sábado, 28 de novembro de 2015

Ilha Sentinela do Norte e seu povo hostil e intocado




É difícil acreditar que existem pessoas neste mundo que não sabem sobre a internet ou sobre telefones celulares.
Porém, ainda existem tribos que estão completamente à parte da civilização global e não mantêm qualquer tipo de contato com o mundo exterior.
Com quase 60 mil anos de idade, a Ilha Sentinela do Norte é uma parte das ilhas de Andaman e Nicobar, que fica no Oceano Índico, entre Mianmar e Indonésia. Lá, é o local onde existe uma das tribos mais isoladas do planeta.
Os sentinelenses são tão hostis ao contato externo que a ilha foi considerada o lugar mais difícil para se visitar no mundo. Os sentinelenses parecem ser descendentes diretos dos primeiros seres humanos que surgiram a partir da África. A quantidade de habitantes ainda não pode ser certificada, mas estima-se que ela gire em torno de 40 e 500 nativos.


Não importa o caráter do visitante, ao chegar às margens da ilha, seja de propósito ou por acidente, os moradores recebem o intruso quase sempre da mesma forma: com lanças e flechas, em posição de ataque. Presentes como alimentos e roupas não têm importância para eles. Essa hostilidade chegou a ponto dos nativos terem resistência no recebimento de missões de salvamento após o tsunami em 2004.
No momento em que o tsunami desastroso atingiu o Oceano Índico, um grupo de socorristas ofereceu ajuda para os sentinelenses, por meio de um helicóptero da marinha indiana. Eles queriam encontrar e ajudar os sobreviventes, embora as chances fossem pequenas. Tentaram descer pacotes de comida para o chão, mas foram recebidos com a hostilidade dos moradores, inclusive um guerreiro sentinelense emergiu da selva densa e atirou uma flecha tentando atingir o helicóptero.
Não se sabe muito sobre esse povo tribal: a sua linguagem é estranha e seus hábitos desconhecidos. Suas moradias estão escondidas na mata fechada, por isso não se tem nenhuma pista sobre como eles vivem. Tudo o que se sabe é que os sentinelenses são caçadores e coletores, pois eles não cultivam nada, a princípio. Eles vivem de frutas, peixes, tubérculos, porcos selvagens, lagartos e mel.



A Índia tem a soberania sobre Sentinela do Norte, mas acredita-se que as pessoas dessa ilha sequer sabem o que é a Índia. Depois de várias tentativas fracassadas de fazer contato amigável, o governo indiano finalmente se afastou e fez com que todas as visitas à ilha fossem proibidas. A Marinha da Índia impôs uma zona de proteção de 3 milhas para manter os turistas, exploradores e outros intrometidos à distância. Encontros acidentais ainda ocorrem e nenhum deles termina bem.
Há várias histórias de horror de como os sentinelenses têm tratado seus convidados: a maioria das pessoas retorna da ilha aterrorizada e ferida. Em 1896, um fugitivo das prisões britânicas da Andamans ficou à deriva no mar e acabou indo para as margens da ilha por acidente. Poucos dias depois, um grupo de busca encontrou o seu corpo em uma praia, perfurado por flechas e com a garganta cortada. Em 1974, um grupo foi até lá para fazer um documentário e o diretor do filme acabou sendo ferido por uma flecha na perna.

O antropólogo indiano T.N. Pandit realizou diversas viagens patrocinadas pelo governo para Sentinela do Norte no final dos anos 80 e início dos anos 90. "Às vezes, eles viram as costas para nós e se sentam em seus quadris como se fossem defecar", disse ele. "Isso é um símbolo de insulto para eles, já que não éramos bem-vindos”.
Surpreendentemente, houve apenas um caso em que uma pessoa de fora não enfrentou uma recepção agressiva. Em 4 de janeiro de 1991, um grupo de 28 pessoas composto de homens, mulheres e crianças, se aproximou com Pandit e sua comitiva. "Foi inacreditável como eles se apresentaram ao nosso encontro voluntariamente", disse ele. "Eles devem ter decidido que havia chegado a hora de entrar em contato com outras pessoas".

Infelizmente, o último contato com os habitantes da ilha, em 2006, não foi tão bem como se esperava. Dois pescadores foram mortos, enquanto pescavam ilegalmente dentro da faixa de proteção da ilha.
Os sentinelenses estão entre as últimas comunidades que vivem sem contato com a globalização. Talvez seja melhor deixá-los da forma como está, pois trazê-los para a civilização pode ser algo extremamente maléfico. Afinal, eles podem não ser imunes a várias doenças existentes nos dias de hoje e pode ser extremamente complicado se adaptarem ao mundo moderno.


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Fazendo fogões improvisados

Olá amigos! Desta feita trazemos alguns vídeos colhidos em vários canais do Youtube, ensinando a fazer diversos modelos de fogões improvisados.

 





quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Uma volta ao mundo conhecendo os países que 'não existem'

APImage copyrightAP
Image captionTaiwan vive sob ameaça de anexação pela China
http://www.bbc.com/portuguese
Quando encontro Nick Middleton pela primeira vez, ele está cercado por globos terrestres e mapas mostrando os locais mais exóticos do planeta. Estamos no porão da Stanfords, a maior livraria especializada em material de viagem em Londres. Mas Middleton está aqui justamente para falar dos países ausentes da maioria dos livros e mapas à venda na loja.
Ele os chama de “países inexistentes”, mas embora seus nomes pareçam meio fantasiosos – Atlantium, Christiania e Elgaland-Vargaland -, todos são lugares de verdade, ocupados por cidadãos fervorosamente patrióticos.
Nosso mundo está cheio de regiões que contam com o “perfil” de um país: população fixa, governo, bandeira e moeda. Alguns até emitem passaportes. No entanto, por uma série de razões, tais regiões não têm direito à representação na ONU e são ignoradas pela maioria dos mapas. Middleton, geógrafo da Universidade de Oxford, mapeou essas terras escondidas como parte do livroAtlas de Países que Não Existem.
Ao folhear as páginas, a impressão é de entrada num mundo paralelo, com histórias e culturas vibrantes e ricas, porém esquecidas. Esse mundo paralelo tem até uma Copa do Mundo particular.

Conceitos

A ideia para o projeto veio enquanto Middleton lia o clássico infantil As Crônicas de Nárnia para a filha – em que a ação se passa em um mundo escondido atrás de um guarda-roupa. ele teve uma epifania. “Não precisava de mágica para visitar um país ‘que não existia’ aos olhos de outras nações. Só não sabia que existiam tanto. Poderia ter escrito vários livros”, explica o geógrafo.
Middleton conta que não existe uma regra de ouro para definir o que é um país. Há quem cite a Convenção de Montevidéu, de 1933: para se tornar um país, uma região precisa ter território definido, população permanente, um governo e a capacidade de estabelecer relações diplomáticas com outros países.
No entanto, muitos locais que atendem a tais exigências não são membros da ONU, o que se considera uma espécie de selo de aprovação para a existência de um país. Taiwan é um exemplo. Até 1971, a ilha, que se declarou como nação após forças nacionalistas perderem a Guerra Civil chinesa para o Mao Tsé-tung e o Partido Comunista, tinha assento na Assembleia Geral. Perdeu-o para a República Popular da China.
O próprio Reino Unido é um caso estranho. A lei britânica considera Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte Estados individuais. Todos têm times de futebol e rúgbi próprios, por exemplo. Mas o assento na ONU é o mesmo. “Sob esse quesito, por exemplo, a Inglaterra não é um país”, afirma Middleton.
ThinkstockImage copyrightThinkstock
Image captionA tribo Sioux se diz enganada pelo governo dos EUA
Mas o geógrafo preferiu se concentrar em regiões que se encaixam na definição de Montevidéu. A lista conta com alguns nomes familiares para o público – Taiwan, Tibete, Groenlândia e Chipre do Norte -, mas também traz localidades mais obscuras e nem por isso menos sérias.
Middleton, por exemplo, discute os exemplos de populações indígenas buscando a recuperação de sua soberania. E um dos casos mais impressionantes, segundo ele, é a República de Lakotah. Com população de 100 mil habitantes e encravada na região central dos EUA, a república é uma tentativa de retomada das Colinas Negras pela tribo Lakota Sioux.
A causa teve início no século 18, e em 1868 os Sioux tinham assinado um acordo com o governo americano, que inclusive prometera posse indefinida das colinas. Porém, os índios não contavam com a descoberta de ouro na região, o que fez o governo esquecer rapidamente do compromisso enquanto garimpeiros de todos os cantos dos EUA invadiam a região.
Os Lakota precisaram esperar outro século para receber um simples pedido de desculpas. Em 1998, a Suprema Corte Americana julgou o caso como um dos mais desonestos negócios na história do país e determinou indenização de US$ 600 milhões. Os Lakota, porém, recusaram o dinheiro.
“Os índios dizem que aceitar o dinheiro seria dizer sim para um crime”, explica Middleton.
Em vez disso, em 2007 uma delegação foi até Washington declarar sua “saída dos EUA”, e desde então os Lakota têm buscado sua independência na Justiça.
Batalhas similares ocorrem em praticamente todos os continentes. Na África, por exemplo, há o caso de Barotselândia, um reino com população de 3,5 milhões que busca se separar de Zâmbia, e da Ogonilândia, que almeja a secessão da Nigéria. Ambas declararam independência em 2012.
Na Oceania, a República de Murrawarri foi fundada em 2013 por uma tribo aborígene que escreveu para a rainha Elizabeth 2ª (a Austrália ainda tem a Coroa Britânica como chefe de Estado) intimando-a a provar sua legitimidade sobre suas terras. Quando o prazo de 30 dias para uma resposta se esgotou, os Murrawarri se declararam “livres”.
Porém, nem todos os países no livro têm raízes históricas tão profundas. Volta e meia há casos de nações estabelecidas por indivíduos excêntricos buscando, digamos, o que consideram justiça. Middleton cita Hutt River, na Austrália, um “principado” fundado em 1970 por uma família de fazendeiros buscando escapar das cotas de produção de grãos estabelecidas pelo governo federal. Logo tinham criado títulos de nobreza, moeda própria e mesmo um serviço postal.
“Contam com uma venda de selos que vai de vento em popa”, conta o geógrafo britânico.
Divulgação
Image captionA bandeira de Hutton River, a fazenda que se declarou independente da Austrália
Depois de décadas de bate-boca com o governo australiano, Hutton River, que fica na costa oeste da Austrália, a 517km de Perth, conseguiu ao menos independência fiscal da Austrália.
Na Europa, há Forvik, uma ilhota no arquipélago das Shetland que virou um Estado fundado por um inglês buscando mais transparência na política. Há ainda Sealand, fundada em uma antiga plataforma marítima no Atlântico Norte, e Cristiânia, um enclave hippie em plena capital dinamarquesa, Copenhague. Cristiânia foi fundada por um grupo de squatters que ocuparam um alojamento militar abandonado no centro da cidade, em 1971, e no mesmo ano se declararam independentes da Dinamarca.
Desde então, o governo do país escandinavo tem feito vista grossa para atividades do enclave: uma delas o consumo de maconha, legal em Cristiânia mas proibido no resto do país.
Middleton também argumenta no livro que a dificuldade de definir o que é um país pode abrir espaço para que o conceito de Estado-nação seja repensado. Cita o caso da Antártida, continente que é compartilhado de forma pacífica pela comunidade internacional, sem ser “fatiado” formalmente. E o atlas de Middleton conta com dois exemplos mais radicais.
Atlantium é um país cuja capital, Concórdia, fica em uma província remota da Austrália – mais ocupada por cangurus que pessoas. Mas se trata apenas do centro administrativo: o país é “não-territorial”, o que significa dizer que qualquer um pode se tornar um cidadão. “Em uma era em que as pessoas são cada vez mais unidas por interesses e propósitos comuns fora das fronteiras convencionais, Atlantium oferece a alternativa para a prática discriminatória histórica de distribuir nacionalidades para indivíduos sob a forma acidental de nascimentos ou circunstâncias”, diz o site do país.
Uma coisa é certa: o mundo que conhecemos está em constante mutação, segundo Middleton. “Ninguém da minha época um dia imaginou que a União Soviética iria se fragmentar”, lembra. Em um futuro distante, todos os territórios que conhecemos podem eventualmente se tornar um país que não existe.
Leia a versão original desta reportagem em inglês no site da BBC Future

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Pesquisadores desenvolvem aplicativo que auxilia tradução de línguas indígenas


Pesquisadores da Universidade Federal do Tocantins (UFT) desenvolveram um aplicativo capaz de traduzir palavras escritas nas línguas dos povos Xerente e Apinajé para o português. OTraduzíndio foi lançado esta semana durante os Jogos Mundiais do Povos Indígenas em Palmas (TO).
A ideia surgiu quando o professor George de Brito sentiu a dificuldade de muitos dos alunos indígenas de se comunicarem em português. “Nós temos um número considerável de indígenas na universidade e a ideia era criar um sistema que auxiliasse na comunicação destes alunos. Fizemos um sistema web no começo e logo depois pensamos numa versão mobile para que outras pessoas, além dos alunos, também tivessem acesso”, explica.
O Tocantins é território de sete etnias que falam quatro línguas diferentes (apinajé, xerente, carajá e krahô) e duas delas (apinajé e xerente) estão no Traduzíndio, pois têm documentação, vocabulário e dicionário. O povo Xerente tem atualmente uma população de quase 1,8 mil pessoas distribuídas em 33 aldeias. Os apinajé têm população de cerca de 1.100 pessoas que habitam 14 aldeias.
Alunos das duas etnias ajudaram a desenvolver o Traduzíndio e validaram a tradução palavra por palavra. Eles também visitaram as aldeias para ouvir a opinião dos indígenas sobre o aplicativo.
O aplicativo abrange 5.504 palavras da língua apinajé e 3.692 do xerente. Além da tradução, a ferramenta apresenta a cultura das duas etnias e uma breve apresentação do projeto.
Uma equipe já trabalha na ampliação e aprimoramento da ferramenta que, em breve, deve trazer ainda as línguas carajá e krahô . “Queremos também ter os verbetes disponíveis em áudio e acrescentar uma linha do tempo interativo sobre a chegada das etnias no Tocantins e com informações sobre os dias atuais”, diz o professor Brito.
O universitário Felipe Tkibumrã, da etnia Xerente, foi um dos alunos que ajudou na validação dos verbetes do aplicativo. Ele conta que todos na aldeia gostaram da ideia. “A tecnologia veio para nos ajudar. A gente não pode esquecer da nossa língua e o aplicativo também serve como conservação dela. Também é interessante para que outras pessoas conheçam um pouco da nossa cultura”.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Animismo na Cultura Africana

“ENTRE OS BAKONGOS”

Pr. André Nguina Quiala


Tenho lido muitos artigos de estudos missiológicos e de religiões sobre animismo. Falando mais no campo missiológico, o animismo é classificado como a sexta religião presente e crescente (2,88% da população), o que leva os missiólogos a classificá-la como religião menor.

Os mesmos estudos indicam que essa religião, aparentemente menor no contexto mundial, acaba sendo a terceira religião da África, praticada por 20% da população do continente.
Não quero afirmar categoricamente que estas estatísticas estão corretas, devido até às dificuldades de se fazer um senso exato das religiões hoje, em razão do crescimento e dificuldades geopolíticas mundiais, em particular, da África.
Meu artigo não visa a abranger a África toda. Se esta fosse a idéia, faria mais no contexto da cultura bauto, que eu conheço e estudo.
Vou limitar-me a falar do animismo na cultura dos bakongos, isto é, os povos do norte de Angola, Brazavile, e República do Congo (ex-Zaire).
Apesar de ser angolano de naturalidade e nacionalidade, sou Kikongo, no contexto de tribo e língua.
Tenho considerado grosseria missionários que ficam 3, 4, 5, ou até 15 anos em uma região da África, escreverem uma matéria baseada naquele contexto e a reputa como realidade africana. Peço perdão a esses missionários e que respeitem mais a África. A África é um continente de 47 países e milênios de história.
Vamos ao assunto e deixemos estas polêmicas para outro momento.
I – O animismo entre os Bakongos se confunde com a pessoa de Deus
Existe uma característica comum entre os Bakongos, que os leva a uma prática animista. É o conflito da alma e do divino. Acredita-se que a alma é pecadora até a morte. Depois da morte toda alma é pura e se torna intercessora dos parentes em vida, ganhando então o conceito divino.
Há crença tradicional que tenta apontar para o seguinte: que a alma de quem morre se ajunta aos ancestrais no céu, atuando ao mesmo tempo na região da origem da tribo. Ao mesmo tempo, tais ancestrais se tornam objetos de preces e invocações para ajudarem na saúde, economia, governo. São-lhes atribuídos poderes de promover a vida ou a morte.
A partir daí surge o conceito religioso que me leva a acreditar na existência do animismo e fazer a afirmação do primeiro subtítulo.
II – As fontes da divulgação do animismo entre os bakongos
1 A fonte oral e religiosa
São contos orais recheados de testemunhos passados de geração a geração, sobre acontecimentos bons ou ruins, que se deram na tribo, clã, ou certa região, com a intervenção de espíritos. Tal conto vira crença religiosa, ganha símbolos, gestos e ocupa espaço no tempo para sacríficio.
2 A fonte mística
Sabemos que em toda a cultura semítica, até mesmo no Ocidente, os sonhos têm um peso psicológico e religioso muito forte.
Entre os bakongos, sonhos de idoso ou “ancião” e de juvenis têm uma consideração profética, como meio pelo qual Deus e os Espíritos se comunicam com os vivos. O ancião não é só respeitado, mas também em certas situações, reverenciado, principalmente quando é chefe de clã ou um orador pacifista. Juvenis são considerados puros, sem malícia.
Para além dos sonhos, são considerados também fenômenos de aparições espirituais, que na maioria se dão com mulheres e lavradores.
3 – A fonte psicológica “medo”
Por nascer numa família cristã, ofereceu-me o conhecimento da cultura e a base do argumento de atribuir ao medo outra fonte de difusão do ANIMISMO na cultura Africana “BAKONGOS”. É o medo que leva a apontar lugares com assombrações ou com manifestações de fantasmas. Quando isso acontece, os animistas vão oferecer sacrifícios orientados por seus líderes, ou invocam tal espírito para se manifestar através de médium, para informação do que querem. Assim surgem preceitos animistas que suscitam grandes oposições entre cristãos, animistas e muitas vezes intelectuais que não acreditam nestas coisas, e essa situação gera confrontos espirituais terríveis.
III – Lugares e objetos venerados
Esta fonte tem três vertentes na cultura dos KIKONGOS, por ser uma cultura oral e conseqüentemente cheia de segredos.
PRIMEIRO: Existem (lugares como) árvores, por exemplo: os anciãos não deixam contar, não por crença espiritual. Às vezes são lugares onde eles se encontram para conversar assim como as praças e clubes do Ocidente.
SEGUNDO: Pode ser aquela árvore uma divisão territorial de fazenda, ou aldeias de clãs, que fizeram aliança e começaram morar juntos. Tem mais uma conotação de “documento”.
TERCEIRO: Pode representar um túmulo de um personagem, ou ali se esconderam coisas de um partido político, armamento, farda, bijuterias, por falta de Banco em determinados lugares.
Acontece que o jovem, africano para ter acesso a essas informações, precisa idade; a posição da tribo etc.
Logo, o que é difundido para a juventude ou o estrangeiro é : aquele lugar ou tal objeto é sagrado. Com o passar de alguns anos, cria-se aquele enigma que ninguém desvenda, e aquilo vira santuário.
Posso concluir parcialmente este artigo afirmando que ética e o catecismo animista consistem na força do obscurantismo espiritual que forma um sistema de terror psicológico espiritual, que abre portas para uma atuação de Satanás na vida dos homens em todas as esferas. Tenho-me apercebido de muitas crenças brasileiras no espiritismo ou baixo- espiritismo. Para mim tudo é do diabo. No Brasil nada mais é senão fruto de lendas animistas já desvendadas na África, que deixaram de ser objetos de holocausto e adoração. Com isso concluímos: O medo é a fé do diabo; o obscurantismo é o seu catecismo, e a mentira é a sua cruz.
A saída é: E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. (Jo 8,32).

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

O que falta para que o mundo vença a malária?


O Brasil tem-se destacado nas ações de combate àmalária e caminha rumo à eliminação da doença que ainda mata no mundo cerca de meio milhão de pessoas anualmente - a maioria crianças menores de 5 anos.
A análise foi feita por Keith Carter, da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) - vinculada à Organização Mundial de Saúde (OMS).
"O Brasil tem conseguido reduzir significativamente a transmissão de malária em seu território e representa um grande exemplo para o mundo. Claro que ainda há obstáculos a serem vencidos, especialmente nas áreas de fronteira. Já a Venezuela, onde o número de casos cresce a cada ano, é hoje o maior desafio do continente", disse Carter.
A concessão do Prêmio Nobel de Medicina de 2015 para Youyou Tu, a descobridora daquela que é praticamente a única droga existente contra a malária, reacendeu as esperanças de que a doença seja menos negligenciada no futuro.
DDT em todas as casas
O representante da Opas lembrou que, no início do século 20, a enfermidade transmitida pela picada dos mosquitos do gênero Anopheles estava disseminada em praticamente todo o planeta. Em meados da década de 1950 - apenas alguns anos após a criação da OMS - teve início a primeira campanha global para erradicação da malária, que tinha como principal arma o inseticida DDT (diclorodifeniltricloroetano).
A ideia era dedetizar todas as casas, de todos os países, de modo a reduzir a densidade do mosquito vetor a um ponto que a cadeia de transmissão fosse interrompida.
Isso pode parecer estranho hoje, depois que o DDT foi banido mundialmente por causar câncer e interferir em larga escala com a vida animal - mas o inseticida era barato e eficaz a curto prazo, com os pesquisadores da época endossando largamente seu uso para combater a doença.
O programa conseguiu eliminar a doença principalmente na Europa e na América do Norte, bem como reduzir o número de casos em outras regiões. Mas a erradicação efetiva não ocorreu tão rapidamente quanto se esperava e as fases de consolidação e manutenção se mostraram mais caras e demoradas do que o estimado.
"Em meados dos anos 1960, começaram a faltar recursos para dar continuidade aos esforços. Nas duas décadas seguintes o assunto caiu no esquecimento e o número de casos voltou a crescer", contou Carter.
Recidiva
Na avaliação da brasileira Márcia Castro, professora da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard (EUA), vários motivos explicam o fracasso da iniciativa.
"Em primeiro lugar, a cobertura não foi integral e mosquito não respeita barreira geográfica. Se você trata uma área, mas não todas, ele volta após algum tempo. Ficaram de fora da iniciativa, por exemplo, os países da África subsaariana, região onde até hoje concentra-se a maioria dos casos. Em muitos locais o acesso às casas era difícil por falta de estradas e falta de equipes de saúde bem estruturadas", afirmou Márcia.
Além disso, com o passar dos anos, os mosquitos foram adquirindo resistência ao inseticida e isso tornou inviável a proposta de reduzir a densidade vetorial a ponto de interromper a transmissão - meta que se tornou ainda mais difícil de ser alcançada uma vez que nem todos os pacientes estavam sendo tratados e, portanto, permaneciam como reservatórios do parasita causador da enfermidade.
Erradicação da pesquisa
De acordo com Márcia, a iniciativa da OMS não só falhou em erradicar a malária como teve um efeito colateral nefasto: erradicou a pesquisa sobre a doença e o treinamento de profissionais de saúde em praticamente todo o mundo.
"Eles achavam que o DDT sozinho resolveria o problema, então não seria preciso treinar pessoas ou investir na busca de novas estratégias de controle e de novos medicamentos. Pensavam ser desnecessário estudar a ecologia das regiões endêmicas ou a biologia do parasita e do mosquito vetor", disse a professora.
A retomada só ocorreu nos anos 1990, disse Márcia, quando muitos países se deram conta de que a malária não era apenas uma questão de saúde pública, mas um entrave ao desenvolvimento econômico. E era o início da globalização.
"Nos anos 1990, a tônica passou a ser o controle do número de casos para que a malária deixasse de ser um problema de saúde tão dramático. Já não se falava mais em erradicação (zero casos no mundo) ou eliminação (zero casos em uma região). Foi então adotada uma combinação de medidas, que inclui controle vetorial, diagnóstico e tratamento precoce dos pacientes", explicou.
Desafios para erradicar a malária
Mas, segundo os especialistas, ainda são grandes os desafios a serem superados para, ao menos, manter a malária sob controle e isso só será possível por meio de investimento em pesquisas.
"A melhor droga antimalárica que temos hoje é a artemisinina e já há casos de resistência no sudeste da Ásia, onde ela foi muito usada. Não sabemos ao certo se a resistência já chegou à África e temos um grande receio de que ela se espalhe, pois não temos outra droga tão potente em mãos", disse Márcia.
Além de novos medicamentos, a professora de Harvard ressalta a necessidade de desenvolver novos produtos para tratar mosquiteiros e borrifar as casas, pois também já há resistência aos inseticidas atualmente usados.
"O mosquito parece estar sempre dois passos à nossa frente. Ele se adapta tanto em termos de desenvolver resistência como em termos de comportamento. Os livros sobre malária dizem que o Anopheles só se reproduz em águas limpas, mas larvas já foram encontradas em águas poluídas. Os livros dizem que ele pica dentro de casa, à noite, mas na Amazônia ele passou a atacar fora de casa, em dois picos: no início da noite e no início da manhã, quando as pessoas estão indo e voltando do trabalho", relatou Márcia.
Também são necessários, segundo os especialistas, novos métodos de diagnóstico que permitam identificar portadores assintomáticos da doença. Bem como métodos que permitam diagnosticar a forma latente da malária causada pelo parasita da espécie Plasmodium vivax, a mais prevalente na Amazônia brasileira, que pode provocar recaídas meses após a infecção primária.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

7 palavras estrangeiras (quase) intraduzíveis

Aposto que você já perdeu tempo tentando explicar para algum gringo que a palavra “saudade” só existe em português. Bom, a primeira notícia ruim do dia é que não, os lusófonos não são os únicos donos da saudade – a palavra também faz parte do vocabulário dos 4 milhões de habitantes da Galícia (que falam, é óbvio, galego).
A segunda notícia – esta não é ruim – é que a maior parte dos idiomas tem suas “saudades”, ou seja, palavras que dão trabalho aos tradutores. Normalmente, é preciso frases inteiras para explicar o sentido dessas palavras. Resolvemos usar parágrafos. Acompanhe:
Тоска (lê-se tós-ca) – Russo
Começamos nossa lista com uma palavra baixo-astral muito popular na Rússia. Para o Google Tradutor, toska significa apenas depressão. Mas, do mesmo jeito que você entende que “sentir saudades” é diferente de “sentir falta”, os russos sabem que não é bem assim. Segundo Vladimir Nabokov, autor de Lolita, toska é uma sensação de angústia espiritual. É aquela agonia sem motivo que esperamos que você nunca tenha sentido. Pode ser leve, como uma sensação parecida com o tédio, ou mais profunda e aguda, como uma “dor na alma”.
Lítost (lê-se li-tóst) – Tcheco
Lítost é algo entre o remorso, o pesar e a compaixão. É uma dor profunda que você sente diante de sua própria mediocridade ou falta de habilidade. É quase um tormento da alma. O escritor tcheco Milan Kundera já tentou explicar o significado da expressão em “O livro do riso e do esquecimento”. E disse ainda que não consegue imaginar como outros povos conseguem compreender a alma sem entender o verdadeiro sentido de lítost. Em português, o mais próximo que se chega disso é a famosa “dó”. Também existe um adjetivo derivado da palavra – lítostivý, que significa “pessoa que se emociona muito, não aguenta crítica leve e leva tudo para o lado pessoal”.

L’esprit d’escalier  – Francês
Neste caso, a expressão não é intraduzível. Ao pé da letra, significa “o espírito da escada” ou “presença de espírito”. Mas WTF? o que será que os franceses querem dizer? Na real, l’esprit d’escalier é aquilo que você provavelmente já sentiu depois de sair de uma discussão. Algo como “putz, mas bem que eu podia ter disparado aquele argumento infalível. Agora, já era!”. O nome deste sentimento foi cunhado pelo filósofo Denis Diderot no século 18 e a idéia também aparece nos idiomas iídiche (trepverter) e inglês (que pegam a expressão alemãTreppenwitz emprestada).
Tartle (lê-se tár-dol) – Escocês
Você está numa balada com um amigo. Entre um drinque e outro, uma velha conhecida sua se aproxima e você se sente na obrigação de apresentar os dois. O problema é que você não lembra exatamente se o nome dela é Beatriz ou Gabriela e está sem jeito de perguntar. Você sente um calafrio e fica muito constrangido, agora que vai ter que falar o nome da moça, correndo o risco de errar e passar vexame. Ok, o sentimento pode não ser tão exagerado assim. Mas ele tem nome: tartle.
Hygge (lê-se rí-gue)
Você já foi à Dinamarca ou conhece bem a cultura dinamarquesa? Por lá, hygge é um estilo de vida. Pelo menos é este o nome que eles dão para a alegria de viver, o aconchego da companhia dos amigos, com quem se compartilha bons momentos. Bonito, né? Resumindo:hygge é a completa ausência de preocupação e aborrecimentos e a fartura de coisas alegres, agradáveis e simples. No Brasil, não é difícil imaginar situações parecidas, seja na época do Carnaval, seja no happy hour de sexta-feira. Agora, no frio da Dinamarca? Quem diria.
Ilunga – Banto
Existem pelo menos 200 idiomas diferentes – mas um pouco parecidos – falados por centenas de povos espalhados pela África. São as línguas bantas. No vocabulário desses idiomas, há muitas palavras de tradução complicada. Mas poucas são tão difíceis de explicar quanto esta. Ilunga é uma pessoa que consegue perdoar alguém que lhe fez mal uma vez. Da segunda vez, ele até tolera. Mas, para os ilunga, três vacilos é demais. Simplificando, serilunga é ser tolerante até certo ponto.
Mamihlapinatapai – Yagan
Yagan era um idioma indígena falado por povos de Tierra Del Fuego, um arquipélago isolado que fica ao sul da América do Sul. Com o passar do tempo, o número de falantes nativos do idioma foi reduzindo até chegar à marca atual: um. Cristina Calderón é a única representante viva dos povos da Tierra Del Fuego e, provavelmente, a única que pode explicar com propriedade o mamihlapinatapai. Vamos tentar: é o olhar trocado por duas pessoas quando uma delas deseja que a outra tome iniciativa para fazer algo que ambas querem, mas que estão relutantes em fazer. Você pode não ser um yagan, mas, se já teve paixões adolescentes, sabe muito bem que ‘olhar’ é este.

domingo, 27 de setembro de 2015

O alfabeto mais longo do mundo

Você sabe qual é o alfabeto mais longo do mundo?
É o Khmer, ou Cambojano, com 68 caracteres. É o idioma oficial do Camboja e é falado por mais de 25 milhões de pessoas – entre cambojanos, tailandeses, vietnamitas e alguns chineses. São 33 consoantes, 24 vogais, 11 independentes vogais (não precisam das consoantes e podem formar palavras monossilábicas) – e ainda temos os números!
Cambodian Alphabet: Khmer ConsonantsCambodian Alphabet: Khmer VowelsCambodian Alphabet: Khmer Numerals
Por incrível que pareça, é uma língua relativamente fácil de aprender. Em Khmer, os verbos e os nomes não são flexionados (não há verbos irregulares e a maioria dos nomes não contém sufixos, prefixos, derivações ou flexões de gênero, número ou grau), a conjugação é simples e as palavras não tem singular nem plural. Claro que não seria brincadeira memorizarmos esses símbolos todos, principalmente para nós que já estamos acostumados com o nosso ABC.
Veja como fica a palavra ‘professor’ (ou ‘professora’) em Khmer: គ្រូបង្រៀន
Oi ou Olá escreve-se ជំរាបសួរ e pronuncia-se  /shumripsua/ (formal) e /sousdei/ (informal).
Fácil não é?
Há alguns outros idiomas com longos alfabetos, mas para ser chamado “alfabeto”, tudo depende se o símbolo representa uma palavra, uma sílaba ou um fonema. Nem todas as formas de escrita são representadas por um alfabeto, alguns são chamados sistemas de escrita logográficos (Chinês, Japonês, Coreano) ou silábicos (Cherokee). No “verdadeiro” alfabeto, cada caractere ou letra deve representar um fonema e as vogais tem o mesmo status que as consoantes.
Deixemos a teoria de lado e vejamos mais alguns exemplos, só por curiosidade: o Thai possui 44 consoantes e 15 símbolos para as vogais; o antigo eslavo tem 43 letras; o !Xu falado pelos Ikung na Namíbia, Botswuana e Angola tem mais de 100 símbolos, o Cherokee tem 85 e o Yi, usado apenas para escrita das línguas Yi, tem mais de 800 símbolos.
De repente, eu fiquei muito feliz e satisfeita com o nosso maravilhoso alfabetinho de apenas 26 letrinhas. Right?
Leia mais sobre a Língua Khmer: https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_khmer
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