considerar a capacidade de suporte da região, o que pressiona tanto pasto nativo como plantado, além de tornar o solo endurecido, compacto.
A irrigação mal conduzida provoca a salinização dos solos, inviabilizando algumas áreas e perímetros irrigados do semi-árido, o problema tem sido provocado tanto pelo tipo de sistema de irrigação, muitas vezes inadequado às características do solo, quanto, principalmente, pela maneira como a atividade é executada, fazendo mais uma molhação do que irrigando.
Além de serem correlacionados, esses problemas desencadeiam outros, de extrema gravidade para a região. É o caso do assoreamento de cursos d'água e reservatórios, provocado pela erosão, que, por sua vez, é desencadeada pelo desmatamento e por atividades econômicas desenvolvidas sem cuidados com o meio ambiente.
Conseqüências da desertificação:
Natureza ambiental e climática
Como perda de biodiversidade (flora e fauna), a perda de solos por erosão, a diminuição da disponibilidade de recursos hídricos, resultado tanto dos fatores climáticos adversos quando do mau e a perda da capacidade produtiva dos solos em razão da baixa umidade provocada, também, pelo manejo inadequado da cobertura vegetal.

Natureza social
Abandono das terras por partes das populações mais pobres, a diminuição da qualidade de vida e aumento da mortalidade infantil, a diminuição da expectativa de vida da população e a desestruturação das famílias como unidades produtivas. Acrescente-se, também, o crescimento da pobreza urbana devido às migrações, a desorganização das cidades, o aumento da poluição e problemas ambientais urbanos.

Natureza econômica
Destacam-se a queda na produtividade e produção agrícolas, a diminuição da renda do consumo das populações, dificuldade de manter uma oferta de produtos agrícolas de maneira constante, de modo a atender os mercados regional e nacional, sobretudo a agricultura de sequeiro que é mais dependente dos fatores climáticos.

Natureza político institucional
Há uma perda da capacidade produtiva do Estado, sobretudo no meio rural, que repercute diretamente na arrecadação de impostos e na circulação da renda e, por outro lado, criam-se novas demandas sociais que extrapolam a capacidade do Estado de atendê-las.
As áreas desertificadas brasileiras apresentam características geoclimáticas e ecológicas, as quais contribuíram para que o processo fosse acelerado. Diversas regiões brasileiras padecem deste problema, como por exemplo:

- Semi-árido
Sua área total é de aproximadamente 1.150.662 Km² o que corresponde a 74,30% da superfície nordestina e 13,52% do Brasil.

- Bahia
Corresponde a 9,3% da superfície estadual (52,5 mil Km²) em processo de desertificação. Localiza-se na margem direita do rio São Francisco abrangendo o sertão de Paulo Afonso.

- Pernambuco
Dados (Sema 1986) mostram que cerca de 25 Km² (25%) do estado estão tomados pela desertificação atingindo os municípios de Itacombira, Cabrobó, Salgueiro e Parnamirim.

- Piauí
1.241 Km² da área piauiense encontram-se em acelerado processo de desertificação, exemplo deste fenômeno pode ser visto na região de Chapadas do Vale do Gurgéia, município de Gilbués.

- Sergipe
Estão em processo de desertificação no Sergipe cerca de 223Km².

- Rio Grande do Norte
Representa 40% do estado tomado pela desertificação; a intensiva extração de argila e a retirada da cobertura vegetal para a obtenção de lenha para as olarias acelera ainda mais o processo.

- Ceará
A área desertificada corresponde a 1.451 Km² no município de Irauçuba.

- Paraíba
A região do semi-árido é a mais propensa ao processo de desertificação, principalmente onde os solos são utilizados de maneira irracional. A desertificação atinge cerca de 27.750 Km² (49,2%), abrangendo 68 municípios.

- Amazônia
Também apresenta áreas em processo de savanização decorrentes de desmatamentos indiscriminados.

- Rondônia
Corre grande risco de início do processo de desertificação; várias áreas são desmatadas para fins agrícolas e ocupação indiscriminada do solo.

- Paraná
Apresenta problemas de degradação nas áreas de ocorrência do arenito Caiuá; a agricultura é praticada sem haver uma preocupação com o manejo e a conservação do solo, problema acentuado pela devastação de florestas nativas.

- Mato Grosso do Sul
O processo ocorre principalmente na região sudoeste do estado, área de ocorrência do Arenito Caiuá, apresentando aspectos avançados de degradação (50 mil hectares).

- São Paulo
Dados da SEMA de 1986 já identificavam que, aproximadamente 70% das áreas agriculturáveis do estado estavam tomadas por intenso processo erosivo.

- Rio Grande do Sul
Área do sudoeste do estado como os municípios de Alegrete, São Francisco de Assis, Santana do Livramento, Rosário do Sul, Uruguaiana, Quaraí, Santiago e Cacequí são atingidos pela desertificação. Outras áreas passíveis de degradação estão presentes no sul-riograndense, em especial onde predominam os solos originários do Arenito Botucatu; faz-se necessário um estudo de capacidade de uso, conservação e manejo para que tais áreas não iniciem rapidamente o processo de degradador.

- Minas Gerais
De acordo com estudos realizados, 12.862 Km² estão propensos à desertificação, sendo divididos em 3 áreas:

I - engloba as bacias dos rios Abaeté, Borrachudo e Indaiá na região centro-oeste do estado (11.446 Km²).
II - ocorre na bacia do rio Gorotuba, região centro-norte ocupando 42 Km² de área.
III - localizada nas bacias dos Médios e Baixos São Pedro e São Domingos compreendendo 1.375 Km² de área.

Diante de tudo o que foi abordado, conclui-se que o processo de recuperação de uma área desertificada é complexo, pois necessita de ações capazes de controlar, prevenir e recuperar as áreas degradadas. Paralelamente a estas ações, cabe uma maior conscientização política, econômica e social no sentido de minimizar e/ou combater a erosão, a salinização, o assoreamento entre outros.

Está previsto no Capítulo 12 da Agenda 21, a criação de seis áreas-programas para combate a desertificação com ações regionais.

Fonte: CAVALCANTI, E. Para Compreender a Desertificação: Uma abordagem didática e integrada. Instituto Desert. Julho de 2001.






Via http://www.ambientebrasil.com.br/
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