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A guerra na Somália se intensificou com o envolvimento de forças militares etíopes no conflito entre o governo interino somali e a milícia islâmica que controla boa parte do país.
Forças etíopes e do governo tomaram várias cidade que estavam sob controle da União das Cortes Islâmicas (UCI) e avançam em direção à capital, Mogadíscio.
As últimas informações eram de que as milícias estavam se retirando de suas posições.
O número de mortos ainda é incerto. Ambos os lados afirmam que mataram vários oponentes. A ONU está preocupada com a precária situação dos milhares de refugiados deixados pelo conflito.
Entenda melhor o conflito na Somália e os interesses em jogo.
Quem, afinal, governa a Somália?
É um governo interino - liderado pelo presidente Abdullahi Yusuf e reconhecido pela comunidade internacional - tido como fraco e cada vez mais impotente para lidar com as milícias das União das Cortes Islâmicas (UCI).
O ministro da Defesa teve que fugir com suas tropas quando as UCI avançaram sobre o porto de Kismayo, até então controlado pelo governo.
O governo, cuja sede fica em Baidoa, pediu ajuda internacional. O Conselho de Segurança da ONU aprovou planos de enviar uma força de paz africana para apoiar o governo.
O apoio mais consistente ao governo vem da Etiópia, que iniciou uma incursão militar direta na Somália contra alvos da milícia islâmica.
O que é a União das Cortes Islâmicas?
Trata-se de uma rede formada por 11 tribunais islâmicos criados na capital somali, Mogadíscio, financiados por comerciantes e empresários preocupados com a crescente anarquia na cidade.
O objetivo da UCI é restaurar e impor a Sharia, lei islâmica, e por fim à impunidade e a criminalidade na região. Moradores locais disseram que a atividade criminosa foi reduzida na cidade graças às milícias.
Mas há temores de que o objetivo real das milícias seria o de transformar a Somália num Estado islâmico.
Os Estados Unidos temem que a UCI esteja dando refúgio a militantes da Al-Qaeda, e acredita-se que Washington esteja apoiando a aliança de líderes tribais formada em Mogadíscio para combater a milícia.
Quem apóia a União das Cortes Islâmicas ?
A milícia tem ficado cada vez mais popular entre os residentes da capital somali, mas não se sabe ao certo de onde vêm as armas e o financiamento de sua campanha militar.
Um relatório da ONU disse que as Cortes estavam sendo providas de armas pela Eritréia, e que o governo interino somali estava sendo armado pela Etiópia.
Houve quem dissesse que a UCI estaria sendo financiada pela Arábia Saudita.
Quais são as supostas ligações com a Al-Qaeda?
A UCI nega qualquer ligação com a Al-Qaeda. Mas diplomatas acreditam que pequenos grupos de militantes, entre eles estrangeiros, estariam operando no país.
Houve pelo menos quatro ataques contra alvos dos Estados Unidos ou Israel em países do leste africano, todos eles ligados à Somália.
Qual é o papel da Etiópia no conflito?
A Etiópia estava preocupada com o avanço da milícia islâmica na Somália, que considera uma ameaça, e, por isso, resolveu intervir com uma ação militar no país vizinho.
O Exército etíope enviou tanques e artilharia pesada ao país, e jatos da força aérea etíope bombardearam alvos da milícia islâmica.
O exército da Etiópia é um dos maiores e mais bem-equipados da África, com mais de cem mil soldados treinados.
O primeiro-ministro etíope, Meles Zeawi, disse querer uma guerra "rápida e vitoriosa".
Vários grupos rebeldes tinham prometido resistir ao avanço etíope - o que parece não ter se concretizado.
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sábado, 25 de março de 2017
Entenda a crise na conturbada Somália
sexta-feira, 27 de julho de 2012
A fome na Somália - um ano depois: O longo caminho para a resistência à seca
Exatamente há um ano atrás, as Nações Unidas decretaram o estado de fome no sul da Somália. A crise de seis meses causou milhares de mortes e exigiu um programa de ajuda humanitária massivo antes de ter sido declarada oficialmente terminada em 2 de fevereiro de 2012.
Hoje a Somália está no caminho para a recuperação, mas a situação continua crítica e a continuidade da ajuda é vital para preservar a segurança alimentar.
Luca Alinovi, que comanda as operações da FAO na Somália, adverte: “através da conceção e execução de melhores processos de recuperação, vimos as comunidades voltarem a erguer-se em meses. Mas o perigo é que elas poderiam voltar a ficar em crise, se nos desligarmos agora.”
Grave perigo
Esse perigo torna-se ainda mais grave tendo em conta a última previsão da Unidade de Análise de Segurança Alimentar e Nutricional da FAO na Somália que adverte que as chuvas reduzidas deste ano vão resultar numa colheita abaixo da média ou pobre em muitas partes do sul, incluindo a região de Bay, a maior produtora de sorgo. Esta área é normalmente responsável ??por cerca de dois terços da produção total de sorgo do país.
Isto poderia levar a uma deterioração da situação de segurança alimentar – atualmente classificada como muito crítica em muitas partes do sul da Somália – apesar dos consideráveis esforços ??humanitários desenvolvidos pela FAO e outros atores nacionais e internacionais. Cerca de 3,4 milhões de somalis continuam a receber apoio na forma de auxílio em dinheiro ou comida.
Uma produção agrícola fraca é também provável na zona Central agro-pastoril, como resultado de chuvas irregulares e abaixo do normal, que combinadas com a infestação de pragas têm implicações óbvias sobre o acesso das famílias aos alimentos.
Promover a resiliência
A estratégia da FAO no sul da Somália tem passado por ajudar os agricultores e pastores a construir a longo prazo resistência à seca e outras emergências, numa região assolada por secas recorrentes.
A ajuda concedida pela FAO a mais de um milhão de pessoas passou por intervenções com base na transferência de dinheiro, que ajudam as comunidades vulneráveis ??a comprar imediatamente alimentos e que, em conjunto com fatores de produção agrícola e serviços de saúde animal, permitem que as pessoas permaneçam nos seus locais de origem. Foram distribuídos fertilizantes e sementes melhoradas e 14 milhões de animais foram vacinados. A assistência permitiu aos agricultores nas regiões de Bay e Shabelle duplicarem a sua produção de milho e sorgo no ano passado.
“Durante a seca sobrevivemos à base de uma refeição por dia e não podíamos sequer comprar leite”, explicou Abdirahman Fatuma Aden, uma mãe de oito filhos que trabalhava num programa da FAO de dinheiro por trabalho em Gedo, no sul da Somália. “Mas agora ganho pelo menos 18 dólares por semana e posso pagar três refeições aos meus filhos e em breve vou substituir a cabras que perdi na seca”, acrescentou.
Além de colocar dinheiro nos bolsos das pessoas, os programas baseados na transferência de dinheiro também beneficiam as comunidades a longo prazo com a melhoria das infraestruturas. Por exemplo, cerca de 1.626 km de canais foram reabilitados e servem agora 82.231 agricultores, que podem beneficiar da irrigação e não dependem mais da agricultura de sequeiro.
“Há também uma crescente necessidade de construir redes de segurança social para proteger os mais vulneráveis se e quando a seca voltar novamente no futuro”, acrescentou Alinovi. “A continuidade da ajuda humanitária é de extrema importância”.
Grave perigo
Esse perigo torna-se ainda mais grave tendo em conta a última previsão da Unidade de Análise de Segurança Alimentar e Nutricional da FAO na Somália que adverte que as chuvas reduzidas deste ano vão resultar numa colheita abaixo da média ou pobre em muitas partes do sul, incluindo a região de Bay, a maior produtora de sorgo. Esta área é normalmente responsável ??por cerca de dois terços da produção total de sorgo do país.
Isto poderia levar a uma deterioração da situação de segurança alimentar – atualmente classificada como muito crítica em muitas partes do sul da Somália – apesar dos consideráveis esforços ??humanitários desenvolvidos pela FAO e outros atores nacionais e internacionais. Cerca de 3,4 milhões de somalis continuam a receber apoio na forma de auxílio em dinheiro ou comida.
Uma produção agrícola fraca é também provável na zona Central agro-pastoril, como resultado de chuvas irregulares e abaixo do normal, que combinadas com a infestação de pragas têm implicações óbvias sobre o acesso das famílias aos alimentos.
Promover a resiliência
A estratégia da FAO no sul da Somália tem passado por ajudar os agricultores e pastores a construir a longo prazo resistência à seca e outras emergências, numa região assolada por secas recorrentes.
A ajuda concedida pela FAO a mais de um milhão de pessoas passou por intervenções com base na transferência de dinheiro, que ajudam as comunidades vulneráveis ??a comprar imediatamente alimentos e que, em conjunto com fatores de produção agrícola e serviços de saúde animal, permitem que as pessoas permaneçam nos seus locais de origem. Foram distribuídos fertilizantes e sementes melhoradas e 14 milhões de animais foram vacinados. A assistência permitiu aos agricultores nas regiões de Bay e Shabelle duplicarem a sua produção de milho e sorgo no ano passado.
“Durante a seca sobrevivemos à base de uma refeição por dia e não podíamos sequer comprar leite”, explicou Abdirahman Fatuma Aden, uma mãe de oito filhos que trabalhava num programa da FAO de dinheiro por trabalho em Gedo, no sul da Somália. “Mas agora ganho pelo menos 18 dólares por semana e posso pagar três refeições aos meus filhos e em breve vou substituir a cabras que perdi na seca”, acrescentou.
Além de colocar dinheiro nos bolsos das pessoas, os programas baseados na transferência de dinheiro também beneficiam as comunidades a longo prazo com a melhoria das infraestruturas. Por exemplo, cerca de 1.626 km de canais foram reabilitados e servem agora 82.231 agricultores, que podem beneficiar da irrigação e não dependem mais da agricultura de sequeiro.
“Há também uma crescente necessidade de construir redes de segurança social para proteger os mais vulneráveis se e quando a seca voltar novamente no futuro”, acrescentou Alinovi. “A continuidade da ajuda humanitária é de extrema importância”.
Exatamente há um ano atrás, as Nações Unidas decretaram o estado de fome no sul da Somália. A crise de seis meses causou milhares de mortes e exigiu um programa de ajuda humanitária massivo antes de ter sido declarada oficialmente terminada em 2 de fevereiro de 2012.
Hoje a Somália está no caminho para a recuperação, mas a situação continua crítica e a continuidade da ajuda é vital para preservar a segurança alimentar.
Luca Alinovi, que comanda as operações da FAO na Somália, adverte: “através da conceção e execução de melhores processos de recuperação, vimos as comunidades voltarem a erguer-se em meses. Mas o perigo é que elas poderiam voltar a ficar em crise, se nos desligarmos agora.”
Grave perigo
Esse perigo torna-se ainda mais grave tendo em conta a última previsão da Unidade de Análise de Segurança Alimentar e Nutricional da FAO na Somália que adverte que as chuvas reduzidas deste ano vão resultar numa colheita abaixo da média ou pobre em muitas partes do sul, incluindo a região de Bay, a maior produtora de sorgo. Esta área é normalmente responsável ??por cerca de dois terços da produção total de sorgo do país.
Isto poderia levar a uma deterioração da situação de segurança alimentar – atualmente classificada como muito crítica em muitas partes do sul da Somália – apesar dos consideráveis esforços ??humanitários desenvolvidos pela FAO e outros atores nacionais e internacionais. Cerca de 3,4 milhões de somalis continuam a receber apoio na forma de auxílio em dinheiro ou comida.
Uma produção agrícola fraca é também provável na zona Central agro-pastoril, como resultado de chuvas irregulares e abaixo do normal, que combinadas com a infestação de pragas têm implicações óbvias sobre o acesso das famílias aos alimentos.
Promover a resiliência
A estratégia da FAO no sul da Somália tem passado por ajudar os agricultores e pastores a construir a longo prazo resistência à seca e outras emergências, numa região assolada por secas recorrentes.
A ajuda concedida pela FAO a mais de um milhão de pessoas passou por intervenções com base na transferência de dinheiro, que ajudam as comunidades vulneráveis ??a comprar imediatamente alimentos e que, em conjunto com fatores de produção agrícola e serviços de saúde animal, permitem que as pessoas permaneçam nos seus locais de origem. Foram distribuídos fertilizantes e sementes melhoradas e 14 milhões de animais foram vacinados. A assistência permitiu aos agricultores nas regiões de Bay e Shabelle duplicarem a sua produção de milho e sorgo no ano passado.
“Durante a seca sobrevivemos à base de uma refeição por dia e não podíamos sequer comprar leite”, explicou Abdirahman Fatuma Aden, uma mãe de oito filhos que trabalhava num programa da FAO de dinheiro por trabalho em Gedo, no sul da Somália. “Mas agora ganho pelo menos 18 dólares por semana e posso pagar três refeições aos meus filhos e em breve vou substituir a cabras que perdi na seca”, acrescentou.
Além de colocar dinheiro nos bolsos das pessoas, os programas baseados na transferência de dinheiro também beneficiam as comunidades a longo prazo com a melhoria das infraestruturas. Por exemplo, cerca de 1.626 km de canais foram reabilitados e servem agora 82.231 agricultores, que podem beneficiar da irrigação e não dependem mais da agricultura de sequeiro.
“Há também uma crescente necessidade de construir redes de segurança social para proteger os mais vulneráveis se e quando a seca voltar novamente no futuro”, acrescentou Alinovi. “A continuidade da ajuda humanitária é de extrema importância”.
Grave perigo
Esse perigo torna-se ainda mais grave tendo em conta a última previsão da Unidade de Análise de Segurança Alimentar e Nutricional da FAO na Somália que adverte que as chuvas reduzidas deste ano vão resultar numa colheita abaixo da média ou pobre em muitas partes do sul, incluindo a região de Bay, a maior produtora de sorgo. Esta área é normalmente responsável ??por cerca de dois terços da produção total de sorgo do país.
Isto poderia levar a uma deterioração da situação de segurança alimentar – atualmente classificada como muito crítica em muitas partes do sul da Somália – apesar dos consideráveis esforços ??humanitários desenvolvidos pela FAO e outros atores nacionais e internacionais. Cerca de 3,4 milhões de somalis continuam a receber apoio na forma de auxílio em dinheiro ou comida.
Uma produção agrícola fraca é também provável na zona Central agro-pastoril, como resultado de chuvas irregulares e abaixo do normal, que combinadas com a infestação de pragas têm implicações óbvias sobre o acesso das famílias aos alimentos.
Promover a resiliência
A estratégia da FAO no sul da Somália tem passado por ajudar os agricultores e pastores a construir a longo prazo resistência à seca e outras emergências, numa região assolada por secas recorrentes.
A ajuda concedida pela FAO a mais de um milhão de pessoas passou por intervenções com base na transferência de dinheiro, que ajudam as comunidades vulneráveis ??a comprar imediatamente alimentos e que, em conjunto com fatores de produção agrícola e serviços de saúde animal, permitem que as pessoas permaneçam nos seus locais de origem. Foram distribuídos fertilizantes e sementes melhoradas e 14 milhões de animais foram vacinados. A assistência permitiu aos agricultores nas regiões de Bay e Shabelle duplicarem a sua produção de milho e sorgo no ano passado.
“Durante a seca sobrevivemos à base de uma refeição por dia e não podíamos sequer comprar leite”, explicou Abdirahman Fatuma Aden, uma mãe de oito filhos que trabalhava num programa da FAO de dinheiro por trabalho em Gedo, no sul da Somália. “Mas agora ganho pelo menos 18 dólares por semana e posso pagar três refeições aos meus filhos e em breve vou substituir a cabras que perdi na seca”, acrescentou.
Além de colocar dinheiro nos bolsos das pessoas, os programas baseados na transferência de dinheiro também beneficiam as comunidades a longo prazo com a melhoria das infraestruturas. Por exemplo, cerca de 1.626 km de canais foram reabilitados e servem agora 82.231 agricultores, que podem beneficiar da irrigação e não dependem mais da agricultura de sequeiro.
“Há também uma crescente necessidade de construir redes de segurança social para proteger os mais vulneráveis se e quando a seca voltar novamente no futuro”, acrescentou Alinovi. “A continuidade da ajuda humanitária é de extrema importância”.
segunda-feira, 12 de março de 2012
SOMÁLIA: SARAMPO AINDA É UMA GRANDE AMEAÇA PARA A POPULAÇÃO
Devido à insegurança e a falta de autorização das autoridades da Somália, MSF não consegue realizar campanhas de vacinação em massa em diversas regiões do país
Martina Bacigalupo
12 de março de 2012 – A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) alerta que o sarampo está se alastrando sem controle por diversas regiões do sul da Somália. A doença é altamente contagiosa, e as crianças são especialmente vulneráveis, sobretudo se estiverem desnutridas. Nas últimas semanas, o número de pacientes atendidos com sarampo teve um aumento significativo em alguns projetos de MSF. Muitos estavam em estado grave.
Os conflitos no sul da Somália são um fator chave para a grave situação de desnutrição no país, para a baixa taxa de cobertura de vacinação e a falta de acesso a serviços de saúde. Esses fatores acabam facilitando a dispersão de uma série de enfermidades, como o sarampo, e agravando a situação do país.
“Nas últimas semanas, nós diagnosticamos e tratamos mais de 300 pacientes com sarampo – a maioria crianças –, nas cidades de Haramka e Marere, na região de Lower Juba Valley”, disse Silvia Colona, coordenadora de projeto no sul da Somália. “Na semana passada, nós também montamos uma unidade de tratamento contra sarampo na cidade de Kismayo, que ficou imediatamente cheia de crianças em estado grave.”
O sarampo é fatal se não for tratado, sobretudo para crianças pequenas, mas com a assistência médica adequada, a maioria dos pacientes sobrevive. “Eu sabia que ele estava com sarampo”, disse uma mãe que trouxe seu filho para a unidade de tratamento em Kismayo. “Mas eu não sabia onde podia levá-lo para receber tratamento até que meus parentes me falaram desse local.”
Infelizmente, a falta de informação e a insegurança da região estão impedindo muitas outras pessoas de receber tratamento. “Nós acreditamos que essa é só a ponta do iceberg, e que devem existir muitas outras pessoas com sarampo que não conseguem chegar as nossas instalações”, concluiu Silvia.
O sarampo pode ser prevenido facilmente por meio de vacinas, que são muito baratas. Mas a cobertura de vacinação em diversas regiões da Somália é muito baixa, e as dificuldades de logísticas e segurança não são os únicos motivos para isso. MSF tem que esperar pela autorização das autoridades em diversas regiões do país para realizar campanhas de vacinação contra sarampo. Assim que a organização conseguir autorização, as campanhas de vacinação serão uma prioridade, pois um grande número de mortes poderá ser evitado.
MSF continua oferecendo assistência médica e humanitária à população somali dentro do país e em acampamentos de refugiados no Quênia e na Etiópia. De maio a dezembro de 2011, a organização tratou mais de 95 mil pacientes com desnutrição, e vacinou mais de 235 mil crianças contra sarampo – além de tratar seis mil com a doença – em regiões onde as campanhas de vacinação são permitidas e nos acampamentos de refugiados nos países vizinhos. Em todas as instalações médicas de MSF, cerca de 540 mil consultas médicas foram realizadas.
Infelizmente, MSF teve que reduzir suas atividades em Mogadíscio, capital da Somália, no final do ano passado, devido ao assassinato de dois profissionais da organização. Além disso, após o sequestro de outras duas profissionais da área de logística, em outubro e 2011, as atividades no acampamento de refugiados de Dadaab (destino de muitos somalis que fogem da complicada situação no país) também foram reduzidas. MSF pede a todos os somalis – aqueles da diáspora, aos líderes comunitários e especialmente às autoridades que controlam as áreas da Somália onde nossas colegas sequestradas estão detidas – que façam todo o possível para facilitar a libertação segura das duas.
sábado, 20 de agosto de 2011
FAO considera 'provável' que a crise de fome se estenda na África
Um dos planos é beneficiar os governos dos países afetados com sistemas produtivos necessários para evitar outra situação semelhante no futuro
O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), Jacques Diouf (Remo Casilli / Reuters)
O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), Jacques Diouf, considerou nesta quinta-feira como "provável" que a situação de crise de fome, declarada em cinco regiões da Somália, se estenda pelo sul do país até o final do mês. Durante discurso na abertura da cúpula sobre o Chifre da África que a FAO realiza em Roma, o responsável da agência das Nações Unidas apostou por beneficiar os governos dos países afetados pela fome com sistemas produtivos necessários para evitar outra situação igual no futuro.
"Nas últimas três semanas desde nossa última reunião (25 de julho, em Roma), a crise no Chifre da África agravou-se, tornando-se dramática", comentou Diouf, que a partir de janeiro de 2012 será substituído no cargo pelo brasileiro José Graziano da Silva. "Dispomos de planos de investimento já aprovados, mas falta financiamento. Se os governos e seus parceiros doadores não agirem agora, a crise de fome voltará novamente e será uma vergonha para a comunidade internacional", indicou.
O diretor-geral da FAO lembrou ainda que 12,4 milhões de pessoas precisam de ajuda urgente no Chifre da África para sobreviver à crise alimentícia provocada pela pior seca nos últimos 60 anos na região. "É nossa responsabilidade ajudar às populações afetadas, já que é inadmissível que nos dias de hoje, com os recursos financeiros, as tecnologias e os conhecimentos disponíveis, mais de 12 milhões de pessoas morram de fome", acrescentou.
Lentidão - Como explicou o principal responsável da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, as ajudas chegam "lentamente" às áreas afetadas e as necessidades imediatas "ficam progressivamente satisfeitas", mas é preciso pensar no futuro para que esta crise não volte a acontecer.
"Claro que hoje temos de salvar vidas, mas devemos contribuir, ao mesmo tempo, para o desenvolvimento de modos de vida sustentáveis, para evitar catástrofes como estas no futuro. As populações no Chifre da África fazem esforços louváveis, mas seus recursos se esgotaram pela combinação de seca, preços altos dos alimentos e conflitos", indicou Diouf.
Crise - A FAO considera que a atual crise alimentícia do Chifre da África, onde há 2,3 milhões de crianças afetadas por desnutrição, é também consequência de três décadas de investimento insuficiente na agricultura e no desenvolvimento rural. "É importante, diante da previsão de chuva em outubro, repovoar os rebanhos e apoiar a produção agrícola em pequena escala, com o fornecimento de sistemas de irrigação, adubos e técnicas adequadas. Isto deverá estender-se até a temporada de chuvas, na primavera de 2012", explicou o diretor-geral da FAO.
A ministra de Agricultura do Quênia, Sally Kosgei, indicou que a situação que vive os países do Chifre da África "foi grave e é grave, muito dura" em seu discurso na cúpula da FAO, preparatória à reunião convocada pela União Africana (UA) em Adis-Abeba, marcada para 25 de agosto.
"Nas últimas três semanas desde nossa última reunião (25 de julho, em Roma), a crise no Chifre da África agravou-se, tornando-se dramática", comentou Diouf, que a partir de janeiro de 2012 será substituído no cargo pelo brasileiro José Graziano da Silva. "Dispomos de planos de investimento já aprovados, mas falta financiamento. Se os governos e seus parceiros doadores não agirem agora, a crise de fome voltará novamente e será uma vergonha para a comunidade internacional", indicou.
O diretor-geral da FAO lembrou ainda que 12,4 milhões de pessoas precisam de ajuda urgente no Chifre da África para sobreviver à crise alimentícia provocada pela pior seca nos últimos 60 anos na região. "É nossa responsabilidade ajudar às populações afetadas, já que é inadmissível que nos dias de hoje, com os recursos financeiros, as tecnologias e os conhecimentos disponíveis, mais de 12 milhões de pessoas morram de fome", acrescentou.
Lentidão - Como explicou o principal responsável da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, as ajudas chegam "lentamente" às áreas afetadas e as necessidades imediatas "ficam progressivamente satisfeitas", mas é preciso pensar no futuro para que esta crise não volte a acontecer.
"Claro que hoje temos de salvar vidas, mas devemos contribuir, ao mesmo tempo, para o desenvolvimento de modos de vida sustentáveis, para evitar catástrofes como estas no futuro. As populações no Chifre da África fazem esforços louváveis, mas seus recursos se esgotaram pela combinação de seca, preços altos dos alimentos e conflitos", indicou Diouf.
Crise - A FAO considera que a atual crise alimentícia do Chifre da África, onde há 2,3 milhões de crianças afetadas por desnutrição, é também consequência de três décadas de investimento insuficiente na agricultura e no desenvolvimento rural. "É importante, diante da previsão de chuva em outubro, repovoar os rebanhos e apoiar a produção agrícola em pequena escala, com o fornecimento de sistemas de irrigação, adubos e técnicas adequadas. Isto deverá estender-se até a temporada de chuvas, na primavera de 2012", explicou o diretor-geral da FAO.
A ministra de Agricultura do Quênia, Sally Kosgei, indicou que a situação que vive os países do Chifre da África "foi grave e é grave, muito dura" em seu discurso na cúpula da FAO, preparatória à reunião convocada pela União Africana (UA) em Adis-Abeba, marcada para 25 de agosto.
quinta-feira, 27 de março de 2008
Somália
A Somália está localizada no extremo leste do continente africano, onde, junto com a Etiópia e o Quênia, forma a região semi-árida conhecida como Chifre da África. O território somali apresenta paisagens variadas com regiões montanhosas ao norte, desertos e savanas na área central e uma região subtropical ao sul.
Embora as estimativas de população variem muito, é certo que o país possui mais de sete milhões de habitantes, dos quais mais de um milhão já abandonou o território somali, fugindo da presente anarquia e caos social que afligem o país. Até 1993, cerca de 250 mil pessoas já haviam morrido, vítimas da fome e da guerra civil. A grande maioria da população pertence à etnia somali, que se divide em inúmeros clãs. Os quatro maiores clãs – Dir, Daarwood, Hawiye e Isxaaq –, no entanto, respondem por aproximadamente três quartos da população do país. Vinte por cento dos somalis pertencem aos vários clãs localizados no sul do país, considerados inferiores, e uma pequena minoria pertence à etnia dos bantos. Apenas 26% dos habitantes vivem em áreas urbanas e quase a metade da população tem idade inferior a 15 anos. O analfabetismo atinge mais de três quartos dos adultos somalis.
A Somália é uma das nações mais pobres do mundo e a renda per capita do país é de apenas US$ 110 por ano. Após anos de guerra civil, a economia entrou em colapso e é controlada por uma minoria que explora o narcotráfico, a venda de armas e o comércio de alimentos. A maioria dos somalis vive da pecuária e da agricultura de subsistência, e depende dos programas de ajuda humanitária.
A Somália tornou-se independente em 1960, quando italianos e britânicos se retiraram e o território foi unificado. Desde sua independência, tem tido conflitos com a Etiópia pela posse da região de Ogaden. A guerra fria acabou por beneficiar a Somália economicamente, pois o país recebia subsídios da União Soviética em um primeiro momento e, mais tarde, passou a recebê-los dos Estados Unidos. Apesar disso, os conflitos internos e externos acabaram por devastar a nação e sua população. Em 1991, uma sangrenta guerra civil derrubou a ditadura governante e lançou o país em uma anarquia civil, com mais de 20 clãs armados lutando entre si pelo poder. Em 1992, as Nações Unidas intervêm no conflito a fim de fornecer ajuda humanitária aos necessitados. Embora o caos e a luta entre os diversos clãs ainda persistam em quase todo o território somali, um governo de transição para promover o processo de paz foi estabelecido no ano 2000, após a iniciativa do presidente de Djibuti, Ismael Omar Guelleh, de reunir mais de 2 mil representantes somalis em seu país.
O islamismo é a religião oficial da Somália e, com raras exceções, a maioria dos somalis segue a tradição sunita. Há alguns hindus entre os indianos que trabalham no país.
A Igreja
Os primeiros missionários cristãos chegaram à Somália em 1881. Em quase um século de trabalho, eles conseguiram algumas centenas de convertidos, até que foram obrigados a se retirar do país em 1974. Em 1995, havia mais de 100 mil cristãos na Somália, mas a grande maioria constituía-se de refugiados das guerras na Etiópia. Existem apenas algumas centenas de convertidos entre os cidadãos somalis, todos vivendo sob severa perseguição.
A Perseguição
Em 1972, o governo tomou todas as propriedades das igrejas. Com a perda de suas instalações, a maioria dos missionários cristãos deixou o país. Os muçulmanos têm acusado as organizações cristãs de ajuda humanitária de aproveitarem a situação para divulgar o Evangelho. Tais acusações acabam atraindo a atenção da mídia e levando a ataques públicos contra os cristãos por parte dos jornais locais. Além disso, os partidos políticos muçulmanos têm publicado relatórios que detalham os programas evangelísticos e advertem severamente o povo somali a manter distância de tais atividades.
Foi no Canadá, no início dos anos 80, que Muhammad Hussein Ahmed (Haji) ouviu o Evangelho e converteu-se ao cristianismo. Este cidadão somali estava na América do Norte recebendo educação avançada, após formar-se na Universidade de Lafole, localizada próxima à capital somali, Mogadíscio. Ao retornar do Canadá, ele trabalhou como professor no Lafole Teachers Training Institute até o início da guerra civil. Em 1993, Haji foi contratado para a função de coordenador educacional por uma organização não-governamental.
Como era uma pessoa culta e letrada, Haji trabalhava no fornecimento de livros didáticos às escolas – que funcionavam sob circunstâncias extremamente difíceis no país. No final de 1994, ele começou a se sentir inseguro quando os fundamentalistas muçulmanos passaram a exercer sua ofensiva; afinal, eles já haviam assassinado cinco cristãos que moravam naquela área. Haji relatou que os muçulmanos o abordaram e lhe perguntaram porque ele não freqüentava a mesquita. Ele procurou apresentar todas as desculpas possíveis e imagináveis, mas eles continuavam a incomodá-lo. Seus opositores já sabiam que Haji era um cristão confesso, mas queriam testá-lo.
No ano seguinte, ele recebeu ameaças de morte e começou a pensar em deixar Mogadíscio. Alguns meses mais tarde, durante o Ramadã de 1996, observado nos meses de janeiro e fevereiro, Haji se mostrou muito aberto com relação à sua fé. Durante as refeições, o somali agradecia pelo alimento com orações que todos podiam ouvir. Um outro cristão contou que Haji acreditava que seria o próximo a ser morto.
Certa manhã, quando ele e seu filho caminhavam em direção ao escritório, um carro parou abruptamente perto deles. Alguns homens desceram e obrigaram Haji a entrar no veículo, desaparecendo em seguida e deixando seu filho para trás, que gritava em desespero. Alguns colegas cristãos começaram a ficar preocupados quando Haji não apareceu no escritório nas horas seguintes. Todos sabiam das ameaças, mas o medo evitava que alguém comentasse abertamente sobre elas. No dia seguinte, um corpo foi encontrado nas ruínas de uma casa nas redondezas. Era Haji. Ele havia sido assassinado com um tiro na nuca.
O Futuro
Embora o número de cristãos na Somália seja grande, quase todos são refugiados ortodoxos provenientes da Etiópia que detêm pouca ou nenhuma influência sobre a sociedade somali. Com a pressão exercida por cada setor da sociedade sobre os poucos milhares de cristãos de cidadania somali, o futuro da igreja no país é desencorajador. Mesmo o crescimento demográfico da igreja é nulo, porque a maioria dos cristãos somalis não são casados. Com exceção da Igreja Ortodoxa, todas as demais denominações cristãs presentes na Somália têm presenciado uma drástica diminuição do número de seus membros ao longo das últimas décadas. Este declínio parece não mostrar sinais de enfraquecimento e, se o quadro atual não sofrer uma mudança radical, o cristianismo corre sério risco de ser eliminado na Somália.
Motivos de Oração
1. O povo somali sofre com a anarquia política e social. Atualmente, o país é governado por líderes regionais que agem impune e violentamente. Cada líder mantém sob controle uma região específica e todos lutam entre si constantemente a fim de obter mais poder. A população encontra-se no meio do fogo cruzado. Ore pedindo o fim da anarquia e o estabelecimento de um governo estável.
2. Cristãos somalis vivem sob constante perseguição. Converter-se ao cristianismo é o mesmo que fazer um convite aos radicais para assassiná-lo. Todos os cristãos vivem sob severa perseguição e receiam pela própria segurança e a de seus familiares. Muitos travam uma luta íntima em relação à decisão de manter sua condição em segredo ou declarar-se abertamente e compartilhar a fé. Ore pedindo sabedoria e proteção aos cristãos somalis.
3. Grupos cristãos de ajuda humanitária sofrem com os ataques dos fundamentalistas islâmicos. Grupos humanitários cristãos podem oferecer uma importante ajuda para melhorar a qualidade de vida do povo somali. No entanto, muitos deles assumem um alto risco ao atuar no país. Comboios têm sido atacados e seus equipamentos confiscados. Além disso, alguns de seus funcionários já foram ameaçados e mesmo mortos. Ore por uma melhoria nas relações entre os ministérios cristãos e aqueles que detêm o poder local.
4. As transmissões de programas evangelísticos são prejudicadas pela imagem negativa divulgada pela imprensa. Os programas cristãos de rádio e televisão, assim como a literatura, têm colhido alguns frutos. Por essa razão, os ataques da mídia somali são constantes. Ore para que os frutos se multipliquem apesar dos ataques.
5. A igreja somali está quase extinta. Ore pela reimplantação das igrejas no país. Com apenas algumas centenas de cristãos somalis, é necessário que o trabalho missionário seja recomeçado da estaca zero. Isso exigirá métodos completamente inovadores para se alcançar o sucesso almejado. Ore e peça coragem e sabedoria aos líderes da igreja somalia.
FOTOS

Camelos pastando


A bela, porém vazia costa, próximo a Mogadisciu



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