As perturbações ambientais provocadas pelas mudanças climáticas globais vêm tornando-se mais frequentes e afetam o cultivo de alimentos e a criação animal no mundo inteiro. Incêndios florestais, secas e inundações são os efeitos mais evidentes destas mudanças, as quais são objeto de preocupação da Diaconia, organização formada por igrejas evangélicas, cujos valores são baseados em princípios do reino de Deus, a exemplo da promoção da paz, da justiça e do respeito à igualdade de direitos. Firmada nestes princípios cristãos, a Diaconia defende a construção de uma sociedade justa, pelo serviço ao próximo, entre eles o cuidado com a criação.
A Diaconia contribui para restaurar a relação de homens e mulheres com a natureza, garantindo o direito das pessoas de conviver num mundo equilibrado, com boas práticas ambientais e qualidade de vida.
O salmista diz em seus poemas que “ao Senhor pertencem a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele habitam” (Sl 24.1). A Diaconia assume esta afirmativa como parte da “prática de sua fé” ajudando e empoderando politicamente famílias do Semiárido brasileiro no cuidado com a criação. Desenvolve projetos de boas práticas ambientais, com igrejas evangélicas e redes locais de articulação da sociedade civil, sensibilizando, mobilizando e capacitando famílias agricultoras para a transformação de suas vidas.
Uma das grandes iniciativas da instituição é o Biodigestor Sertanejo, que produz gás de cozinha, adubo orgânico, contribui para a diminuição do aquecimento global, melhora a saúde das pessoas e aumenta a renda das famílias. Um bom exemplo de transformação socioambiental é a experiência inspiradora do casal de agricultores Deda e Genedite. Eles melhoraram sua qualidade de vida por meio de práticas de convivência respeitosa com o meio ambiente. Possuem uma área de cultivo de produção de alimentos em bases agroecológicas, sistemas de captação de água da chuva e um biodigestor. (Para entender melhor esta experiência inspiradora que mudou a vida de Deda e Genedite, leia a história completa nowww.diaconia.org.br.)
Para mudar a vida das famílias, é importante fortalecer o diálogo e o engajamento de igrejas cristãs, organizações da sociedade civil e redes locais de articulação – todos assumindo o princípio de luta por justiça de Deus. A Diaconia participa de articulações como a Rede Miqueias, Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) e Fórum Ecumênico ACT Brasil. Acreditamos que nosso papel é o de contribuir para a restauração das relações entre a humanidade e a natureza, por meio de articulações sociais que lutam por direitos, implementação de tecnologias sociais e influência em políticas públicas necessárias para se ter um meio ambiente saudável e sustentável.
Até 2050, a população mundial irá provavelmente aumentar em 35%. Para alimentar todas e todos, a produção agrícola terá de duplicar. O que podemos fazer para alimentar esta crescente população e proteger o meio ambiente ao mesmo tempo?
A agricultura é maior empreendimento humano na Terra, usando mais de 38% de terra livre. No entanto, apenas 55% das calorias de cereais do mundo alimentam as pessoas diretamente – 36% alimentam o gado e 9% vão para os biocombustíveis e a indústria. Além disso, aproximadamente 25% dos alimentos do mundo são perdidos ou desperdiçados.
Não precisamos necessariamente de mais comida. Precisamos pensar nas prioridades. Em 2050, a população mundial provavelmente aumentará em até 35%. Para alimentar essa população, a produção agrícola terá que duplicar.
Como a prosperidade está impulsionando a demanda por mais carne, um pobre comércio de valiosas calorias, a nossa necessidade de alimentos representa um dos maiores perigos para o mundo. A agricultura emite mais gases de efeito estufa do que os veículos, e limpar o habitat para criar terras agrícolas acelera a perda de biodiversidade.
Então, o que nós podemos fazer? E se a gente parar de cortar as florestas e aprimorar as fazendas que temos? Utilizar os recursos de forma mais eficiente? Mudar nossa alimentação? Reduzir o desperdício? Soluções vão nos ajudar a alimentar um planeta com fome e um planeta saudável.
Joanesburgo – Com 39 representações diplomáticas no continente africano, o Brasil alcançou, nos últimos anos, um novo patamar em sua relação com a África. Antes de 2003, havia 18 embaixadas e um consulado em território africano. Dez anos depois, o governo havia ampliado o número de representações diplomáticas em mais 19 embaixadas e 1 consulado e dado um salto no intercâmbio comercial de 410%, segundo a APEX (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). Nas últimas semanas, esse engajamento brasileiro não pôde deixar de ser lembrado diante do anúncio do ministro das Relações Exteriores do governo provisório, José Serra, que solicitou estudos sobre as representações diplomáticas do Brasil na África e na Ásia. A iniciativa gerou incômodo diante da possibilidade de reduzir a presença brasileira no continente africano.
Em discurso de boas-vindas ao novo ministro, o embaixador Mauro Vieira, que ocupou a pasta no governo da presidenta afastada Dilma Rousseff, lembrou que o Brasil foi protagonista de ações importantes para o mundo como a assinatura do Acordo de Paris (compromisso de reduzir as emissões de gases de efeito estufa para combater as mudanças climáticas) e a Cúpula de Nairóbi (para pôr fim aos subsídios sobre exportações agrícolas), que trouxe avanço para as questões agrícolas.
Das cinco embaixadas que o novo governo planejava fechar, de acordo com informações de fontes do Itamaraty ao Por dentro da África, o número caiu para duas. Libéria e Serra Leoa seriam os países escolhidos para reduzir a presença brasileira no continente, mas o Ministério das Relações Exteriores ainda não confirmou.
Celso Amorim – Divulgação
Em entrevista ao Por dentro da África, o ex-chanceler (durante os dois governos de Luiz Inácio Lula da Silva) Celso Amorim lembrou que a Libéria, incluída no possível corte, é o único país africano governado por uma mulher, que pacificou o país após uma brutal guerra civil e comandou a luta contra o ebola. Ellen Johnson-Sirleaf foi reeleita em 2011 para um novo mandato, mesmo ano em que venceu o prêmio Nobel da Paz.
– O Brasil praticamente dobrou o número de embaixadas na África. No início do governo Lula, foi criada, por exemplo, a embaixada em São Tomé e Príncipe, o único de língua portuguesa onde não tínhamos representação. Dentre as muitas iniciativas importantes, o Brasil abriu um escritório da Embrapa em Gana e uma fábrica de antirretrovirais em Moçambique. Desde o início, a batalha era pela África. Eu dizia isso quando estava na ONU, principalmente, porque, em qualquer votação da ONU, a África sempre foi e será fundamental – destacou Amorim.
Esse caminho que o Brasil percorreu ao encontro da África repercutiu no reconhecimento da posição do país num contexto maior de interação com países do Atlântico Sul e da África do Norte, como o Egito e o Marrocos, por exemplo. Essa expansão dos interesses brasileiros para o Atlântico Sul (reforçado com o surgimento dos BRICS – grupo político de cooperação formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e países árabes teve como consequência sobretudo o protagonismo brasileiro em negociações internacionais, além de receber cargos importantes como a direção da FAO, comandada por José Graziano da Silva, e a direção da Organização Mundial do Comércio, comandada por Roberto Azevêdo.
A notícia de que o governo interino estaria estudando fechar embaixadas brasileiras em países africanos causou preocupação naqueles que conhecem o crescimento do continente, que é de mais de 5% ao ano, desde o começo deste século. Para ser concretizada, a medida deveria ter respaldo em cálculos econômicos e orçamentários, o que, até agora, não foi comprovado. No total, o Itamaraty emprega 91 diplomatas em missão permanente e 6 em missão transitória na África, segundo dados de junho de 2016 do Ministério das Relações Exteriores. Uma ação como essa, possivelmente, acarretaria perdas políticas relevantes de curto e longo prazos para a atuação brasileira.
-Uma das primeiras viagens que eu fiz à África Oriental foi a Nairóbi (Quênia), onde eu me deparei com o nosso arquivo dentro de um banheiro feminino. Ter uma embaixada lá e em outros países da região era crucial além dos custos serem bem reduzidos. Muitas vezes, os custos de aluguel de uma representação na África são inferiores aos reparos rotineiros de representações em lugares como Paris e Washington. Na outra ponta, na África Ocidental, a presença do Brasil é extremamente relevante. Se houver um problema grave na Guiné-Bissau, por exemplo, temos como agir com a nossa representação em Serra Leoa, Senegal – exemplificou Amorim, autor dos livros Conversa com jovens diplomatas (Benvirá, 2011), Breves narrativas diplomáticas (Benvirá, 2013), Teerã, Ramalá e Doha – Memórias da Política Externa Ativa e Altiva (Benvirá, 2015).
O historiador Alberto da Costa e Silva, que foi embaixador na Nigéria e no Benim, lembra que, nos anos 1990, as relações comerciais e diplomáticas declinaram. Em 1993, o Brasil tinha 24 diplomatas na África, em 1983, eram 34. Uma das primeiras medidas do Itamaraty durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi o de reabrir embaixadas e consulados que haviam sido fechados, além de abrir outras em novas capitais, marcando assim a presença brasileira pela primeira vez.
Alberto da Costa e Silva – Divulgação
-O despertar para África chegou com a abertura de 19 embaixadas em todo o continente africano, com 33 viagens presidenciais de Lula ao continente que hoje importa programas brasileiros como o Bolsa Família e influencia projetos como a merenda escolar e agricultura familiar, vigentes em países como Etiópia, Moçambique, Níger, Senegal e Malawi – destacou o ex-diplomata Alberto.
Na arena política multilateral, a perda do peso político do Brasil seria seguramente uma consequência, lembrando que o apoio dos países em desenvolvimento – especialmente africanos e caribenhos – fez com que o Brasil alcançasse vitórias importantes no plano internacional.
-A nossa presença na África tem a ver com a nossa presença no mundo. Esse reconhecimento foi a coisa mais importante que ganhamos com todas essas negociações comerciais. O fato de o Brasil ter uma grande entrada na África nos dá “cacife” para conversar com outros blocos e países – disse Amorim.
Laços e aproximação entre Brasil e África
A relação entre Brasil e África, esses dois pedaços de terra ligados pelo Atlântico, começou bem antes do tráfico transatlântico (que trouxe cerca de 5 milhões de africanos escravizados para o Brasil entre os séculos XVI e XVIII) e seguiu pelos séculos seguintes. Quando o processo de descolonização na África ganhou força (na década de 60), o Brasil foi um dos primeiros a buscar parcerias com as novas nações africanas independentes, sendo pioneiro a reconhecer a independência de Angola, em 1975.
Rwandas-new-parliament
Atualmente, a África registra taxas elevadas de crescimento, acima da média mundial. Neste ano, de acordo com o Banco Mundial, a África Subsaariana deve crescer 4%. Entre os que mais crescem estão Ruanda (7% em 2015), país que se orgulha por ter a maior participação feminina em um Parlamento (mais de 60%).
Voltando algumas décadas, nos anos 1950 e início dos anos 1960, a África experimentou a grande euforia da liberdade. O colonialismo durou muito pouco tempo (por volta 1900 a 1970), mas causou um dano imensurável como no Congo do rei Leopoldo, da Bélgica, que usava o território como possessão pessoal e não como uma colônia de Estado. Essa foi a maior anomalia da colonização, lembrou Costa e Silva.
– Apesar de ter durado pouco, o colonialismo em toda a África teve um impacto espantoso. Em um espaço de 60 anos, apareceu a luz elétrica, o telégrafo, a máquina a vapor, o rádio, a aspirina, a psicanálise, o raio X… A Europa e os EUA promoveram um impacto assustador dos novos costumes. Na medida em que os povos começavam aprender a ler, a escrever, eles começavam a olhar de forma diferente, estabeleciam uma espécie de conflito entre o que eram e o que desejavam ser porque o poder colonial fazia questão de humilhar (vou usar um verbo forte) o conquistado – contou ao Por dentro da África o autor de “A Enxada e a Lança: a África antes dos Portugueses” e “A Manilha e o Lilambo: a África e a Escravidão, de 1.500 a 1700”.
Hoje, Costa e Silva ressalta que o mundo começa a ter uma ideia menos falsa da África de hoje e da África aonde chegaram os europeus, no século XV. Começa a se verificar que os europeus tinham uma visão mais aberta do que aqueles que chegaram antes dos séculos XIX e XX.
– Houve o período das grandes ditaduras e, depois, um enfraquecimento do governo e um palatino regresso da tradição africana, que é a do consenso, do respeito pela diferença. Hoje, regimes como o de Robert Mugabe (presidente do Zimbábue desde 1981) são exceção na África – disse Alberto.
Cooperação brasileira
Hoje, a cooperação brasileira beneficia mais de 30 países da África (há 55 países no continente contando com Saara Ocidental), com um orçamento de cerca de US$ 57 milhões em projetos. A Agência Brasileira de Cooperação (ABC/MRE) coordena cerca de 150 iniciativas (muitas ainda estão no papel) com destaque para projetos em Angola, Argélia, Benin, Cabo Verde, Guiné Bissau, Mali, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Senegal e Tanzânia. Os países de língua portuguesa reúnem o maior número de projetos e orçamento quando comparados aos países das Áfricas francófona e anglófona somados.
Cabe ressaltar que essas colaborações entre instituições nasceram, em geral, de interesses concretos e afins; por isso, podem ser até mais produtivas no terreno do que aquelas iniciativas formalmente concluídas pela ABC.
PAA Africa – Foto: FAO
A atuação brasileira se estende por muitas áreas. O maior número de programas abrange temas como agricultura, saúde, educação e formação profissional. O Projeto “Cotton-4”, por exemplo, promove a cooperação técnica brasileira no setor algodoeiro africano – que ocupa posição estratégica na política de desenvolvimento e redução da pobreza de vários países do continente. Com o apoio técnico da Embrapa, o “Cotton-4” atingiu expressivos resultados nos países beneficiários (Benin, Burkina Faso, Chade e Mali, na primeira fase do projeto).
Na área humanitária, de 2006 a 2015, o país realizou 682 ações internacionais de cooperação humanitária (com medicamentos e alimentos), das quais 392 foram viabilizadas por meio de dotação orçamentária do Ministério das Relações Exteriores, que beneficiava mais de 96 países na América Latina e Caribe, África, Ásia e Oriente Médio.
Em 2014, de acordo com a APEX, o superávit para o lado africano foi US$ 7,4 bilhões, com o Brasil exportando US$ 9,7 bilhões e importando US$17,1 bilhões. Segundo a agência, entre 2002 e 2012, o intercâmbio comercial entre Brasil e África aumentou 410%. Entre 2004 e 2014, as exportações brasileiras para os países africanos cresceram 131%, com destaque para açúcar, carne bovina, carne de aves e cereais. Esses números tão positivos para as economias do Brasil e da África vão de encontro a ideia de que a relação com o continente se guia apenas por programas sociais. Em discurso, o novo ministro desqualificou a presença brasileira dizendo que ela não pode se guiar só pela solidariedade.
Esse movimento de olhar e negociar com a África ecoou na América do Sul. A Cúpula América do Sul–África (ASA), por exemplo, foi parte desse processo. Por ser o único mecanismo a reunir periodicamente líderes africanos e sul-americanos, é uma plataforma privilegiada para o estreitamento de laços entre as duas regiões. A ASA reúne 66 países (54 africanos e 12 sul-americanos), um terço dos membros da ONU, dois organismos regionais e atores privados. O PIB de seus países era da ordem de US$6 trilhões, em 2011, e um total de mais de 1,4 bilhão de pessoas.
Brasil e alimentação escolar na África
Na área da alimentação escolar, Daniel Balaban, chefe do Centro de Excelência contra a Fome, disse em entrevista ao Por dentro da África que o Brasil é um exemplo internacional porque tem um programa universal, gratuito, não excludente, que atende 45 milhões de estudantes todos os dias, desde a creche até o final do ensino médio.
Daniel Balaban – Divulgação
– São 54 milhões de refeições servidas diariamente que seguem padrões nutricionais eficientes, respeitando culturas locais e comprando ao menos 30% diretamente da agricultura familiar, gerando também emprego e renda. Esse modelo chamou interesse de vários países em desenvolvimento do mundo, em especial os africanos – ressaltou Balaban, que já esteve em missão em 20 países africanos.
O Centro de Excelência contra a Fome do PMA/ONU é um núcleo de cooperação Sul-Sul, resultado de uma parceria entre o Programa Mundial de Alimentos e o governo brasileiro para apoiar governos na África, Ásia e América Latina na busca por soluções sustentáveis contra a fome. É uma plataforma de conhecimento que reúne nações para ajudá-las a desenvolver políticas nacionais por meio de aconselhamento político de alto nível, assistência técnica e oportunidades de diálogo entre pares.
Balaban lembra a importância do Brasil nesse processo, pois trata-se de um país em desenvolvimento, respeitado e considerado pelos países africanos. O papel do Brasil nesse processo é de facilitar o diálogo e liberar membros especialistas dos governos federal, estadual e municipal para participarem das missões e diálogos nacionais.
– Uma mudança da política externa sem dar a devida atenção aos países africanos seria desconhecer a importância do continente, seu crescimento econômico e, principalmente, o potencial do Brasil como um grande player internacional na cooperação internacional sul-sul – disse Balaban, completando que o centro, inaugurado em novembro de 2011, recebeu 46 missões de estudo de 38 países diferentes.
PAA Africa – Senegal – Divulgação
Muitas das políticas sociais brasileiras inspiraram programas em diferentes países africanos como, por exemplo, o Bolsa Família. Nesta área que une agricultura e preocupação com nutrição, o papel do Brasil foi vital para as ações do PAA Africa. Em 2010, um diálogo entre Brasil e África sobre segurança alimentar foi o ponto de partida para reforçar as possibilidades de cooperação entre o continente africano e o lado brasileiro.
O PAA Africa (Purchase from Africans for Africa) é uma iniciativa do governo brasileiro em parceria com o PMA (Programa Mundial de Alimentos), a FAO (Organização da ONU para Alimentação e Agricultura) e o DFID (Departamento para Desenvolvimento Internacional do Reino Unido) para promover a segurança alimentar e o fortalecimento da agricultura familiar no Malawi, Moçambique, Etiópia, Níger e Senegal.
A inspiração na experiência brasileira de combate à fome é apenas um dos exemplos que aproximam o país africano do Brasil. Em Gana, atualmente, há cinco construtoras e duas investidoras na área agrícola. Uma delas, é a Brasil Agrobusiness, que veio do Rio Grande do Sul, planta e vende arroz para o mercado interno e para os países da região. Outra empresa brasileira, a Usibras, em atuação na agricultura ganense, assume o posto de maior exportadora de castanha de caju do país.
Na área da construção civil, entre um dos projetos desenvolvidos pelas construtoras brasileiras, segundo a embaixadora brasileira no país, Irene Vida Gala, está a renovação do mercado de Kumasi (região dos ashanti localizada no centro do país), o maior mercado da África Ocidental, com uma movimentação de 300 mil pessoas por dia. Esse projeto foi desenvolvido em parceria com o professor ganense Ebenezer Takiwa, que passou 20 anos de sua vida estudando o centro comercial mais importante do país.
Irene Gala – Por dentro da África
– Quando eu cheguei aqui, havia 50 brasileiros; hoje, somos 500. Estamos mais bem vistos por aqui. As empresas brasileiras têm perfil de seguir os padrões de segurança. Com base nisso, fui convidada por uma associação de engenheiros do país que reconhecem o trabalho do Brasil. Eu tenho bastante orgulho das empresas que estão aqui porque temos feito um bonito trabalho – ressalta Irene sobre o acréscimo da comunidade brasileira em solo ganense. De acordo com dados do Ministério das Relações Exteriores, em 2015, havia mais de 25 mil brasileiros vivendo na África.
Economia africana: As previsões de crescimento são de 50% até 2019
De acordo com a consultora Deloitte, a economia africana tem previsão de crescimento de cerca de 50% – de 1,1 bilhões de dólares para 3,17 bilhões de dólares até 2019. Em 2030, mais de 500 milhões de africanos pertencerão à classe média. A população será, também, maioritariamente jovem, com cerca de 680 milhões de pessoas – ou seja, cerca de 60% da população – abaixo dos 25 anos.
O continente está sendo disputado palmo a palmo desde o ano 2000 pelos países em desenvolvimento, sobretudo a China, mas também India, Turquia, Rússia, Singapura, Tailândia. Além das grandes potências colonizadoras, Grã-Bretanha e França, e os países ricos, principalmente EUA e Japão. Todos percebem que a África é a maior reserva natural de riquezas do mundo, que são essenciais para o desenvolvimento de cada um destes países, sobretudo por conta das terras agriculturáveis para plantação de alimentos, petróleo, gás e minérios.
Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, em 2000, o total de exportação brasileira para a África era de mais de 1.3 bilhão de dólares. Em 2015, esse número foi de mais de 8.2 bilhões de dólares. Em relação à importação, o salto foi de 2.9 bilhões, em 2000, para 8.7 bilhões, lembrando que, em 2014, as importações superaram os 17 bilhões.
Esse crescimento certamente influenciou na abertura do escritório do BNDES na África. Em 2013, o banco abriu a sua sede africana em Joanesburgo, África do Sul, para melhor orientar e atender as demandas de empresários brasileiros.
Sobre a dívida africana, de acordo com o artigo “Revisiting Debt Sustainability in Africa”, a relação dívida/PIB dos países africanos, em média, está em 23%, bem abaixo da relação dívida/PIB média dos países da zona do Euro (que está hoje na casa dos 90%). O FMI considera como prudente para países em desenvolvimento uma relação dívida/PID de 60%.
O perdão e renegociação da dívida africana
Em cerimônia na União Africana, em Adis Abeba, na Etiópia, em 25 de maio de 2013, a presidenta Dilma Rousseff anunciou o desejo de concluir o processo de perdão e renegociação da dívida de países africanos. Essas negociações já estavam em andamento, algumas, há décadas. A medida beneficiaria o Brasil (o governo passaria a receber parte deste montante e as empresas brasileiras, que teriam a permissão para participar de editais e novos contratos nos países) e 12 nações africanas como Senegal, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Gabão, Mauritânia, São Tomé e Príncipe, Sudão e Guiné-Bissau.
A renegociação da dívida de cerca de 900 milhões de dólares com o governo brasileiro não foi tomada isoladamente, foi uma recomendação da comunidade internacional, inclusive do FMI e Banco Mundial, que criaram a Iniciativa para Países Pobres e Altamente Endividados. A lei federal 9665, que autoriza as operações de perdão de dívida, é de autoria do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Foto: PAA Africa – Divulgação
Na época do anúncio, analistas do Itamaraty sentaram e analisaram caso a caso levando em conta a existência de uma restrição na lei que não permite o cancelamento de 100% da divida. Diante dessa regra, de acordo com a situação de cada país, cerca de 80% da dívida seria perdoada e 20% renegociada. Cabe ressaltar que esse processo foi feito em consulta com o Clube de Paris, instituição dedicada a ajudar financeiramente países com dificuldades econômicas. A percepção que prevalece no Clube de Paris é de que o peso das dívidas torna insustentável a recuperação das economias africanas.
O anúncio sobre a renegociação da dívida africana foi noticiada de forma irresponsável por alguns veículos brasileiros como o Jornal O Globo, que, em 4/8/2013, publicou a reportagem com o seguinte título “Filho de ditador gasta em compras o dobro da dívida com o Brasil”. Cabe destacar que a Guiné Equatorial, país que o jornal citou em sua reportagem, não tem dívida com o Brasil. Na ocasião, o veículo confundiu Guiné Equatorial com Guiné-Conacri, países que nem sequer fazem fronteiras.
Em 5 de agosto de 2013, senadores de oposição ao governo aprovaram mudanças na tramitação de projetos de renegociação de dívidas externas com o Brasil. Hoje, alguns países como Senegal e Sudão tiveram acordos de reestruturação da dívida aprovados pelo Senado, enquanto outros foram barrados.
“O Brasil não nos dá o peixe; o Brasil nos ensina a pescar”
Acra, Gana – Por dentro da África
Durante visita ao continente africano como ministro da Defesa, posto que ocupou durante o primeiro governo Dilma, Amorim lembra que o então presidente da Namíbia, Hifikepunye Pohamba, disse a ele algo que o deixou muito feliz. “A diferença da cooperação com o Brasil e outras economias, sejam tradicionais, sejam economias emergentes, é que o Brasil não nos dá o peixe; o Brasil nos ensina a pescar”.
Avaliando o que Pohamba falou, Amorim acredita que essa deve ser a diferença da cooperação do Brasil com os outros países. Para ele, a política do Brasil em relação à África está consolidada, mas ainda é preciso se interessar e estimular essa relação, que não é só política ou comercial, mas humana.
Presidente Pohamba – Divulgação
Observando o avanço econômico, social e político, é possível ver que a presença brasileira na África ajuda a construir confiança e a estreitar posições nos foros regionais e multilaterais. Muitas vitórias diplomáticas brasileiras se devem a essa relação. As nações africanas, em geral, veem o Brasil com especial carinho, como um país africano fora da África.
-A cooperação entre Brasil e África tem muitas facetas. Uma frase que sintetiza essa relação é a do acadêmico africano Calestous Juma que diz que “para cada problema africano, existe uma solução brasileira”. Eu não sei se isso é verdade, mas, se esse lema for seguido, o Brasil poderá fazer a diferença na ajuda ao continente africano. E isso só fará engrandecer humanamente este país. Essa troca de experiências e aprendizados vem trazendo muitos benefícios tanto para África quanto para o Brasil. Não se pode subestimar o nosso valor de influenciar e beneficiar a África e o próprio país – completou Amorim.
Em um pequeno estande da GuyExpo, a principal feira da Guiana, o Escritório de Pesticidas e Produtos Químicos Tóxicos, uma agência do governo, tenta atrair visitantes.
Um armário com recipientes de vidro contendo líquidos borbulhantes com as cores da bandeira do país (vermelho, preto, verde, branco e amarelo) chama atenção.
Alguns chegam e pegam folhetos que alertam: "Lembre-se! Guardar os pesticidas em local adequado pode salvar vidas".
Em meio à excitação e ao otimismo com a feira, que faz parte das comemorações do 50º aniversário da independência da Guiana, o estande é um lembrete das muitas vidas que foram ceifadas no país devido à ingestão de venenos, herbicidas e pesticidas de fácil acesso.
Localizada no litoral norte da América do Sul, a Guiana é um país pequeno com uma população diversificada de pouco mais de 750 mil habitantes. Mas também possui a maior taxa proporcional de suicídio do mundo.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que 44,2 em cada 100 mil pessoas se matam na ex-colônia britânica (no Brasil, esse índice é de 5,8 pessoas por 100 mil habitantes).
Como uma prisão: assim é a Unidade Psiquiátrica do hospital da capital, Georgetown (Foto: BBC Mundo)
Estigma
"Ninguém sabe o número exato de suicídios", ressalva à BBC William Adu-Krow, representante da OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) e da OMS na Guiana.
"Além disso, acredito que esse número seja subestimado. Por causa do estigma que envolve o suicídio, o paciente que tenta tirar a própria vida não diz que tomou veneno, por exemplo, mas, quando chega ao hospital, fala que se sentiu mal e não consegue respirar."
Bibi Ahamad: "O suicídio é um grande tabu na Guiana" (Foto: BBC Mundo)
Na ausência de um centro toxicológico no país, a obtenção de dados confiáveis é ainda mais difícil.
"O suicídio é um grande tabu aqui", diz Bibi Ahamad, vice-presidente da filial guianense da ONG La Voz del Caribe, com sede em Nova York.
A ONG usa redes sociais e programas de mensagem como o WhatsApp para se comunicar com pessoas que entram em contato em busca de conselhos e apoio psicológico.
"O número de tentativas de suicídio é muito, muito alto. Por exemplo, falei com uma adolescente que havia tentado se matar seis vezes, mas ninguém lhe ofereceu ajuda, ninguém prestou atenção no caso dela", explica Ahamad.
Autoridades guianenses reconheceram como "vergonhosa" atenção dada à saúde mental da população (Foto: BBC Mundo)
Razões
Um dos casos mais famosos no país foi o do comediante Kirk "Chow Pow" Jardine, que sobreviveu a uma tentativa de suicídio.
"Fui viciado em drogas por 21 anos e perdi o interesse na vida em determinado momento", disse ele à BBC. "Pensei que todos os meus problemas tinham ficado maiores do que eu".
Mas Jardine procurou ajuda e se submeteu a um processo de reabilitação, dando a volta por cima.
"Hoje sou o principal comediante da Guiana. E em vez de lágrimas, faço as pessoas sorrirem", diz.
Mas ele é um dos poucos que têm sorte. Com poucos estudos disponíveis, estabelecer as razões por trás da alta taxa de suicídio é difícil.
Um levantamento feito com sobreviventes de suicídio no hospital público de Georgetown, capital do país, constatou que os principais fatores são geralmente desavenças familiares, problemas de relacionamento e violência doméstica.
Outros mencionam a pressão dos colegas, o preconceito contra a comunidade LGBT, a pobreza, a desigualdade no acesso à educação e à saúde, e até mesmo a glorificação do suicídio em filmes e novelas da Índia, o chamado "efeito de Bollywood" (mais de 65% dos casos ocorrem dentro da comunidade de imigrantes indianos).
"No ano passado, nós (na Voz del Caribe) nos concentramos principalmente em ações de sensibilização para os sinais de alerta, mitos e desinformação", diz Ahamad.
"Mas decidimos focar em questões como alcoolismo e dependência de drogas, estupro, incesto e gravidez na adolescência".
'Manicômio'
Porém, o sistema de saúde mental na Guiana é, segundo a OMS, "fragmentado, pobre em recursos e não está integrado à rede global de cuidados de saúde."
Sistema de Saúde Pública não oferece apoio a suicidas potenciais (Foto: BBC Mundo)
A Guiana possui apenas cinco psiquiatras e um hospital psiquiátrico, que está localizado em East Berbice-Corentyne, a região com a maior taxa de suicídio no país.
Fundado pelo governo britânico em 1867 inicialmente como um "hospício", o Hospital Psiquiátrico Nacional enfrenta escassez de recursos. O ministro de Saúde Pública, George Norton, que é médico, descreveu o estado do hospital como "vergonhoso" depois de visitá-lo no ano passado.
Há também uma pequena unidade psiquiátrica no Hospital Público de Georgetown, que não está em melhor situação.
Jovens vulneráveis
A dimensão da crise é significativa, principalmente entre os jovens.
Segundo o Ministério da Saúde Púbica, entre 2006 e 2008, o suicídio foi a principal causa de morte entre os guianenses com idade entre 15 e 24 anos.
"Acredito que uma das razões é que eles não têm com quem falar sobre seus problemas", diz à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, Daniel Ali, estudante de medicina que coordena oficinas de prevenção de suicídio em escolas junto a professores e alunos. O trabalho é desenvolvido em colaboração com a ONG Give Foundation Guyana.
"Eles têm muita dificuldade em confiar em alguém. Eles têm medo de que a primeira coisa que vão ouvir é 'por que você está tentando fazer isso consigo mesmo?'. Eles temem o estigma e a discriminação", afirma.
"O outro problema é a questão da confidencialidade. Eles se preocupam que suas vidas privadas se tornem público".
Imprensa
Com frequência, a imprensa da Guiana é acusada de ser excessivamente dramática e insensível em sua cobertura sobre o suicídio e outras doença mentais.
"Todos os dias a imprensa relata suicídios em detalhes e o que as vítimas fizeram antes de tirarem a própria vida", conta à BBC Mundo Jorge Balseiro, psiquiatra do Hospital Público de Georgetown.
Em novembro do ano passado, quando as autoridades descobriram corpos de um casal após um aparente pacto suicida, vários meios de comunicação publicaram fotos da cena, nas proximidades de uma praia.
Balseiro defende que o jornalismo mude a cobertura dos casos de suicídio (Foto: BBC Mundo)
Balseiro diz esperar que a imprensa possa ajudar a prevenir suicídios promovendo um jornalismo mais responsável na Guiana, seguindo uma normativa recente da OPAS.
No entanto, mais do que um maior compromisso dos meios de comunicação, o governo espera concretizar dois planos: a Estratégia 2015-2020 de Saúde Mental e o Plano Nacional de Prevenção do Suicídio.
"A ideia é trazer a questão da saúde mental de dentro das instituições centrais para a comunidade e divulgar cuidados primários de saúde", diz à BBC Mundo Leslyn Holder, uma das coordenadoras do novo Departamento de Saúde Mental, criado há apenas um mês.
Os planos também incluem uma melhor formação de médicos e enfermeiros, e ter mais funcionários dedicados exclusivamente à questão da saúde mental e suicídio em um maior número de instituições.
"Estamos começando do zero", disse Holder, "o que não é necessariamente uma coisa ruim."
Dúvidas
No entanto, a tarefa não será fácil.
"Durante muito tempo, o nosso silêncio criou um ambiente no qual o governo anunciava planos grandiosos para enfrentar a crise de saúde mental na Guiana e nada saía do papel", diz em seu blog Anthony Autar, advogado especializado em direitos de pessoas que sofrem de transtornos mentais.
Uma das medidas práticas que têm sido tomadas é a criação de uma linha telefônica exclusiva para potenciais suicidas.
O serviço, que funciona 24 horas por dia, é gerido pela Polícia Nacional, que afirma ter tido uma "taxa de sucesso de 100%" em respostas e encaminhamentos a especialistas.
Leslyn Holder, da recém-criada Secretaria de Saúde Mental: 'Estamos começando do zero' (Foto: BBC Mundo)
Crime
O problema é que o suicídio ainda é "uma ofensa criminal na Guiana", assinala à BBC Mundo a sargento da polícia Sherry Mason.
"Mas entendemos que não podemos criminalizar a pessoa que tenta tirar a própria vida. Em contrapartida, precisamos estender-lhe a mão".
A atual miss Guiana, Lisa Punch, que em 2012 fundou a ONG Prevention (POTS, na sigla em inglês), voltada para adolescentes suicidas, fez campanha para aumentar o número de conselheiros nas escolas.
"O governo está enviando conselheiros para várias escolas, mas não o suficiente. (...) Seria melhor que cada escola tivesse um", defende ela. "Os jovens precisam de alguém em quem possam confiar, com quem possam conversar, alguém que diga que tudo está bem, que algumas crises podem ser parte do processo de envelhecimento, porque às vezes você acha que é a única pessoa que passa por algo do tipo."
No ano de 2004 o jornalista Ali Kamel, de O Globo, escreveu três artigos sequenciais sobre a Irmandade Muçulmana, fundamentalismo e Bin Laden, interligando o advento das ideias radicais aos eventos do terror, e explanando sobre os dois principais teóricos do novo radicalismo islâmico: Hassan Al-Banna e Sayyid Qutb (da Irm@ndade Muçulm@na). Os artigos acabaram se tornando de certo modo 'clássicos', e apresentam um bom panorama inicial para a compreensão do radicalismo. Reuni os três artigos num único pdf, que disponibilizo AQUI para download ou leitura online.
Compilado pelo departamento de pesquisa do Bank of America Merrill Lynch, o "Transforming World Atlas" ("Atlas do Mundo em Transformação") identifica as tendências econômicas mundiais por meio de um conjunto de mapas.
Os dados abaixo foram baseados na segunda edição do estudo do banco americano, publicada no início deste mês.
A BBC Brasil selecionou oito mapas que ajudam a definir o peso do Brasil no mundo. Confira:
1) População
O mapa mostra os países redimensionados de acordo com sua população.
O Brasil possui a quinta maior população do mundo (204 milhões), atrás de China (1,37 bilhão), Índia (1,25 bilhão), Estados Unidos (323 milhões) e Indonésia (256 milhões).
Em 31 de dezembro de 2015, havia 7,256,490,000 pessoas vivendo na Terra.
2) Pobreza
O mapa mostra a proporção da população de cada região que vive na extrema pobreza, ou seja, com menos de US$ 1,25 (R$ 4,60) por dia.
Segundo a ONU, os níveis de pobreza foram reduzidos para menos da metade desde 1990.
Mas o Bank of America Merrill Lynch estima que 14% da população mundial (cerca de 1 bilhão de pessoas) ainda vive na extrema pobreza.
3) Orçamento de defesa
Os Estados Unidos gastam mais com seu orçamento de defesa do que os próximos 15 países da lista combinados, excluindo a China, segundo o Sipri (Instituto Internacional de Estocolmo para Pesquisa sobre a Paz).
Enquanto a população americana responde por apenas 5% da população mundial, os gastos de defesa do país equivalem à metade de tudo o que é gasto no mundo.
O Pentágono gasta mais do que todos os Estados americanos gastam com saúde, educação, bem-estar social e segurança combinados.
4) Emissão de CO2
O mapa redimensiona cada país de acordo com as emissões anuais de CO2 em 2013.
As emissões de dióxido de carbono e a mudança climática se tornaram grandes questões ambientais, sociais e políticas.
A estimativa é que as perdas econômicas relacionadas ao clima tenham chegado a 200 bilhões por ano na última década.
O investimento em energias renováveis deve responder por 65% dos US$ 12,2 trilhões (R$ 44,8 trilhões) aplicados globalmente em energia nos próximos 25 anos; desse montante, US$ 3,7 trilhões (R$ 13,6 trilhões) serão direcionados à energia solar e US$ 2,4 trilhões (R$ 8,8 trilhões), à energia eólica.
Os combustíveis fósseis devem receber investimentos da ordem de US$ 2,6 trilhões (R$ 9,5 trilhões), 21% do total.
5) Procedimentos estéticos
O envelhecimento da população e o avanço da tecnologia são os dois principais motores do avanço dos procedimentos estéticos: foram, ao todo, 20 milhões de cirurgias corretivas só em 2014.
O mapa mostra os cinco países líderes em número de cirurgias plásticas em relação ao tamanho de sua população – o Brasil está em terceiro.
Na Coreia do Sul, que está no topo do ranking, uma em cada 50 pessoas fez cirurgia plástica em 2014.
Segundo o Bank of America Merrill Lynch, o gasto com produtos de beleza totalizou US$ 4,5 trilhões (R$ 16,5 trilhões) naquele ano, o equivalente à quarta maior economia do mundo.
6) Números de tuítes em 24h
O mapa mostra a atividade no Twitter em tempo real entre os dias 29 e 30 de janeiro deste ano.
Foram analisados apenas os tuítes públicos (que podem ser vistos por qualquer pessoas), que compreendem apenas entre 1% e 2% da atividade total na rede social.
As mídias sociais estão por trás da chamada "economia de compartilhamento", cujo potencial de mercado gira em torno de US$ 450 bilhões (R$ 1,6 trilhão), estima o Bank of America Merrill Lynch.
7) Interações no Facebook
O mapa mostra os dados de amigos conectados pelo Facebook.
O alcance global da rede social chega a 1,5 bilhão de usuários ativos por mês, número equivalente à população da China.
A inovação e as mídias sociais, combinadas, estão na vanguarda da interconectividade mundial; em 1995, menos de 1% da população mundial tinha acesso à internet; entre 1999 e 2014, o número de usuários decuplicou; o primeiro bilhão foi atingido em 2005, o segundo em 2010 e o terceiro, em 2014.
8) Turismo
Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT), 1,2 bilhão de pessoas viajaram ao exterior em 2015. Os desembarques internacionais subiram mais de 4,4% pelo sexto ano consecutivo.
Em 2014, a França foi o destino turístico mais popular (84 milhões) do mundo, seguida por Estados Unidos, Espanha, China e Itália.
O porcentual de turistas viajando para economias emergentes deve aumentar de 45% em 2014 para 57% em 2013 (em torno de 1 bilhão de chegadas internacionais, segundo a OMT).