sexta-feira, 14 de outubro de 2011

CURDOS – A MAIOR NAÇÃO SEM PÁTRIA


Descendentes do antigo império medo-persa (nação a quem pertenceu o rei Dario, e ante quem serviu o profeta Daniel), os curdos lutaram muito para possuir seu próprio território como pátria para dar um lar a seus mais de 20 milhões de habitantes que hoje vivem divididos entre a Turquia, Síria, Iraque e Irã. São na maioria muçulmanos. Determinar o número exato é impossível, os governos de seus respectivos países tendem a subestimar seu número, enquanto que seus movimentos nacionalistas o exageram. Os curdos são descendentes dos medo-persa mencionados na Bíblia. Em 612. a.C conquistaram Nínive, e por sua vez foram conquistados pelos persas em 550. a.C. Alguns antropólogos os identificam como os elemitas mencionados na profecia de Jeremias 49 (Bíblia). No século VII d.C, ao se converterem, na sua maioria, ao islamismo, começaram a se chamarem “curdos”. Os curdos mais famosos da história foram Dario, o Medo, que reinou na Pérsia (hoje Irã), no tempo de Daniel, e Saladino, que lutou contra o Rei Ricardo Coração de Leão, nas cruzadas e reconquistou Jerusalém para o islamismo em 1187.




UM POVO DIFERENTE:

Não há dúvidas que eles são a maioria mais importante do Oriente Médio. Sua “pátria”, que eles chamam de Curdistão, não tem limites oficiais, mas se estende desde as montanhas Zagros no Irã até a parte do Iraque, Síria e Turquia Oriental. É uma região montanhosa de 500.000. km² onde se encontram 100% do petróleo turco e sírio, e 74% dos curdos no Iraque (kirkuk-mosul) e a metade do iraniano (região kermanach), ao norte se encontra o Monte Ararat (onde desceu a arca de Noé), os rios Tigres e Eufrates banham a região.


Bandeira Turcomena

UM POVO COM LÍNGUA PRÓPRIA:

A diferença entre árabes e curdos está no fato de que estes ainda não estruturaram a sua língua e a sua escrita; os mais alfabetizados escrevem em árabe. O curdo é o idioma indourani relacionado com o persa. Tem um grande número de dialetos. Em alguns casos é possível o entendimento restrito entre um dialeto e outro, porém na maioria dos casos não o é. Provavemente o obstáculo mais grave para a comunicação entre os curdos e com outras nações reside no fato de que o analfabetismo é muito grande (inferior a 10%). Poucos são os que tem oportunidade de ir a escola, geralmente por questões econômicas.

UM POVO COM CRENÇAS PRÓPRIAS:

Religião de origem mazdeísta, não obstante os curdos têm sido fiéis seguidores de um provérbio que se aplica a toda minoria do Oriente Médio: “Mais vale uma raposa em liberdade do que um leão preso”. Assim, o povo curdo teve que mudar sua religião para sobreviver. Da mesma forma, mantém antigas crenças em espíritos que habitam em cavernas, montanhas e vales.

UM POVO COM IDENTIDADE PRÓPRIA:

Ainda que originalmente eram nômades, hoje em sua maioria são agricultores. Vivem em pequenos povoados que se destacam por sua estrutura competitiva de clãs e por sua desordem: em algumas ocasiões ganharam a reputação de serem brutos. Os turcos provocaram algumas tribos  a unirem-se para o massacre dos armênios até o final do século XIX. A parte disto, são muito hospitaleiros. Suas mulheres realizam tarefas domésticas, e durante a colheita também trabalham no campo. Em suas festas as esposas tem lugar ao lado de seus maridos, e é permitido que falem. Os curdos normalmente tem uma só esposa. Pode-se dizer que sua cultura está baseada no amor. Por exemplo, é bem visto uma jovem deixar seu lar para unir-se ao seu amado, ainda que contra a vontade de seus pais. As mães sempre levam consigo seus bebês, até quando vão realizar trabalhos no campo. É permitido às crianças, desde pequenos, a sentar-se com os adultos e participar de suas conversas, que geralmente são sobre o amor, doenças ou morte. Os filhos levam o sobrenome do pai, ainda que podem tomar o da mãe se ela é bonita ou de família muito conhecida.

PREPARADOS PARA MORRER PELA SUA PÁTRIA:

Nação sem estado, massacrados pelos turcos, árabes e persas, esquecidos pela ONU, os curdos são na grande maioria analfabetos. Desde o início deste século, quando se desenvolveu seu nacionalismo, o povo curdo mantém uma guerra de guerrilhas contra as potências ocupantes de seu território. O tratado de Sévros, firmado em 1920, havia prometido a eles o direito a sua indepedência depois da queda do império otomano. Mas quando o texto de Sévres foi substituído pelo de Lausane, foi perdida toda esperança. Não é primeira vez que as esperanças curdas por obter uma nação própria terminou em desastre. Seus guerrilheiros chamam a si mesmos “pesherga” (os que enfrentam a morte), e através dos anos têm sido frustrados seus intentos por aspirar uma nação própria, em terras com governantes que o depreciam. No Iraque, no tempo de Saddam Hussein  que tentou por longo tempo eliminá-los. Quando as forças aliadas na guerra do Golfo, expulsaram o exército iraquiano do Kuait, centenas de milhares de curdos sem lar se dirigiram ao norte para reclamar suas antigas terras, somente para serem atacados por Saddam e forçados a fugir novamente. Os problemas no Iraque tem levado o Primeiro Ministro da Turquia a utilizar língua curda permitindo fitas e vídeos em sua língua, mas não livros. a palavra “curdos”, já que até pouco tempo a existência deste grupo humano não era aceita, e eram chamados de “turcos das montanhas”. Agora, uma nova legislação foi proposta e trarão liberdade limitada para a nação.

Morrem sem Cristo
Há muito poucos cristãos no Curdistão, e a maioria deles são nominais. Os missionários que trabalham nesta área tiveram que abandoná-la em 1920 por causa das pressões políticas.
Atualmente há uma pequena obra cristã em algumas regiões do Iraque.
Somente existem traduções do evangelho de Lucas e de João, os Provérbios, e o livro de Jonas e alguns episódios da vida do Senhor Jesus Cristo.

Oremos pelos curdos
A forma em que estão se desenvolvendo os atos, poderiam indicar uma resposta a oração de muitos? O evangelismo entre os muçulmanos curdos está severamente restrito e há poucos crentes verdadeiros (não se sabe de mais de 50 em todo o mundo); no entanto, as zonas
curdas da Turquia têm a mais alta porcentagem de reposta aos cursos bíblicos por correspondência.
Podemos enfocar nossas orações a motivos importantes. Esperando que o desenvolvimento
político seja para o bem, clamemos para que os curdos tenham a liberdade de escutar o
evangelho em sua própria língua, e para que haja obreiros que tenham a possibilidade de
proclamar as boas novas.
Considerando os projetos de evangelismo que estão em andamento, oremos pelo término da
tradução do Novo Testamento a vários dialetos curdos. Para que sejam distribuídos os
vídeos e as fitas que existem em curdos. Também para que os exilados que vivem na Europa
sejam alcançados.

E não deixemos de rogar ao Senhor da seara, que envie obreiros a sua seara” (Mateus 9.38),

ALGUMAS IMAGENS

Genocídio dos turcos contra os curdos

Curdistão turco

Jovens curdos

Refugiados

Mais jovens curdos



Leia também:  

Com uma família curda em Yuvacali


domingo, 9 de outubro de 2011

Linguee – O maior e mais utilizado dicionário online do mundo, agora em português


Depois de mais de um ano do lançamento oficial de Lingueeo maior e mais utilizado dicionário online do mundo, ele conta agora com um novo design além de funções inovadoras, entre outras novidades, sugestão dinâmica de exemplos de frases traduzidas, integração de inúmeras novas fontes de tradução, etc.
A ferramenta de tradução mais eficiente da Web combina um dicionário redacional com umamáquina de busca de traduções, o Linguee vasculha a Web a procura de textos plurilíngues traduzidos.
Os resultados da busca são divididos em duas partes: o primeiro aparece à esquerda da página, onde você verá os resultados provenientes do dicionário redacional cujas entradas foram revisadas pela redação do Linguee, ficando mais fácil uma visão rápida e geral das possibilidades de tradução para a sua busca; depois à direita você verá os exemplos de frases de outras fontes, onde poderá verificar ocontexto da palavra ou expressão procurada.
A ferramenta já oferece as versões: Alemão-Inglês, Espanhol-Inglês, Francês-Inglês e Português-Inglêse pretende em breve incluir entre outras, as versões em Chinês e Japonês.
Fonte: http://br.wwwhatsnew.com

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Os nômades de Belo Monte - A história dos migrantes atraídos pela terceira maior hidrelétrica do mundo


A história dos migrantes atraídos pela terceira maior hidrelétrica do mundo. E o drama dos moradores que deixam o sossego de suas casas para dar lugar aos canteiros de obras da usina
ALINE RIBEIRO (TEXTO) E FILIPE REDONDO (FOTOS), DE ALTAMIRA
Filipe Redondo / ÉPOCA
OS SEM-PALAFITA
O garoto Rafael em frente ao quarto alugado onde mora com a família. Com a obra, o local vai ficar embaixo d’água
O vaivém de carros na estrada que liga as cidades de Altamira e Vitória do Xingu, no Pará, ficou mais intenso no último 9 de junho. Naquela noite, à beira do asfalto, o empreendedor Adão Rodrigues inaugurava mais um de seus negócios itinerantes. A faixa na entrada da casa lhe parecia clara o suficiente: “Estreia hoje a Boate da Noite”. Nem todo mundo, entretanto, entendeu do que se tratava. Afoitos com a novidade, muitos dos frequentadores chegaram acompanhados de suas mulheres. Só quando avançavam pelo portão notavam que aquela não era uma balada qualquer, e sim o novo bordel da cidade. Os casais permaneceram com a devida autorização do dono. A restrição mesmo veio por parte dos namorados ou maridos, que tapavam com as mãos os olhos de suas respectivas no clímax da noite, o striptease das princesas da casa. O pecado de Adão Rodrigues, nesse caso, foi tropeçar no linguajar regional. Paranaense de nascimento, ele não reparou que no Norte do Brasil prostíbulo se chama brega. Boates lá são sinônimos de danceteria, onde as companheiras de vida são bem-vindas.
Filipe Redondo / ÉPOCA
DIVERSÃO GARANTIDA 
À esquerda, o empresário Adão Rodrigues com a família em sua nova casa em Altamira. À direita, a prostituta M. durante um striptease na Boate da Noite. Eles migraram para o Pará com um objetivo comum: ganhar dinheiro com a chegada dos homens atraídos pela usina de Belo Monte
O engano de Rodrigues ilustra o choque cultural (e social) entre a população nativa e os migrantes atraídos pela maior obra de infraestrutura do Brasil. Altamira, além de acolher a Boate da Noite e ter o título de maior município do mundo (sua área é superior à de Portugal ou da Áustria), é palco da construção da usina de Belo Monte. Trata-se do principal investimento do governo federal, emperrado por pelo menos três décadas sob acusações de ameaçar o Rio Xingu, os índios e os ribeirinhos. No começo de junho, o empreendimento – que deve ser a terceira maior hidrelétrica do mundo, atrás de Três Gargantas, na China, e de Itaipu – recebeu sua licença de instalação. O aval liberou a ocupação dos canteiros de obras. Começam agora a chegar à cidade as máquinas parrudas. Junto com trabalhadores e comerciantes visionários.
O município, com uma população estimada em 100 mil pessoas, já recebeu 20 mil desde o anúncio da obra. A revolução em Altamira está só começando. No pico da construção, previsto para 2013, em torno de 19 mil barrageiros serão contratados. Com eles, chegarão mais famílias, comerciantes, potenciais funcionários de empresas periféricas que servem a obra. À rodoviária ou aos aeroportos, homens e mulheres chegam – inclusive de outros países – à procura de emprego. Dezenas de trabalhadores viajam diariamente para a região de Altamira em busca de oportunidades – frequentemente ilusórias. Segundo estimativas, a cidade pode ganhar mais 80 mil habitantes no auge da obra. O fluxo lembra outros fenômenos amazônicos, como a corrida do ouro, que nos anos 1980 chegou a atrair 100 mil garimpeiros para Serra Pelada, deixando um rastro de destruição, violência e pobreza. Agora, a 610 quilômetros ao norte, em Altamira, uma nova invasão se anuncia. E, apesar dos anos de planejamento de Belo Monte, a região não parece preparada para recebê-la.
Rodrigues e a família aportaram há três meses em Altamira, depois de 1.800 quilômetros de terra pela Transamazônica, 158 pontes de madeira enjambradas (contadas pela mulher, Solide Fatima Triques) e um pedágio pago a um líder indígena. Aos deslocamentos populacionais puxados pelas obras de engenharia, os responsáveis pelo lazer chegam primeiro. Rodrigues tem um currículo robusto no que diz respeito a entreter os trabalhadores das barragens, os chamados barrageiros. Começou operando máquinas no canteiro de obras, mas logo descobriu que a atividade paralela dava mais dinheiro. Agora, faz casas noturnas perto das usinas. Ele diz que já fez as malas pelo menos 14 vezes no decorrer de seus 50 anos, atrás das hidrelétricas. “Não tenho apego a bens, encaro tudo como uma aventura”, diz. Em sua última viagem, deixou seu cabaré ao lado da hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, para tocar um negócio mais promissor em Belo Monte. É o mesmo roteiro seguido agora por seus clientes. Rodrigues pretende abrir outros dois prostíbulos e dois hotéis ao lado da usina. “Vamos ganhar dinheiro com esta obra por pelo menos dez anos”, afirma.
Filipe Redondo / ÉPOCA
DE PAI PARA FILHO
O barrageiro Divino Junior em Altamira. Ele e sete irmãos seguiram o ofício do pai: construir as grandes obras
Os sinais de oportunidade em Belo Monte repercutem longe. A prostituta M. teve notícia do frenesi econômico a mais de 4.500 quilômetros de Altamira. Até maio passado, ela vivia do Paraná. Lá, uma colega comentou sobre as vantagens de trabalhar próximo às construções. Também garota de programa, a moça havia acabado de voltar com dinheiro de Rondônia, mais precisamente dos quartinhos do antigo cabaré de Rodrigues. “Ofereci R$ 200 para quem conseguisse o novo telefone do dono da boate”, diz M. Em uma tarde de descanso na Boate da Noite, ela interrompe a troca de esmalte da mão (“por um azul que está usando muito”) para pontuar as diferenças da clientela paraense: “Os homens aqui são mais brutos, chegam a ser agressivos. Mas eu vim para cá atrás de dinheiro, não dá para ficar com frescura”. Com o dinheiro, M. quer comprar uma casa para viver com seus dois meninos, de 6 e 7 anos, segundo ela, roubados pelo ex-marido depois da separação.
Existem dinastias especializadas em seguir as grandes obras. Como a do barrageiro Divino Junior, de 31 anos. Ele tem 16 anos de experiência em carteira na construção de hidrelétricas. Diz que seu pai sempre trabalhou construindo usinas e passou o ofício para oito dos dez filhos, inclusive as mulheres. “Filho de barrageiro é criado no mundo”, afirma Junior. “Cada um de meus irmãos está em um Estado diferente. A gente só reúne a família quando coincide de trabalhar num mesmo lugar.” Junior chegou a Altamira junto com dois amigos barrageiros no começo de março. Deixou um salário bruto de R$ 9 mil na hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, e seguiu de carro pela Transamazônica  numa viagem de quatro dias. A troca faz sentido no longo prazo: a obra de Jirau deverá acabar em 2016, a de Belo Monte vai durar até 2019. Mas Junior ainda não foi contratado. Das 11 barragens que já ajudou a erguer, guarda as lições do submundo das usinas. “Dentro dos alojamentos, você tem de ver e fingir que é cego. Ouvir e fingir que é surdo”, diz. Junior conta que em Jirau, divisa com a Bolívia, toda semana um ou outro trabalhador vai até o país vizinho para comprar ilegalmente a “ponta 40”, uma pistola de uso militar. Muitos dos contratados pelas empreiteiras são ex-presidiários. É um incentivo à reinserção na sociedade. Porém, parte deles acaba em atividades ilícitas, principalmente no tráfico de drogas. “Eu era chefe de um ex-presidiário que traficava na obra. Quando quis demitir, ele me ameaçou de morte”, afirma. “Só nas hidrelétricas de Rondônia vi morrer uns 30.”
A experiência de Junior mostra as perspectivas econômicas trazidas pela obra. Mas também que elas não se concretizam se a região estiver despreparada para transformar os investimentos em melhorias permanentes. Os sinais em Altamira são preocupantes. A começar a recepção aos migrantes. Muitos deles, sem condições mínimas para se manter, vão parar em abrigos municipais. Outros se empoleiram em palafitas alugadas, sem água encanada ou esgoto. Altamira, hoje, não comporta os recém-chegados. Para conseguir um hotel, é preciso ligar com mais de uma semana de antecedência. Encontrar um pé de alface a um preço acessível é um golpe de sorte. “O município não está preparado para receber este empreendimento”, diz Odileida Sampaio, prefeita de Altamira pelo PSDB, enquanto arruma os bobes do cabelo. “Precisamos de desenvolvimento. Caso contrário, em dez anos as pessoas vão pegar suas malas e ir embora. Deixando só os impactos aqui.”
Se durante o dia Altamira tem o agito de um novo polo migratório, quando a noite chega ela é tomada por uma tensão velada, especialmente nos bairros mais pobres. Na madrugada, só gatos e cachorros perambulam pelas ruas. Há notícias de traficantes assassinados toda semana. O crack e o óxi (uma droga mais destruidora) se disseminam rapidamente. “De fevereiro para cá, quando as pessoas começaram de fato a chegar, a criminalidade dobrou”, afirma Cristiano do Nascimento, superintendente da Polícia Civil. Os reflexos na saúde s também já são sentidos. O número de internações e atendimentos em postos médicos aumentou. A solução seria preparar a cidade para o novo contingente. Mas há um descompasso entre a chegada de recursos para sanar os problemas socioambientais e o início do empreendimento. “Você só pode adquirir financiamento depois que todas as licenças ambientais saírem”, afirma Carlos Nascimento, presidente da Norte Energia, responsável pela obra. “Até outubro, quando deverá ser liberado o aporte maior do banco, vamos usar o dinheiro dos investidores para reduzir os impactos.”
Filipe Redondo / ÉPOCA
MIGRAÇÃO FORÇADANo sentido horário: enquanto as mulheres lavam roupa, um menino se refresca num afluente do Rio Xingu. O agricultor Antônio Sales, recém-indenizado pela usina, colhe o cacau. Tem medo de ser assaltado. E Maria Terezinha com a família durante uma pausa na limpeza do terreno recém-invadido. Todos eles deixarão suas casas para dar lugar à hidrelétrica
Enquanto muitos migram para a cidade em busca de uma vida abastada, milhares de moradores da cidade começam a fazer um movimento diferente: deixar suas casas para dar lugar à usina. Serão nômades por falta de opção. A hidrelétrica vai desapropriar 7.900 imóveis, entre rurais e urbanos. Até o começo de julho, só 159 haviam sido indenizados. As famílias terão de sair porque moram em locais que vão ser alagados pela represa. Ou em terrenos afetados pela obra. A comunicação precária entre a Norte Energia e os atingidos da barragem gera insegurança em Altamira. No mês passado, cerca de 2 mil famílias invadiram um terreno privado para consolidar uma ocupação irregular. Muitas para especular com a terra apropriada. Outras por medo do futuro. Maria Terezinha de Souza, de 49 anos, vive em uma palafita no bairro do Açaizal, que pode ser alagado por Belo Monte. Movida pela ambição de ter um lar seco e pela incerteza de seu destino, tirou seu foice do armário e partiu para picar o mato. Queria garantir um pedaço de chão. “Vi na televisão que o pessoal estava invadindo”, diz ela. “No outro dia de manhã, vim com a família toda.” Agora, Maria faz vigília para não perder seus cinco lotes recém-tomados.
Filipe Redondo / ÉPOCA
OS SEM-RIO O agricultor José Alves navega com sua canoa a gás. Ele mora na Volta Grande do Xingu, um trecho do rio que pode secar
A notícia das transformações em Altamira chegou às tranquilas casas ribeirinhas, isoladas da cidade pelo rio. Ali, o único receio até então eram os rumores de onça rondando as criações. Agora a conversa mudou: fala-se em assalto, assassinato, drogas. O agricultor Antônio Sales, nascido há 57 anos e criado à beira do Rio Xingu, acaba de receber uma indenização para desocupar suas terras. Mesmo com insistência, ele não aceitou aparecer na foto da reportagem. Está com medo. O vizinho, também indenizado há pouco, foi assaltado em Altamira enquanto abastecia sua moto. “Cabra com dinheiro tem de ficar é longe da cidade”, afirma Sales. Até negociar sua indenização, ele nunca tinha lido um número tão grande acompanhado de cifrão. Leva uma vida simples, a da agricultura de subsistência, dos causos contados na porta de casa à luz do lampião. Os temores, supostamente trazidos pela usina, vão além dos ladrões. Sales está apreensivo com o futuro. “Se brincar um pouquinho, o dinheiro não dá nem para recuperar o que tenho”, diz, referindo-se a sua casa e aos 3 mil pés de cacau da propriedade, de onde tira o sustento das sete pessoas da família. “Eu não tenho profissão senão trabalhar. Preciso da terra para dar de comer.” Segundo Sales, a empresa não ofereceu auxílio para comprar um novo terreno.
Grandes obras como a usina Belo Monte são propulsoras de um movimento constante de vidas. Há os que chegam e os que saem. Outros não sabem se vão ou se ficam. É assim com o agricultor José Alves, de 59 anos, dono de um sítio em um trecho do rio chamado Volta Grande do Xingu. Como a obra vai desviar o curso natural do Xingu, cerca de 100 quilômetros do rio na Volta Grande terão redução drástica no volume de água. Os cientistas têm dúvidas de que será possível navegar naquele pedaço – o que mudaria a rotina dos milhares de pessoas, inclusive duas etnias indígenas. A empresa só considera afetadas pela construção as áreas alagadas do entorno. As regiões secas serão secundárias na redução de impactos. Alves se mantém na condição estática não somente por desconhecer se poderá percorrer o Xingu com seu barquinho. Mas também pela indefinição sobre sua moradia. Até agora, a Norte Energia não decidiu o que fazer com ele e os vizinhos. E Alves ainda não sabe se será, ou não, mais um migrante da usina de Belo Monte.
   Reprodução
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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Bibliografia de Livros Missionários (Missiologia) em espanhol e português



Bibliografia listando mais de 400 livros sobre Missões, publicados nas línguas espanhola e portuguesa.



Este es un listado de libros de misiones, en que los autores (salvo contadas excepciones), son evangélicos y de una postura teológica conservadora. Se lo ha ordenado alfabéticamente por autores, según la secuencia: apellido y nombre del autor, título de la obra, editorial, país y año de impresión, cantidad de páginas. Fecha de última revisión: 10/03/2010.
  1. Abdalla Rachid, Islamismo, o maior desafio em todo o mundo!, A. D. Santos Editora, Brasil, 1998, 126 pp.
  2. Abel Marcelo, Mi experiencia transcultural, Ediciones Doulos, Argentina, 1998, 88 pp.
  3. Adeney Miriam, Hijas del islam, Las, Centros Literatura Cristiana, Colombia, 2005, 272 pp.
  4. Aeschliman Gordon, ¿Fin de la tierra o fin de un movimiento?, Puente, Ecuador, 1989, 12 pp.
  5. Aguilar Emilio G., Guía hispano-árabe, Darek-Nyumba, España, 1982, 304 pp.
  6. al-Hasimi y al-Kindi , Exposición y refutación del islam. La versión latina de las epístolas de al-Hasimi y al-Kindi, Universidade da Coruña, España, 2005, 294 pp.
  7. Al-Mashi Adb, Ocultismo en el islam, PM Internacional, España, 2006, 44 pp.
  8. Allen Roland, Expansión espontánea de la iglesia, La, La Aurora, Argentina, 1970, 224 pp.
  9. Alvarado Andrés, Humor en las misiones (reloaded), El, PM Internacional, España, 2009, 138 pp.
  10. Alvarado Andrés, Humor en las misiones, El, PM Internacional, España, 2006, 126 pp.
  11. Ananía Claudio, Misiones hasta la última frontera, Kairós, Brasil, 1998, 176 pp.
  12. Ankerberg J., Weldom J., Lo que siempre quisiste saber acerca del islam, Unilit, EE.UU., 1998, 96 pp.
  13. Ankerberg J., Weldom J., Los hechos acerca del islam, Unilit, EE.UU., 1998, 80 pp.
  14. Anónimo, Conquistando os outros pela amizade, Casa Publ. Assembléias de Deus, Brasil, 2000, 32 pp.
  15. Anónimo, David Livingstone, Clie, España, s/f, 156 pp.
  16. Arana P., Escobar S., Padilla R., Trino Dios y la misión integral, El, Kairós, Argentina, 2003, 152 pp.
  17. Archilla Rogelio, ¡Somos diferentes!, Unilit, EE.UU., 1993, 94 pp.
  18. Arias Mortimer, Último mandato, El, Clara-Semilla, Colombia, 2003, 280 pp.
  19. Axtell Roger, Gestos, Editorial Iberia, España, 1993, 224 pp.
  20. Aylward Gladys, Pequeña gran mujer en la China, La, Portavoz, EE.UU., 1984, 160 pp.
  21. Balarezo Ivan, De la Torre Mary, ¡Que toda lengua proclame!, Puente, Ecuador, 1990, 154 pp.
  22. Barnes Vera F., Cruzando las fronteras, Clie, España, 1989, 176 pp.
  23. Barnett Betty, Cultivando amistades, Editorial Libertad, EE.UU., 1996, 208 pp.
  24. Barrett David, Johnson Todd, Our globe and how to reach it, AD 2000 Series, EE.UU., 1990, 140 pp.
  25. Barriga López Franklin, Culturas indígenas ecuatorianas y el ILV, Las, Ediciones Amauta, Ecuador, 1992, 456 pp.
  26. Beekman John, Callow John, Traduciendo la Palabra de Dios, ILV, Yarinacocha, Pucallpa, Perú, 1981, 228 pp.
  27. BengeJanet y Geoff, Gladys Aylward, Editorial Jucum, EE.UU., 2003, 208 pp.
  28. Benner Armando, Pan Ta Horama (toda la visión), Editorial Kerusso, Venezuela, 2000, 320 pp.
  29. Benner Armando, Reflexiones sobre misiones, Operación Timoteo, Venezuela, 2003, 96 pp.
  30. Benner Armando, Toda la visión (pan ta horama) , Operación Timoteo, Venezuela, 2005, 268 pp.
  31. Bennett Ramón, Gran engaño filisteo, El, Arm of Salvation, Israel, 1996, 432 pp.
  32. Bernezat Odette, Entre los tuareg, Martínez Roca, España, 1986, 288 pp.
  33. Bertuzzi Federico, Despertar de las misiones, El, Clie, España, 2006, 216 pp.
  34. Bertuzzi Federico, Despertar de las misiones, El, Unilit, EE.UU., 1997, 140 pp.
  35. Bertuzzi Federico, editor, Argentina en misión mundial, Misiones Mundiales, Argentina, 1989, 228 pp.
  36. Bertuzzi Federico, editor, Ayudas misioneras, Misiones Mundiales, Argentina, 1995, 200 pp.
  37. Bertuzzi Federico, editor, Desafío islámico, PM Internacional, Argentina, 1997, 108 pp.
  38. Bertuzzi Federico, editor, Desde lo último de la tierra, Misiones Mundiales, COMIBAM, Argentina, 1990, 208 pp.
  39. Bertuzzi Federico, editor, Iglesia latina en misión mundial, Comibam Internacional, Colombia, 1997, 288 pp.
  40. Bertuzzi Federico, editor, Latinos en el mundo islámico, PM Internacional, España, 2009, 152 pp.
  41. Bertuzzi Federico, editor, Latinos en el mundo islámico, Unilit, EE.UU., 1991, 136 pp.
  42. Bertuzzi Federico, editor, Latinos no mundo muçulmano, Editorial Sepal, Brasil, 1993, 120 pp.
  43. Bertuzzi Federico, editor, Misión transcultural, Comibam Internacional / PM internacional, Argentina, 2000, 64 pp.
  44. Bertuzzi Federico, editor, Misión transcultural (fascículo 3), Comibam Internacional, Guatemala, 2003, 78 pp.
  45. Bertuzzi Federico, editor, Misión transcultural (fascículo 3), Comibam/Patmos, Brasil, 2006, 96 pp.
  46. Bertuzzi Federico, editor, Misiones Mundiales: edición conmemorativa 10º aniversario, Misiones Mundiales, Argentina, 1992, 34 pp.
  47. Bertuzzi Federico, editor, Planisferio misionero, Comibam Internacional, Colombia, 2006, 1 pp.
  48. Bertuzzi Federico, editor, Ríos en la soledad, Clie, España, 2009, 210 pp.
  49. Bertuzzi Federico, editor, Ríos en la soledad, Unilit, EE.UU., 1994, 228 pp.
  50. Bertuzzi Federico, editor, Rios no deserto, Editorial Sepal, Brasil, 1993, 160 pp.
  51. Blanch José María, Movimiento Lausana al servicio del Reino, El, Visión Mundial Internacional, Costa Rica, 1992, 274 pp.
  52. Blank Rodolfo, Teología y misión en América Latina, Concordia, EE.UU., 1996, 320 pp.
  53. Bosch David, Misión en transformación, Libros Desafío, EE.UU., 2000, 720 pp.
  54. Branco Paulo, Introducción a las misiones, Clie, España, 1992, 208 pp.
  55. Broda Natalio Aldo, Desafío de la mayordomía y las misiones, El, Casa Bautista Publicaciones, EE.UU., 1987, 144 pp.
  56. Bruce Will, Orando por los hijos de los misioneros, Unilit, EE.UU., 1996, 24 pp.
  57. Bruce Will, Porqué orar por los misioneros, y cómo hacerlo, Unilit, EE.UU., 1996, 24 pp.
  58. Bryant David, Conciertos de oración, Unilit, EE.UU., 1990, 188 pp.
  59. Bullón Fernando, Misión y desarrollo en América Latina, Kairós, Argentina, 2001, 92 pp.
  60. Bush Luis, Alcance 2000, manual para la Gran Comisión, Alcance 2000, Puerto Rico, 1991, 94 pp.
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